CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com redação final
Sessão: 029.4.54.O Hora: 20h4 Fase: OD
  Data: 25/02/2014


O SR. CARLOS BEZERRA
(PMDB-MT. Pronunciamento encaminhado pelo orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sabemos que um homem ou uma mulher atingiu a maturidade e merece o respeito de seus semelhantes quando mostra ser capaz de assumir seus erros e empregar seus melhores esforços para tentar corrigi-los e remediar as consequências.
Assim como entre os indivíduos ocorre entre as nações. Uma nação, ainda que pujante dos pontos de vista demográfico, territorial e econômico, deve, se quiser merecer o respeito das demais, portar-se de forma responsável e humilde.
Estamos às vésperas de sediar um dos maiores eventos desportivos do planeta, a Copa do Mundo de futebol. Muito se tem discutido sobre as enormes oportunidades econômicas que isso representa. Muito se fala sobre a criação de infraestrutura de transportes e de comunicações. Pouco se fala, contudo, da fantástica oportunidade que se apresenta para o Brasil exibir a todo o mundo seu amadurecimento como nação democrática.
Conhecemos nosso País. Conhecemos seus pontos fortes e fracos, suas virtudes e defeitos. É evidente que queremos ressaltar os nossos muitos pontos fortes e virtudes. É, aliás, a obrigação de todo brasileiro, e não é difícil, porque temos evoluído e crescido de forma admirável. Porém, é também um sinal de maturidade assumir perante os que querem saber quais são nossos pontos fracos e defeitos, mostrando ao mesmo tempo tudo o que temos feito para corrigi-los e superá-los.
Um exemplo emblemático do que digo é a dengue. O Brasil, todos sabemos, sofre anualmente com epidemias de dengue, algumas realmente sérias, com altos números de adoecimentos e de óbitos.
Não havermos debelado essa enfermidade é, sem dúvida, um de nossos pontos fracos. Mas não é um de nossos defeitos. Não temos ficado de braços cruzados. Pelo contrário, ano após ano, debruçamo-nos sobre a tarefa de tentar controlar a dengue, com resultados ora animadores
, ora preocupantes.
Em algum momento conseguiremos vencer a batalha contra a dengue, e é isso que tem que ser ressaltado, é isso que tem que ser mostrado a quem quiser saber.
Já há algum tempo tenho esta preocupação, que se agudizou após eu ter lido matéria publicada em uma revista de grande circulação que descreve como o agravamento da epidemia de dengue pouco antes da Copa das Confederações, realizada no ano passado, haveria sido deliberadamente ocultado pelas autoridades
, para isso não causar impacto aos visitantes e jornalistas estrangeiros.
Não é sequer o caso de discutir se o ocorrido foi exatamente da maneira descrita na reportagem. O caso é: teremos em breve centenas de milhares de turistas e jornalistas no País durante a Copa do Mundo. Até lá, a estação de chuvas terá terminado e a incidência da enfermidade terá caído. Mas isso em nada diminui a necessidade de tratarmos do tema de maneira séria e responsável.
Ainda há tempo para redobrarmos esforços de modo a tornar a queda da incidência mais aguda da dengue e
, ao mesmo tempo, criar condições para que no próximo ano haja menos casos da doença. Há tempo de incrementar as medidas de combate à proliferação do aedes aegypti, talvez sob a forma de um grande mutirão nacional de limpeza e erradicação. Tudo muito bem documentado e divulgado.
Em lugar de ignorar o problema ou de minimizá-lo, será extremamente positivo ter o Ministério da Saúde divulgando os cuidados que todos, brasileiros ou estrangeiros, devem tomar para evitar a contaminação e a enfermidade.
Não se pode esquecer que em dois anos serão realizados os primeiros Jogos Olímpicos em território brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro, justamente a mais castigada pela dengue. O sucesso ou o fracasso em demonstrar que o Brasil tomou o caminho certo nesse aspecto certamente se refletirá daqui a dois anos, de modo ainda mais intenso.
São duas oportunidades para o Brasil mostrar seu amadurecimento como nação e como democracia. Duas oportunidades que não devem ser desperdiçadas.
Muito obrigado.