|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL, DESENVOLVIMENTO REGIONAL E DA AMAZÔNIA
55ª Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA VIGÉSIMA SEGUNDA REUNIÃO
ORDINÁRIA
DE AUDIÊNCIA PÚBLICA, REALIZADA EM
13
DE JULHO DE 2017
Às
dez horas e dezesseis minutos do dia treze de julho de dois mil e dezessete,
reuniu-se a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da
Amazônia, no Anexo II, Plenário 13 da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA
dos(as) Senhores(as) Deputados(as) Valadares Filho - Presidente; Zé Geraldo -
Titular; Luiz Lauro Filho - Suplente. Compareceram também os Deputados Carlos
Henrique Gaguim, Delegado Éder Mauro, Hélio Leite, Raquel Muniz e Weliton Prado,
como não-membros. ABERTURA: Sob
a presidência do Deputado Valadares
Filho, foram abertos os trabalhos da reunião de audiência pública, destinada a
debater a atual situação de abandono do 'Minha Casa Minha Vida' no loteamento
Cristo Vive, Município de Tucuruí, no Pará, em atendimento ao Requerimento nº
132/2017, de autoria do Deputado Zé Geraldo. O
Presidente, pela ordem, convidou os expositores para a composição da mesa: Sr.
Daniel Ferreira, Diretor do Departamento de Produção Habitacional do Ministério
das Cidades; Sr. Dirceu Ten Caten, Deputado Estadual da Assembleia Legislativa
do Estado do Pará; Sr. Bena Navegantes, Presidente da Câmara Municipal de
Tucuruí, no Pará; Sr. Jones William da Silva Galvão, Prefeito do Município de
Tucuruí; Sr. Paulo Antunes de Siqueira, Diretor de Habitação da Caixa Econômica
Federal; e Sr. Uilden Sousa, Presidente da Associação Comunitária Residencial
Cristo Vive (ACRCV). O
Deputado Valadares Filho passou a condução dos trabalhos ao Deputado Zé Geraldo
que comunicou que foi convidado para a audiência o Dr. Hugo Frazão, Juiz Federal
do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que justificou ausência por
compromissos já agendados anteriormente no Município de Tucuruí. Em sua fala, o
Deputado ressaltou que a audiência tinha como objetivo buscar uma solução, entre
as partes envolvidas, para a situação de abandono em que se encontra o programa
‘Minha Casa Minha Vida’, no loteamento Cristo Vive. Iniciadas
as exposições, o Deputado Zé Geraldo concedeu a palavra ao Presidente da
Associação Comunitária Residencial Cristo Vive (ACRCV), que informou que o
projeto do residencial em questão foi abandonado por duas empreiteiras. A
segunda empresa paralisou a construção em 2015, com 66% do trabalho concluído. O
local, então, ficou abandonado e foi posteriormente ocupado por cerca de cinco
mil pessoas. Dentre os pleitos, a associação protestou contra a decisão da
Justiça, favorável à Caixa Econômica, que concedeu uma liminar ordenando a
desocupação do residencial para iniciar a retomada das obras no local. O Sr.
Ulden Sousa acredita não haver necessidade da reintegração de posse e sugeriu
quatro propostas como forma de solucionar o conflito social. O Presidente
concedeu a palavra ao Sr. Fábio Silva, Secretário da ACRCV, que apresentou os
trabalhos de infraestrutura realizados na comunidade pelos próprios moradores,
com o apoio do poder público. Discorreu, ainda, acerca da primeira proposta que
se baseava na finalização das casas pelos moradores e no término da pavimentação
pela prefeitura municipal de Tucuruí. Em seguida, o Deputado Zé Geraldo concedeu
a palavra ao Presidente da Câmara Municipal de Tucuruí, que ressaltou o abandono
da Caixa Econômica ao projeto e manifestou seu apoio aos moradores. Dando
prosseguimento às exposições, o Presidente concedeu a palavra ao Deputado
Estadual Dirceu Ten Caten, que informou que o residencial está em uma condição
consolidada de habitação, sendo inviável o cumprimento da reintegração de posse.
O Deputado Estadual propôs, conforme
sugestão do Dr. Hugo Frazão, Juiz Federal, que o projeto fosse dividido
em duas fases em decorrência da atual conjuntura do país e da impossibilidade de
a prefeitura arcar com todo o aluguel social das famílias. Em seguida, o
Prefeito do Município de Tucuruí fez uso da palavra e colocou-se
à disposição para discussão
em conjunto com o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, a fim de
encontra a melhor solução para a situação. Retomando a palavra, o Presidente da
ACRCV apresentou as demais propostas sugeridas pela Associação. Esclareceu que a
segunda proposta consistia na realização de uma triagem pela Caixa Econômica,
juntamente com a Prefeitura, para quantificar as pessoas que atendem
aos critérios do Programa e posteriormente executar
as obras em três partes, sem a necessidade da remoção dos moradores. Do mesmo
modo, as demais propostas baseavam-se na divisão das obras em quatro e em duas
partes. O Presidente concedeu a palavra ao Diretor de Habitação da Caixa
Econômica Federal, que informou que a empresa executa os projetos em
conformidade com as normas, regulamentos e legislações existentes. Ressaltou que
a situação do empreendimento encontra-se judicializada, sendo, portanto,
necessária a construção de uma solução em conjunto com a justiça. Salientou,
ainda, que o fato de ter ocorrido invasão da área, torna a liminar de
reintegração de posse um ato legal. O Presidente concedeu a palavra ao Diretor
do Departamento de Produção Habitacional do Ministério das Cidades, que
justificou a ausência da Secretária Nacional de Habitação, Sra. Maria Henriqueta
Arantes Ferreira Alves. O Sr. Daniel Ferreira garantiu que o Ministério tem todo
interesse que as famílias mais carentes sejam atendidas pelo Programa, mas
destacou que a atual situação em que se encontra o empreendimento contraria de
forma frontal as regras do Programa. Assim com o Sr. Paulo Antunes, afirmou que
em decorrência da judicialização do processo, a Caixa Econômica agiu
corretamente ao entrar com a ação de reintegração de posse. Citou, ainda, que a
Caixa Econômica repassou ao Ministério a informação de que teria sido realizada
uma audiência pública, no dia 18 de maio de 2017, para construção de uma
conciliação e que nesse dia, o juiz determinou que 500 unidades do residencial
Cristo Vive fossem destinadas aos invasores que se enquadrassem no perfil do
Programa e as outras 500 unidades seriam destinadas à demanda inicial da
prefeitura. O Presidente da ACRCV confirmou a propositura desse acordo, mas
informou que a a população do Cristo Vive, após Assembleia Geral, não o
ratificou. Iniciado
o debate, manifestou-se o Deputado Delegado Éder Mauro, que demostrou apoio aos
moradores e afirmou que, se necessário, buscaria a assinatura de toda a bancada
do Estado do Pará para ajudar na solução do problema. Na opinião do Deputado, o
Ministério das Cidades e a Caixa Econômica deveriam prococar a suspensão ou a
extinção do processo na justiça. O Presidente
concedeu a palavra aos expositores para as considerações finais. O Deputado
Estadual sugeriu que a Caixa Econômica Federal, juntamento com o Ministério das
Cidades, apresentassem um prazo para apreciarem as propostas apresentadas e que
se comprometessem em judicializar o pedido de suspensão do cumprimento da
liminar. O Diretor de Habitação da CAIXA destacou duas situação que, em sua
opinião, estariam impactando o processo: a reintegração de posse e a garantia do
empreendimento para os moradores. Em relação ao primeiro ponto, ele acredita ser
possível a negociação do prazo para análise das propostas. Quanto ao segundo
ponto, destacou que a prefeitura teria que encaminhar um dossiê, com os dados
cadastrais dos moradores para ser efetuada a verificação de quem se enquadra nos
regulamentos do Programa. Ressaltou, ainda, que há dois laudos técnicos, da
CAIXA e da Universidade, que apontam diversas situações que ensejam riscos aos
moradores e à própria estrutura das casas, sendo necessário, portanto, a remoção
dos moradores para conclusão das obras. O representante do Ministério das
Cidades concluiu informando que as propostas apresentadas vão de encontro com a
Portaria de Seleção de Beneficiários do Ministério. Ressaltou que o empreendimento deve ser
retomado e que a Prefeitura deve indicar as famílias, cumprindo os requisitos do
Programa. A palavra foi franqueada ao Sr.
Cicero Samuel Cirilo, Tesoureitro da Associação dos Moradores Cristo
Vive; à Sra. Elisabeth Ribeiro da Comissão de Mediação do Conselho Federal da
OAB; à Sra. Francisca Inácio da Silva, moradora do Cristo Vive; e ao Sr. Adriano
Nava, Técnico Social do Município de Tucuruí/PA. Como encaminhamento, o Deputado
Estadual sugeriu uma reunião de trabalho com o Ministro das Cidades, a
Presidência da Caixa Econômica Federal e a Bancada do Pará destinada a alterar a
norma do Programa para se adequar ao fato superveniente existente. Segundo o
Deputado, a adequação da norma permitirá que os órgãos governamentais envolvidos
possam, com segurança jurídica, deliberar acerca das propostas. Assumiu, ainda,
o compromisso de agendar uma reunião na primeira quinzena de agosto, com a
presença do Prefeito de Tucuruí, o Governo do Estado do Pará, a Casa Civil e o
Secretário de Segurança Pública para suspender a liminar de reintegração de
posse e, assim, ter tempo hábil para construir a normal legal citada. O Deputado
Zé Geraldo sugeriu a realização de reunião com a Secretária Nacional de
Habitação, a Caixa Econômica Federal, Prefeito de Tucuruí, Conselho da OAB e os
representantes dos moradores como forma de buscar a melhor solução às partes
interessadas. O representante do Ministério das Cidades assumiu o compromisso de
agendar a reunião e comunicar a data ao Deputado Zé Geraldo. O Deputado
Zé Geraldo agradeceu
a presença dos parlamentares e participantes. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a
tratar, o Deputado encerrou os trabalhos às doze horas e quarenta e cinco
minutos.
O inteiro teor da reunião foi gravado, passando o arquivo do áudio a integrar o
acervo documental da reunião. E, para constar, eu ______________________, Elza
Figueiredo, Secretária Executiva em exercício, lavrei a presente Ata, que, por
ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Zé
Geraldo______________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.