CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 045.3.55.O Hora: 9h20 Fase: BC
  Data: 23/03/2017

Sumário

Leitura de carta do ator Wagner Moura intitulada Quem tem Medo de Artistas?.




O SR. PRESIDENTE (Carlos Manato) - Concedo a palavra à nobre Deputada do PT do Rio de Janeiro, que está elegantemente vestida para o seu pronunciamento, Benedita da Silva.
V.Exa. terá 3 minutos na tribuna.
A SRA. BENEDITA DA SILVA (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu peço o registro da íntegra da carta de Wagner Mouraintitulada Quem tem Medo de Artista?
Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia — todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política. A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.
Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira? (...)
Talvez essa extraordinária tese se aplique bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita lets make it great again. De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas. (...)
Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série House of Cards. A frase era a seguinte: a opinião de um artista não vale coisa nenhuma. Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento ad hominem para desqualificar os que discordam de suas opiniões.
É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que vocêpensa, portanto tento destruir você pessoalmente. (...)
Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro (...).
Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta da Previdência. O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público (...).
Num país democrático, todos nós devemos pensar e falar aquilo que pensamos com liberdade.
Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência. (...)
Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo.
Completo a frase: deverão ter medo, principalmente, do povo que está nas ruas.
Concluo, Sr. Presidente, dizendo que estamos vivendo num estado de exceção, pois um juiz se defende, prende e condena uma pessoa que falou mal dele. É esse o caso do nosso blogueiro Eduardo Guimarães, que foi alvo de ondução coercitiva por ordem do Juiz Moro.
Estamos vivendo, realmente, restrição de direitos, e estão passando dos limites no que diz respeito à liberdade de expressão neste País.
Muito obrigada, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Manato) - Muito obrigado, nobre Deputada.

CARTA A QUE SE REFERE A ORADORA


REFORMA PREVIDENCIÁRIA (2016), CONTRA, WAGNER MOURA, ATOR, AUTORIA, CARTA, ANAIS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, REGISTRO, LEITURA. DEMOCRACIA, LIBERDADE DE EXPRESSÃO, ANÁLISE.
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