CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 029.4.54.O Hora: 14h56 Fase: PE
  Data: 25/02/2014

Sumário

Transcurso do 59º aniversário de emancipação político-administrativa do Município de Sapiranga, Estado do Rio Grande do Sul. Expectativa dos setores coureiro-calçadista, moveleiro e têxtil de realização de acordo entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul - MERCOSUL. Perda de competitividade pela indústria brasileira. Matéria intitulada O rombo da indústria, publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.



O SR. PRESIDENTE (Marçal Filho) - Está assegurada a palavra a V.Exa. Deputado Renato Molling, por 5 minutos.
O SR. RENATO MOLLING (Bloco/PP-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, primeiramente, eu queria, desta tribuna, homenagear o Município de Sapiranga, que, no próximo dia 28 de fevereiro,vai completar 59 anos de emancipação política. Fui Prefeito por 8 anos dessa cidade, que fica na Região Metropolitana de Porto Alegre e cuja economia está baseada na área calçadista.
Com aproximadamente 75 mil habitantes, hoje, Sapiranga tem como Prefeita minha esposa, Corinha Molling, que está tentando fazer com que o setor calçadista, que é a base da economia, que gera bastante emprego, volte a ser um elo que faça realmente a cidade crescer de maneira sustentável, dando oportunidade de emprego e renda às pessoas.
Nesse sentido, eu queria também reforçar, com o Presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Setores Coureiro-Calçadista e Moveleira, a importância dos setores intensivos de mão de obra no Brasil, que são os setores coureiro-calçadista, moveleiro, têxtil, além de tantos outros que geram muito emprego no nosso País, especialmente para as pessoas que lutam no dia a dia e que, com a sua renda, com o seu salário, fazem a economia girar, gastando. Com isso, o comércio também se movimenta e o País cresce.
Nos últimos anos, nós temos visto a diminuição dessa atividade, especialmente industrial, em função dos altos custos de produção no Brasil, especialmente no que se refere à logística, à energia e àalta carga tributária na cadeia produtiva.
A exportação, que já foi pioneira nos anos 70 e80, hoje encontra muitas dificuldades. Mesmo com a desoneração da folha de pagamento feita pelo Governo, ainda encontramos dificuldades, especialmente com a concorrência muito desigual com os chineses, que, além de entrar violentamente no nosso mercado aqui, no MERCOSUL, praticamente dominam hoje o mercado mundial desses produtos de transformação, produtos de valor agregado que geram tanto emprego.
Com certeza, ainda existe espaço para nós melhorarmos essa condição, a competitividade. Vimos essa semana a nossa Presidente Dilma Rousseff dialogando para fazer o acordo bilateral União Europeia e MERCOSUL. Os acordos são extremamente importantes, principalmente para abrir espaço para as nossas empresas e produtos, a fim de que sejam competitivos na União Europeia, que é um mercado bastante promissor em que o poder aquisitivo é muito alto. Então, essa iniciativa é muito louvável.
Esperamos que o acordo possa ser fechado o quanto antes, para que possamos continuar progredindo e fazendo com que a indústria de transformação, que já foi tão importante no Brasil, possa continuar sobrevivendo, progredindo, gerando emprego aqui dentro do País e, com isso, trazendo divisas de fora para dentro, através do nosso trabalho e da exportação não só de commodities, o que também é importante, mas especialmente de produtos com valor agregado, que realmente dão consistência ao nosso País.
Por isso, a importância da política nesse sentido, para que possamos ficar fortes, desenvolvidos, como todos nós desejamos.
Aproveito também para falar da importância do aeroporto internacional que está sendo pleiteado pela comunidade, especialmente para a Região Metropolitana de Porto Alegre, para o Rio Grande do Sul. As tratativas estão bem adiantadas, mas nós precisamos que a Secretaria Nacional de Aviação agilize esse empreendimento grandioso para o Rio Grande do Sul, que precisa dessa logística para continuar crescendo e se desenvolvendo.
Muito obrigado, Sr. Presidente.

PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR

Exmo. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na próxima sexta-feira, 28 de fevereiro, a cidade de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, completa 59 anos de história. Como ex-prefeito por dois mandatos e morador dessa cidade, cheia de belezas naturais e histórias para relembrar, deixo aqui meus votos de crescimento e sucesso.
Localizada na Região Metropolitana de Porto Alegre, Sapiranga abrigou imigrantes alemães no início do século XIX. Esses deram início à história dos Municípios que rodeiam o Vale dos Sinos e cultivaram a tradição de união na força de trabalho e busca pelo crescimento mantido até hoje.
Atualmente, a base da economia daquele Município são as indústrias de calçados, metalurgia, comércios, pequenos empreendimentos e extrativismo vegetal. Isso porque, até mesmo antes da década de 50, as fábricas eram base econômica local, favorecendo o mercado de trabalho e o aumento da população.
Atualmente administrada pela minha esposa, Corinha Molling, Sapiranga tem aproximadamente 75 mil habitantes. Nos anos 80, o Município recebeu pessoas de todas as regiões do País que vinham em busca de prosperidade. Por causa das indústrias e do povo trabalhador e hospitaleiro, até hoje essa gente colhe os bons frutos que plantou.
Conhecida como Cidade das Rosas, as belezas naturais de Sapiranga são orgulho do seu povo e admiração dos visitantes. Patrimônio cultural e natural do Município, o Morro Ferrabraz éum dos locais mais visitados e transita entre os melhores lugares do mundo para a prática de voo livre. Além disso, o local é propício para o mountain bike.
Também na encosta do Ferrabraz foi demarcado o sítio histórico dos Muckers: Jacobina Mentz e seu marido, João Maurer, fundaram uma seita religiosa no Morro Ferrabraz, denominada Muckers. Foram perseguidos e mortos nesse local. Esses personagens históricos inspiraram o filme A Paixão de Jacobina.
O Parque do Imigrante também abriga a Festa das Rosas. Outro grande evento que atrai turistas que prestigiam teatro, dança, cultura étnica e diversidade musical.
Por tanto, parabéns Sapiranga — cidade das rosas, do voo livre, das bicicletas, de pessoas honestas e trabalhadoras! Recebeste pessoas vindas das diversas regiões do Rio Grande e do Brasil. Todos em busca de dias melhores.Deste oportunidade à formação de pequenos empresários, comerciantes, líderes e famílias. Proporcionaste uma verdadeira integração entre os nativos e os que vieram de longe ou de perto. Agora, já com quase 60 anos, ainda estás de braços abertos, torcendo para que todos realizem os seus sonhos. Cabe a cada um fazer a sua parte, para construirmos juntos uma cidade cada vez melhor.
Parabéns a todos!
São essas as minhas considerações.
Peço que este discurso seja registrado nos órgãos de comunicação desta Casa.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 15 de janeiro, do ano em curso, o jornal O Estado de S.Paulo publicou importante nota com o título O rombo da indústria. As informações de elevada importância merecem atenção e o conhecimento de todos, principalmente desta Casa de Leis.
Com um buraco de US$ 105 bilhões na conta de manufaturados, o comércio exterior foi mais uma vez desastroso para a indústria brasileira, em 2013. Atribuir o mau resultado à crise internacional e ao câmbio, como têm feito autoridades federais, é tentar disfarçar o indisfarçável. Mesmo com o ambiente externo desfavorável e a queda de preços de vários produtos, o agronegócio faturou US$ 99,97 bilhões no ano passado, 4,3% mais que em 2012, e fechou o balanço com um superávit acumulado de US$ 82,91 bilhões, 4,4% maior que o período anterior. Uma palavra explica a diferença entre os dois desempenhos: competitividade. Apesar dos problemas logísticos e de uma porção de outras dificuldades, o campo e a indústria diretamente ligada à agropecuária têm mantido um padrão de eficiência respeitado internacionalmente. A maior parte do setor manufatureiro tem sido muito mais afetada pelos entraves à produção e à comercialização – a própria logística, o alto custo da energia, a escassez de mão de obra qualificada e até qualificável, e principalmente a alta carga tributária.
A indústria exportou em 2013 manufaturados no valor de US$ 93,09 bilhões, valor 1,8% maior que o de 2012, pela média dos dias úteis. Mas esse resultado inclui US$ 7,74 bilhões obtidos com a exportação meramente contábil e sete plataformas de exploração de petróleo e gás. Sem sair do País, esses equipamentos foram vendidos para a obtenção de benefícios fiscais e alugados para uso no Brasil.
São operações legais, permitidas há mais de dez anos, mas seu volume e seu valor têm crescido a ponto de se tornarem essas plataformas o item principal da pauta de manufaturados. Isso obviamente distorce os números, porque exportação de plataformas significa, de fato, algo muito diferente de exportação de soja, café, aviões, automóveis, peças, tratores, biquínis, açúcar e minério.
Expurgadas as contas do ano passado e de 2012, as vendas de manufaturados de fato encolhem, passando de US$ 89,25 bilhões para US$ 85,35 bilhões. Com esse desconto, o déficit do setor sobe de US$ 105 bilhões para US$ 112,75 bilhões. Não se trata de um déficit qualquer, facilmente assimilável e causado por algum fator conjuntural. O quadro fica mais feio quando a atenção se volta para um detalhe. Não se trata somente de importação maior que exportação. O próprio déficit, o resultado da subtração, é muito maior que o valor exportado, seja o oficial (US$ 93,09 bilhões) ou o expurgado (US$ 85,35 bilhões).
Com ou sem plataformas, pode-se falar de uma desindustrialização das exportações brasileiras. As vendas de manufaturados garantiram mais de 50% da receita comercial durante os anos 90 e em boa parte da última década. Em 2007 ainda proporcionaram 52,25% do valor vendido ao exterior. No ano seguinte a proporção caiu para 46,82%. A queda prosseguiu nos anos seguintes, até 38,4% em 2013. Somada a parcela dos semimanufaturados, obtém-se a participação total dos industrializados, 51% do total vendido ao exterior. Em 2007, a soma dos dois itens ainda rendeu 65,82%, praticamente dois terços da receita comercial.
O mau desempenho comercial do setor de transformação tem como contrapartida o baixo crescimento do produto industrial nos últimos anos. Os dois fenômenos estão associados. Por um evidente erro de diagnóstico, o governo vem estimulando há anos a demanda de consumo, sem remover de fato os muitos entraves à produção.
A indústria tem sido incapaz de responder à demanda crescente e de enfrentar a concorrência estrangeira, no exterior e no mercado interno. Apesar disso, as empresas do setor conseguiram durante anos manter o pessoal. Evitaram os altos custos de demissão e os problemas de recomposição de quadros num mercado de mão de obra de baixa qualidade. Esse esforço parece ter chegado ao limite. O emprego na indústria ficou estável em novembro, em nível 1,7% inferior ao de um ano antes, e diminuiu 1,1% em 12 meses. Cada vez mais, a sustentação do emprego tem dependido de vagas em atividades pouco produtivas, principalmente em serviços. Um Bric - sigla
que se refere aBrasil,Rússia,Índia,China, que se destacam no cenário mundial comopaíses em desenvolvimento - digno desse nome tem de fazer muito mais.
Sr. Presidente, nobres colegas, diante do exposto peço a todos que de forma consciente e visando a que setores importantes da nossa economia caiam em declínio, possamos a curto prazo contribuir com o desenvolvimento da indústria e evitar números negativos para o nosso País.
Sr. Presidente, essas eram as minhas considerações. Peço que dê conhecimento deste pronunciamento aos veículos de comunicação internos da Casa, bem como em A Voz do Brasil.
Muito obrigado.


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