CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 15:22 Fase: PE
Orador: REINALDO BETÃO, PL-RJ Data: 15/06/2004




O
SR. PRESIDENTE (Carlos Nader) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Reinaldo Betão.
O SR. REINALDO BETÃO (Bloco/PL-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último domingo, a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro ficou mais iluminada. Aproximadamente 1,3 milhão de pessoas assistiram ao evento realizado no Parque do Flamengo em homenagem à passagem da tocha olímpica pelo Rio.
Através desse acontecimento, o povo carioca pôde mostrar ao Brasil e ao mundo que o Rio de Janeiro possui muitas outras qualidades, das quais destaco a alegria, a fraternidade e o calor humano. O nosso povo éespecial, Sr. Presidente, pois sabe superar desafios.
Durante a passagem da tocha olímpica, cerca de 3.500 homens foram mobilizados no esquema montado pelos organizadores, provando que no quesito segurança o Estado tem condições suficientes de desempenhar um bom trabalho quando se organiza e tem vontade.
Foi uma cena linda, nobres colegas, ver o Brasil numa só voz, num só propósito. A tocha percorreu 49 quilômetros, passou pelos principais pontos turísticos da cidade, como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, a Praia de Copacabana, com a participação de diversas celebridades e esportistas.
Em momentos de instabilidade (principalmente na área da segurança) e crise econômica, é muito importante demonstrar confiança e civismo à nossa Pátria. Espero que a passagem da tocha olímpica, símbolo máximo das Olimpíadas, possa reafirmar a união dos povos, confiança e respeito mútuo e, verdadeiramente, enseje a prática da paz.
Passo a outro assunto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. É com pesar que anuncio a morte de mais 2 bebês que usaram em maio passado, nos hospitais públicos do Estado, soro contaminado produzido pela empresa Ganutre, elevando para 18 o número de vítimas.
Para essa última família, acabou o sonho de ver os 2 meninos correndo pela casa, brincando, pulando. Para as demais, o desespero e o desânimo são a única coisa que restaram. Uma cena dramática que virou rotina no Rio de Janeiro e nos sensibiliza muito.
Tenho conhecimento de que todas as mortes estão sendo investigadas pela Delegacia de Saúde, que já mandou exumar os corpos de 3 bebês. O detalhe é que o caso já extrapolou as fronteiras cariocas, Sr. Presidente, ganhando repercussão na mídia de todo o País.
Contudo, o que eu e milhões de brasileiros gostaríamos realmente de ver é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária — ANVISA e a Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro implementarem ações mais ágeis e transparentes para toda a sociedade, independentemente do processo de investigação que está sendo feito pelos órgãos competentes. O povo precisa ser informado do que está verdadeiramente acontecendo.
Sr. Presidente, abordo ainda outro assunto. Registro minha indignação com o péssimo estado de conservação da primeira estação de estrada de ferro construída no Brasil, localizada em Mauá, distrito de Magé.
Sua inauguração data de 30 de abril de 1854 e levou o nome de Guia de Pacopaíba, herdando o nome da histórica Igreja de Nossa Senhora da Guia de Pacopaíba, de 1755. De frente para a estação também estáa Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, de 1740, e a de São Francisco do Croará, de 1745.
O nosso Município de Magé, Rio de Janeiro, é pura história. Em cada caminhada pelas ruas, é possível conhecer, ao vivo e em cores, detalhes do Brasil na época em que era colônia e império, suas riquezas e influências para as sociedades contemporâneas. Uma relíquia deixada a mercê do tempo, injustamente esquecida pelo Poder Público das 3 esferas.
A Estação Guia de Pacopaíba foi palco de eventos importantíssimos. Em 1854, por exemplo, Irineu Evangelista de Souza recebeu a Comenda de Barão das mãos de D. Pedro II, na presença das mais altas personalidades do Império. A estrada de ferro que ali se iniciava percorria 16,5 quilômetros até atingir a localidade de Fragoso, na subida da serra da Estrela, em Inhomirim.
Hoje, a estação está em total estado de abandono. Virou local de esconderijos, casa de desocupados, mendigos e mictório.
Sr. Presidente, não podemos acabar com a memória do País. É lamentável que a situação tenha chegado a esse estágio. Por isso, faço um apelo aos Governos Federal, Estadual e Municipal para que, em conjunto, possam revitalizar um patrimônio dessa envergadura. O lugar, quem sabe, poderia ser tombado como patrimônio cultural da humanidade, e, dessa forma, os valores histórico-culturais locais seriam preservados e o turismo novamente dinamizado na região.
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.