CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 003.3.52.E Hora: 15:56 Fase: PE
Orador: CONFÚCIO MOURA, PMDB-RO Data: 21/01/2004




O SR. CONFÚCIO MOURA (PMDB-RO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, chega a ser constrangedora a devoção de um Parlamentar à educação brasileira, principalmente ao nível superior. Aqui restrinjo-me à análise da universidade pública, uma vez que a privada, por sua conta e risco, avançou destacadamente na ocupação dos espaços.
Em artigo publicado na revista Veja desta semana, edição 1.837, ano 37, n.º 3, 21 de janeiro de 2004, intitulado Muitas universidades numa só, Cláudio de Moura Castro faz uma análise real da vida das universidades públicas brasileiras.
Em Rondônia o drama é cruel. Há uma única e das menores universidades do País, a Fundação Universidade de Rondônia (UNIR), no mesmo lote das convencionais, a burocrática, que vive a depender de um orçamento vinculado ao Ministério, restrito ao pagamento de pessoal, a um custeio fixo e irrisórios recursos para investimentos. No mais, é ficar a viajar para Brasília, na luta corporal com o Secretário de Ensino Superior ou com o próprio Ministro, a purgar no mar de dificuldades, diante das pressões de alunos, pais, sociedade e professores.
Em Rondônia faltam professores para a Universidade, não bastam os pneus estepe, que são os substitutos e que não conseguem assumir a condição plena, dedicada de um profissional universitário, devido à condição de incerteza da contratação definitiva.
Um reitor de qualquer universidade brasileira, aos poucos, se não se cuidar bem, vai incorporando todo o ritual burocrático, sofrido e humilhante à sua própria personalidade. Pode virar um homem de concreto, sem a cor do sangue.
A burocracia, além de humilhar, pode transformar um homem num monstro, num ser frio, insensível, opaco. Homem e suas circunstâncias. Um homem previsível, métrico, disciplinado, absolutamente dentro da ordem. A burocracia pode apagar o fogo revolucionário e o ardente desejo da transformação que deve perseguir todo homem nesta Terra. O modelo diferenciado é o de Nelson Mandela, e nem 28 anos de cadeia foram suficientes para diminuir o seu ímpeto de combate à injustiça contra o povo na África do Sul. A burocracia impõe duros freios que podem transformar o cidadão num homem-pedra. O meio é cruel.
O Estado de Rondônia é pequeno, bem que poderia ser atendido em sua plenitude pela universidade, fazer-se presente nos 52 Municípios. Sem opção, surgiu por necessidade a Fundação Riomar, um verdadeiro braço privado da universidade pública, capaz de prover com criatividade — e também riscos — os vazios que jamais seriam preenchidos dentro do mapa da burocracia atual.
De um jeito ou de outro, a UNIR, para crescer, necessita de professores estáveis, efetivos, dedicados, de preferência com a condição laboral de dedicação exclusiva, venham de concursos autorizados pelo Governo Federal, Estadual ou Municipal.
Há dois anos iniciei o trabalho de despertar na classe política do Estado de Rondônia um novo compromisso de Vereadores, Prefeitos, Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores e do Governador, para o estabelecimento de compromissos com a UNIR, de forma tal a buscar meios de suprimento das necessidades primárias da universidade, visando à ampliação de cursos nos atuais campido interior, abertura de novos cursos de graduações nos períodos de férias, bem como a introdução do ensino à distância.
Com certeza, Cláudio de Moura Castro descreve em seu artigo toda a realidade vivida e acontecida nas universidades brasileiras e o que fala é uma verdade incontestável, mas chama a atenção para a necessidade de pensar novos modelos de educação superior pública e gratuita no Brasil, com envolvimento de novos parceiros.