CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sem supervisão
Sessão: 190.2.55.O Hora: 11:24 Fase: CG
Orador: GUILHERME ESTRELLA Data: 09/08/2016



O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Zarattini) - Com a palavra o Sr. Guilherme Estrella.
O SR. GUILHERME ESTRELLA - Bom dia a todos e todas.
Cumprimento o Presidente da Mesa, Deputado Carlos Zarattini, os Parlamentares presentes na pessoa do Deputado Glauber Braga, que nos honra, na cidade em que nós moramos, Rio de Janeiro.
Primeiro, eu quero agradecer as palavras elogiosas à minha pessoa. Eu apenas fiz parte das equipes da PETROBRAS que resultaram nas grandes descobertas: Majnoon, no Iraque, e o pré-sal, no Brasil. Eu apenas fiz parte, junto com todos os nossos colegas aqui que estão presentes, dessas grandes realizações da companhia. (Palmas.)
Muito bem. É o seguinte: na minha visão, nós cometemos um erro de conceito em considerar o petróleo como uma commodity. O petróleo definitivamente não é uma commodity. O petróleo é fator de segurança nacional, é fator de desenvolvimento nacional.
O Brasil perdeu a primeira revolução industrial porque era colônia e não tinha carvão. A segunda... Passamos o século XIX sem energia. Entrou o século XX, já com as grandes descobertas de petróleo americano, e eles lançaram os Estados Unidos com a liderança mundial industrial, científica e tecnológica.
Viemos a ter uma industrialização extremamente tardia com o movimento de construção de barragens, nas décadas de 60, 70 e 80, mas tudo com tecnologia estrangeira. A nossa industrialização tardia foi toda com indústria estrangeira. Chegamos... Um exemplo é que passamos a construir o Aero Willys. O Aero Willys tinha sido abandonado nos Estados Unidos em 1942. As fábricas estavam cheias de teia de aranha, e nós importamos isso tudo.
O pré-sal, na realidade, veio completar a base energética que o Brasil precisa para se desenvolver autonomamente. Nisso, a operação única da PETROBRAS é um fator preponderante.
As empresas estrangeiras representam interesses de seus Países sedes. Isso é inegável! Uma vez, nos Estados Unidos, em Rochester, eu fui procurado por um diretor de exploração de uma maior empresado mundo, e disse: Sr. Estrella, eu estou representando a minha empresa e o meu País. Queremos participar do pré-sal do Brasil.
Então, as empresas estrangeiras representam os interesses, como tem que ser mesmo, é natural que elas representem os interesses de seu País. E o pré-sal dá ao Brasil um protagonismo na cena geopolítica mundial que se contrapõe aos grandes Países hegemônicos, principalmente no mundo Ocidental.

Muito bem, a PETROBRAS, como operadora única, tem um fator primordial, e eu sou testemunha disto: a empresa tem compromisso com o desenvolvimento nacional em uma área extremamente sensível. O problema do desenvolvimento tecnológico é grandemente caracterizado por a empresa e o grupo trabalharem na faixa de limite do conhecimento tecnológico e científico. O pré-sal representa isso, o pré-sal é a última fronteira... As águas (ininteligível) profundas são a última fronteira exploratória para petróleo no planeta, e o pré-sal brasileiro talvez seja a mais importante área no mundo, sob o ponto de vista geológico, que contém uma grande quantidade de petróleo. E a PETROBRAS, sendo operadora única, lida na fronteira do conhecimento porque nenhuma outra companhia enfrenta esse desafio que a PETROBRAS enfrenta.
E é trabalhando na fronteira do conhecimento da tecnologia que avançamos tecnologicamente. Por isso é que as grandes empresas querem ser operadoras, porque elas querem trabalhar justamente nessa fronteira! Essa é uma oportunidade única para qualquer empresa porque ali elas desenvolvem a inovação e a tecnologia.
A presença da PETROBRAS no pré-sal também é importante pela total integração da PETROBRAS com o desenvolvimento nacional. A PETROBRAS não é uma empresa do Governo, só; a PETROBRAS é uma empresa de Governo, ela atua e opera uma política de Governo, e como petróleo e energia são uma questão de soberania nacional, essa é uma política de Estado. A PETROBRAS não pode ter o direito, na minha opinião, de negar-se a ser operadora única do pré-sal.
Então, eu sou testemunha da completa integração da PETROBRAS ao desenvolvimento nacional e vou citar algo para terminar, sob o ponto de vista científico: há uma semana, a revista Nature, uma revista norte-americana prestigiosa de ciência, publicou que a UNESP — Universidade Estadual Paulista, do Estado de São Paulo, éa melhor universidade da América Latina, secundado pela USP — Universidade de São Paulo e pela Universidad Nacional Autónoma de México. Esse é um ponto importantíssimo porque foi com a UNESP que a PETROBRAS assinou um convênio de montagem de um grupo de geociências para desenvolver novos conhecimentos sobre a rocha do reservatório do pré-sal. E certamente essa iniciativa da PETROBRAS contribuiu muitíssimo para a UNESP ter sido considerada a melhor da América Latina.

Nenhuma empresa petrolífera estrangeira faria isso sendo operadora do pré-sal. Da operação por empresa estrangeira, certamente, beneficiar-se-ão os centros de pesquisa e universidades nos seus países-sede, como é natural que aconteça.
Por isso, a manutenção da PETROBRAS como operadora única é fundamental como política de Estado brasileiro e não como política da PETROBRAS — se é mais ou menos interessante à empresa.
Obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Carlos Zarattini) - Obrigado, Sr. Guilherme Estrella. Muito obrigado pela sua participação neste evento, sempre importante, sempre contribuindo para o nosso País, o nosso Brasil. O senhor éuma pessoa que deve ser sempre referenciada.