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Às
dez horas do dia vinte e três de agosto de dois mil e dezesseis, reuniu-se
a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, no Anexo II, Plenário 09
da Câmara dos Deputados, para
reunião de audiência pública, objeto do Requerimento Nº 213, de
autoria do deputado Edinho Bez, para discussão dos danos causados à
população, aos consumidores, aos prestadores de serviços, às instituições
e à sociedade de maneira geral, decorrentes do aumento dos casos de
furtos, roubos, vandalismos e receptação ilegal de fios e cabos de cobre,
transformadores, baterias, equipamentos de redes acesso e de transporte,
transferência de dados ou fornecimento de energia elétrica, componentes de
infraestrutura, elementos de rede e equipamentos de estações das
concessionárias de energia, operadoras de telefonia fixa, móvel, TV por
assinatura e de provedores regionais de acesso à internet; e da
possibilidade de aumento das penas aplicáveis aos crimes em questão.
Havendo número regimental, o presidente da Reunião, deputado Edinho Bez, abriu os trabalhos e
convidou a compor a Mesa os expositores convidados: Vinícius Oliveira
Caram Guimarães, gerente de Controle
de Obrigações e
Qualidade da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel -; José Moisés
Machado da Silva, superintendente de Fiscalização dos Serviços de
Eletricidade da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel -; Carlos
Duprat, diretor-executivo Sindicato Nacional de Empresas de Telefonia e de
Serviço Móvel Celular e Pessoal – Sinditelebrasil - ; Nelson Fonseca
Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia
Elétrica – Abradee -; e Helton Posseti- gerente executivo da Associação
Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações – Abrint -. Em
seguida, o presidente esclareceu as regras e procedimentos relativos à
Reunião da Audiência Pública e passou a palavra ao primeiro expositor,
Vinícius Guimarães. O representante da Anatel informou que o
furto de cabos de cobre, bem como atos de vandalismo e de receptação desse
material de procedência criminosa, são condutas graves que tornam
inoperantes os serviços de distribuição de energia elétrica, de
telecomunicações e de Internet. Enquanto consumidores perdem acesso aos
serviços básicos, o custo de reposição desses equipamentos para as
empresas supera R$ 320 milhões/ano. As empresas de telecomunicações arcam
ainda com outros R$ 700 milhões em multas aplicadas pela Anatel, como
ressarcimento aos usuários que tiveram serviços suspensos, disse o gerente
de Controle de Obrigações e Qualidade da agência reguladora. Esse montante
em multas, no entanto, acrescentou, envolve não apenas a interrupção de
serviços em razão de furtos e vandalismo, mas, principalmente, ressaltou,
pela falta do fornecimento de energia. O representante da Anatel observou
ainda que existem limitações para ampliar a penalização desses criminosos.
Para ele, é difícil aferir a extensão do prejuízo causado para a estação
próxima, para a região ou para um Estado inteiro. O deputado Edinho Bez
afirmou ser inaceitável o roubo de equipamentos, defendeu o endurecimento
da penalidade e a consequente mudança na legislação, tendo defendido com a
aprovação do Projeto de Lei (PL 5852/16), do qual é autor, que altera o
artigo 184 da Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9472/97) e trata de
sanção penal para atividade exercida com utilização de equipamentos e
elementos da rede obtidos por meio criminoso. Em seguida, passou a palavra
ao representante da Aneel, José Moisés. Ele afirmou que a prática
criminosa em exame é caso de segurança nacional. Em recente CPI do
Legislativo paulista, informou o superintendente da agência de energia, o
relatório da Comissão recomendava que fossem realizadas moções junto ao
Legislativo federal para que as penas desse tipo de crime fossem
ampliadas. José Moisés noticiou que nos últimos cinco anos foram furtados
290 quilômetros de cabos de cobre da rede subterrânea do Rio de Janeiro,
totalizando um prejuízo de R$ 250 milhões aos cofres da cidade. Em
seguida, o presidente passou a palavra ao presidente da Abradee, Nelson
Leite. Ele
lembrou que muitas linhas de transmissão do país atravessam zonas rurais,
locais em que a vigilância é mais difícil, onde são furtadas grandes
extensões de cabos. Além da punição mais rigorosa, Leite pediu maior apoio
das áreas de segurança pública estaduais, principalmente no monitoramento
de receptadores do material furtado. Na sequência, o deputado Edinho Bez
passou a palavra ao expositor Carlos Duprat, do Sinditelebrasil, que
ressaltou a necessidade de altos investimentos para fazer frente ao
crescimento de 45% dos serviços de telefonia ao ano, tendo enfatizado que
o roubo de cabos afeta anualmente cinco milhões de clientes, inclusive
serviços públicos de assistência e segurança. Logo após, o deputado
Valtenir Pereira assumiu a presidência da Reunião e transmitiu a palavra
ao último expositor, Helton Posseti, representante da Abrint. O convidado
disse que alguns setores têm desenvolvido ligas de outros materiais
misturados com o cobre, que tornam o equipamento furtado de baixo valor de
revenda. Para ele, as baterias roubadas não têm valor financeiro. Helton
afirmou que que algumas quadrilhas têm se especializado no crime de
extorsão, quando atuam no roubo de equipamentos durante os trabalhos de
reparo, e depois se utilizam de chantagem à empresa de telecomunicação que
pretende recuperar os equipamentos. Após a última exposição, o deputado
Edinho Bez reassumiu a presidência da Reunião e a declarou encerrada. E, para constar, eu
______________________, Luiz Paulo Pieri, lavrei a presente Ata, que, por
ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Edinho
Bez, ______________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.
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