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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA SEPTUAGÉSIMA OITAVA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 24 DE
NOVEMBRO DE 2015.
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Às
quinze horas e dez minutos do dia vinte e quatro de novembro de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural - CAPADR, no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos
Deputados. Presentes os Deputados Carlos Henrique Gaguim -
Vice-Presidente; Adilton Sachetti, Celso Maldaner, César Messias, Dilceu
Sperafico, Luis Carlos Heinze, Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos e
Silas Brasileiro - Titulares; Aelton Freitas, Marcelo Aro e Rocha –
Suplentes. Compareceram também os Deputados Altineu Côrtes, Cabo Sabino,
Edinho Bez, Silas Câmara, Tenente Lúcio e Vitor Valim, como não-membros.
Deixaram de comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André
Abdon, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, César Halum, Elcione
Barbalho, Evair de Melo, Evandro Roman, Francisco Chapadinha, Heitor
Schuch, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo Goergen, João Daniel, Jony
Marcos, Josué Bengtson, Luiz Cláudio, Marcelo Castro, Marcon, Nelson
Meurer, Newton Cardoso Jr, Nilson Leitão, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves,
Ricardo Teobaldo, Roberto Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo
Lessa, Sérgio Moraes, Tereza Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção, Zé
Carlos e Zeca do Pt. Justificaram a ausência os Deputados Luciano Ducci,
Hélio Leite, Luiz Nishimori e Zé Silva. ABERTURA: O Deputado Alceu
Moreira, no exercício da Presidência, declarou abertos os trabalhos e
cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e convidados,
e esclareceu que a reunião tinha o objetivo de "Debater a importância da
exploração do potássio para a agricultura brasileira”, objeto do
Requerimento nº 165/2015, de sua autoria. O
Presidente esclareceu as regras para o procedimento da reunião e
convidou para compor a Mesa os seguintes convidados:
ELZIVIR
AZEVEDO GUERRA - Diretor do Departamento de Tecnologia e Transformação
Mineral da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do
Ministério de Minas e Energia; JOSÉ ALBERTO MONTENEGRO FRANCO - Consultor
Sênior do Gás e Energia da Petróleo Brasil S.A. - Petrobrás; DAVID
SIQUEIRA FONSECA - Geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral -
DNPM; MARCELO RIBEIRO TUNES - Diretor de Assuntos Minerários do Instituto
Brasileiro de Mineração - IBRAM; REGINALDO MINARÉ - Consultor da Área de
Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA;
CARLOS EDUARDO LUSTOSA FLORENCE - Diretor-Executivo da Associação dos
Misturadores de Adubos do Brasil - Ama Brasil; GUILHERME JACOME -
Representante da Empresa Potássio do Brasil; e DAVID ROQUETTI FILHO -
Diretor-Executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos – Anda. Em
sequência, o Presidente passou a palavra aos Senhores convidados: Marcelo Ribeiro Tunes
cumprimentou a todos e, utilizando recursos audiovisuais, ponderou que,
até o ano de dois mil e cinquenta, há uma perspectiva de elevação em
trinta por cento da produção de alimentos no mundo devido ao crescimento
populacional e ao aumento gradual de consumo de calorias per capita,
configurando aumento não só na quantidade, mas na qualidade do alimento
pra suprir a demanda. Destacou, também, que o Brasil apresenta as
condições essenciais para agricultura e, por esta razão, é o País com
maior potencial para crescimento da agricultura no mundo e situa-se entre
os maiores consumidores mundiais de fertilizantes. Frisou, entretanto, que
a oferta interna é dominada por insumos internacionais gerando um déficit
negativo na balança comercial de fertilizantes no valor de oito bilhões de
dólares no ano passado. Após, houve troca da presidência da Mesa com o
Deputado Silas Câmara, que destacou a presença na reunião da Sra. Sheila
Moreira – vereadora do município de Itacoatiara/AM, Sr. Anderson
Cavalcante – Presidente do PROS do município de Altazes/AM e do Professor
Cinésio Campos, Deputado Estadual da Assembleia Legislativa do Estado do
Amazonas. Prosseguiu a reunião concedendo a palavra ao Sr. Elzivir Azevedo Guerra, que
cumprimentou a todos e, fazendo uso de recursos audiovisuais, informou que
a partir de fevereiro de dois mil e onze, foi elaborado pelo Ministério
das Minas e Energia o Plano Nacional de Mineração – PNM, que orienta sobre
as diretrizes a serem seguidas para o bom aproveitamento dos recursos
minerais no País nos próximos vinte anos, dentre elas o objetivo em
desenvolver a cadeia produtiva dos minerais estratégicos, especificamente
a de fosfato e potássio que compõem os agrominerais. Avaliou, ainda, que
haverá uma demanda crescente por fertilizantes nos próximos anos em face
do crescimento populacional e da elevação gradual de consumo por alimentos
per capita e que há uma
correlação direta entre as produções de alimentos e de fertilizantes.
Previu, entretanto, que continuará a concentração da oferta global de
potássio visto que há poucos projetos de produção em desenvolvimento em
escala mundial. Concluiu discorrendo sobre as ações planejadas do
Ministério das Minas e Energia, integrantes do Plano Plurianual 2016 –
2019, e que estão previstas no Programa Temático “Gestão Estratégica da
Geologia, Mineração e Transformação Mineral”. Em seguida, o Deputado Alceu
Moreira, exercendo novamente a presidência da Mesa, prosseguiu a reunião
passando
a palavra aos Senhores convidados: David Siqueira
Fonseca
cumprimentou a todos e, por meio de recursos audiovisuais, ponderou que no
Brasil a proporção de potássio e fósforo em relação ao nitrogênio,
necessária para a fertilização dos solos, é superior a de outros grandes
produtores agrícolas e, por esta razão, nossos solos precisam mais de
potássio e nitrogênio. Informou, ainda, que a partir do ano de dois mil e
oito, o País passou a gastar mais com a importação de potássio, atingido o
valor de 3,8 bilhões de dólares e aumentou gradativamente a quantidade de
importação do produto, cujo total foi 5,4 milhões de toneladas no ano de
dois mil e catorze, demonstrando a elevada dependência brasileira desse
produto que atingiu noventa e cinco por cento nesse ano. Destacou que a
Mina Taquari-Vassouras é a única produtora brasileira de cloreto de
potássio e opera desde o ano de mil, novecentos e oitenta e cinco por
contrato de arrendamento. Concluiu dizendo que, as elevadas cotações do
potássio, o potencial brasileiro e sua vulnerabilidade foram um estímulo
para a pesquisa mineral dessa substância e que há perspectiva de
viabilização de três projetos no Brasil que, ao operar, podem reduzir a
dependência brasileira de importação do produto, muito embora o custo
ambiental e energético sejam fatores críticos na questão de viabilidade
econômica; Guilherme Jacome cumprimentou a
todos os presentes e, utilizando recursos audiovisuais, informou que a
Potássio do Brasil é uma empresa privada brasileira com foco em pesquisa
mineral de sais de potássio, cuja sede é em Belo Horizonte/MG e tem uma
filial em Autazes/AM, e tem como meta a implantação de potássio para
produção de fertilizantes. Enfatizou, ainda, que a atividade de exploração
do potássio é um alto investimento de risco, no qual a atração e
manutenção do investidor é um exercício constante e, atualmente, o maior
desafio é atrair os investidores diante da crise que afeta o País.
Ponderou, também, que os projetos a serem implantados na região de
Autazes/AM promoverão inúmeros benefícios para a região, como emprego e
renda, aumento das receitas tributárias, diversificação da base econômica
e da capacidade produtiva da região, aumento geral da demanda local por
bens e serviços e melhoria da infraestrutura regional. Ressaltou, ainda,
os benefícios para o agronegócio brasileiro como a redução do prazo de
recebimento do potássio, impacto na redução dos estoques e diminuição à
exposição cambial. Frisou, ainda, a alta carga tributária do potássio
brasileiro em vigor no País, incorrendo em ser mais vantajoso exportar o
produto que vendê-lo internamente e a baixa tributação que recai sobre os
produtos dos concorrentes estrangeiros e que chegam ao Brasil isentos de
tributação. Finalizou sugerindo, que seja feita uma frente conjunta de
trabalho entre a Câmara dos Deputados e as empresas privadas para que a
Lei 12.794/13 seja aprovada e homologada, pois promoverá a desoneração do
investimento em PIS e Confins nesses projetos, revertendo a margem para o
imposto de renda. Após, houve troca da presidência da Mesa com o Deputado
Silas Câmara, que prosseguiu a reunião passando a palavra para o próximo
convidado: José Alberto Montenegro
Franco cumprimentou a todos, agradeceu o convite e destacou a
relevância do debate sobre fertilizantes visto que está relacionado ao
agronegócio, o maior responsável pelo saldo positivo da balança comercial
brasileira, cuja importância não é considerada na efetivação dos atos do
Poder Executivo brasileiro. Realçou, também, que na década de oitenta a
dependência externa no setor de fertilizantes era baixa e a produção
nacional atendia o mercado, entretanto, com a ausência de incentivos do
governo brasileiro voltada para esse segmento, não houve implementação de
novos projetos na área passando, por esta razão, a predominar a importação
do produto com tributos subsidiados pelo governo. Frisou, ainda, que a
situação do País com relação à dependência externa nesse segmento, que é
de noventa e cinco por cento, é incompatível com o potencial de matéria
prima e recursos minerais que possui no seu território. Concluiu dizendo
que a instalação de novas indústrias de produção de matérias primas para
fertilizantes no País é desfavorecida em vista da isenção de alíquotas
para o produto importado e que existe um patrocínio do governo para a
importação de fertilizantes. Após, o Deputado Alceu Moreira, exercendo
novamente a presidência da Mesa, prosseguiu a reunião concedendo
a palavra aos seguintes convidados: Reginaldo
Minaré
cumprimentou a todos, agradeceu o convite para participar do debate e
ponderou que no mercado de fertilizantes o agricultor é consumidor e seu
custo impacta significativamente nos seus custos de produção e interfere
na competitividade do seu produto no mercado e que nessa questão há uma
falta de visão estratégica do poder central. Enfatizou, ainda, que para o
País e também para o agricultor trata-se de um insumo importante e
estratégico e que não é interessante para o agronegócio produzir a um
preço superior ao praticado no mercado internacional. Sugeriu uma melhor
equalização da carga tributária na produção e, também, revisão da
incidência do adicional de frete da Marinha Mercante sobre a importação de
fertilizantes, que corresponde a vinte e cinco por cento do valor do preço
do frete para compor um fundo para construção e reforma na indústria de
navegação e estaleiros nacionais. Destacou, também, a ausência de controle
do Estado sobre a elevada oligopolização do mercado de fertilizantes e a
inexistência da navegação de cabotagem como obstáculos adicionais que
inviabilizam a produção nacional. Concluiu relatando que, no ano de dois
mil e cinco, participou de três debates sobre esses mesmos temas e as
mesmas dificuldades e que, desde então, nada mudou; Carlos Eduardo Lustosa Florence
cumprimentou a todos, agradeceu o convite para participar do debate e,
fazendo uso de recursos audiovisuais, demonstrou que, a partir do ano de
dois mil e seis a dois mil e quinze, houve uma elevação de treze por cento
na demanda mundial de fertilizantes, enquanto no Brasil, no mesmo período,
cresceu sessenta e um por cento. Ponderou que a agricultura precisa
adquirir produtos em condições competitivas e é necessária a redução de
impostos para que a indústria nacional dos fertilizantes possa absorver
mão-de-obra, pagar os tributos e obter condições favoráveis de competição
no mercado internacional. Finalizou dizendo que o papel do misturador,
enquanto não há produção nacional, é buscar o produto onde ele estiver
para abastecer a agricultura nacional; e David Roquetti Filho que
cumprimentou a todos e, utilizando recursos audiovisuais, informou que o
setor de fertilizante representa 0,7 por cento do PIB brasileiro, 26,2 por
cento da cadeia de insumos em geral e 3,1 por cento do agronegócio, sendo
que o consumo no setor de fertilizantes cresce 8 por cento ao ano, que é a
maior taxa geométrica de crescimento entre os quatro principais
consumidores mundiais, no entanto, representa apenas 6 por cento do
consumo mundial de fertilizantes. Afirmou, também, que o Brasil possui um
grande potencial em crescimento de produtividade, porque a nossa dosagem
média de fertilizantes é muito baixa quando comparada com a dos países
concorrentes. Ressaltou, ainda, que entre os países importadores de
potássio o Brasil ocupa a primeira posição com 6,26 por cento ao ano e
ocupa a décima primeira posição na produção de potássio, que representa 1
por cento ao ano da produção mundial. Finalizou dizendo que, por tratar-se
de nutriente essencial para a vida das plantas, animais e dos seres
humanos, o potássio tem suma importância no suporte e segurança alimentar
e nutricional global. Em sequência, o Presidente concedeu a palavra aos
Deputados inscritos Silas
Câmara e Luís Carlos
Heinze. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a todos e
encerrou os trabalhos às dezoito horas e vinte e três minutos, antes,
porém, convocou os Senhores Parlamentares para Reunião Ordinária
Deliberativa da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, dia vinte e cinco de novembro, quarta-feira, às
10h, neste plenário. O inteiro teor foi gravado, passando as notas
taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião. E, para
constar, eu, Moizes Lobo da Cunha, ________________________________,
secretário, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será
assinada pelo Presidente em exercício, Deputado Alceu Moreira
_______________________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.
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