|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA
55ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA DÉCIMA TERCEIRA REUNIÃO (ORDINÁRIA -
AUDIÊNCIA PÚBLICA)
REALIZADA EM 12 de junho de 2018.
|
Às
dez horas e vinte e seis minutos do dia doze de junho de dois mil e
dezoito, reuniu-se a Comissão de Legislação Participativa, no Plenário nº
03 da Câmara dos Deputados, com a presença dos(as) senhores(as) Deputados
Flávia Morais e Eros Biondini - Vice-Presidentes; Glauber Braga - Titular;
Erika Kokay – Suplente. Registraram presença também os Deputados Bohn
Gass, Chico Alencar, Edmilson Rodrigues, Evair Vieira de Melo, Nilto Tatto
e Professor Victório Galli, como não-membros. Deixaram de comparecer os
Deputados André Figueiredo, Chico Lopes, Felipe Bornier, Hildo Rocha,
Julião Amin, Leonardo Monteiro, Lincoln Portela, Luiza Erundina, Márcio
Biolchi, Nelson Marquezelli, Patrus Ananias, Pompeo de Mattos e Ronaldo
Lessa. Justificaram a ausência a Deputada Luiza Erundina e o Deputado
Lincoln Portela. ABERTURA:
A Deputada Erika Kokay declarou abertos os trabalhos e passou à ORDEM DO DIA, Audiência Pública,
em atendimento ao Requerimento nº 206/2018, de sua autoria, para debater
os riscos de retrocesso ambiental com a possibilidade de nomeação política
do novo Presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBIO.
Inicialmente, a Deputada Erika Kokay comunicou a gravação e a transmissão
da audiência, ao vivo, pela internet, a publicação do áudio e do vídeo da
reunião na página da Comissão de Legislação Participativa e a
possibilidade de o cidadão poder participar do evento, pelo e-democracia,
enviando perguntas e considerações para os parlamentares e expositores. Em
seguida, anunciou os nomes dos expositores para compor a Mesa, os(as)
senhores(as): José Paulo Toffano, Diretor do Departamento de Articulação
Institucional da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania
Ambiental – SAIC, do Ministério do Meio Ambiente, que não compareceu;
Henrique Marques Ribeiro da Silva, Presidente da Associação Nacional dos
Servidores Ambientais - ASCEMA; Jonas Moraes Correa, Presidente da
Associação dos Servidores de Carreira de Especialista de Meio Ambiente do
Distrito Federal - ASIBAMA/DF; Andrea Bitencourt Prado, Presidente da
Indigenistas Associados – INA; e João Augusto Madeira, Analista Ambiental
da Associação dos Servidores de Carreira de Especialista de Meio Ambiente
do Distrito Federal - ASIBAMA/DF. Depois de informar as regras de
funcionamento do evento, a Deputada Érika Kokay proferiu a leitura da
“Carta Pública contra o Loteamento Político da Fundação Nacional do Índio
e o desmonte da política indigenista”, de autoria da Indigenistas
Associados e, em seguida, passou a palavra aos expositores presentes.
Usaram da palavra os Deputados Chico Alencar, Glauber Braga, Edmilson
Rodrigues, Nilto Tatto e Bohn Gass. Foram anunciadas as presenças dos
senhores Cléber Busatto, Secretário-Executivo do Conselho Missionário
Indigenista; Érico Grassi, Diretor do Sindicato dos Servidores Públicos
Federais no Distrito Federal, do Ildemar Crispim, Presidente do
SINDIBIO/DF e Subdelegado do Conselho Regional de Biologia da 4ª Região;
Naira Kátia, Diretora e Secretária-Geral do SINDIBIO; Fábio Patrício,
Diretor-Conselheiro Regional de Biologia da 4ª Região, dos representantes
de povos indígenas e da Rede Mulheres de Comunidades Extrativistas
Pesqueiras do Sul da Bahia. Na sequência, a Deputada Erika Kokay concedeu
a oportunidade aos oradores, inscritos em plenário, Érico Grassi, Nonato,
Marcelo, Rosana, Jussara, Carlinhos, Kamu e Júnior para se manifestarem.
As perguntas dos internautas Pablo de Ávila Saldo e Viviane Matias, pelo
e-democracia, foram respondidas pela senhora Juliana Trindade, servidora
da FUNAI. Em seguida, foi concedida a palavra aos expositores para suas
considerações finais. Ao final, a Deputada Erika Kokay anunciou os
seguintes encaminhamentos: 1) realização de sessão solene em homenagem ao
lançamento do Movimento MARÉ; 2) elaboração da cartilha desta audiência
pública, com os pronunciamentos dos expositores; 3) realização de
audiência pública para discutir normas de nomeação para cargos públicos;
4) identificação do processo de nomeação para cargos públicos em entidades
estatais, como Caixa Econômica Federal, Petrobrás, FUNAI, CNbio, com a
finalidade de atender interesses político-partidários; 5) relação das
proposições legislativas que agridem a política de preservação do meio
ambiente e das tentativas de introdução de matérias lesivas ao meio
ambiente em proposições que tratam de outro assunto; 6) encaminhamento de
Indicação ao Poder Executivo sobre o estabelecimento de critério para
nomeação de cargos públicos, conforme sugestão do Deputado Nilto Tatto; 7)
adoção de posicionamento contrário à Emenda Constitucional nº
95/2016. Ao final, a Deputada Erika Kokay
solicitou a incorporação de três documentos aos anais da audiência
pública: a Carta Aberta à Sociedade, do Movimento MARÉ; a Carta dos
servidores do ICMBIO; a Carta Pública contra o Loteamento Político da
FUNAI e o desmonte da política indigenista. “Carta Aberta à Sociedade -
Como você reagiria se para a presidência do Banco Central fosse nomeado um
indicado político partidário sem NENHUMA experiência em economia? Ou se
para técnico da seleção brasileira de futebol, fosse indicado um jovem
político que nada entende sobre o assunto? Pois foi assim, com total
assombro, surpresa e revolta que fomos surpreendidos hoje com a indicação
de um nome meramente político partidário, sem NENHUMA formação
profissional ou qualquer experiência sobre meio ambiente para a
presidência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade -
ICMBio. Após a entrega partidária de algumas Coordenações Regionais e
chefias de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, desta vez o
Governo Federal pretende nomear para a presidência do ICMBio um
apadrinhado político, o senhor Cairo Tavares de Souza, pertencente ao
PROS, para a presidência do ICMBio. O indicado a presidente do Instituto é
diretor da Fundação Ordem Social, ligada ao PROS e sócio de uma empresa de
comércio varejista de bebidas em Valparaíso de Goiás. Inacreditavelmente
não consta que tenha QUALQUER experiência em gestão socioambiental. O
ICMBio é responsável pela gestão de 333 Unidades de Conservação que
correspondem a 9% do território continental e 24% do território marinho,
bem como a coordenação e implementação de estratégias para as espécies
ameaçadas de extinção. Uma missão como esta não pode ser entregue a
dirigentes sem experiência na área socioambiental, por mera conveniência
partidária. O Instituto Chico Mendes tem em seus quadros profissionais
concursados, capacitados, qualificados, que vem atuando de forma
comprometida, sempre dentro da legalidade, garantindo uma gestão
transparente, ética, e voltada à execução da política ambiental pública e
aos direitos garantidos na Constituição, de manutenção do equilíbrio
ecológico do meio ambiente, bem de uso comum do povo, dentro de suas
atribuições. Desde sua criação, sempre foi presidido por profissionais com
experiência na área socioambiental, imbuídos da missão institucional do
órgão que trouxeram grandes conquistas na sua capacidade de atuação , como
poder executivo, na implementação da legislação ambiental vigente. Em um
contexto de imensa fragilidade das políticas públicas, a possibilidade da
nomeação do Sr. Cairo Tavares coloca em risco o bom desempenho da missão
institucional do ICMBio. Diante do exposto, os servidores do Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade repudiam veementemente a
possibilidade de nomeação do Sr. Cairo Tavares como Presidente deste
Instituto, ou de qualquer outra nomeação baseada em interesses políticos
partidários contrários ao interesse público e à missão do ICMBio. Chamamos
a sociedade civil a se unir a esta luta, em prol da proteção do patrimônio
natural e promoção do desenvolvimento socioambiental. Não passarão!
#Nãoaoretrocessoambiental! ASCEMA NACIONAL” “Carta dos servidores do
ICMBIO - Senhor Ministro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade é uma autarquia federal com atribuições claramente
definidas, mas antes de mais nada, é um ÓRGÃO DE ESTADO, com obrigações
constitucionais, cujo adequado cumprimento se reflete diretamente no
atendimento de direitos fundamentais do povo brasileiro. Desde 2017 o
órgão já vem sendo enfraquecido pela nada republicana ocupação de cargos
técnicos importantes, como coordenações regionais e chefias de unidades de
conservação, por políticos sem nenhuma experiência e competência
comprovada na área ambiental. Nesta semana, os servidores do Instituto
Chico Mendes foram surpreendidos e têm acompanhado com indignação as
notícias de que a própria presidência do órgão estaria sendo oferecida a
um dirigente partidário sem qualquer vínculo histórico ou experiência
profissional na gestão ambiental. Um ato irresponsável desta ordem ameaça
a continuidade do trabalho sério de consolidação das missões do Instituto
de “Proteger o Patrimônio Natural e Promover o Desenvolvimento
Socioambiental” no Brasil. O Instituto Chico Mendes responde hoje pela
gestão de 333 unidades de conservação federais, que abrangem 9% do
território continental brasileiro e 24% de nosso mar territorial. Atuamos,
ainda, na proteção e manejo das espécies ameaçadas de extinção. O
cumprimento deste conjunto de atribuições é fundamental para que o Brasil
cumpra o Artigo 225 da Constituição Federal, que nos obriga a todos a
garantir o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as atuais e
futuras gerações. O Instituto Chico Mendes contribui para a proteção das
águas, a manutenção das florestas e de todos os biomas, a proteção da
sociobiodiversidade, o apoio às comunidades tradicionais e extrativistas,
a estabilidade climática e a disponibilização de oportunidades de turismo,
recreação e educação ambiental em contato com a natureza, contribuindo
para o incremento e movimentação das economias locais e regionais onde há
unidades de conservação federais. Tudo isso exige dos servidores e
dirigentes do Instituto grandes doses de comprometimento, competência e
conhecimento. Diante do exposto, nós servidores federais da área ambiental
e entidades da sociedade civil organizada, exigimos: o fim e a reversão
das nomeações estritamente políticas, sem critérios técnicos, de pessoas
sem histórico ou comprometimento com a área ambiental; a nomeação de um
Presidente para o Instituto Chico Mendes que seja idôneo e portador de
notório saber e experiência profissional na área ambiental”. “Carta
pública contra o loteamento político da Fundação Nacional do Índio e o
desmonte da política indigenista. Os servidores mobilizados da Fundação
Nacional do Índio (Funai), com apoio das organizações indicadas ao final
desta carta, vêm a público se posicionar contra o sucateamento e
loteamento político do órgão, a desvalorização do corpo técnico e o
desmonte da política indigenista por meio de sucessivos cortes
orçamentários, agravados no atual Governo. Diante da repercussão de
reportagem do jornal O Estado de S. Paulo,1 reveladora de áudios que
sugerem a tentativa de favorecimento de empresas por meio da aquisição
irregular de equipamentos, e da subsequente exoneração do até então
Diretor de Administração e Gestão da Funai,2 vimos repudiar a ingerência
de interesses alheios ao indigenismo na instituição e exigir a indicação,
para assumir a Diretoria em questão, de um(a) servidor(a) do próprio
quadro técnico efetivo do órgão ou pessoa com expertise técnica compatível
com as atribuições do cargo. Não é de hoje que o loteamento político dos
cargos da Funai compromete a missão primordial da instituição, qual seja,
a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas no Brasil.3 Como
extensamente noticiado na mídia, o Partido Social Cristão (PSC), sobretudo
na figura do líder do governo no Congresso Nacional, dep. André Moura,4
tem sido o mais influente na indicação de cargos de chefia. A Funai, no
entanto, converteu-se em espaço de manifestação de interesses de
parlamentares também de outros partidos, notadamente os de integrantes da
chamada bancada ruralista, de cuja pressão resultou a mais recente troca
de Presidente do órgão5 e que já havia sido responsável pela indicação da
Diretora de Proteção Territorial.6 Também nas Coordenações Regionais da
Funai (CRs) têm ocorrido nomeações de chefias por indicação de políticos,
em detrimento de aspectos técnicos. O órgão indigenista, responsável por
promover e proteger os direitos de mais de 300 povos indígenas, cujos
territórios abrangem aproximadamente 14% do território nacional, vem
sofrendo com ingerências político-partidárias por meio de nomeações sem
critérios técnicos nem comprometimento com as questões indígenas. Chama a
atenção, neste cenário, a nomeação como assessor da presidência do
ex-gerente de licitações e contratos da Valec Engenharia, Construções e
Ferrovias S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, exonerado da
estatal em 2011, após denúncias de fraudes em obras do trecho tocantinense
da ferrovia Norte-Sul.7Além da distribuição de cargos em órgãos
responsáveis por promover direitos socioambientais, como também vem
ocorrendo no ICMBio,8 o atual Governo vem sistematicamente utilizando os
direitos indígenas como moeda de troca. Entre as mais recentes manobras
estão: a aprovação do Parecer nº 001/2017/AGU pelo Presidente Michel
Temer, que ameaça as demarcações de terras indígenas;9 ataques ao
componente indígena do licenciamento ambiental, especialmente evidenciados
nos projetos de construção de hidrelétricas e no caso da linha de
transmissão de energia Manaus-Boa Vista, que atravessaria a terra indígena
Waimiri Atroari;10 e a ameaça de adoção de medidas que permitam a
exploração de recursos naturais e o arrendamento em terras
indígenas.Combinados, esses fatores – a utilização da instituição para
interesses político-partidários e a imposição de medidas restritivas aos
direitos indígenas – têm gerado um clima de tensão e insegurança entre os
servidores do órgão e comprometido a sua atuação. Abusos de autoridade,
perseguições e desvios de finalidade têm sido parte da rotina de trabalho
e impedem a seriedade e continuidade da política indigenista,
prejudicando, enfim, e sobretudo, os povos originários. Ao denunciar a
recorrência de tais interferências sobre a instituição e a política
indigenista, os servidores mobilizados da Funai exigem a reversão de
medidas contrárias aos direitos constitucionais dos povos indígenas –
principalmente o Parecer nº 001/2017/AGU –, o fortalecimento do corpo
técnico com a aprovação de um plano de carreira, bem como a aplicação de
critérios técnicos, desvinculados de interesses clientelistas, nas
nomeações de cargos de chefia – a começar pela vacante Diretoria de
Administração e Gestão. Servidores Mobilizados da Funai Apoiam esta carta:
ABA – Associação Brasileira de Antropologia; Amaaic - Associação do
Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre; Anaí – Associação
Nacional de Ação Indigenista; Amim – Associação das Mulheres Indígenas em
Mutirão; Apib – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil; Apina –
Conselho das Aldeias Wajãpi; Associação Indígena Pariri; Cimi – Conselho
Indigenista Missionário; Coiab – Coordenação das Organizações Indígenas da
Amazônia Brasileira; CGY - Comissão Guarani Yvyrupá; Conselho Indígena do
Distrito Federal CPI-AC – Comissão Pró-Índio do Acre; CPI-SP – Comissão
Pró-Índio de São Paulo; CTI – Centro de Trabalho Indigenista; Esocite.br -
Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias;
Faor – Fórum da Amazônia Oriental; Fepipa – Federação dos Povos Indígenas
do Pará; Foirn - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro; Formad
– Fórum mato-grossense de Meio Ambiente e desenvolvimento; Fórum Mudanças
Climáticas e Justiça Social; Fórum Teles Pires; HAY - Hutukara Associação
Yanomami; IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil; Iepé -
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena; INA – Indigenistas Associados;
Índio É Nós; ISA – Instituto Socioambiental; ISPN – Instituto Sociedade,
População e Natureza; Justiça Global; Laboratório de Antropologias da
T/terra; Opan – Operação Amazônia Nativa; Opiac - Organização dos
Professores Indígenas do Acre; RCA - Rede de Cooperação Amazônica; SAB –
Sociedade de Arqueologia Brasileira; Terra de Direitos; Umiab – União das
Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, a
Deputada Érika Kokay encerrou os
trabalhos às treze horas e vinte e um minutos antes, porém,
convocando os membros para reunião ordinária deliberativa hoje, às treze
horas, no plenário 12. O inteiro teor da reunião foi gravado, passando os
arquivos de áudio e vídeo a integrarem o acervo documental desta reunião.
E, para constar, eu ______________________, Paula Lou Ane Matos Braga,
lavrei a presente Ata, que por ter sido aprovada, será assinada pelo
Presidente, Deputado Pompeo de Mattos ______________________, e publicada
no Diário da Câmara dos Deputados.
|