CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 15:36 Fase: PE
Orador: ROBERTO PESSOA, PL-CE Data: 15/06/2004




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SR. ROBERTO PESSOA (Bloco/PL-CE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, écom grande alegria que venho hoje a esta tribuna registrar o transcurso do centenário de nascimento do Dr. Sigefredo Pacheco, comemorado no último dia 12, em sua terra natal — Campo Maior, no Piauí, com missa celebrada na Igreja de Santo Antonio e solenidade no teatro que leva o nome dele.
Dr. Sigefredo Pacheco nasceu em 22 de maio de 1904 e faleceu em 10 de janeiro de 1980, com 75 anos. Era filho de Vicente Pacheco e Inês da Costa Araújo Pacheco. Constituindo uma família relativamente pequena para a época, o casal teve apenas 4 filhos que se destacavam pelos fortes laços de amizade. Era uma família muito unida.
Assim, Dr. Sigefredo tinha 3 irmãos: D. Ivone Pacheco Leal, casada com o Dr. Valdemar Leal, Procurador da República; Cláudio Pacheco, ex-Diretor do Banco do Brasil; e Ivon Pacheco, que se tornou seu braço direito e principal articulador político. Casou-se com D. Alzira Pacheco, já falecida.
Formou-se em Medicina Farmacêutica pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro — UFRJ. Fez da Medicina verdadeiro sacerdócio, exercendo-a com zelo, competência, ética e solidariedade.
Foi um médico exemplar. Exerceu a profissão com total desprendimento. Dava aos seus pacientes idêntico tratamento, independentemente da classe social. Para ele, ricos e pobres mereciam a mesma atenção. Não cobrava consultas, porque acreditava que seus ensinamentos foram gratuitos e, assim, nada mais justo, que fossem transmitidos e utilizados também com plena abnegação.
Por seu trabalho, reputação e caráter íntegro, tornou-se um homem renomado, extrapolando seu nome as fronteiras de seu Estado, o Piauí. Isso contribuiu para ampliar sua projeção e consolidar sua capacidade de liderança, que o conduziu também à política.
Em 1935, elegeu-se Prefeito de Campo Maior, sua cidade natal, como mencionei no início deste pronunciamento. Na Câmara dos Deputados, exerceu mandato de 1946 a1959. No Senado Federal, na legislatura de 1963 -1971.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, impossibilitado de comparecer à solenidade de comemoração do centenário de nascimento do Dr. Sigefredo Pacheco, gostaria concluir este registro cumprimentando seus familiares, especialmente os sobrinhos pela lembrança e iniciativa da homenagem: Francisco, Yolanda, Hyedda e Angélica, filhos de Ivon Pacheco; Inez e Carlos, filhos de Cláudio Pacheco; e Eduardo Pontes, filho de Hyedda e meu amigo pessoal.
Sr. Presidente, também com grande alegria venho à tribuna registrar o transcurso do centenário de nascimento do Sr. Antônio Major, patriarca da Família Pereira, referencial de desenvolvimento no Município de Santana do Cariri, no Ceará.
A ausência do saudoso Antônio Major entre os amigos, já que Deus o levou aos 86 anos, não arrefeceu o ânimo festivo dos familiares. Seguindo o exemplo de Antônio Major, conhecido pelo sua alegria e espírito galanteador, os filhos promovem grande comemoração no próximo dia 12, na Fazenda Angico, Distrito de Araporanga, que na linguagem tupi-guarani significa época bonita.
Descendente da família dos Alencar, que o Brasil conhece pela bravura de Bárbara de Alencar, Antônio Major, ainda jovem, começou a vida durante a construção do Açude Lima Campos, em Icó, como modesto fornecedor dos cassacos, o que na linguagem cearense significa fornecer refeições aos operários que construíam a obra.
Trabalhador e audacioso, Antônio Major instalou-se em Araporanga com uma pequena loja de tecidos, a primeira do lugar. Pioneiro no comércio, não se limitou a essa atividade, apesar dos bons frutos. Comprava e vendia gado, além de formar uma tropa de burros que, na época, substituía os caminhões, transportando gêneros alimentícios, remédios, tecidos, enfim, todo tipo de carga até o surgimento dos caminhões, quando então vendeu a tropa, jáque o negócio tornara-se deficitário.
Casado com D. Adália Pereira da Silva, Antônio Major constituiu uma família de 12 filhos: Iranildo, Valdir, José Pereira, Francimar, Manuel, César, Hildair, Hilvandir, Vilani, Valdizia, Terezinha e Ana Maria. Semi-analfabeto, colocou a educação dos filhos como a meta prioritária de vida. Já que em Araporanga não havia meios, com uma única e acanhada escola que dava apenas as primeiras letras, mudou-se com a família para Fortaleza. Antônio Major já era então um preeminente comerciante, respeitado e admirado no lugar pela sua visão e arrojo.
O prestígio que desfrutava na localidade não inibiu o sonho de ampliar os horizontes da família, proporcionando-lhe a educação que ele próprio não tivera. Em Fortaleza, com 12 filhos, dedicou-se na década de 40 ao ramo de hotelaria, que, como era previsível, não apresentava a rentabilidade atual. O que importa é a coragem de ousar.
Conforme o testemunho dos filhos, a ida para Fortaleza constituiu um choque cultural para os jovens que não conheciam sequer o Município do Crato, vizinho a Santana do Cariri. Fiel ao seu estilo, Antônio Major colocou os filhos no melhor colégio de Fortaleza, o 7 de Setembro, e tocava o hotel na rua Senador Pompeu, junto com D. Adália.
Após 6 anos em Fortaleza, a família retornou ao Cariri, onde a prole foi estudar no Colégio Diocesano do Crato, também o melhor da região. Como a meta era fazer de cada um filho um doutor, após os estudos no Crato, a família voltou para Fortaleza com o patriarca permanecendo na Fazenda Angico para prover os filhos na Capital.
O sonho de Antônio Major tornou-se realidade, e cada um dos filhos foi motivo de muita alegria e orgulho. Meu amigo Iranildo foi mais além. Formado em Direito, emergiu na política, o que muito agradava Antônio Major, conquistando mandatos de Deputado Estadual e Federal. Valdir formou-se em Medicina, instalando no Crato um dos melhores hospitais da região. Meu querido amigo José Pereira formou-se em Odontologia, foi consultor do MEC, Delegado de Educação e professor universitário. Terezinha, também professora universitária, formou-se em Farmácia. Valdizia é advogada, Procuradora do Município de Fortaleza. Francimar, urbanista, morou 34 anos na França, tornando-se o cearense mais conhecido a recepcionar a elite política brasileira em visitas ao país. Ana Maria formou-se em Teatro. Hilvandir é funcionário do IBGE e Manoel é comerciante.
As vitórias dos filhos eram comemoradas como conquista pessoal de Antônio Major. E de fato era, pois o seu exemplo calava fundo não só nos familiares, mas em toda a vizinhança, servindo de estímulo para muitos.
Antônio Major foi pioneiro na introdução de novas culturas, como o capim para alimentar o gado na região que então só conhecia a vegetação nativa. Bonachão, conversador, era um entusiasta da evolução, criando novos hábitos na pequena Araporanga. Seu gado, por exemplo, era adquirido na Exposição do Crato, o que se traduz como rebanho selecionado da melhor qualidade.
Foi Antônio Major quem levou para Araporanga a primeira forrageira, o primeiro motor elétrico, o que, na época, significou grande avanço tecnológico.
Era também um
bon vivant, um sedutor. Gostava de dançar, talvez por isso as festas na Fazenda Angico, comemorativas de aniversários, da formatura dos filhos, ocasião em que recebia os incontáveis amigos, nunca duravam menos de 3 dias.
Ouvinte assíduo de A Voz do Brasil, participava ativamente da política, tendo convivido com as lideranças políticas do Estado como Raul Barbosa, Menezes Pimentel, Martins Rodrigues, Castelo de Castro, freqüentadores assíduos da Fazenda Angico.
Em 1967, conquistou o mandato de Vereador pelo Município de Santana do Cariri.
A semente plantada por Antônio Major é bem regada por seus filhos. Em Araporanga, o ZéPereira lidera uma Cooperativa de Pequenos Produtores em Agricultura Protegida, pioneira no Estado, assim como foi a trajetória de Antônio Major. Iranildo, que foi Deputado Estadual e Federal, pode serconsiderado o grande benfeitor de Araporanga. Seguindo o exemplo do pai, levou para o lugar energia elétrica, posto telefônico, poço profundo, estação de fornecimento dágua, a primeira escola, o primeiro posto de saúde e estrada intermunicipal ,entre outros benefícios.  
Para incentivar o turismo, os irmãos Pereira estão construindo em Araporanga a Euroville, um espaço temático com réplicas de construções européias que já começa a atrair visitantes.
No próximo dia 12, seguindo a tradição, comemoram em grande estilo o centenário do patriarca que foi o grande exemplo de amor a Araporanga e de ousadia, trabalho e perseverança, ao transformar sonhos em realidade.
Muito obrigado.