CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Com reda����o final
Sessão: 003.3.52.E Hora: 14:04 Fase: PE
Orador: GONZAGA PATRIOTA, PSB-PE Data: 21/01/2004




O SR. GONZAGA PATRIOTA (PSB-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os astrônomos e a Astronomia brasileiros estão de parabéns. Esse é um ramo da ciência em que o Brasil sempre se destacou: mais de 2% da produção de trabalhos e pesquisas da área são oriundos do Brasil, o que constitui excelente patamar. Agora, a partir do dia 17 de abril, vamos começar a disputar para valer o campeonato da primeira divisão da categoria.
Geralmente, a Astronomia é assunto que parece muito fechado e não recebe muito destaque entre a população, a não ser quando ocorre algum eclipse ou um fenômeno que chame a atenção. Por isso, quero deixar aqui esta pequena homenagem a todos os que lidam com essa que é uma das mais antigas ciências da humanidade. Desde os tempos mais remotos, o homem se ocupa em observar o céu. E quero que todos saibam que o Brasil tem astrônomos que são reconhecidos no mundo inteiro e que produzem anualmente trabalhos reconhecidos nas mais conceituadas instituições científicas, como é o caso do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, além das participações nos projetos da NASA, como é o caso, para citar apenas dois, do major-aviador Marcos César Pontes e do cientista Paulo Antônio de Souza Júnior.
O Observatório Nacional foi criado por D. Pedro I em 15 de outubro de 1827. Entre suas finalidades estavam a orientação e os estudos geográficos do território brasileiro e de ensino da navegação. Com a proclamação da República em 1889, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro passou a se denominar Observatório Nacional. Sendo o mais antigo centro astronômico em funcionamento da América do Sul, o Observatório Nacional continua aliado aos grandes desafios da atualidade. As pesquisas científicas unidas a intenso trabalho técnico impulsionam os conhecimentos sobre o universo e estimulam a busca de novas tecnologias, necessárias para o desenvolvimento de equipamentos que, utilizados primeiramente no campo da Astronomia, geram produtos para outras áreas do conhecimento.
O Brasil, finalmente, vai ter condições de oferecer a seus cientistas acesso a um dos melhores telescópios do mundo, que rivaliza até mesmo com o telescópio espacial Hubble, mundialmente conhecido, ainda que em decadência. Graças ao Projeto SOAR (Southern Observatory for Astronomical Research), o Brasil e os Estados Unidos uniram-se para construir e operar um telescópio com abertura de 4,2 metros. O telescópio, com seu espelho primário de 4,2 metros de abertura, deve fazer em terra o que até outro dia só o Hubble conseguia fazer do espaço. Seus resultados devem rivalizar com as imagens feitas em órbita.
Brasil e EUA entraram com o financiamento, o Chile com o terreno. O Brasil respondeu por 34% dos recursos investidos na construção do telescópio: 12 milhões de dólares, sendo 10 milhões do CNPq —Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e 2 milhões da FAPESP — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A verba restante veio dos EUA. O Governo americano colocou 33%. Os outros 33% vieram de duas universidades daquele país (Carolina do Norte e Michigan).
Graças à condição de sócio majoritário, tivemos um peso maior, o que ajudou na escolha do presidente do comitê diretor do telescópio, João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Ele também é um dos 9 diretores nomeados para o comitê, que tem 3 brasileiros e 6 americanos.
Até aqui, com uma participação de apenas 2,4%, os astrônomos brasileiros podiam fazer apenas 6 dias por ano de observações no Projeto Gemini: 2 telescópios gêmeos de 8,1 metros de diâmetro, cujas instalações se localizam nos Andes chilenos e no Havaí, o que não atende à demanda dos trabalhos de mestrado e doutorado realizados no País. No SOAR, o Brasil tem direito a 34%, o equivalente a 112 dias por ano, aproximadamente.
Esse telescópio ótico empregará soluções tecnológicas de ponta e permitirá a obtenção de dados de qualidade máxima em terra, principalmente no infravermelho (em que deverá proporcionar imagens melhores que asdo Hubble). O SOAR operará em regime de máxima eficiência no aproveitamento das horas noturnas, permitindo a execução de vários projetos em fila, de acordo com as condições climáticas.
A Astronomia brasileira vem crescendo continuamente a uma taxa de cerca de 10% ao ano, e há necessidade urgente de expansão, através da criação de novos grupos de pesquisa no País, a serem liderados pelos pesquisadores ora em formação e que receberão vigoroso impulso com a concretização do SOAR. O telescópio SOAR certamente preencherá a lacuna existente entre o telescópio de 1,6 metro, que se localiza em Brasópolis, em Minas Gerais, no Pico dos Dias,e os telescópios Gemini, suprindo a comunidade com instrumento de porte intermediário extremamente versátil, rápido, de ótica soberba e localizado em local privilegiado.
É assim, Sr. Presidente, que percebemos que um país está crescendo: investindo nas ciências, nos jovens que desejam seguir a carreira de astrônomo, pensando no futuro, olhando para o alto e para a frente. Parabéns a nossos astrônomos, aos mestrandos e doutorandos, que, a partir deste ano, poderão contar com poderoso instrumento para o desenvolvimento de seus trabalhos.
Informo ainda ao Plenário que daremos entrada em projeto de lei que estabelece que todo e qualquer bem imóvel apreendido em decorrência de drogas seja de imediato tomado para a União.
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.