CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 15:24 Fase: PE
Orador: JOSUÉ BENGTSON, PTB-PA Data: 15/06/2004




O SR. JOSUÉ BENGTSON (PTB-PA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem foi um dia muito importante para a área de saúde do Estado do Pará. O Governador Simão Jatene, juntamente com a Vice-Governadora, que coordena a Secretaria Especial de Atendimento aos Carentes do Estado, fez a entrega oficial de mais de uma centena de veículos para a área de saúde do Estado. Os Municípios do interior foram aquinhoados pelo Governador do Estado com motocicletas e ambulâncias. Desde ontem, crescemos. O Pará melhorou sua saúde porque o Governador, Sr. Simão Jatene, com muita sensibilidade, tem atendido aos Municípios mais carentes.
Lamento que, nos últimos meses, tenha caído de maneira assustadora os repasses do Governo Federal para o nosso Estado. Faço um apelo ao Presidente Lula e ao Ministro da Fazenda no sentido de que não façam diminuir os valores dos repasses do Fundo de Participação dos Estados, pois este já perdeu em torno de R$10 milhões nesses últimos tempos.
Outro assunto, Sr. Presidente.
É bem conhecido dos brasileiros o fenômeno chamado "cultura da metrópole". Trata-se de interesse ou, melhor dizendo, de ilusão, da parte de habitante do interior, de conseguir um emprego na capital do Estado. Esse fenômeno tem criado, através dos anos, problemas graves de excesso de mão-de-obra, em sua maioria desqualificada, vivendo no entorno das capitais estaduais e das grandes cidades. Em alguns casos, grupos de trabalhadores chegam a formar verdadeiros guetos na periferia; sem abrigo, sem emprego, em condições quase miseráveis de sobrevivência.
Mas esse fenômeno, felizmente, começa a se inverter no Pará. Depois de séculos de cultura metropolitana", os que estão em busca de emprego conseguem perceber, com esclarecimentos de órgãos sociais, que não vale a pena correr para as portas das grandes cidades; que é muito mais provável um emprego no interior. O potencial econômico do interior do Pará aponta para as mais diversas áreas como necessitadas de profissionais. Setores como educação e saúde, desenvolvimento da indústria, construção civil, manutenção industrial e outros aguardam a chegada de profissionais capacitados para o desempenho de diferentes tarefas. O SENAI tem dado sua contribuição, aliás indispensável, para a capacitação de profissionais, em atendimento à fase inicial do projeto de exploração do cobre no sul do Pará e à expansão da ALUNORTE, em Barcarena.
O setor de mineração necessita de empregados capacitados. A Mineração Vera Cruz já recebeu autorização da SECTAM para explorar bauxita em Paragominas. A Vale do Rio Doce já está explorando cobre em Canaã dos Carajás e Igarapé Baía, ao mesmo tempo em que a exploração de níquel, em Ourilândia, está motivando o treinamento de 600 profissionais. Certamente, para que houvesse esse deslanche em proporção tão acentuada, houve a sábia redução, por parte do Governo estadual, do ICMS. E, de outro lado, há abundância de matéria-prima na região.
A Federação das Indústrias do Estado do Pará, por sua diretoria, reconhece que o mais importante, hoje, é agregar valor à matéria-prima, como, por exemplo, no caso do rebanho paraense. O fornecimento de couro é feito em larga escala, mas o Estado ainda não possui indústria para beneficiar o couro antes da venda. Em Castanhal, a indústria de calçados está exigindo pessoal capacitado a trabalhar o couro, na área de curtição, o que aponta para a abertura de novos postos de trabalho. A tudo isso juntemos o incremento da mineração, a expansão da agroindústria no interior, a produção de óleos em Tailândia e a atividade frigorífica em Marabá. A soja e a madeira também ocupam lugar de destaque, embora não haja estatísticas específicas sobre essas atividades. Na região metropolitana de Belém, comércio e serviços são os setores que mais empregam; e aíentram em cena, além da qualificação, outros fatores de peso. São novas exigências para atender a um consumidor de melhor padrão econômico, tais como nível escolar e facilidade de comunicação. Portanto, a falta de qualificação profissional é, realmente, empecilho para emprego da grande mão-de-obra desqualificada, que, hoje, já procura se instruir e aperfeiçoar diante das novas necessidades do mercado.
A melhoria dos portos tem contribuído para o desenvolvimento do Estado, mas, nesse setor, ainda há muito a ser feito. É área que exige grandes investimentos e tem merecido a atenção governamental. Por isso, esperamos que, brevemente, o Pará tenha não só muito a exportar, mas, sobretudo, boas fontes de escoamento de sua produção. Por tudo isso, parabenizamos o laborioso povo paraense, as autoridades, os empresários, as associações de classe, e a todos quantos têm, de uma maneira ou outra, contribuído para o desenvolvimento de nosso Pará.
Sr. Presidente, solicito que este meu pronunciamento seja divulgado nos meios de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil.
Muito obrigado.