CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 124.2.52.O Hora: 15:10 Fase: PE
Orador: MAURO BENEVIDES, PMDB-CE Data: 15/06/2004




O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, chamo a atenção da Casa para o destaque que o jornalista Gilberto Amaral empresta a um tema da maior importância para o povo brasileiro: o sufoco no ar:
O transporte aéreo, além de ser um comércio vital para o progresso de um país, é matéria de segurança nacional. Pelas dimensões continentais do Brasil, a aviação comercial assume uma relevância tal que o seu colapso representaria o colapso do próprio país.
Faria bem o Governo do Presidente Lula se olhasse com mais atenção esse setor, evitando um mal maior. Todas as companhias estão passando uma temporada jádemasiada longa de sufoco. Socorrendo-as, quem ganha é o Brasil.
Nesta mesma notícia, o jornalista Gilberto Amaral enaltece o trabalho desempenhado pelo Presidente da INFRAERO, o ex-Senador Carlos Wilson, que tem sido responsável pela modernização da estrutura aeroportuária do País.
Peço ao Presidente que atente para este tema de extrema importância que é a dificuldade vivenciada pelas companhias de aviação em nosso País.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a retomada do crescimento econômico há sido tema de constantes debates neste plenário, conjugando opiniões de oposicionistas e situacionistas, num empenho generalizadocom vistas a garantir um maior impulsionamento em nossas atividades produtivas, o que ensejará o surgimento de novos postos de trabalho, destinados a absorver a mão-de-obra trabalhadora, dentro do projeto do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciado ainda ao tempo de sua vitoriosa campanha eleitoral de 2002.
Mesmo que a audaciosa meta dos 10 milhões de empregos não se concretize na exatidão do que pretendera o Primeiro Mandatário, torna-se indispensável que o percentual dos marginalizados no aproveitamento formal seja reduzido, o que melhorará, substancialmente, a imagem de prestígio do atual Primeiro Mandatário do País.
Como os resultados constatados no quadrimestre deste ano apontam para um PIB positivo, com a balança comercial apresentando números alvissareiros, é imprescindível que se intensifiquem os esforços para que não se frustre a expectativa daqueles que continuam confiantes na gestão da área econômica, entregue ao Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, detentor da integral apoio de importantes segmentos de nossas lideranças empresariais.
Sobre os rumos a serem seguidos pelo Brasil, a partir de agora, o jornal O Globo, em sua edição de domingo, faz inserir oportuno editorial, sob o título Riscos à Frente, cuja transcrição em nossos Anais requeiro, com base no Regimento Interno da Casa.
Eis o teor de referenciado editorial do importante jornal, de circulação em todo o País:
Riscos à frente

Depois da divulgação do PIB do primeiro trimestre, com a confirmação de que a economia começara a decolar no final do ano passado, as estatísticas positivas se sucedem. Em abril, a indústria, embora tenha reduzido o ritmo em relação a março, apresentou um aumento de produção de 6,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior; e nos últimos doze meses encerrados em abril, um setor-chave como o de bens de capital (máquinas e equipamentos) avançou 10,5%. Mesmo segmentos mais dependentes do mercado interno, cujo motor é a renda da população, jáemitem algum sinal de vida.
Assim, o atual ciclo de crescimento, puxado inicialmente pela locomotiva vigorosa das exportações, começa a se propagar em ondas pelo sistema produtivo. É questão de tempo para que toda a economia dê passos para a frente — embora uma postura menos conservadora do Comitê de Política Monetária (Copom) diante dos juros possa acelerar esse processo.
A boa safra de índices inspirou uma animada reunião do Ministério de Luiz Inácio Lula da Silva. Com razão. Ministros chegaram a garantir à imprensa que o crescimento sustentado enfim chegara. Um exagero.

Como tudo em economia, há o verso da moeda e os perigos. No caso da atual retomada de crescimento, existem barreiras importantes à frente, capazes de reduzir o alcance do vôo da economia. Alguns desses riscos estão no Congresso, onde há uma importante pauta de projetos capazes de incentivar a imprescindível retomada dos investimentos.
Sem isso, a economia esbarrará, em algum momento, na falta de capacidade produtiva e no agravamento dos problemas de infra-estrutura. O resultado será inflação e um necessário freio na expansão. Será como um vôo de galinha.
Os parlamentares precisam entender a importância da Parceria Público-Privada, da Lei de Falências, das mudanças nas agências reguladoras, das reformas tributária e da Previdência, por exemplo.
Não teriam de fazer muito. Bastaria dedicar a essa agenda parte do esforço que devotam à tentativa de salvar o salário pago pelo contribuinte a 3.500 vereadores.