CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 15:36 Fase: PE
Orador: CEZAR SCHIRMER, PMDB-RS Data: 15/06/2004




O
SR. CEZAR SCHIRMER (PMDB-RS. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria de chamar a atenção para o recente anúncio, feito pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul e pela Toyota do Brasil, a respeito do investimento de 6 milhões de reais, apenas numa primeira etapa, para instalação de um centro de distribuição da montadora na região do MERCOSUL.
O significado desse evento encheu de entusiasmo o Rio Grande, visto que o fato de a Toyota ter fincado sua bandeira em solo gaúcho abre perspectivas muito otimistas para um projeto que poderá resultar na instalação de uma fábrica da montadora no local em que inicialmente seria construída a planta da Ford, a qual, devido a concepções ideológicas do Governo passado, acabou sendo instalada na Bahia.
Os planos da Toyota são arrojados para os próximos anos: a montadora pretende atingir a meta de 10% do mercado brasileiro até 2010 e há, segundo o presidente da corporação japonesa, Hiroyuki Okabe, um projeto de construir um novo modelo compacto, não popular, embora ainda sem definição.
O novo centro dará apoio logístico na distribuição para o Brasil dos produtos Toyota que são produzidos na planta de Zárate, Argentina. Essa operação é realizada hoje pelo Porto de Vitória, no Espírito Santo, que continua funcionando como base logística para a distribuição dos veículos Toyota importados do Japão. A empresa tem uma fábrica no Brasil, localizada em Indaiatuba, São Paulo.
Entendo, Sr. Presidente e demais pares, que o aspecto relevante verificado nessa iniciativa empreendedora está na persistência obstinada de lutar e encontrar alternativas para vencer as adversidades estruturais e políticas poderosas, como as que são impostas pela União aos Estados.
O Rio Grande do Sul tem vantagens competitivas, como infra-estrutura e mão-de-obra qualificada, além de posição geográfica privilegiada em relação ao MERCOSUL, as quais o Governo Federal poderia aproveitar estrategicamente para a inserção do País de forma mais consistente no MERCOSUL. Digo poderia, pois os Estados estão em uma espécie de segundo plano, de maneira geral, visto que estão sendo tratados a pão e água pelo Governo Federal, numa austera e impiedosa política de aperto fiscal, com a finalidade exclusiva de atingir as metas de superávit primário impostas pelo Fundo Monetário Internacional.
A Fazenda, conduzida por uma equipe econômica conservadora, sangra na fonte os recursos que os Estados gostariam de aplicar em investimentos estruturais, geradores de emprego, renda e crescimento, numa demonstração de total insensibilidade aos apelos dos Governadores quanto à necessidade de renegociar suas respectivas dívidas e assim ganharem fôlego para a desejável competitividade.
É esse contraste entre o baixo investimento governamental em infra-estrutura, educação, pesquisa e desenvolvimento e a exigência de um ambiente favorável ao investimento de longo prazo, como no caso da instalação de fábricas e montadoras, que nos torna céticos em relação ao empenho do Governo Lula em retomar o crescimento econômico do País. Salvo honrosas exceções, esforços isolados e gigantescos dos Estados, como o mencionado evento promovido pelo Rio Grande do Sul e pela Toyota.