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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
55ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 21ª REUNIÃO ORDINÁRIA
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 4 de outubro de 2016.
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Às
quatorze horas e vinte e três minutos do dia quatro de outubro de
dois mil e dezesseis, reuniu-se
ordinariamente a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime
Organizado, no Plenário 6, Anexo II da Câmara dos Deputados, sob a
presidência sucessiva dos Deputados Alberto Fraga e Aluísio Mendes.
Registraram presença os Deputados Alexandre Baldy - Presidente; Ezequiel
Teixeira, Alberto Fraga e Aluisio Mendes - Vice-Presidentes; Cabo
Sabino, Capitão Augusto, Delegado Éder Mauro, Delegado Edson
Moreira, Gonzaga Patriota, Keiko Ota, Laudivio Carvalho, Paulo
Martins, Rocha e Subtenente Gonzaga - Titulares; Carlos Henrique
Gaguim, Delegado Waldir, Hugo Leal, João Rodrigues, Laura Carneiro,
Lincoln Portela, Ronaldo Benedet, Severino Ninho e Silas Freire –
Suplentes. Compareceram também os Deputados André Abdon, Esperidião
Amin, Evair Vieira de Melo, Vicente Candido e Weliton Prado, como
não-membros. ABERTURA: O Deputado
Alberto Fraga declarou abertos os trabalhos e anunciou a ORDEM DO DIA: audiência
pública para “Debater o Projeto de Lei nº 5.989/16, que dispõe sobre
a tipificação criminal no uso de explosivos, ou na sua contrafação,
como meio para furto, roubo ou extorsão; altera o Decreto-Lei nº
2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal e dá outras
providências”, em atendimento ao Requerimento nº 175/16, de autoria
do Deputado Severino Ninho. Convidou, então, para compor a mesa os
senhores General de Brigada Ivan Ferreira Neiva Filho, Diretor de
Fiscalização de Produtos Controlados do Exército Brasileiro; Doutor
Luís Flávio Zampronha de Oliveira, Delegado da Polícia Federal,
representando o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal; e
o Doutor Alessandro Carvalho Liberato de Mattos, Secretário de
Estado da Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco. O
Presidente imediatamente passou a palavra ao General Neiva Filho,
que agradeceu ao convite e parabenizou o autor pela iniciativa do
projeto, dada a relevância do tema para a segurança pública e para a
população. Falou da importância do trabalho em conjunto para
mitigação do crime, visto tratar-se de um crime complexo, que a cada
ação do Estado buscava se adequar, a fim de burlar as leis e atingir
suas metas, que era o de ter acesso a explosivos de maneira espúria,
a fim de instrumentalizarem-se para o cometimento de crimes,
basicamente assaltos a bancos. Em sua opinião, continuou o General,
cabia ao Governo aumentar o controle e a fiscalização sobre a
fabricação, o transporte e o uso dos explosivos. Falou que, embora a
portaria sobre o assunto fosse apenas de 2.012, já se fazia
necessária uma atualização, dada a rapidez tecnológica no assunto.
Em seguida, demonstrou que as ações conjuntas do Exército com os
órgãos de segurança pública era uma estratégia que vinha surtindo
efeito. Citou, como exemplo, a redução de 30% nas ações com
explosivos nos roubos a bancos, no ano de 2016. Defendeu, ainda, que
a nova portaria, que, segundo ele, em breve seria editada para
regulamentação dos explosivos, deveria ser mais rigorosa quanto à
quantificação e aplicação das penas e que deveria incluir, ainda,
penas para as omissões de cautela, ou seja, penas para aqueles que
deixassem de cumprir sua função de cuidar e vigiar para que os
explosivos, em sua posse, não fossem extraviados. Assumiu a
Presidência da reunião o Deputado Aluisio Mendes e passou a palavra
ao Doutor Luís Flávio Zampronha de Oliveira, Delegado da Polícia
Federal, que fez um histórico da atuação da Polícia Federal nos
crimes de explosivos. Contou que a partir da CPI dos roubos de
Cargas, no ano de 2001, foi criada a Lei nº 10.446/02, que
regulamentou a Constituição Federal e deu poderes e estruturas para
que a Polícia Federal pudesse agir em roubos de cargas
interestaduais bem como em crimes contra o patrimônio. Em 2013, foi
dada à PF competência sobre o contrabando e falsificação de remédios
e, finalmente, em 2015, foi-lhe conferida atribuições sobre os
crimes financeiros, completando o ciclo necessário para que, ao lado
dos crimes de tráfico de drogas, a Polícia Federal tivesse
competência em todos os aspectos do crime organizado no Brasil.
Disse que a PF sempre atuava em conjunto com outras polícias, e com
o Ministério Público Federal, numa estratégia de força-tarefa, que
em sua opinião vinha sendo de grande eficácia. Para ilustrar,
apresentou números que mostravam a diminuição significativa do uso
de explosivos nos ataques a bancos e a terminais de autoatendimento.
Por fim, frisou que a Polícia Federal acreditava na política de
endurecimento das penas como uma forma de diminuição dos crimes,
agregando ao crime de uso de explosivos, também as imputações de
formação de quadrilha e de associação criminosa. Em seguida usou da
palavra o Doutor Alessandro Carvalho Liberato de Mattos, Secretário
de Estado de Defesa Social de Pernambuco, que defendeu que a
legislação penal fosse modernizada a fim de que os crimes e as penas
fossem unificados, pois numa ação do tipo de explosivos normalmente
se somam os crimes de roubo, furto, dano, formação de quadrilhas,
além do uso de explosivos. Defendeu, ainda, que as empresas privadas
deveriam investir mais em segurança, ao invés de deixarem todo o
trabalho para a segurança estatal. Há muitos mecanismos, segundo
ele, que inibiriam os roubos, como uso de fumaça, mecanismos que
queimam as células, uso de poliuretano, etc., muitos deles
plenamente usados em países estrangeiros. Falou ainda da necessidade
de um maior controle nas empresas de mineração, de onde provinha,
segundo ele, a maioria dos explosivos furtados, e uma maior
segurança para as bases de transportes de valores, que vinham se
tornando alvos cada vez mais visados pelas quadrilhas. O autor do
requerimento, Deputado Severino Ninho, levantou uma série de
indagações aos convidados. Ao General Neiva Filho indagou sobre os
núcleos de ação, sobre a carência de recursos e sobre os valores das
multas aplicadas aos criminosos. O General respondeu que a
fiscalização se valia da alta capilaridade do Exército, que o
permitia realizar ações em todas as Unidades da Federação,
perfazendo um total aproximado de 300 unidades no País, com cerca de
1.200 militares fixos, mais grupos de apoio. Ressaltou, ainda, que o
custo para tal estrutura não ultrapassava os três milhões de reais
anuais. Sobre as multas, disse que havia um projeto na Casa Civil
que previa o aumento destas. Depois o Deputado indagou ao
representante da Polícia Federal onde, estatisticamente, ocorria o
maior número de furtos de explosivos, se existiam regras
diferenciadas para furtos, roubos, perdas e extravios, qual a
quantidade de explosivos, aproximadamente, encontrava-se nas mãos de
criminosos e se as empresas privadas cumpriam os planos de
segurança. O Doutor Zampronha respondeu que tais registros eram
mantidos pela Polícia Civil. Disse que o Brasil era um grande
produtor de explosivos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, por
isso não haveria necessidade de contrabandeá-los. Disse que
acreditava fundamentalmente no poder investigativo das polícias, mas
ressaltou que havia necessidade urgente de mudança na legislação,
pois não havia, no Brasil, uma lei de crime de tráfico de
explosivos, apenas de armas e munições. O Deputado Aluisio Mendes
indagou ao General se ele achava acertada a opção por incumbir o
exército da missão de controlar os explosivos, o que era incomum em
outros países, e ainda se o General achava que os recursos eram
suficientes para tal. Em resposta, o General Neiva Filho disse que
essa era uma tradição brasileira, desde a Constituição de 1934,
reafirmada por todas as demais constituições, e que o Exército
Brasileiro, embora trabalhando sempre no limite do orçamento, se
sentia plenamente qualificado para cumprir as missões institucionais
a ele atribuídas. O Delegado Zampronha aproveitou para lembrar que a
melhoria da segurança era proporcional às melhorias de condições de
trabalho. Defendeu que houvesse mais cargos e armas para as
operações policiais e defendeu a construção de unidades regionais
para o controle de explosivos, nos moldes com o que acontecia com
unidades de repressão ao tráfico de drogas. Em resposta ao Deputado
Severino Ninho, o Secretário Alessandro Carvalho disse que, em
Pernambuco, haviam sido criadas unidades regionais de combate ao
roubo e uso de explosivos ilegais, mas ressaltou que o pleno
funcionamento de tais unidades dependem de repasses dos Governos
Estadual e Federal. Falou ainda sobre o assunto o Deputado Delegado
Eder Mauro, que disse acreditar que na base e no ápice dos crimes
com explosivos estavam um velho câncer da nação brasileira, o
tráfico de drogas. Falou da grande necessidade de investimento em
inteligência tanto nas polícias quanto no Exército, além de criação
de penas mais rigorosas e de ações rápidas e imediatas, pois somente
assim o crime seria desencorajado. ENCERRAMENTO: Nada mais
havendo a tratar, o Deputado Aluisio Mendes agradeceu aos convidados
e a todos que participaram da audiência e encerrou a reunião às
dezesseis horas e vinte minutos. E, para constar, eu, José Bemfica
de Deus _____________________, Secretário Executivo, lavrei a
presente Ata, que, lida e aprovada, será assinada pelo
Segundo-Vice-Presidente, Deputado Alberto Fraga
_____________________, e pelo Terceiro-Vice-Presidente, Deputado
Aluisio Mendes _____________________, e publicada no Diário da
Câmara dos Deputados. |