CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 061.1.53.O Hora: 11h8 Fase: BC
  Data: 10/04/2007

Sumário

Protesto contra a publicação de editoriais jornalísticos em defesa de redução dos direitos trabalhistas para a promoção do crescimento econômico.




O SR. BRIZOLA NETO (Bloco/PDT-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobre Deputado Inocêncio Oliveira, Sras. e Srs. Deputados, não podemos furtar-nos a usar esta tribuna para registrar a visão míope dos editoriais dos grandes veículos de comunicação, no último final de semana. Os constantes ataques a uma legislação conquistada a duras penas pela classe trabalhadora parecem ser uma ação articulada, justamente para que a corda arrebente, como sempre, do lado mais fraco. A pressão no sentido de se retirarem direitos dos trabalhadores incide ora sobre a CLT, ora sobre a Previdência.
Torna-se claro que há outras maneiras de encararmos esse fato e de superarmos as dificuldades econômicas e o desemprego em nosso País. Por que não buscar solução no alívioda carga tributária? Por que não buscar solução em mecanismos que não retirem direitos conquistados pelo povo trabalhador?
Os editoriais do último final de semana, principalmente os do jornal O Estado de S. Paulo e a coluna do Sr. Augusto Nunes, atacaram diretamente uma legislação que custou muito caro à classe trabalhadora e que garante direitos e conquistas há bastante tempo surrupiados dos trabalhadores brasileiros. É importante lembrar que, antes da vigência da CLT, questões como greve eram tratadas no Código Penal.
As pessoas que atacam hoje a legislação trabalhista, que buscam superar as dificuldades econômicas do nosso País, retirando direitos justamente daqueles que são o elo mais fraco dessa composição, têm uma visão míope do processo produtivo brasileiro.
Como desconsiderar a nossa carga tributária violenta e brutal? Por que não combatê-la, em vez de atacar os direitos do povo trabalhador? Parece-me que a solução vem causando prejuízos e retirando direitos daqueles que são os elos mais fracos.
Os Deputados do PDT — e tenho certeza de que toda a base governista — estarão aqui enfileirados para garantir os direitos duramente conquistados pelo povo trabalhador brasileiro. Essa tem de ser a ação daqueles que acreditam que o Parlamento é o espaço da representação popular e, acima de tudo, de defesa do povo trabalhador, que construiu o País e o faz crescer.
Está na hora de mudarmos a visão atual, porque há muitas maneiras de garantir mais empregos, de fazer a economia crescer, de incluir no mercado de trabalho os excluídos sem que se retirem direitos e garantias do povo trabalhador.
Este é o momento de mudarmos o foco da visão. Os meios de comunicação têm papel fundamental, porque são formadores de opinião e devem assumir um compromisso maior com a classe trabalhadora.
A pergunta que deixo registrada é esta: por que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco? Quando se fala em desonerar a produção, sempre se coloca nas costas do trabalhador, devido aos direitos conquistados por essa classe, a responsabilidade por aquilo que tem de ser superado e modificado. Por que não se faz uma discussão para desonerar a produção? Por que não se preservam os direitos dos trabalhadores para fazer a nossa economia crescer e aumentar os empregos? Não se deve retirar os direitos e as garantias do povo trabalhador.


DIREITO DO TRABALHO, REDUÇÃO, DEFESA, EDITORIAL, JORNAL, O ESTADO DE S. PAULO, CRÍTICA.
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