DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
SEM REVISÃO
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COMISSÃO
ESPECIAL
-
REFORMA POLÍTICA |
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EVENTO:
Reunião Ordinária
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REUNIÃO
Nº: 0218/15 |
DATA:
07/04/2015 |
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LOCAL:
Plenário 2 das
Comissões |
INÍCIO:
10h35min |
TÉRMINO:
12h54min |
PÁGINAS:
51 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
-
QUALIFICAÇÃO |
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NOTAS
TAQUIGRÁFICAS SEM REVISÃO, APENAS PARA
CONSULTA. |
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Bom dia a todos e a
todas! Declaro aberta a 14ª Reunião da Comissão Especial
destinada a proferir parecer à proposta de Emenda à
Constituição nº 182, de 2007, do Senado Federal, e apensadas,
da reforma política, com a participação da Comissão Especial
destinada a efetuar estudo e a apresentar propostas com
relação às matérias infraconstitucionais da reforma
política.
Encontra-se à disposição dos Srs. Deputados e das Sras.
Deputadas cópias da ata da 13ª Reunião. Pergunto se há
necessidade da leitura da ata.
O SR. DEPUTADO
VALADARES FILHO - Sr. Presidente, peço dispensa da leitura
da ata.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Perfeitamente. Não
havendo discordância, fica dispensada a leitura da
ata.
Em discussão. (Pausa.)
Não havendo quem a queira discutir, em votação a
ata.
Os Deputados que a aprovam permaneçam como se
encontram. (Pausa.)
Aprovada.
Daremos início à reunião de audiência pública, que
atende ao Requerimento nº 40/15, do Relator da Comissão, o
ilustre Deputado Marcelo Castro. Para tanto, gostaria de
anunciar a presença e convidar para compor a Mesa o Deputado
Roberto Freire, nosso Presidente do Partido Popular Socialista
— PPS, que já está à mesa — seja muito bem-vindo! —; o Sr.
Luiz Araújo, Presidente do Partido Socialismo e Liberdade —
PSOL — muito bem-vindo, honra-nos a sua presença! —; o Sr.
Eduardo Machado, Presidente do Partido Humanista da
Solidariedade — PHS, que também nos honra nesta manhã com a
sua presença para participar desta audiência pública, que,
como foi dito, atende a um requerimento do nosso Relator da
Comissão, Deputado Marcelo Castro.
Peço a atenção de todos e todas para as orientações
sobre esta reunião, para que nós possamos fazê-la da maneira
mais objetiva possível e tirar dela o melhor
proveito.
Primeiro, esta é uma audiência pública interativa. A
sociedade civil poderá participar, com sugestões e
questionamentos, pelo endereço
edemocracia.camara.gov.br.
Na fase dos debates, os Deputados e as Deputadas
poderão direcionar sugestões e questionamentos aos convidados.
Ao final da reunião, as sugestões recebidas serão entregues ao
nosso Relator, Deputado Marcelo Castro.
Quanto à exposição e aos debates, a norma e a nossa
sugestão de trabalho, para organizarmos o nosso tempo, são que
seja concedido o tempo de 15 minutos para cada um dos nossos
convidados. Os nossos palestrantes teriam 15 minutos, não
podendo assim haver apartes. Os Deputados interessados em
interpelar os palestrantes deverão inscrever-se previamente
junto à Secretaria. As perguntas serão feitas ao final da
palestra e deverão restringir-se ao assunto da exposição,
formuladas no prazo de 3 minutos, dispondo o palestrante
interpelado de igual tempo. Aos Deputados são facultadas a
réplica e a tréplica pelo mesmo prazo.
Mais algumas regras para podermos aproveitar o nosso
tempo.
Feitos esses esclarecimentos, nós daremos início à
nossa audiência.
Eu gostaria de convidar o Deputado Roberto Freire,
Presidente do Partido Popular Socialista — PPS para aqui nos
honrar com a sua explanação por 15
minutos.
O SR. DEPUTADO
ROBERTO FREIRE - Bom dia a todos! Conversava aqui com o
Deputado Marcelo, que me perguntava se eu estava cansado de
discutir a chamada reforma política. Realmente, há certo
cansaço, porque ela é sempre colocada como uma panaceia.
Qualquer crise falamos que a reforma política pode ser a
solução.
Eu venho discutindo questões da reforma política,
eleitoral e partidária desde que vim para esta Casa, no
longínquo ano de 1979, no século passado.
Fui
candidato a Deputado Federal no momento em que tínhamos um
programa eleitoral sob a égide da Lei Falcão, programa no qual
não podíamos falar. Era apenas um currículo e, quem assim
desejasse, uma anunciação de propostas. E eu fui candidato
anunciando como proposta que iria lutar pela legalização do
Partido Comunista Brasileiro, em 1978. Eu era militante do
partido, então no PMDB, e apontava isso querendo dizer que, em
chegando aqui, eu iria lutar pela derrubada da ditadura. E uma
das lutas era exatamente a liberdade de expressão e de
organização. Talvez, a fundamental, dentre elas, era a
liberdade de organização partidária.
E
fiz isso. Meu primeiro projeto foi uma proposta de emenda
constitucional que tornava livre a organização partidária no
País e com uma clara definição que, infelizmente, não é
prevalecente na mentalidade e na cultura brasileira: partido
político não é instituição do Estado; partido político é
direito de cidadania.
Nos países mais democráticos há constituições, por
exemplo, que nem tratam de partido político, porque essa é uma
forma de organização que está prevista na liberdade de
organização garantida pela cidadania. O Brasil é que tem a
ideia de que partido político deve ser tutelado pelo Estado, e
daí todo um processo de regulamentação, de leis definidoras,
de restrições e limitações para a organização partidária no
País, inclusive com a criação de determinadas exigências que
tornam a cidadania refém dos interesses majoritários aqui
representados no Congresso Nacional.
Aqui não se discute, por exemplo — e, infelizmente,
esse é um dado concreto —, o que é importante para fortalecer
a democracia representativa. Não! Aqui se discute o que é
importante, talvez, para a eleição dos Deputados. Querem ver
um exemplo? Essa excrescência do chamado distritão —
desculpem-me os amigos e companheiros do PMDB —, porque essa é
a contrafação da democracia representativa.
Ora, se precisamos fortalecer partidos, até para que
tenhamos governos mais presentes, com maior legitimidade e
governabilidade, nós estamos imaginando um sistema eleitoral
que vai criar 513 entes autônomos no Congresso
Nacional...
Que
democracia estamos imaginando para o Brasil?! Caótica. Se já
temos problemas com partidos pouco representativos, imaginemos
uma Câmara de Deputados que prescinde de partidos. Serão eles
meros cartórios para registro das candidaturas, já que não
significam nada para o exercício dos mandatos desses
Parlamentares.
Mas
isso é algo sobre o que eu não queria me deter nesses meus 15
minutos de comentários sobre essas questões a que chamo de
reforma eleitoral e partidária, porque a verdadeira reforma
política é aquela que, em momentos de crise, discute mudança
de regime. E é isso o que venho propor aqui.
A crise, evidentemente, está instalada. Não adianta
fugirmos de algo que a conjuntura pode indicar até mesmo
processos traumáticos de enfrentamento e solução da crise. Os
partidos políticos, as lideranças políticas podem não falar
nessa possibilidade do trauma do impeachment, mas isso
existe, está presente na sociedade e em um cenário que pode
acontecer, basta que a crise se aprofunde — e tudo indica que
ela pode se aprofundar, seja a crise econômica, seja a
política.
Trata-se de um impasse institucional muito facilmente
criado, inclusive no chamado sistema presidencialista. Porque,
se crise se instala, deve-se admitir que a alternância do
poder é periódica, de 4 em 4 anos. Não é um sistema que tem a
capacidade de enfrentar e resolver o problema no momento em
que ele existe, inclusive de ingovernabilidade, seja por força
da crise econômica ou da crise política. E isso está se
caracterizando. Pode até não ocorrer, mas é uma hipótese.
E nós não precisamos estar discutindo uma alternativa
para a crise como intervenção de conjuntura, mas precisamos
discutir nesta crise algo que possa solucionar de forma
permanente, para que não sejamos surpreendidos — em um
interregno de 20 anos ou menos, ou um pouco mais —, tal como
fomos no Governo Collor. E hoje podemos ser também
surpreendidos com uma intervenção traumática no Governo Dilma.
E
qual é o futuro? É se imaginar que um presidencialismo de
cooptação, de coalizão — dê-se o nome que se queira —, mas é
um sistema imperial que, na América Latina, cria uma crônica
continuada, consecutiva, de golpes de Estado, de restrições
democráticas e de períodos democráticos. Essa é a narrativa
que temos para o continente latino-americano. Talvez, a
exceção sejam os Estados Unidos. E uma brincadeira que faço é
que, nos Estados Unidos, não há impeachment, lá
mata-se o Presidente.
Nós temos que buscar um sistema político. E daí a
importância da reforma política, com mudança de regime, que
seja permanente, para que, quando houver uma crise, a solução
seja a mais radical e democrática, e não algo que possa
inclusive trazer à colação aquilo que um retrocesso claro das
visões golpistas de intervenções militares, mesmo que
minoritárias. E ainda bem que são minoritárias e irrelevantes,
mas não deixam de ser preocupantes. Porque é uma alternativa
que, para aqueles menos avisados, os grandes desavisados,
passa a ser talvez a forma mais concreta de parar com o
impasse que o sistema gera.
Há tramitando na Casa, desde 1995, uma proposta de
mudança de regime. E ali, lamentavelmente, vivíamos um governo
do Partido da Social Democracia Brasileira, que eu vi surgir
aqui como partido nos trabalhos da Constituinte, um setor à
esquerda do PMDB favorável ao Parlamentarismo, mas que, com a
discussão sobre o Parlamentarismo na Assembleia Nacional
Constituinte, consolidou-se como um grupo dentro do PMDB e que
dele saiu para formar o PSDB, cuja bandeira fundamental era a
defesa e a implantação do Parlamentarismo.
No Governo Fernando Henrique, passados 8 anos, as
tentativas de discutir Parlamentarismo foram muito frágeis.
Talvez essa tenha sido a grande falha de um governo
parlamentarista em um sistema presidencialista, ou seja, não
implementar nenhuma discussão ou reforma do sistema.
Mas no Congresso houve uma proposta, e ela avançou. Em
1995, houve uma proposta que foi assinada inicialmente e,
portanto, de autoria do Deputado Eduardo Jorge, do PT. E nós
também assinamos a referida proposta de emenda,
parlamentarista que sou. Mas quero aqui reconhecer um grande
erro — não meu, pois, como jovem, votei no meu partido, o
Partido Comunista Brasileira — do meu partido, que cometeu um
equívoco e, mesmo sendo parlamentarista, votou contra a
experiência parlamentarista que tínhamos para devolver e
restaurar os poderes do Presidencialismo de João Goulart. Mas
isso ocorreu por uma circunstância de conjuntura, de disputa,
de luta naquela oportunidade. Mas foi, evidentemente, um erro,
até porque a experiência parlamentarista tinha começado a dar
alguns bons resultados.
É importante a gente lembrar essa crônica, para
podermos ter a ideia de aquele erro já não se consertou mais.
Será que a crise que estamos vivendo nos oferece a
oportunidade desta emenda que está tramitando — e é importante
salientar — desde 1995?
Em 2001, portanto, foi aprovada e está pronta, como
projeto, para ser votada em plenário.
Essa é uma reforma política. A partir dela, podemos
discutir o distritão, o voto distrital misto, todo um sistema
eleitoral, como conformar partidos. E, se queremos entrar
nesse grave equívoco, podemos imaginar que temos partidos
demais e criar mecanismos para acabar com os pequenos
partidos, como se isso fosse resolver o problema da democracia
brasileira. Ao contrário, isso vai diminuir o nível de
representatividade da sociedade brasileira.
Então, nesse sentido é importante — e é isso o que o
PPS quer trazer e solicitar — que esta Comissão, que está
tratando da reforma política — mas muito mais de reforma
eleitoral e partidária, porque grande parte dos projetos não
trata da grande reforma política, da mudança de regime —, não
analise o Parlamentarismo, até porque está pronta a proposta
de emenda constitucional para ser votada em plenário, mas que
esta Comissão assuma, até como trabalho prévio para discussão
das outras reformas que serão necessárias, a grande reforma.
E
digo isso até para anunciar à sociedade brasileira que crises
como esta que estamos vivendo têm uma componente geradora de
impasse que é o Presidencialismo. Até porque, se
parlamentarista o Brasil fosse, este Governo já não mais
existiria — e com a maior tranquilidade. Se este Congresso não
tivesse a capacidade de constituir um Governo com estabilidade
e possibilidade de governabilidade, poderia ele ser dissolvido
e convocadas novas eleições.
Ou seja, a crise em um sistema parlamentarista, a sua
alternativa é cada vez mais radical, do ponto de vista
democrático. A crise no sistema presidencialista, tal como
estamos vivendo, tem como alternativa uma solução sempre
traumática e com riscos de haver retrocesso e antidemocrático,
com intervenções que, evidentemente, não são constitucionais.
Então, neste sentido, eu queria terminar dizendo que o
PPS tem um representante nesta Comissão, o Deputado Sandro
Alex, que tem defendido uma série de projetos como propostas
do PPS. Estão tramitando e são propostas importantes de
superação de limitações, de entraves. E são tentativas de
dizermos que não podemos continuar tutelando partidos
políticos.
Permitam-me,
inclusive, dizer — já que se fala muito na Operação Mãos
Limpas na Itália, em função de uma crise ética de moral que lá
viveram e que aqui estamos vivendo — que não podemos ter a
alternativa que lá ocorreu, até porque os partidos políticos
no Brasil, pela tutela do Estado, impedem a cidadania de
livremente se organizar, porque não pode a cidadania
participar do processo eleitoral, salvo se tiver organizada
nos termos que a lei tutela a organização partidária.
Pode-se admitir — e me permitam a franqueza no
tratamento do assunto — a continuidade de existência de um
partido como o PP, mesmo que seus filiados e militantes possam
imaginar que outra alternativa seria melhor, em função da
crise pela qual a legenda passa. Mas, pelo sistema de tutela
que temos, é o PP depositário de um tempo de televisão; do
prazo mínimo de 1 ano de filiação que garante a participação
do cidadão como candidato. E isto impede que aqui possam
surgir, como surgiram na crise na Itália — acabando com o
Partido Democrata Cristão que, durante 40 anos, tinha dominado
a política italiana, porque simplesmente esvaiu-se seu poder
—, de imediato, partidos criados para disputarem a eleição,
sem nenhuma limitação, tal como agora, tivemos na Grécia, uma
crise que trouxe um pequeno partido que se organizou para
disputar a eleição no campo da esquerda e vitorioso foi. Tal
como temos hoje, na Espanha, dois partidos que foram criações
de movimentos de manifestações populares. Aqui nós tivemos,
mas de lá não pode surgir nenhum partido. Desses movimentos da
sociedade, da cidadania, nenhum partido pode existir, ser
criado, porque a tutela que o Estado exerce determina quem são
os atores para participar das eleições.
Então, até para que tenhamos a amplitude de que uma
cidadania faça uma intervenção concreta no processo político,
nós temos essa visão equivocada, como se partido político
fosse instituição do Estado. Partido político é uma
instituição criada pela liberdade da cidadania e, visando
isso, talvez, num futuro, quem sabe, em que as crises
políticas, as crises econômicas, não gerem impasses como os
que nós estamos começando vivenciar agora no Governo que aí
está, é que a gente deve adotar uma alternativa fundamental do
ponto de vista das sociedades mais desenvolvidas, do ponto de
vista democrático, que é o Parlamentarismo.
Aí, proponho que esta Comissão, não analisando o
Parlamentarismo, porque a emenda já foi analisada e está
pronta para ser votada, pelo peso político que tem na
sociedade brasileira e em especial nesta Casa, assuma um
posicionamento de solicitar à Mesa da Câmara dos Deputados que
coloque em votação, na Ordem do Dia, para que a sociedade
brasileira se pronuncie, salientando que não há nenhum viés
golpista, porque de acordo com a ideia, tal como está lá
prevista — e, evidentemente, tem de assim ser definida — só
pode funcionar Parlamentarismo no fim do atual Governo. Não
pode limitar, em nenhum momento, os poderes do Governo atual,
porque aí seria golpe. Pode intervir e até tirar o Governo de
forma constitucional por impeachment, não por diminuição de seu poder
e nem por nenhum ato legislativo.
Em segundo lugar, que o referendo da decisão do
Congresso seja feito para que a cidadania se pronuncie sobre
isso, até para poder livrar toda e qualquer discussão quanto a
ser cláusula pétrea por acabar com o sistema da divisão dos
Poderes, que é uma discussão jurídica, mas que, para evita-la,
leva-se à soberania popular para que decida.
Parece-me ser importante que esta Comissão
politicamente adote essa postura, apontando uma alternativa,
no momento em que o Brasil vive.
Eu até chamaria a atenção para nós que fazemos parte da
Oposição: nós não podemos ser expectadores dessa crise
imaginando que das ruas venha a solução. Nós precisamos
apresentar à sociedade a alternativa que um Congresso
Nacional, na majestade do seu poder, pode oferecer.
O Parlamentarismo pode ser isso.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Roberto Freire, nosso convidado de hoje, Presidente do Partido
Popular Socialista, que, como V.Exa. disse, é muito bem
representado aqui na Comissão pelo atuante e participante
Deputado Sandro Alex.
Convidamos agora o Sr. Luiz Araújo, Presidente do
Partido Socialismo e Liberdade — PSOL, para fazer sua
explanação pelo tempo de 15 minutos.
Seja muito bem-vindo.
O SR. LUIZ
ARAÚJO - Bom dia a todos e a todas, queria, em primeiro
lugar, agradecer o convite. O PSOL inicia sua exposição talvez
falando sobre a parte que não existe acordo.
Eu vou começar da mesma forma que o Deputado Roberto
Freire. Bem, nós estamos no meio de uma crise, mas as
motivações da crise e os desdobramentos obviamente são muito
“desacordantes”, se existe essa palavra,
Então, veja, há um esgotamento econômico no País, mas a
maioria dos Parlamentares de oposição e situação, com exceção
de poucos, entre eles o PSOL, concordam com os remédios que
estão sendo tomados para crise.
Então, há um ruído: o principal da crise, que é a crise
econômica, tem, no Parlamento, uma alta concordância com um
remédio que está mostrando seus efeitos nocivos à sociedade,
nocivos à economia brasileira.
Sem resolver os fundamentos da crise econômica, nós
vamos continuar vivendo sucessivas crises políticas, mas nós
vamos completar quase três décadas da redemocratização do
País, e as manifestações de junho de 2013 e, parcialmente,
também, as manifestações que ocorreram agora em março, mostram
que a nossa democracia não é só frágil — apesar de que algumas
pessoas considerarem que ela é forte —, mas como imperfeita,
mas ela é imperfeita porque a desigualdade social no País faz
com que a democracia tenha, no seu formato atual, distorções
que uma reforma política precisa enfrentar.
Por que as pessoas foram às ruas e exigiram do
Parlamento que tomassem providências, e toda hora, tal como um
remédio milagroso, a reforma política aparece, então, como uma
solução mágica para esse problema?
Primeiro, sucessivos e persistentes escândalos de
corrupção; segundo, abuso do poder econômico nos processos
eleitoras; terceiro, utilização das estruturas públicas em
favor de determinados grupos políticos sem que a democracia
tenha a eles delegado esse direito; terceiro, inexistência ou
precariedade de mecanismos eficientes de participação direta
da população.
Esse conjunto de problemas pode encontrar na reforma
política tentativas de solução, mas eles são bastante
divergentes, e eu vim aqui expressar como nós, do PSOL,
achamos que isso deve ser enfrentado.
Eu começo pelo tema mais polêmico. Eu acho que vale um
debate aí sobre parlamentarismo, sobre presidencialismo, mas
parece-me que isso não resolveria, no momento, o enfrentamento
do que a população considera que é essencial mudar. Nós
podemos continuar com a corrupção, nós podemos continuar com
abuso de poder econômico tanto no presidencialismo como no
parlamentarismo. Não é inerente a esses dois regimes a forma
de corrupção.
Então, vamos lá. Primeiro problema que deve ser
enfrentado e que talvez seja o mais crucial neste momento...
Dentro das virtudes da Operação Lava-Jato, eu diria que tem
uma que as pessoas não estão percebendo: a queda do mito de
que o problema da corrupção é um problema de caixa 2. A
operação tem mostrado, reiteradas vezes, que não. O problema
da corrupção em relação ao processo político tem a ver com o
financiamento privado de campanha, seja ele de forma
clandestina, disfarçada, com malas de dinheiro, com outros
mecanismos, seja ele travestido de financiamento legal
conforme a legislação.
Vários depoimentos, na delação premiada, têm mostrado
que as empresas faziam das duas formas a depender do fluxo de
caixa ou das necessidades do cliente.
A manutenção e, me desculpe a palavra, o escárnio deste
Parlamento, está tentando no meio de uma votação no Supremo
Tribunal Federal, e por forças ocultas o Ministro Gilmar
Mendes ter colocado dentro de uma gaveta bem profunda,
impedindo o final da votação... Constitucionalizar o
financiamento privado é dar uma resposta totalmente avessa ao
que deseja a população que foi às ruas e ao que as evidências
estão mostrando. Pode sortear qualquer das comissões temáticas
desta Casa, a PEC 215, e
peguem a lista dos Srs. Deputados
presentes na PEC e verifiquem “coincidências” — entre aspas —
de financiadores de campanha vinculados ao tema da
PEC.
Muitos anos atrás, eu ouvi de um grande empresário da
minha terra que existiam dois tipos de relacionamento com os políticos
que as empresas faziam: os políticos que eles apoiam e os
políticos em que eles investem. Os em que eles investem, como
o nome já está dizendo, é um investimento produtivo,
comercial, que precisa de
retorno.
Esse é o geral que é feito no País. Precisa-se de
retorno. Onde tem o retorno? Uma grande empresa do agronegócio
favorável aqui que se barre a continuidade de regulamentação
de terras indígenas para que você tenha mais áreas
agricultáveis, para que você tenha mais áreas para devastar,
para abrir novos horizontes para o seu
mercado.
Os eleitores brasileiros não votaram nos Parlamentares
financiados pela FRIBOI, por qualquer grupo ou grandes grupos
comerciais para que se fizesse isso. Não foi debatido isso no
período eleitoral. Então, pratica-se estelionato eleitoral via
financiamento privado. O escândalo da Lava-Jato é mais um na
série histórica que nós temos no Brasil em que sempre há uma
relação promíscua entre o Executivo, o Parlamento e as
empresas privadas, que não são eleitores, como bem já se falou
no Supremo Tribunal Federal sobre isso.
O nosso partido é favorável a financiamento
exclusivamente público. Porém, apoia, como uma mediação
possível, a proposta da coalisão democrática de que se proíba
o financiamento privado e se permita o financiamento de pessoa
física com um teto compatível com a necessidade que o País tem
hoje de moralizar esse tipo de procedimento. Sem que se
resolva isso, nós vamos continuar tendo votações maculadas
pelos interesses ocultos nos
financiamentos.
Segundo, em relação ao sistema eleitoral, mesmo
concordando que nós somos por demais tutelados, eu diria que
temos três necessidades. A primeira delas é fortalecer a
vontade da população em relação aos mandatos. O poder emana do
povo, mas está por demais terceirizado. É necessário retomar
para a população a garantia de que aquela promessa de campanha
feita seja realmente efetivada, porque é isso que a delegação
estabelece. Um Parlamentar é um delegado de uma parcela da
população via programa partidário, via proposta, já que não
existem candidatos avulsos, todos por partidos. E esse
programa apresentado precisa ser seguido
aqui.
Então, nós somos favoráveis a que um bom remédio já
experimentado em outros locais é a garantia da revogabilidade
dos mandatos. É necessário que um conjunto de eleitores, ao
ver que o programa defendido pelo seu Parlamentar não está
sendo cumprido, possa se mobilizar para que aquele mandato,
aquela delegação dada para aquela finalidade, seja revogado.
Se nós apresentamos programas e consideramos que esses
programas nos ajudam a ganhar a confiança da delegação, não
tem por que temer que o povo possa julgar se esse programa
está sendo cumprido.
Segundo, ao contrário de muitas propostas que tramitam
aqui, nós somos favoráveis a fortalecer os partidos. Algumas
medidas são necessárias, algumas pela positiva, outras pela
negativa. Pela negativa, qualquer forma de cláusula de
barreira é uma tentativa de fortalecer não todos os partidos,
mas fortalecer alguns partidos, coincidentemente os que
tiverem maiores bancadas no momento em que essa legislação for
estabelecida. Ela é recorrente com o discurso de que há muitas
legendas de aluguel. Então, é necessário ter uma cláusula de
barreira.
Nós somos contrários à cláusula de barreira porque na
verdade ela tem um efeito reverso do que se pretende e um
afunilamento dos interesses em poucos partidos, em um
bipartidarismo, em um tripartidarismo.
Então, segundo, é necessário que você tenha um sistema
de votação proporcional em lista partidária. Como se resolvem
os efeitos que de vez em quando se corporificam em um ou dois
Parlamentares puxadores de voto? Nós temos que ter listas
partidárias preordenadas fortalecendo os partidos e os seus
candidatos.
Defendemos o fim das coligações nas eleições
proporcionais. Isso é muito mais eficiente que cláusula de
barreira. Mas é necessário também que você rediscuta o tempo
de TV. O exemplo que foi dado há pouco mostra o quão a máquina
partidária acaba funcionando vinculada a tempo de
televisão.
A recente mudança que foi feita por esta Casa no tempo
de televisão é totalmente absurda. O que já era ruim se
conseguiu piorar. Então, não é verdade que uma reforma
política venha só para melhorar. A última reforma eleitoral
que foi feita piorou, fazendo uma divisão dentro do tempo, que
era igualitário, diminuindo o tempo igualitário e sufocando as
representações dos pequenos partidos. A lógica da última
mudança que foi feita aqui é uma tentativa de extinguir os
partidos via tempo na televisão.
Somos também favoráveis a que não só o poder econômico
expresso no financiamento privado seja violentamente coibido,
como é necessário coibir outras formas de poder não
autorizadas pela nossa democracia. É como tem sido a
divulgação de pesquisas eleitorais até a véspera das
eleições.
Eu estou como Presidente, mas sou professor, sou um
pesquisador, professor da UnB. As pesquisas detectam a
fotografia de uma realidade. E você pode apreciar, a partir
dessa pesquisa, uma intervenção sobre a realidade. O que as
pesquisas eleitorais fazem é influenciar na realidade durante
o processo. É adulterar a vontade a partir do voto útil ou da
adulteração dos próprios mecanismos de pesquisa. Então, se usa
a pesquisa para ganhar a eleição, e não se mostra na pesquisa
apenas o resultado momentâneo da vontade do eleitorado. Então,
coibir o uso da máquina via pesquisas eleitorais e quem as
financia — elas são caras e feitas para defender determinados
interesses — é fundamental.
É necessário não só fortalecer os partidos, mas
fortalecer o empoderamento da população sobre a democracia.
Nesse sentido, mais do que manter apenas os partidos — nós
somos contra as tentativas de extinguir por decreto, por
monitoramento, ou por sufocamento no horário eleitoral —, é
necessário radicalizar a democracia para que a população tenha
outros instrumentos que não só a democracia
representativa.
Um deles, já falei, é a revogabilidade do mandato, é de
interferência na democracia representativa, mas é necessário
que você tenha referendos e plebiscitos. Muitas decisões
tomadas no Parlamento por delegação precisam ser ratificadas
pela população como forma de que você faça um balanceamento
entre o espectro partidário e a vontade direta da população.
Então, que seja o referendo, seja o plebiscito, seja facilitar
a apresentação de emendas diretamente da população, que os
instrumentos têm dificultado.
Quanto mais livre for a manifestação, mais permeável
estiver o Parlamento para a vontade direta do eleitor, mais
sintonizado com os interesses desses eleitores ele estará.
Quanto menos interferência do poder econômico tiver na nossa
democracia, mais democrática será a representação aqui no
Parlamento. Quanto mais igualitário for o tempo na televisão e
a forma de funcionamento dos partidos, menos bipartidário o
nosso sistema vai ser.
Para finalizar, nós somos um partido que considera que
a crise econômica e a crise política precisam de solução.
Somos contra qualquer forma golpista de se resolver isso. E
somos favoráveis a que este Parlamento — como se dizia em
2013, parecia que era voz corrente aqui — ouça a voz, que já
está ficando mais do que rouca, das ruas. É
necessário acabar com o financiamento privado, é necessário
radicalizar a democracia e é necessário garantir um
funcionamento dos partidos soberano e livre e não tutelado
pelo Estado.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Professor
Luiz Araújo, Presidente do Partido Socialista e Liberdade —
PSOL,
muito obrigado por aceitar o nosso convite e dar a sua
contribuição aqui nesse debate importante, lembrando que esta
audiência pública acontece por um requerimento do nosso
ilustre Deputado Marcelo Castro, Relator desta Comissão, com o
objetivo de discutir a reforma política, sistemas eleitorais e
financiamento de campanha, com a presença, aqui, dos
Presidentes nacionais do PPS, Deputado Roberto Freire,
Professor Luiz Araújo, Presidente do Partido Socialismo e
Liberdade, e Eduardo Machado, Presidente do Partido Humanista
da Solidariedade, lembrando, ainda, que esta é uma audiência
pública interativa. A sociedade civil que nos acompanha pela
Internet pode participar com sugestões e questionamentos pelo
endereço edemocracia.camara.gov.br. Depois de recebidas, essas
sugestões serão entregues também ao Relator, o Deputado
Marcelo Castro.
Informo,
ainda, aos ilustres Deputados e Deputadas que se interessarem
em se inscrever para o debate que podem fazê-lo com a nossa
secretaria na fala também aqui do nosso último palestrante
desta manhã a quem concedo a palavra, pelo tempo de 15
minutos, Eduardo Machado, Presidente do Partido Humanista da
Solidariedade — PHS.
O SR. EDUARDO
MACHADO - Muito obrigado. Bom dia a todos os Sras. e Srs.
Deputados, Presidente da sessão, Deputado Rubens Otoni,
Relator Marcelo Castro, demais companheiros e companheiras e
todos que estão nos assistindo.
Muito
se fala no Brasil, já é recorrente, sobre essa questão do
excesso do número de partidos políticos, que muitos consideram
excessivo.
Se a gente for analisar a dimensão do Brasil e fizer um
comparativo, por exemplo — eu teria dezenas de exemplos —, com
Taiwan, que é um modelo de desenvolvimento para o mundo e tem
uma região, em termos geográficos, do tamanho da cidade de São
Paulo, lá há 800 partidos. Eu não vejo isso como excesso. Nós
temos é que cuidar de outros problemas.
Hoje,
no clamor das ruas, quando se fala em reforma política — e nós
vemos hoje a sociedade organizada levantando cartazes, falando
em reforma política —, ninguém está pedindo cláusula de
desempenho, cláusula de barreira ou outros assuntos que a
gente vê serem discutidos.
Hoje,
quando eu ouço, em várias entrevistas, diversas autoridades
falando que no Brasil tem que ter cinco ou seis partidos, isso
me remete à época da ditadura militar, porque na ditadura,
sim, foi criado o bipartidarismo. A participação
da sociedade organizada no sistema político eleitoral era
totalmente dificultada. Naquela época, como eram poucos
partidos, eram poucas as possibilidades e oportunidades de o
cidadão comum ser candidato a algum cargo eletivo.
Então,
com isso, como eram pouquíssimas as vagas para a pessoa ser
candidato a Vereador, Deputado Estadual e Deputado Federal, só
a elite conseguia ser candidato a alguma coisa. E, se só a
elite conseguia ser candidato a alguma coisa, quem era eleito?
A nata dessa elite. Ou seja, era um sistema completamente
elitista. Hoje, graças ao pluripartidarismo, garantido no art.
17 da Constituição,
nós podemos fazer com que a pessoa comum, que um dia sonhou em
estar aqui neste Parlamento, possa conseguir chegar aqui.
Nós
temos hoje, entre centenas de exemplos, um Vereador no
Rio
de Janeiro
que, até a poucos anos atrás, era um vendedor de banana na
feira. Mas ele sonhou, ele ousou ser Vereador no Rio
de Janeiro,
ele se candidatou e saiu pedindo voto no pequeno bairro dele,
no Taquara, que, por sinal, é o bairro do nosso Presidente
Eduardo Cunha. Ele saiu pedindo voto e foi eleito Vereador no
Rio
de Janeiro
e hoje representa a comunidade dele. Situações assim se tornam
impossíveis se a aberração do distritão for aprovada ou se
tivermos a diminuição do número de partidos políticos no
Brasil. Portanto, nós queremos fazer um alerta para a
sociedade e trazer este recado aos senhores: nós não podemos
calar a voz das minorias. Calar a voz das minorias é calar a
voz do povo.
Como o art. 1º da Constituição diz que todo o poder
emana do povo, nós estamos dando um tapa na Constituição, um
tapa nas minorias e um tapa na sociedade
brasileira.
Esse é um cuidado que temos que ter para não
incorrermos nesse erro de aprovar uma cláusula que, como disse
o Ministro Ayres Britto, no julgamento no STF, que sepultou
este assunto, naquela época, não deveria se chamar cláusula de
barreira e, sim, cláusula de caveira, porque ela enterra o
direito das minorias de participar. E quando eu falo minoria,
temos que analisar o que é chamado de minoria. Por exemplo,
temos aqui o nosso Deputado Adail Carneiro, do Ceará, eleito
com honestos 114 mil votos. Será que ele não tem direito a
estar neste Parlamento, simplesmente por pertencer a um
partido pequeno? No PTN, nós temos a Deputada Christiane de
Souza Yared, a mais votada do Estado do Paraná, com mais de
200 mil votos — 200 mil votos limpos e honestos. Será que ela
também não merece estar neste Parlamento por pertencer a um
partido pequeno? Quais são os critérios?
Vale lembrar que, no julgamento do Supremo Tribunal
Federal que sepultou a cláusula de caveira, como diz o
Ministro Ayres Britto, o Ministro Marco Aurélio classificou
essa regra que agora volta a ser discutida no Parlamento como
esdrúxula — palavras dele, não são minhas —, extravagante e
incongruente. A partir do momento em que se admite que o
partido sobreviva, mas sem fundo partidário, sem tempo de TV e
sem liderança parlamentar, nós o estamos matando por asfixia.
Na verdade, segundo ele, a cláusula provocaria o massacre das
minorias, o que não é bom para defender a democracia, para
defender o regime democrático. O art. 17 da Constituição deixa
bem claro que é um dever resguardarmos a soberania nacional, o
regime democrático e o pluripartidarismo. Por isso, eu defendo
que estamos indo contra o que está escrito na própria
Constituição.
A Ministra Cármen Lúcia, nesse mesmo dia, argumentou
que a minoria de hoje tem que ter espaço para ser a maioria
amanhã e que a cláusula de barreira não permitiria o
crescimento dos pequenos partidos.
Para finalizar essa questão do julgamento, o Ministro
Ricardo Lewandowski disse que a cláusula fere de morte a
pluralidade e a representatividade das minorias no sistema
político brasileiro.
Por tudo isso, temos que analisar muito bem o seguinte:
se hoje temos 28 partidos representados neste Parlamento, por
que isso aconteceu? Por um motivo: porque assim quis o povo. E
se todo o poder emana do povo, como vamos questionar a vontade
do povo? Então, o povo está errado? Existe alguma coisa de
ilógico nesta questão. Nós temos que tomar muito cuidado para
não voltarmos a um sistema que não represente aquilo que a
sociedade pensa.
E aproveitando a oportunidade, eu quero mais uma vez
parabenizar a Mesa, a Presidência e o Relator por terem aberto
esse espaço para que os partidos possam expressar seu
pensamento. Que a sociedade brasileira o acompanhe e que
tomemos muito cuidado com essa cortina de fumaça que setores
da mídia criam no sentido de que temos que fazer uma reforma
política seja ela qual for.
Existem pontos a serem mudados? Claro que sim. Existem
muitos pontos errados? Não tenho nenhuma dúvida, mas nós não
temos que usar essa cortina de fumaça para mudar o que está
correto. Hoje, no sistema proporcional, as minorias conseguem
espaço. Nós vemos que aqui, no Parlamento, vários setores da
minoria estão representados. Seria terrível imaginar este
Parlamento sem essa oposição que pauta o bom senso muitas
vezes na Casa. Esses são pontos.
Também defendemos que se criminalizem, por exemplo,
atitudes corruptas no sistema eleitoral. Nós vemos que grande
parte dos Deputados é eleita porque sai contratando cabos
eleitorais a torto e a direito. Isso, sim, tem que ser
revisto.
Representantes têm que estar mais próximos de
representados. Essa incongruência é que mata o Brasil. Esse
erro hoje permeia a classe política brasileira, e a sociedade
não se sente representada. É por esse motivo que querem ferir
de morte as minorias, as entidades representativas da
sociedade.
Como bem disse o Deputado Roberto Freire, temos que
tomar muito cuidado, porque hoje se tutelam erroneamente os
partidos. Partido não é um instrumento do Governo, partido tem
liberdade de organização. Os partidos têm que ter vida
própria.
Eu vou dar o exemplo do PHS. Quando nós assumimos, o
PHS não tinha nenhum Deputado Federal. Começamos a fazer esse
trabalho, percorrendo todo o Brasil, e elegemos vereadores em
quase todas as capitais. E, nessa eleição, fruto desse
trabalho que fizemos, elegemos cinco Deputados Federais. Temos
dois aqui: o nosso Líder Marcelo Aro e o nosso Deputado Adail
Carneiro.
Fizemos um trabalho para levar à sociedade o que nós
acreditamos, a sociedade disse “sim” à proposta que
apresentamos e fomos agraciados com cinco mandatos. A mesma
coisa aconteceu com partidos como o PTN, o PRP e vários outros
que hoje estão aqui na Casa porque assim quis a
sociedade.
Então, hoje nossa maior preocupação é que não se calem
as minorias e a voz do povo.
Temos vários pontos para apresentar à reforma política.
Existem hoje vários erros graves no sistema político
brasileiro. Já apresentei alguns. Por exemplo, a questão dos
Senadores sem voto — isso, sim, tem que ser mudado
urgentemente — e a questão do sistema que não pune quem
claramente comete graves crimes
eleitorais.
Nós temos bem explicitadas essas e outras propostas,
por exemplo, a questão das sobras eleitorais. Hoje existe a
cultura do voto inútil. Centenas de milhares de pessoas votam
numa coligação, a coligação não atinge o quociente e aqueles
votos são desprezados.
Aí se vê o que aconteceu na eleição passada no meu
Estado de Goiás: candidato ter uma votação fortíssima e não
ser eleito e candidato com metade dos votos ser eleito. Por
que não foi eleito? Porque o partido dele não atingiu o
quociente eleitoral e a legislação simplesmente não considera
aqueles votos.
Portanto, muitas vezes os votos de 150 mil pessoas são
jogados no lixo. Essa é uma grave distorção que nós
vemos.
Outra proposta — sei que essa é voz corrente — é o fim
da reeleição majoritária. Isso está claro. É impossível dizer
que não existe manipulação da máquina em todos os Governos
Municipais, Governos Estaduais e também no Governo Federal.
Esse é um ponto que não tem como continuar no sistema
brasileiro.
Defendemos também — e aí está uma prova de que não
estamos aqui pensando simplesmente na nossa questão, mas
pensando também na sociedade — a candidatura avulsa. Por que
não? É um mecanismo avançado. Temos hoje nos Estados Unidos
alguns Senadores eleitos através de candidatura
avulsa.
Nós defendemos o fortalecimento partidário — o.k. —, porém, acima dos
partidos, está a vontade do povo brasileiro, que não pode ser
tutelada por leis que queiram engessar o sistema: “Aqui só pode participar
quem for de um partido grande”. Isso é absurdo. O povo não
quer assim!
Finalizando, em respeito ao diminuto tempo, quero dizer
o seguinte: nós do PHS queremos conclamar os Srs. Deputados
desta Comissão e os Srs. Deputados em geral, que analisemos
com todo o carinho qual é a vontade do povo. Quando vemos que,
nas últimas três eleições, os partidos pequenos foram
aumentando a cada momento sua votação; isso mostra que a
sociedade brasileira está aprovando o trabalho desses
partidos. Ou não?
Então, essa é uma conclusão para que a gente possa
refletir muito antes de votar. Claro que devem existir alguns
critérios, porém, quero dizer, Deputado Rubens Otoni, que já
existe a cláusula de desempenho. No momento em que hoje o PHS
tem um fundo partidário de cerca de 200 mil reais; e o PT,
merecidamente, tem um fundo de 2,5 milhões por mês, por que
essa diferença? Porque houve um desempenho melhor por parte do
PT. E por que o PMDB tem 2 milhões, e a gente só tem um décimo
disso? Porque o PMDB, merecidamente, teve mais votos. E por
que também o nosso tempo de TV é muito menor? Porque,
merecidamente, os outros partidos obtiveram mais votos.
Então, já existe a cláusula de desempenho, que gera a
proporcionalidade, de acordo com o que foi a vontade do povo.
Agora, simplesmente aniquilarmos os pequenos partidos é o
mesmo que nos sobrepormos à vontade popular.
Era o que tinha dizer.
Muito
obrigado a todos pela oportunidade.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) – Obrigado, nosso
ilustre visitante, Eduardo Machado, Presidente do Partido
Humanista da Solidariedade.
Quero agradecer a V.Sa. por ter aceito o convite desta
Comissão e poder trazer a contribuição não apenas em seu nome,
mas em nome do PHS.
De resto, também, agradeço ao Prof. Luiz Araújo,
Presidente do Partido Socialista e Liberdade, pela presença e
interesse de vir aqui trazer suas ideias. Da mesma forma
agradeço ao Deputado Roberto Freire, Presidente do Partido
Popular Socialista.
A presença de vocês é muito importante para que se
somem as opiniões e as posições políticas a respeito do tema
da reforma política, sistemas eleitorais e financiamento de
campanha.
Estamos
abrindo a oportunidade para recebermos as contribuições também
da sociedade, através da Internet, a todos que nos acompanham
no endereço e-Democracia.
Feitas as exposições, passaremos ao espaço de debates,
durante o qual as Deputadas e os Deputados inscritos poderão
se posicionar. Depois, ainda retornaremos a palavra aos
participantes da Mesa e ao nosso Relator, Deputado Marcelo
Castro, para discutir o assunto.
Quero, então, abrir os debates desta manhã, nesta
audiência pública, convidando o Deputado Marcelo Aro, do PHS
de Minas Gerais, Líder do PHS nesta
Casa.
O SR. DEPUTADO
MARCELO ARO – Sr. Presidente, Sr. Relator, quero aqui
cumprimentar os Presidentes que hoje nos presentearam com suas
exposições, em especial o Deputado Roberto Freire, a quem tive
a honra de dar posse no retorno a esta Casa, por ocasião da
sessão solene em comemoração aos 18 anos do PHS; o Presidente
Luiz Araújo e o nosso Presidente e grande líder, Eduardo
Machado.
Sr. Presidente, quero dizer que, diante dessas
exposições, sobretudo quanto às últimas palavras do Presidente
Eduardo Machado, fiquei aqui refletindo e já pensando na
campanha que devemos lançar a partir de hoje.
Alguns nesta Casa infelizmente querem de volta a
“cláusula de caveira”. É isso o que tem que ser divulgado. Não
se trata de cláusula de barreira, mas “cláusula de caveira”.
Presidente, você foi muito bem ao trazer esse termo para a
gente: “cláusula de caveira”. É isso o que estão querendo
fazer.
O que vejo aqui, infelizmente, por parte de alguns, é
um desejo de perpetuação dos grandes na política brasileira.
Eu desafio alguém a me falar sobre algum partido que tenha
nascido — sem contar com a janela, quando há aqueles que mudam
de partido — e que, de zero, tenha passado a 50 Deputados em
uma primeira eleição. Não há como. O partido precisa crescer
e, primeiro, elege um; depois, dois, cinco, dez, vinte,
trinta, cinquenta, sessenta Deputados. E todos pretendem
chegar lá. Mas, para isso, deve haver essa possibilidade.
Agora,
ao se colocar uma “cláusula de caveira”, é o mesmo que falar
assim: “Ou você nasce
gigante — e, para mim, quem nasce gigante é monstro — ou você não pode
participar da política brasileira”. É disso que estamos
falando.
Infelizmente, no dia em que foi debatida a cláusula de
barreira, eu estava em missão oficial na Antártida. Mas sei
que o Relator anota cada posição dos Parlamentares aqui. Eu
gostaria que ele anotasse a minha posição completamente contra
não à Cláusula de Barreira, à cláusula de
caveira.
Sr. Presidente, o senhor me emocionou quando o senhor
lembrou a história daquele vendedor de frutas no Estado do Rio
de Janeiro. O senhor emocionou não só a mim, mas a todos que
aqui estão. Ele vendia frutas e hoje é Vereador da capital do
Rio de Janeiro. São essas as possibilidades que nós temos que
dar.
E eu tenho muito orgulho, Sr. Presidente, de participar
do PHS, porque é um partido que tem princípios e valores, que
defende aquilo que é certo e não aquilo que é bom para ele
como, por exemplo, a candidatura avulsa. Eu vejo que
infelizmente somos minoria, mas o senhor a defende, o senhor é
a favor, mesmo que partidariamente pense que talvez nós
quiséssemos que todos fossem para o nosso partido. Isso mostra
a sua liberdade, a sua independência e o seu apego, de fato,
àquilo em que o senhor acredita.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Eu é que agradeço
Deputado Marcelo Aro pela contribuição no debate, também por
ficar limitado ao tempo, que para nós é importante para dar
oportunidade a todos os Deputados e Deputadas de
participar.
Concedo a palavra ao Deputado Henrique Fontana pelo
prazo de 3 minutos; e depois, ao Deputado Adail
Carneiro.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Quero cumprimentar o Presidente dos
nossos trabalhos, Deputado Rubens Otoni; cumprimentar os
Presidentes dos três partidos que nos brindaram com as
suas avaliações;
e cumprimentar a história desses três partidos também: o PPS,
o PSOL e o PHS.
Eu vou colocar a minha posição sobre a Cláusula de
Barreira. Eu já fui de um partido bem pequeno, o PT no seu
início, e hoje sou de um partido grande neste momento da
conjuntura do País. Então, seria absolutamente incoerente nós
defendermos uma Cláusula de Barreira.
Os partidos têm que ter a liberdade de se organizarem,
disputarem, buscarem base social. E se tiverem respaldo da
sociedade para elegerem Parlamentares, primeiro em nível
municipal como Vereadores, depois em nível estadual como
Deputados Estaduais, e, quando mais fortes, também Deputados
Federais, eles têm que ter toda a liberdade para
isso.
E eu também sou favorável ao fim das coligações
proporcionais, porque eu entendo que os partidos têm que ter,
ao mesmo tempo, oportunidade e responsabilidade de se
apresentarem com um programa perante a sociedade e com um
conjunto grande de candidatos que representem esse programa. E
o somatório solidário do voto desses candidatos em torno de um
programa vai garantir uma, duas, três vagas para esses
partidos. Então, o conjunto dessas duas
medidas...
Eu comentava com a Deputada Renata, que tem um papel
muito importante na construção de um partido, hoje, ainda de
pequeno porte do ponto de vista de número de Parlamentares: “Olha, eu sou do tempo em
que nós do PT lançávamos 20 candidatos a Deputado
Federal”. E as pessoas sabiam que iriam fazer uma campanha
para, quem sabe, garantir uma vaga, para eleger, por exemplo,
como elegemos a primeira vez no Rio Grande do Sul, depois ele
foi o nosso Governador, um bancário, um grande líder político
do nosso Estado o ex-Governador Olívio Dutra, que foi
Ministro. E naquele primeiro esforço, nós conseguimos eleger,
à época, Olívio Dutra e Paulo Paim.
Quero abordar também, começar a abordar, porque hoje à
tarde nós vamos debater seguramente com mais profundidade, até
pela presença do Presidente do PMDB e Vice-Presidente da
República, que tem defendido esse sistema com muita força, a
questão do Distritão. Eu vou começar pela frase do Presidente
do PPS, o Deputado Roberto Freire. Distritão é um incentivo a
que nós tenhamos 513 personalidades, com todo respeito às
personalidades, eu também tenho a minha, eu também tenho a
minha história como militante político, como médico
comunitário, com as ações que eu tive.
Agora, a política não é feita de um somatório de
personalidades. A política, na sua essência, tem que ser feita
por um conjunto de pessoas que se articulam para construir um
programa, que têm capacidade de negociar, mediar com os
programas de outros partidos, para compor maiorias e tomar
decisões no Congresso. É impossível, numa democracia
representativa, negociar cada votação, cada emenda, cada
detalhe com 513 personalidades. E eu quero pedir o apoio
também desta Comissão e dos partidos que estão à mesa para que
nós façamos uma mudança estrutural na questão do
financiamento, porque se nós, por exemplo, tivermos maioria
para derrotar a cláusula de barreira, e eu acho que teremos, e
não tivermos maioria para mudar o financiamento, nós vamos
continuar com a cláusula de barreira econômica, qual
seja?
Os financiadores empresariais especialmente contribuem
com quem tem mais chance de ganhar. E, portanto, com essa
discricionariedade de como colocar milhões na campanha de
alguns e uns poucos milhares de reais na campanha de outros,
eles decidem a eleição. Então, nós temos que ter mais
igualdade entre os candidatos.
Concluindo, Sr. Presidente, eu digo que eu
particularmente quero contribuir muito para nossas
negociações. Eu estava olhando para o nosso Relator e pensando
como está a cabeça dele agora, já que ele está a poucos dias
daquele momento clímax, que é descrever o relatório. Eu
percebo a vontade que ele tem de buscar mediações às pressões
que ele sofre, e que são todas
legítimas.
Eu quero contribuir muito com argumentos, tentando
convencer colegas no bom sentido do convencimento, para que
nós tenhamos algum sistema eleitoral que respeite a
proporcionalidade, um sistema proporcional que valorize cada
voto de cada cidadão, mesmo que ele tenha componentes, por
exemplo, pode até ter um diálogo sobre componentes distritais
para preencher vaga, mas que ele seja 100% proporcional, ou
seja, que some os votos de todos os cidadãos para dizer o
tamanho de cada partido político e o número de vagas que cada
partido vai preencher a partir da decisão do
eleitor.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado Deputado
Henrique Fontana.
Nós vamos conceder a palavra ao Deputado Adail
Carneiro, mas antes eu quero expressar o convite feito pela
Deputada Renata Abreu. Ela convida todos nós e aos que nos
acompanham para um ciclo especial de debates, promovido pela
Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político. Nesse
ciclo especial haverá uma palestra aqui na Câmara mesmo, nessa
quinta-feira, dia 9 de abril, das 14 às 18 horas, no Plenário
14. Então os temas, os debates, as oportunidades estão
aparecendo e os nossos Deputados e Deputadas também estarão
presentes incentivando esses debates.
Concedo a palavra ao Deputado Adail Carneiro pelo tempo
de 3 minutos para que ele também possa fazer a sua
participação neste debate, nesta audiência
pública.
O SR. DEPUTADO
ADAIL CARNEIRO - Sr. Presidente Rubens Otoni, Sr. Relator
Marcelo Castro, como disse aqui há pouco tempo o Deputado
Henrique Fontana, V.Exa. deve estar com a cabeça realmente a
mil.
Srs. Presidentes de partido Roberto Freire, do PPS;
Luiz Araújo, do PSOL e o Presidente do nosso querido Partido
Humanista da Solidariedade, Eduardo
Machado.
Eu quero externar o meu sentimento com relação à
cláusula de barreira. Eu quero dizer que sou absolutamente
contra, porque só assim a gente consegue continuar dando
oportunidade a todos, como foi explicado claramente, eu acho
que tudo isso aqui foi colocado de maneira a não deixar
nenhuma dúvida.
Sou também a favor das candidaturas avulsas. Como foi
dito aqui pelo Presidente Eduardo Machado e outros Presidentes
de partido para que sejam dadas oportunidades a todos. Ele
citou o exemplo de um Vereador, do Rio de Janeiro, que até há
pouco tempo vendia frutas e verduras na cidade. E eu fui até
os meus 18 anos trabalhador braçal, em que eu tinha a
obrigação de pegar na enxada, na foice, no machado, no pé de
bode para esticar arame de mourão a mourão. Enfim, todo e
qualquer serviço braçal.
Na primeira vez em que lancei o meu nome como candidato
a Deputado Federal lá no meu Estado, composto por vinte e dois
Deputados, eu fui eleito em 14º lugar com 114 mil votos.
Campanha essa, naturalmente, que foi feita diretamente
dirigida ao povo, para que assim a gente tivesse a
oportunidade de ser representantes legais e legítimos desse
povo.
Eu quero também deixar a minha observação com relação a
uma preocupação que tem sido constante no que diz respeito às
doações de campanha. Quero dizer que sou contra a doação
através de CNPJ. E sim, que seja financiamento público e
financiamento privado através de CPF, em que deve ser
estabelecido um limite por pessoa.
De que maneira essa pessoa será observada se ela doou
para mais de um candidato, e se é possível doar para mais de
um candidato? Suponhamos, um eleitor normal faz a doação de
mil reais para o candidato da preferência dele — vamos dizer
que o teto máximo estabelecido seria mil reais — e que esse
eleitor também tem a vontade de apostar em outro candidato.
Como seria isso? Essa é uma questão a ser
discutida.
Quero também dizer que sou a favor do fim das
coligações partidárias, muito embora, no nosso partido, a
minha eleição e a de outros colegas se deram através de
coligações partidárias. Mas há um sentimento dos eleitores de
pedir o fim das coligações porque, muitas vezes, eles
depositam o voto na pessoa que ele deseja, e acaba que aquela
pessoa não é eleita.
Então, para a substituição dessas coligações, enquanto
não conseguimos entrar em um consenso, nós podemos pensar na
federação partidária, na qual os presidentes nacionais de
partido devam convidar os presidentes estaduais para que
deixem isso muito claro. Quero fazer a observação para que
essa federação partidária possa realmente, de maneira efetiva,
se dar em nosso País.
Eram essas as minhas observações.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado Adail Carneiro, pela
contribuição ao nosso debate.
Antes de passar a palavra ao próximo Deputado Inscrito,
o Deputado Evandro Gussi, eu quero dar a oportunidade ao
Presidente do partido Socialismo e Liberdade — PSOL, Prof.
Luiz Araújo, para que ele possa externar sua opinião porque
ele está no limite de seu tempo aqui nesta audiência.
Nós estamos muito honrados, professor, pela sua
presença, por ter aceito o convite da nossa comissão, e por
ter estado aqui representando o PSOL.
O SR. DEPUTADO
DANIEL ALMEIDA - Só um aparte, Sr. Presidente. Eu quero,
se for possível ao Luiz, falar um pouco mais como se dará a
revogabilidade do mandato. Foi um tema levantado aqui, me
parece, pela primeira vez. É importante aproveitar a presença
dele.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Nós vamos dar a
oportunidade a ele porque ele terá que se ausentar, e aí nós
voltamos a ordem das inscrições. Com a palavra, o Prof. Luiz
Araújo.
O SR. LUIZ
ARAÚJO - Eu agradeço a oportunidade.
Primeiro, eu peço desculpas. Eu tinha avisado à
organização da audiência que, por motivos profissionais, eu
tinha um limite até próximo ao meio-dia. Não sou funcionário
do partido. Sou professor e tenho um compromisso profissional,
o qual já consegui adiá-lo um pouco, para chegar meio-dia,
meio-dia e pouco, na universidade.
São dois complementos. Primeiro, a concordância de que
o financiamento privado representa uma cláusula econômica de
barreira. Com a forma que o Deputado Fontana a colocou, estou
de pleno acordo. Considero que ela é uma distorção para o
processo eleitoral, e é uma distorção depois.
Como eu registrei, não existe investimento sem retorno.
É justamente a forma desse retorno que tem levado a essas
distorções e a esses escândalos.
Em segundo, existem várias experiências, Deputado, de
revogabilidade de mandato na Europa. Teríamos que construir um
formato em que um percentual dos eleitores pudesse se
manifestar em relação a isso.
Nosso partido está amadurecendo, nós temos um
representante aqui. Eu me sinto bastante representado no
Deputado Chico Alencar. Apesar da minha saída, o PSOL está,
não só na ordem dos inscritos, bem representado para
aprofundar a nossa plataforma que o partido vem apresentando
aqui e na sociedade.
Peço desculpas. Desejo um bom debate, e que se consiga,
com o trabalho do relator e com o trabalho de escolhas, mais
do que contemplar todos, escolher um
caminho.
Muito obrigado.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Professor
Luiz Araújo, por sua presença e por ter aceito o nosso
convite.
E com toda certeza o PSOL continua muito bem
representado aqui no debate na Comissão. O Deputado Chico
Alencar é um Deputado historicamente atuante nesse tema e
preocupado em contribuir para que a reforma política avance
com contornos realmente de compromisso
populares.
Nós vamos aqui dar a oportunidade ao Deputado Evandro
Gussi do PV de São Paulo, para que possa aqui também dar a sua
contribuição neste debate e logo após o Deputado Daniel
Almeida.
O SR. DEPUTADO
EVANDRO GUSSI - Muito obrigado, Sr. Presidente,
cumprimento a Mesa na presença de V.Exa.. Cumprimento também
os nossos oradores Deputado Roberto Freire, Presidente do PPS;
Sr. Luiz Araújo, Presidente do PSOL; Deputado Eduardo Machado,
Presidente do PHS; e também o nosso Relator, que, como
registrou o Líder do PHS, sempre anota atentamente todas as
posições.
Eu cumprimento o Deputado Roberto Freire pela lucidez
da análise que fez do nosso regime político. E mais feliz
ainda porque V.Exa. não pode ser considerado um conservador no
sentido negativo da palavra, que é normalmente o carimbo que
se coloca em quem em geral apresenta essas ideias. A lucidez
de V.Exa. realmente é gritante.
Eu evito sempre nomes quando trato de regimes
políticos, porque muitas vezes os nomes mais dividem do que
ajudam. Mas é evidente que a representação da unidade nacional
e a representação de uma maioria consolidada, dois elementos
que são indispensáveis à democracia contemporânea, não podem
ser cumulados no mesmo cargo, numa mesma pessoa, são
conceitualmente diversos, precisa ter um representante da
unidade nacional e um representante da maioria que vai tocar o
Governo do dia.
E é necessário, não há dúvida, hoje isso é um consenso
em todas as democracias maduras e bem vividas no mundo, que o
Governo seja fruto da maioria Parlamentar. E não que o Governo
deva construir a
posteriori essa maioria com todos os custos que a nossa
história recente, e não me refiro ao partido e ao Governo
atual, mas a todos os Governos que nos antecederam, para a
construção de maiorias que são necessárias. E eu respeito e
defenderia com a minha própria vida as minorias, mas a
democracia, num dos seus aspectos, se faz por
maiorias.
Então, construir as maiorias a posteriori gerou e
gera, em qualquer lugar, custos impagáveis pela democracia. E
isso perpassou todos os nossos Governos dos últimos
anos.
O nosso regime político nesse sentido não funciona.
V.Exa. aborda com lucide e seria ingenuidade da minha parte
querer acrescentar algum ponto.
E é necessário que este Governo, fruto da maioria,
também seja responsável, sem traumas, sem crises, mas por
legítimos processos, perante o
Parlamento.
E, Sr. Presidente, a revogabilidade dos mandatos a que
foi referido só é possível em duas circunstâncias, com todo o
respeito: ou em sistemas majoritários ou com o fim do voto
secreto. Claro que o fim do voto secreto é algo
impensável.
Portanto, se se deseja a revogabilidade de mandatos ela
só poderá acontecer em sistemas majoritários, porque num
sistema proporcional, além de impossível segmentar quem deu o
mandato e quem, portanto, poderia revoga-lo, corre-se o risco
de partidos de outros, de um adversário, organizar um mínimo
necessário de votos para revogar o mandato do adversário.
Então, isso nem é pensado, sinceramente, na ciência política
do direito constitucional mundial, em revogabilidade de
mandato com sistemas proporcionais.
Há situações como a do nosso Vereador do Rio de Janeiro
seria rotineira se o nosso sistema tivesse pequenas
circunscrições eleitorais, em que o homem comum pudesse bater
porta a porta dos seus eleitores. Essas situações que nos
emocionam de verdade não nos emocionariam mais, porque seriam
rotineiras num sistema que tivesse circunscrições eleitorais
pequenas, porque Distrito eleitoral o Brasil já possui, são os
Estados, as circunscrições pequenas.
Para concluir, Sr. Presidente, o desafio de aproximar
representantes e representados esbarra no problema da
corporeidade humana. Não sei se infelizmente ou felizmente nós
não somos anjos, nós temos corpos. São 500 cidades em que o
sujeito tem voto, são 365 dias no ano, essa conta de
aproximação não fecha. Concordo que a grande barreira para
partidos e para todos os processos políticos é o voto das
pessoas. E para terminar, de fato, sem diminuir os custos das
campanhas, através de menores circunscrições eleitorais, é
inútil tentar controlar as receitas.
Muito obrigado. Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Evandro Gussi.
O SR. DEPUTADO
MARCELO ARO - Sr. Presidente, eu gostaria de registrar a
presença do Secretário-Geral do PHS, Sr. Luiz
França.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Estamos honrados com
a participação da Direção do PHS nesta audiência pública e com
a presença do Presidente Eduardo Machado na
mesa.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Sr. Presidente, pela
ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Concedo a palavra ao
Deputado Fábio Sousa.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Sr. Presidente, eu não vou poder ficar
durante todo o tempo, eu peço vênia a V.Exa. e aos demais
colegas, não só para cumprimentar V.Exa., que é meu
conterrâneo, mas também o Eduardo Machado, que é meu amigo
pessoal e Presidente Nacional do PHS, e hoje é um dos nossos
convidados.
Tenho certeza de que está sendo extremamente proveitosa
não só a participação dele, mas também a de todos os
Presidentes de partido.
Como não posso esperar a ordem de inscrição, quero
apenas cumprimentá-los e dizer que estou à disposição. O PSDB
vai formalizar a sua proposta nesse sentido nos próximos dias.
Devemos reunir toda a bancada para isso. Eu não poderia deixar
de registrar um abraço ao meu amigo.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Fábio Sousa.
Concedo a palavra ao Deputado Daniel Almeida, do PCdoB
da Bahia.
Logo depois, o Deputado Marcelo Castro, nosso Relator,
também terá oportunidade de se expressar.
O SR. DEPUTADO
DANIEL ALMEIDA - Quero cumprimentar o nosso Presidente,
Deputado Rubens Otoni, o nosso nobre Relator, Deputado Marcelo
Castro, o Eduardo Machado, o Luiz Araújo, que teve que se
retirar, o Deputado Roberto Freire, que trazem aqui
contribuições importantes para esse debate.
Nós já tivemos, em períodos da nossa história,
restrição na organização partidária. A mais recente delas
aconteceu no período da ditadura militar, que foi a imposição
do bipartidarismo. E até pelas experiências históricas,
adotamos o pluripartidarismo e a livre organização partidária.
Penso que, em qualquer reforma política, nós temos que
preservar essas conquistas e aprofundar e ampliar os espaços
democráticos, na disputa de espaços políticos pelos mais
diversos segmentos da nossa sociedade. E não é possível pensar
assim sem dar espaço às minorias, que não são minorias. Na
verdade, as minorias somadas se constituem em maioria na nossa
sociedade.
Essa aproximação entre representante e representado, a
participação direta nos processos políticos,
plebiscitos, referendos, facilidades para iniciativa de lei
popular, feita pelo próprio eleitor, são caminhos que devemos
buscar. Mas, em se tratando de sistema eleitoral, que é o
debate que estamos fazendo aqui, e até preservando o
pluripartidarismo da livre organização partidária, pensar em
cláusula de desempenho pode trazer ao nosso sistema político
uma grande inconveniência, o que já foi por demais aqui
explicitado.
Todos estão defendendo o fim da coligação. Eu acho que
a livre organização partidária dá conta disso. Quem quer
coligar coliga. Quem não quer coligar não coliga. Não vejo
razão. É o livre direito de associação, o que também é
previsto na nossa Constituição. Eu acho que isso não é algo
essencial.
Todos os temas são importantes, mas tenho insistido que
é algo absolutamente inadiável o sistema de financiamento. Se
preservarmos, na opinião da minha bancada, o sistema de
financiamento empresarial, nós estaremos cometendo um grande
mal à democracia brasileira, ao nosso processo político
brasileiro. Eu me associo ao financiamento exclusivamente
público. Mas estamos aceitando
Eu
me associo a financiamento exclusivamente público, mas estamos
aceitando a discussão a respeito da proposta da Coalizão, um
financiamento privado, mas de pessoa física, num limite, e
preservando, como base, o financiamento público das campanhas
eleitorais.
E queria concordar com o Deputado Roberto Freire no que
diz respeito à existência de um referendo. Penso que qualquer
proposição produzida neste Congresso deve ser submetida a um
referendo popular. Isso vai nos aproximar, permitir um diálogo
com a nossa sociedade, os nossos eleitores, a respeito de um
tema tão complexo e tão difícil, que esta Casa tem a
responsabilidade de apresentar.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Daniel Almeida, que, historicamente, tem dado uma contribuição
muito grande a esse debate da reforma política aqui nesta
Casa. Sou testemunha disso, tenho
acompanhado.
Nós vamos dar aqui a oportunidade ao nosso Relator, o
Deputado Marcelo Castro, para que ele também possa fazer a sua
intervenção, analisando um pouco das contribuições que já
foram dadas aqui nesta audiência
pública.
Deputado Marcelo Castro.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eu quero cumprimentar o nosso Presidente,
o Deputado Rubens Otoni, e os nossos convidados: o Luiz
Araújo, do PSOL, o Eduardo Machado, do PHS e o nosso estimado
e querido companheiro Roberto Freire, do PPS.
Hoje foi um dia bastante rico em proposições inovadoras
aqui, que não tinham surgido ainda. Nós estamos já bastante
avançados na nossa missão da relatoria da reforma política. Já
debatemos praticamente todos os temas, menos o sistema
eleitoral e o financiamento de campanha — que nós começamos na
semana passada e estamos dando segmento —, e vamos nos
concentrar só nesses dois temas — sistema eleitoral e
financiamento de campanha —, que constituem, verdadeiramente,
o cerne, o núcleo, da nossa reforma política.
Evidentemente, isso tudo tem que ser feito de acordo
com a vontade da maioria desta Comissão. Eu já deixei expressa
aqui, numa cartilha que apresentei no primeiro dia, a minha
posição pessoal, que não é a do PMDB, não é a que eu vou
relatar. A posição relatada será a de V.Exas., os Srs. membros
da Comissão de Reforma Política. O que for maioria aqui vai
para o plenário, e aí o Plenário vai decidir soberanamente.
O nosso companheiro Roberto Freire tece aqui algumas
observações e fala que está nessa luta de reforma política,
Deputado Chico Alencar, desde 1979, quando ele chegou aqui. Eu
me recordo, Deputado Roberto, que eu ainda era Deputado
Estadual — eu fui três vezes Deputado Estadual e estou no meu
quinto mandato de Deputado Federal —, e li um artigo uma vez
do Marco Maciel, seu conterrâneo. Lá pelos idos da década de
80, ele defendia a reforma política e dizia que ela seria a
mãe de todas as reformas — ele já dizia nesse artigo. E até
usava um termo que eu nunca vi escrito em canto nenhum: da
equipotência dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Ele defendia essa equipotência dos Poderes.
Outro dia, li um artigo político em que o autor se
referia a um artigo escrito por Carlos Lacerda, na década de
50, quando ele criticava o custo das campanhas e a
personalização da política brasileira, temas atualíssimos que
nós estamos discutindo agora, no presente momento: o custo
exorbitante das campanhas e a personalização que existe na
política brasileira. Quer dizer, de 1950 para cá, parece que
não mudou nada.
E ontem eu estive em um seminário em Pernambuco. Lá
estava presente o ex-Governador Gustavo Krause, que falou
exatamente isso daí que eu comentei com o Deputado Roberto
Freire hoje aqui, que sobre reforma política ele não trataria
mais, porque já tratou tantas vezes e todas foram
infrutíferas. Mas dessa vez ele estava achando que nós
teríamos a chance realmente de levar avante.
Eu vejo que todos nós — e quero não estar enganado mais
uma vez — estamos possuídos do mesmo espirito de que não
podemos mais continuar com o sistema eleitoral que nós temos.
Creio que seria uma irresponsabilidade do Congresso Nacional
deixar o País entregue a esse sistema tão deletério, tão
anômalo, que nós temos hoje no País, com tantas distorções,
com tantos escândalos, com tanta corrupção, que envergonha a
sociedade inteira. E acho que nós temos que fazer isso com
toda tranquilidade, mas com toda eficiência e com toda
firmeza.
O nosso colega Deputado Roberto Freire traz uma questão
aqui crucial à vida do País, que é a discussão do
parlamentarismo. Não resta a menor dúvida de que é um sistema
mais moderno, mais bem elaborado, mais atual, mais maleável,
mais flexível, que enfrenta com tranquilidade todas as crises.
Ninguém vê como uma ruptura, como um trauma, um voto de
desconfiança do Ministro. Coisa nenhuma, recompõe-se a maioria
parlamentar. Não foi possível, faz nova eleição. Isso é uma
coisa tranquila na vida dos países.
Infelizmente nós já fizemos um plebiscito e a população
nunca tinha experimentado isso. Evidentemente que fica difícil
aprovar se não for bem esclarecida, mas é uma questão que a
gente pode trazer à pauta novamente, debater, discutir e ver
como essa matéria pode ser encaminhada no futuro, embora a
nossa Comissão não esteja tratando especificamente dessa
grande reforma, que seria a mudança do regime político no
Brasil.
O Presidente do PSOL, Luiz Araújo, faz algumas
observações aqui e traz a ideia do recall, da qual nós
nunca tratamos aqui. A proposta da coalizão democrática traz
isso daí, mas eu já fiz ver aqui — e tenho discutido essa
questão — que isso é inexequível, impraticável. O Parlamentar
é eleito por uma pequena minoria, o voto é secreto. Como vai
tirar o mandato do Parlamentar? Como se sabe quem foi que
votou? O Piauí tem 2 milhões e 300 mil eleitores, eu tive 111
mil votos. Quem são esses 111 mil eleitores? A gente tem uma
desconfiança, mas não se sabe exatamente quem foi que votou.
(Riso.) E os outros
que não votaram em mim têm o direito de me tirar o mandato?
Isso é muito complicado de ser efetivado. E não sei o que isso
traria de importante e de útil. Nós somos 513 Deputados.
Cassou um, não muda a relação de forças. É um negócio que eu
nunca me convenci da sua necessidade.
Luiz Araújo fala em uma questão importante, que é a
promiscuidade que existe hoje entre os financiadores das
campanhas e os financiados. Todo mundo que faz política sabe
como isso ocorre à larga mano. Aliás, ele usou aqui uma
expressão que me lembrou de Paulo Roberto Costa, envolvido no
escândalo da PETROBRAS. Outro dia ele deu uma declaração e
disse que, no Brasil, não tem esse negócio de doação de
empresa para candidato, mas empréstimo a juro alto. A empresa
recebe depois, com juro e correção monetária, aquele
empréstimo que fez durante a campanha. Ele deve saber o que
está dizendo, porque ele estava por dentro desse movimento
todo aí.
Ressalto que Luiz Araújo é a favor do fim das
coligações proporcionais, e eu acho que isso é um consenso
nesta Casa. Acho mesmo que, se a gente não findar as
coligações, Deputado Daniel Almeida, nós teremos feito muito
pouco. Consenso é, não é unanimidade. (Riso.)
Na verdade, nós precisamos dotar os partidos de
conteúdo, como existe no mundo inteiro. O partido tem que ter
uma linha ideológica, doutrinária, filosófica, tem que ter um
programa que possa ser levado para a sociedade para ser
julgado, com adeptos e adversários. Hoje não; hoje os partidos
procuram ser antipartidos.
A tendência no Brasil hoje é formar partidos amorfos,
anfóteros, indefinidos, que não digam nada, que não se
comprometam com nada, nem assumam nenhuma posição para receber
o voto de todos. Essa é a tendência hoje no Brasil, que é
exatamente uma linha contrária à ideia de partido, de uma
parte, de um segmento da sociedade, que luta por um ideal, por
uma causa, por um objetivo, e vai procurar adeptos para aquilo
ali. Chegou ao poder, aplica; não chegou, não
aplica.
O nosso convidado aqui, a quem eu agradeço muito a
presença, Eduardo Machado, Presidente do PHS, partido tão
presente aqui, tão atuante, trouxe-nos aqui a informação de
que em Taiwan tem 800 partidos políticos, que eu acho muito.
Agora, eu procurei me informar quantos partidos estão
representados no Parlamento de Taiwan. E a informação que eu
tive é de que são apenas quatro. É o sistema eleitoral. Então,
a ideia é exatamente essa, Eduardo Machado, a livre a criação
dos partidos. Não tem problema nenhum! Trata-se de uma
associação civil. Vai ao cartório e registra o partido
político. Por exemplo, o partido revolucionário é a favor do
mico-leão-dourado. Pronto, acabou, vai para as ruas. Teve
voto, vai para o Parlamento; não teve, não
vai.
Agora, a gente precisa organizar um sistema eleitoral
que racionalize. Nós temos 28 partidos representados no
Parlamento. Isso só existe no Brasil. E isso está certo? Eu
não sei. Normalmente — e eu fiz essa pesquisa — os partidos
representados no Parlamento vão de quatro a seis ou a sete. E
tem uma exceção: nos Estados Unidos só são dois; na França e
na Espanha são 11 e 12. Todavia, a ampla maioria está nessa
faixa de Taiwan de quatro partidos, mas tem 800 partidos
pedindo voto na rua. Votou, vai para o Parlamento; não votou,
não vai.
A Alemanha tem uma cláusula de barreira que eu julgo
muito elevada: são 5%. Por exemplo, o Partido Liberal alemão
nunca deixou de estar presente no Parlamento desde a sua
criação, depois da Segunda Guerra Mundial. Este ano deixou,
porque não atingiu 5%, ou seja, não tem nenhum representante
no Parlamento alemão.
Então, eu acho que nem tanto à terra nem tanto ao céu.
Talvez aqui nós devêssemos invocar Aristóteles. A virtude está
no meio. Eu acho que o fim das coligações está mais ou menos
consensuado.
Cláusula de desempenho, porque cláusula de barreira é
um nome mais feio.
(Não
identificado) - Cláusula de caveira, então, é pior
ainda!
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Cláusula de caveira
(riso.)
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Relator, Deputado Marcelo
Castro.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Pois não.
Cláusula de caveira é um horror! (Riso.)
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Eu gostaria de fazer aqui uma pergunta.
V.Exa. fala aqui que praticamente há um consenso de acabar com
a coligação.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Proporcional.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - E com o quociente eleitoral? Qual é a
opinião de V.Exa.?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Eu vou fazer um apelo
aqui aos ilustres Deputados e Deputadas para que não entremos
nessa dinâmica de trabalho, até porque o Regimento não a
prevê.
A palavra vai ficar com o Relator até o final, sem
intervenção dos Deputados, e nós vamos respeitar a ordem de
inscrição. Inclusive, Deputado Valtenir Pereira, V.Exa. já é o
próximo. E o Relator, na próxima intervenção, falará sobre as
indagações de V.Exa., para que a gente possa garantir o
direito de todos os Deputados se manifestarem a tempo.
Espero a compreensão de V.Exas.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eduardo Machado aqui fala que nós temos
28 partidos porque o povo quis. Nós temos 28 partidos porque o
povo quis no sistema eleitoral que nós temos hoje, porque, se
o sistema eleitoral fosse outro, nem que o povo quisesse não
teríamos 28 partidos.
Agora, há verdadeiramente no Brasil uma fragmentação
partidária que não parece ser boa para a democracia. O maior
partido da Câmara dos Deputados hoje é o PT. O partido tem
quantos por cento dos Deputados? Treze por cento, pelo amor de
Deus! Já pensou se o partido de Ângela Merkel tivesse no
Parlamento alemão 13% dos Deputados? Isso não existe! Nós
temos que fazer uma reflexão séria e profunda sobre isso.
Temos que respeitar a vontade, temos que dar liberdade, temos
que facilitar a criação dos partidos, mas a gente tem que ter
um ponto de racionalidade para ver o que ocorre no mundo e ver
o que é bom, o que está funcionando.
Será que é boa para a democracia essa fragmentação
partidária que nós temos no Brasil? São 28 partidos
representados no Congresso Nacional, e o partido mais forte só
tem 13%. Como é que governa? Onde está o apoio parlamentar?
Então, há um descasamento. Se nós estivéssemos no
parlamentarismo estava tudo resolvido, não existiria nada
disso. Só escolhe o primeiro-ministro aquele partido que
compõe maioria. Então, isso tudo estaria resolvido e
sancionado, mas nós estamos no presidencialismo de coalizão
ou, como insinuou o Deputado Roberto Freire, de cooptação. (Riso.) Tem uma
distinção, mas tem uma semelhança também. (Riso.)
Portanto, tudo isso tem que fazer parte dos nossos
estudos, das nossas decisões, para a gente fazer um relatório
equilibrado, que venha verdadeiramente melhorar a vida do
brasileiro.
Sras. e Srs. Deputados, o sistema eleitoral de um país
é um fator determinante do desenvolvimento, da prosperidade,
do progresso, da ascensão social, do bem-estar de um povo.
Isso é fator determinante. Quem é que diz isso? As
estatísticas e a ONU. Toda vez que se faz uma pesquisa em
todos os países do mundo, verifica-se que os melhores IDHs
estão nas democracias consolidadas, estáveis e amadurecidas.
Isso não é invencionice.
Então, nós temos que ter essa responsabilidade e saber
que nós temos a oportunidade de construir uma reforma política
importante para o futuro do nosso País, para a sua
prosperidade, para o seu progresso, para o seu desenvolvimento
social e para o seu bem-estar social. É disso que nós
precisamos.
E, dando essa pincelada aqui, eu vou me adiantar aqui e
dizer ao Deputado Henrique Fontana, que disse que o Relator
certamente já está pressionado, que não tenho pressão de nada.
Só tem uma pessoa que tem a capacidade de me pressionar: a
minha mulher. Para onde é que foi? Onde é que chegou? Onde é
que estava? (Riso.)
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Relator, V.Exa. podia
me dar o telefone dela, porque eu quero pedir a ela apoio para
retirar o financiamento de empresas de eleições. Conquistando
o voto dela, eu vou pedir esse telefone para o nosso
Relator.
(Não
identificado) - Apoiado, Deputado Henrique
Fontana.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É brincadeira, desculpem-me. (Riso.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Marcelo Castro pela sua primeira intervenção. No final, com
certeza, V.Exa. voltará a se manifestar.
Nós temos vários Deputados e Deputadas inscritos, mas
eu consulto o Deputado Marcelo Aro, que me parece que pediu a
palavra como Líder.
O SR. DEPUTADO
MARCELO ARO - Pelo tempo de Liderança,
sim.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Quero deixar claro
para os Deputados, como prevê o Regimento, que nós vamos
voltar a palavra ao Deputado Marcelo Aro pelo tempo de
Liderança, por 3 minutos, e depois nós voltaremos à lista. O
Deputado Valtenir Pereira é o próximo.
O SR. DEPUTADO
MARCELO ARO - Agradeço a V.Exa., Sr. Presidente. Quero
aqui registrar a presença do Deputado Diego Garcia, do Paraná,
que também é do PHS, não é membro desta Comissão, mas hoje
aqui está presente para homenagear o nosso Presidente, que
veio fazer a sua exposição.
Sr. Presidente, as minhas considerações serão rápidas,
até porque tenho um compromisso agora, mas não poderia deixar
de voltar a falar agora em nome do partido. Eu quero dizer que
o entendimento do PHS, do nosso partido, é no sentido de que o
fim das coligações não é uma questão pacificada. Não é, não é!
Nós precisamos discutir isso melhor, inclusive foi falado aqui
pelo nobre colega sobre liberdade, liberdade de composição. E
a gente entende que o sistema que dá possibilidade da
coligação é salutar, sim, isso eu estou falando em nome do
partido. Então, não é algo pacificado, Relator.
Outra coisa, eu quero dizer, Sr. Relator, que V.Exa.
tem o dom da palavra e tem o respeito de todos os que aqui
estão e o senhor fala muito bem dos outros países, da
composição do Parlamento dos outros países, mas eu gostaria
que o senhor também fizesse essa comparação no que tange à
candidatura independente. A candidatura independente é
aprovada por 93% dos países. Por que não também comparar com
os demais? Os Estados Unidos têm dois partidos, como o senhor
citou, e lá pode haver candidatura independente, então que
também fosse feito.
E quero deixar, Relator e nobres colegas, uma posição
aqui muito, mas muito clara, do Partido Humanista da
Solidariedade, está aqui o Deputado Adail Carneiro, o Deputado
Diego Andrade conosco, e quero deixar uma posição clara e não
só uma posição, mas que nós trabalharemos em relação a isso,
que é o “não à cláusula de caveira”. Nosso nobre Deputado, nós
temos um grupo de WhatsApp que fizemos
de “não” à cláusula de barreira, o nosso Deputado já trocou o
nome do WhatsApp
“não à cláusula de caveira” e eu quero convidar todos os
Deputados a participar desse nosso grupo do WhatsApp de “não à
cláusula de caveira” que nós precisamos derrubar, mesmo que
esteja no relatório do nobre colega Marcelo Castro, nós não
podemos deixar passar. Então, para concretizar o que vim aqui
dizer, nós do PHS temos essa posição muito clara de “não à
cláusula de caveira”.
Também não está pacificado o fim das coligações. Não
vamos colocar como algo pacificado, porque não está pacificado
isso aqui nesta Casa, não no que depende de nós e também vamos
voltar a discutir a candidatura avulsa, comparando com os
demais países.
Sr. Presidente, obrigado e eu gostaria de parabenizá-lo
pela Presidência, pela condução dos trabalhos que ocorreu de
maneira brilhante.
Parabéns, obrigado Relator e desculpe as
brincadeiras.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado Deputado Marcelo Aro, pela
contribuição, pela participação no debate.
Concedo a palavra ao Deputado Valtenir Pereira do PROS
do Mato Grosso, para que ele possa também dar sua contribuição
nesse debate da reforma política.
O SR. DEPUTADO VALTENIR PEREIRA -
Sr. Presidente, Sr. Relator, quero cumprimentar os Presidentes
Nacionais do PHS, Deputado Roberto Freire, também o Eduardo
Machado, Presidente do PHS; e o Luiz Araújo, Presidente do
PSOL.
Eu gostaria de fazer aqui uma reflexão, de colocar
alguns dados para reflexão dos Presidentes Nacionais. Hoje,
nós temos as eleições de Parlamento e Executivo todas juntas,
em que o Executivo ocupa o protagonismo da eleição. As
propostas que o eleitor mais discute no seu dia a dia, no bate
papo social e tudo mais é a questão do perfil do candidato ao
Executivo: Prefeito e Vereador, Prefeito escondendo a
candidatura de Vereador, Governador escondendo as candidaturas
de Deputado Estadual, Federal e, até mesmo, o Senado, e a
candidatura à Presidência da República escondendo todas as
outras candidaturas do Parlamento.
Nós propusemos aqui, nesta Casa, a separação dessas
duas eleições. Por exemplo, temas como parlamentarismo, que
foi muito bem abordado aqui pelo Deputado Roberto Freire,
Presidente do PPS, poderia ser enfrentado na eleição, se nós
tivéssemos uma eleição só para o Parlamento: Vereador,
Deputado Estadual, Deputado Federal e Senador da República, em
que os temas para as eleições do Parlamento seriam o
protagonismo da eleição, ficando o Prefeito para depois junto
com o Governador e junto com o Presidente da República. Lá nós estamos
discutindo gestão, planejamento estratégico, como gerir os
recursos públicos.
Aqui, estou falando exatamente de temas como, por
exemplo, minoridade penal. Nós teríamos essa discussão e o
eleitor votaria naquele Parlamentar que, na opção do eleitor,
se ele defende a redução da minoridade, ele vai escolher o
Parlamentar que defende a redução da minoridade. Se ele não
defende a redução da minoridade penal, ele vai escolher então
um Parlamentar que realmente também defende a não redução da
minoridade penal, aí entra a PEC 215, que é o caso aqui das
delimitações das questões indígenas e tudo mais. O que mais?
Temas polêmicos, conferindo mais legitimidade ao
Parlamento.
Então, o que eu percebo é o seguinte: quando deixamos
essas eleições juntas, nós estamos escondendo o Parlamento.
Nós sabemos que o Parlamento ocupa um papel fundamental de
legitimidade da democracia e tudo mais, da representatividade
popular.
Então, eu gostaria de deixar essa questão para
reflexão, a avaliação das direções nacionais dos partidos para
que pudessem avaliar essa questão, essa crise que tem o
Parlamento. Nós vemos que tudo quanto é mazela no Brasil, o
problema é da Câmara dos Deputados, até menos do que o Senado.
Tudo é a Câmara dos Deputados, exatamente porque nós não
ocupamos esse protagonismo nas eleições.
Então, eu gostaria de deixar essa
reflexão.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Waldenor Pereira.
Deputado Roberto Freire.
O SR. DEPUTADO
ROBERTO FREIRE - Rapidamente, dizer
que a sua preocupação colide frontalmente com outro absurdo
que está sendo proposto aqui nesta Comissão, que é a
coincidência de eleições. Isso é evidentemente uma
excrecência. Não há nenhuma democracia no mundo que reúna
eleição de Vereador com Presidente da República, exatamente
por isso, por que você vai discutir que tema? Qual será o tema
da eleição? Nenhum País democrático coincide essas eleições.
Inclusive chamam uma delas de eleição administrativa, que é a
do poder local, é onde você vai discutir as questões próprias
de quem vive numa cidade. O Brasil vive num mundo e, portanto,
tem que ter outro tipo de eleição, uma outra preocupação, só
para dizer a vocês.
E quanto à coincidência de eleição de Executivo e
Legislativo, o Parlamentarismo resolve
isso.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Roberto Freire.
Vamos seguir a orientação da nossa metodologia,
concedendo a palavra aos Deputados pela ordem e depois,
voltaremos à Mesa para que, numa fala final, possa se
expressar sobre todos ao mesmo tempo.
Concedo a palavra ao Deputado Samuel Moreira, do PSDB
de São Paulo. Logo após, o Deputado Uldurico Junior também
terá a oportunidade de se manifestar.
O SR. DEPUTADO
SAMUEL MOREIRA - Eu considero, entre
todas as questões já discutidas na nossa Comissão, três
absolutamente prioritárias. Uma delas são as regras para
criação e funcionamento de partidos.
A segunda questão é o sistema para escolha e o
funcionamento do mandato dos candidatos, e a questão do
financiamento das campanhas como terceiro
ponto.
Em função do tempo, vou me ater só à questão dos
partidos. Eu acho que nós temos que ter boas regras para
criação dos partidos. Eu acho que a questão dos partidos, nós
temos duas questões: criação e funcionamento na sua plenitude.
Então, para criação, eu vou muito na linha do nosso Relator
Marcelo Castro. Eu não vejo nenhuma dificuldade em se criar
partidos no Brasil, nem devemos criar essas
dificuldades.
Aliás, hoje, nós já exigimos menos assinaturas para se
criar um partido do que para se apresentar um projeto de lei
de iniciativa popular.
Então, eu acho que tem que ter um pouco de coerência, a
questão de não se assinar simultaneamente para dois partidos,
ou a questão da filiação, mas nós precisamos estabelecer
regras para garantir a diversidade, para garantir a
participação da minoria, sem problemas na criação de partidos,
mas para o seu funcionamento e aí eu faço um paralelo.
Vejo uma preocupação enorme com a cláusula de
desempenho, mas até mesmo para se eleger Deputado, você
estabelece algum desempenho. Você pode ter candidatos. Aliás,
já para ter candidatos, há um limite na regra: uma vez e meia
o número de cadeiras ou duas vezes com as coligações. Já se
tem uma regra estabelecendo. Agora, para que seja eleito, tem
que ter um desempenho, tem que ter um mínimo de votos. Nós
precisamos saber o que nós queremos para os partidos. Nós
queremos que os partidos também tenham um determinado
desempenho. Não é possível que só pela sua própria criação, já
possa ter acesso a uma parte do fundo partidário. Não é
possível ou ele já tenha uma parte do tempo de TV e rádio, que
sejam segundo ainda, mas não é possível. Nós precisamos
estabelecer as regras que queremos para garantir, inclusive,
governabilidade como foi dito aqui. Nós temos que ter um
número 5%. Cinco por cento significam que 95 ainda não votaram
nesse partido. Não é algo também tão exagerado. Cinco por
cento é um bom número. É um desempenho para que os partidos
pequenos também todos eles, não há partido pequeno ou grande,
como foi dado o exemplo, perderam espaço, outros ganharam
espaço, monta a sua chapa.
Então, é preciso ter uma cláusula de desempenho. Eu sou
a favor de 5% para que nós possamos ter o limite de até 20
partidos em pleno funcionamento, o suficiente para um pleno
funcionamento. Não sou a favor da cláusula de desempenho de
5%. Sou a favor do fim das coligações para dar identidade
inclusive pra que o eleitor saiba exatamente em quem ele está
votando, em que partido ele está votando e que proposta
partidária ele está votando. Eu acredito que o desempenho,
para encerrar, e o fim das coligações só fortalecem os
partidos e fortalecem também a participação do
eleitor.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado
Samuel Moreira.
Concedo a palavra agora ao Deputado Uldurico Junior,
para que S.Exa., por 3 minutos, possa se manifestar sobre o
tema.
O SR. DEPUTADO
ULDURICO JUNIOR - Obrigado, Sr.
Presidente nobre Relator, Marcelo Castro, queridos presidentes
que aqui abrilhantam esta Comissão, nobres Deputados, eu
queria voltar aqui a reiterar que nós temos que pensar sempre
na vontade popular.
Não adianta aqui, eu vejo alguns Deputados, com todo o
respeito que tenho a todos, irem à lua e voltarem e se
esquecerem da vontade popular, daquilo que é pedido na rua,
daquilo que citou muito bem o Presidente do PHS quando falou
das placas que os manifestantes levantaram pedindo a reforma
política e que aí eu numerei algumas das reivindicações
populares.
Primeiro, o fim da reeleição para majoritário. Eu acho
que isso aqui é um consenso na Casa e não tem muito que ser
discutido. Em segundo lugar, coincidência das eleições. Eu
acredito que as eleições podem se coincidirem sim. Eu só
discordo que sejam no mesmo dia. Eu acredito que com um mês de
antecedência para Legislativo e depois de um mês para
Executivo seria de bom tamanho. Eu acho que dá para discutir
as duas propostas. Eu acho que evita termos de 2 em 2 anos
todo esse desgaste econômico e político por fazer campanha de
2 em 2 anos, que eu acho que não é saudável para o País. Só
nós sabemos, Deputados, o que nós passamos nas campanhas. E
mesmo no mandato, nós temos que participar das eleições
executivas também. Então, não adianta a gente falar de 2 em 2
anos nós não vamos participar, porque nós participamos também
das eleições de Prefeitos direta ou
indiretamente.
Eu acho que outra reinvindicação do povo brasileiro,
que eu acho que é uma das maiores, é o fim da corrupção. Eu
acho que o financiamento privado tendência uma corrupção no
nosso País. Eu acho que isso é fato. Nós não temos o que
discutir. Eu acho que os jornais mostram isso todos os dias, a
quantidade de problemas que nós temos referentes à corrupção
pelo financiamento privado.
Eu acho que a falta de representatividade que alguns
Deputados citam aqui, ela seria solucionada com a cláusula
individual de desempenho que foi citada por V.Exa. há um
tempo, falando da cláusula individual de desempenho que não
deixa Deputados sem representatividade assumirem o cargo de
Deputado aqui na Casa.
E,
para finalizar, referente ao que foi dito pelo Deputado
Henrique Fontana a respeito da pressão de V.Exa., eu sou um
frequentador do Estado de V.Exa. e pode ter certeza de que,
dependendo do relatório de V.Exa., V.Exa. pode colocar na
conta mais um cabo eleitoral que vai lá ao Piauí defender a
sua bandeira.
Muito obrigado, Sr. Relator e Sr.
Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Deputado Uldurico
Junior, muito obrigado pelo sua participação, pela
contribuição no debate.
Concedo a palavra à ilustre Deputada Renata Abreu, para
que, pelo tempo de 3 minutos, possa também dar a sua
contribuição neste debate.
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Boa tarde, Sr.
Presidente. Eu não iria falar da cláusula de barreira, mas o
Samuel fez uma pequena provocação, então, eu tenho que
retratar aqui.
Cinco por cento são 183 Deputados nesta Casa que
estarão em partidos sem direito a funcionamento parlamentar,
tendo tempo de televisão e fundo partidário. Ou seja, mais uma
vez, eu quero só reforçar esses números, porque, em conversa
com Deputados, eu ouço muito que a cláusula de barreira
precisa acabar com esse tanto de partido. Ela não vai acabar.
Ela só vai deixar os que estão aqui sem direito a muita coisa.
Ou seja, porque como o Eduardo muito bem colocou, a minha
Deputada Federal, com 200 mil votos, a mais votada do Estado
do Paraná, da história do Paraná, não tem direito a ter
funcionamento parlamentar nesta Casa. Então, é um atentado
contra aquelas pessoas que nos colocaram aqui. Então, eu vou
deixar, porque eu já falei bastante da cláusula de barreira, e
eu sei que o tempo é curto, eu queria só fazer uma colocação
com relação ao fim das coligações. Eu acho que a gente tem que
trabalhar nesta Comissão, como eu sempre digo, não para dar ao
povo o que ele quer, mas o que ele precisa. Quem conhece os
bastidores da política sabe que muitas coisas que se deixam de
defender ou que se defendem nesta Casa, na prática, não
funcionam bem assim. Eu concordo com o financiamento público,
mesmo com muitas pessoas que não conhecem os bastidores da
política falando: “Agora querem pagar
campanha com o nosso dinheiro”. Aí eu pergunto: quem são
as empresas que investem nas campanhas eleitorais? Quantas
delas mantêm contrato com o poder público? Qual é o interesse
de uma empresa em investir num político? Quem tem a
prerrogativa de cidadão, de interferir no processo político, é
uma pessoa física. Então, isso tem que ser inerente ao
cidadão.
Quero deixar a minha posição quanto ao financiamento
público e, como eu sei que o tempo é pouco para mim e para
todos, vou falar do sistema sem coligação. Imaginem quantos
candidatos nós teríamos numa eleição sem coligação. Imaginem,
ainda, se se unificar tudo — chapa de Vereador completa, chapa
de Deputado Estadual completa, chapa de Deputado Federal
completa — em 32 partidos. Eu fiz uma conta aqui: sem os
Vereadores, só em São Paulo, nós teríamos quase 8 mil
candidatos só para Deputado Estadual e Deputado Federal. Se o
objetivo é simplificar para o eleitor, a gente está indo na
contramão. Nenhum desses candidatos terá a menor oportunidade
de falar sobre suas bandeiras.
Então, eu quero dizer que sou radicalmente contra, até
porque, ao contrário do que disse o nosso Deputado Adail
Carneiro, não acho que é o sentimento da população. Quando a
população vai para a rua, ela está clamando contra a
corrupção, ela está desacreditada por causa de atitudes, não
necessariamente por causa do sistema, mas por causa da
corrupção que existe no sistema. A gente tem que tratar as
coisas de forma a resolver na raiz. Eu acho que a proibição do
financiamento privado é uma forma de minimizar esse
problema.
A meu ver, o fim das coligações vai gerar um problema
muito grande, porque, primeiro, nós teremos muito mais
candidatos. Partidos maiores, com a máquina — vou jogar limpo
aqui —, vão usar os cargos para manter pessoas de voto e
montar as suas chapas. Vai ficar cada vez mais difícil as
minorias terem representação. Eu acho que isso é muito ruim.
Imaginem dar santinhos para 8 mil candidatos só para Deputados
Estaduais e Federais. Então, as eleições vão ficar muito mais
caras.
Eu acho que a coligação facilita. Não é esse o
problema. Não é por isso que o povo está brigando, não é pelo
fim das coligações. Como eu estava conversando aqui com o
Henrique, eles falam: “Eu voto em um, mas elejo
outro”. Isso acontece dentro do próprio partido.
Infelizmente, a realidade do nosso Brasil é que os nossos
eleitores estão votando em pessoas. Isso é fato. Com ou sem a
coligação, o fato de ele votar em A e levar B incomoda, mesmo
dentro do próprio partido.
Então, apesar de a maioria estar falando do fim das
coligações, eu acho que isso vai totalmente em desencontro com
o resultado que a gente está buscando na prática, que é
simplificar, que é facilitar o entendimento do eleitor quanto
a todos os candidatos que estão concorrendo e ao entendimento
de suas propostas.
Eu acho que é ruim, se se mantiver o sistema como está,
o fim da coligação.
É isso.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputada
Renata Abreu, pela contribuição no debate. V.Exa. é sempre
assídua aqui nas nossas reuniões e está sempre participando.
Não havendo mais Deputados inscritos, nós vamos passar
a palavra agora aos nossos ilustres palestrantes, para que
eles possam fazer as suas considerações finais, começando pelo
ilustre Presidente do Partido Humanista da Solidariedade, Sr.
Eduardo Machado.
O SR. EDUARDO
MACHADO - Para finalizar, eu quero, mais uma vez,
agradecer pelo convite. Quero dizer que o nosso Deputado
Rubens Otoni, que está presidindo a sessão, é um modelo que eu
tenho de político, de Deputado, de pessoa. Quero dizer aos
senhores que fico entristecido por ver essa discussão
reiterada da cláusula de desempenho, com todo o respeito,
Deputado Samuel, porque nós estamos discutindo algo
inconstitucional, como já dito pelo Supremo.
Vamos viver em um país onde o Supremo diz que é
inconstitucional e a Câmara vota de novo, o Supremo diz que é
inconstitucional e a Câmara vota de novo? É uma ciranda da
morte. Nunca vai acabar nenhuma discussão no Brasil. Então,
esse é um ponto sobre o qual a gente tem que
refletir.
Sobre
a questão das coligações proporcionais, eu concordo, Deputada
Renata, mas creio que a federação partidária é uma solução
para isso. Eu vou dar um exemplo do que aconteceu nessas
eleições no Estado de Goiás. Nós não tínhamos nenhum Deputado
Estadual; partindo do zero, eu fiz uma chapa completa de
Deputados Estaduais; o PHS foi o sexto partido mais votado em
Goiás, e elegemos dois Deputados Estaduais.
Agora,
realmente, sobre essa questão que foi colocada da
instrumentalização que existe hoje para os partidos que estão
com o poder na mão, se quiserem criar normas elitistas para os
partidos, que se deem condições similares. O.k., vamos começar
do zero, e quem tiver, daqui a algum tempo, melhor desempenho
fica? O.k. Agora, a gente começar uma “disputa” — entre aspas
—, Deputado Samuel, com o seu partido com 3 milhões de reais
por mês de fundo partidário, e o nosso com menos de um décimo
disso; o seu partido tomando metade do espaço de televisão, e
o nosso com nada? Isso é justiça? Então, fica essa pergunta
para quem está nos assistindo.
Um
grande abraço a todos. Que Deus nos proteja e proteja o
Brasil, principalmente!
Obrigado.
A
SRA. DEPUTADA RENATA ABREU -
Edu, deixe-me fazer só uma ponderação. Em relação às
federações de que ele falou, eu me esqueci de mencionar uma
sugestão sobre a qual eu conversei com o Deputado Henrique
Fontana — ele a achou interessante. Se se instituírem
efetivamente as federações como alternativa para o fim das
coligações, pense na possibilidade de elas não se estenderem
até o Município. O Município tem peculiaridades que vão tornar
muito difícil essa operacionalização. Ele concordou, e eu acho
que, de repente, devamos estender somente nas eleições
estaduais e majoritárias. Era só uma
sugestão.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Deputada.
Nós
vamos conceder a palavra agora ao ilustre Deputado Roberto
Freire, Presidente do Partido Popular Socialista — PPS, para
que ele também possa fazer as suas considerações finais. E já
lhe agradecemos a contribuição valiosa neste
debate.
O
SR. DEPUTADO ROBERTO FREIRE -
Vou iniciar agradecendo o convite que foi feito ao Partido
Popular Socialista. Lembro que aqui está presente quem viveu
grande parte da sua vida partidária na ilegalidade e na
clandestinidade, quando se tinha também um ideal democrático,
mas se restringia aos escolhidos pelos dominantes, os partidos
que tinham representação. Não estou falando do período
ditatorial, quando a limitação era generalizada; falo do
sistema constitucional da Carta de 1946, quando o Partido
Comunista Brasileiro era clandestino, ilegal, e digo isso para
mostrar que tenho uma longa trajetória de luta pela liberdade
de organização e de expressão.
Quero
dizer que fiquei satisfeito em ouvir o Relator dizer que a
liberdade de organização partidária tem que ser plena, não
pode haver nenhuma limitação. Foi dado aqui um exemplo até
meio estranho: 800 partidos. Que haja mil partidos! É direito
de cidadania; não é direito nem instituição do Estado
brasileiro nem de nenhum Estado, até porque os partidos
políticos têm uma visão de Estado que pode ser distinta do
Estado que aí está, e devem ter o direito de existir.
Para
isso — e não pode haver 800 partidos, até porque não se pode
ter um distritão, que é evidentemente uma excrescência, porque
seriam 513 indivíduos autônomos na sua representação, pois
evidentemente não pode haver 800 partidos como representação —
onde vai haver a restrição que é do funcionamento parlamentar?
Será no sistema eleitoral. O sistema eleitoral por si mesmo
condiciona a existência do funcionamento partidário.
Se
você cria o distrital majoritário puro, a tendência é que você
crie apenas dois grandes partidos com representação no
Parlamento. Isso se vê nos Estados Unidos, que têm mais de cem
partidos, têm candidatos avulsos, e apenas dois grandes
partidos se representam nas maiores instituições, seja na
Câmara, seja no Senado, seja nas disputas presidenciais ou de
Governadores: o Partido Democrata e o Partido Republicano. A
mesma coisa ocorre na Inglaterra, onde o voto distrital puro
condiciona. Independentemente de não haver limitação, o
próprio sistema tem a sua restrição intrínseca na
representação e no funcionamento parlamentar.
O
sistema distrital misto, se não bipolariza o sistema político
de representação, cria, de qualquer forma, uma redução do
número de partidos no funcionamento parlamentar. E os
partidos, em sua grande maioria, começam a ter sua
representação forte nas disputas locais das eleições
municipais ou até nas eleições estaduais, mas, nas eleições
nacionais, tende a ser reduzido o número de partidos,
independentemente de qualquer cláusula de
desempenho.
Diria
mais: se você fizer a grande reforma, a do sistema de governo,
para o regime parlamentarista, você resolverá inúmeros desses
problemas. Primeiro deles: precisamos ter muita consciência de
que nós não estamos discutindo uma reforma para atender ao
interesse de nenhum Parlamentar, de nenhum Deputado. Eu ouvi
aqui alguém dizer “Eu
participo de eleição agora e vou participar daqui a 2
anos”. Por favor, V.Exa. pode participar de quantas
eleições quiser, ou não participar de nenhuma. Nós estamos
discutindo não o seu interesse, mas o que interessa à
sociedade brasileira na questão da governabilidade, da
estabilidade, do que é mais legítimo, do que é mais
representativo, do que é o interesse nacional. O Parlamentar é
o detalhe porque não depende de cada um de nós, depende de que
representação nós queremos.
Então,
é nesse sentido que quero saudá-los por este trabalho. Tenho
muitas discordâncias, seja em relação à coincidência, seja
quanto ao distritão, que são ambos excrescências, mas, no
restante, eu acredito que se trata de mecanismos próprios das
democracias.
Esses
5% são algo que está vindo numa certa mesmice da experiência
alemã. É bom que a gente diga que lá isso foi feito
fundamentalmente para impedir que o Partido Comunista tivesse
representação, o nazista sendo derrotado.
Não,
não é o seu caso, até porque eu o conheço e sei que é um
democrata, mas a ideia que lá foi constituída era para isso.
Tanto é verdade — só um detalhe — que, quando da unificação,
foi diminuída a cláusula de barreira, que era de 5% na antiga
Alemanha Ocidental, e não tinha — até porque não havia muito
pluralismo na Alemanha Oriental... Quando da unificação,
ficaram valendo os 5% da cláusula de barreira ainda na
Alemanha que era anteriormente a Ocidental e para a Alemanha
Oriental, para permitir a representação do antigo Partido
Comunista da Alemanha Oriental, foi reduzida a cláusula de
barreira para 2%, exatamente porque, com os 5%, muito
provavelmente aquele setor que foi integrado à Alemanha
Unificada poderia não ter representação.
Ou
seja, esse é um mecanismo que tem que ser pensado. Interessa
ao Brasil, com um sistema presidencialista, excluir minorias
como a cláusula de desempenho faz? É esse o interesse? E pior,
interesse sem nenhuma ideologia, até porque, ao se falar de
legenda de aluguel, quero dizer e reafirmar: muitas vezes a
pior legenda de aluguel são os grandes partidos. Não vamos
analisar isso por tamanho; vamos analisar por funcionalidade.
Alguns desses partidos funcionam e são grandes, mas funcionam
como se de aluguel fossem.
Então,
eu acho que há muita questão para ser decidida, por exemplo, a
questão do fundo partidário, do sistema de tempo de televisão.
Nós estamos falando do fim da coligação proporcional. Por que
não vamos discutir, por exemplo, o tempo de televisão na
coligação majoritária, que é onde você tem exatamente grande
parte da cooptação para fazer a soma do tempo de televisão dos
pequenos partidos, que ganham Ministérios, ganham espaços no
Governo? E isso é aluguel ou não?
Então,
nesse sentido, eu acho que esta Comissão talvez precise
fazer... E aí é que eu peço: não se trata de discutir
parlamentarismo; nosso pedido, que está secundado por um
membro da Comissão, portanto, o pedido pode tramitar, não é no
sentido de discutir o tema no mérito, mas no de aproveitar uma
emenda que está pronta para ser votada para gerar um grande
debate nacional sobre mudança de regime, até porque a crise do
Governo que aí está precisa ser enfrentada pela Oposição e
pelos democratas brasileiros, pelo menos na perspectiva futura
de solução permanente para os impasses institucionais, as
crises políticas e econômicas, já que o parlamentarismo não
está vigente para que pudéssemos mandar a Presidente da
República, evidentemente, cuidar de outro assunto, e não dos
assuntos nacionais.
Muito
obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado Roberto
Freire.
Quero
mais uma vez agradecer aos nossos ilustres convidados, o
Deputado Roberto Freire, que representa aqui o Partido Popular
Socialista — PPS, do qual é Presidente; o Sr. Luiz Araújo,
Presidente do Partido Socialismo e Liberdade — PSOL; o Sr.
Eduardo Machado, meu amigo e conterrâneo, Presidente do
Partido Humanista da Solidariedade — PHS. Agradeço-lhes a
contribuição importante neste debate
Quero
ainda parabenizar o Deputado Marcelo Castro pela iniciativa
desta audiência, que realmente enriqueceu todo o debate, e
agradecer aos Deputados e Deputadas que participaram conosco
aqui e deram a sua contribuição, bem como a todos da sociedade
civil que acompanharam esta audiência pelo e-Democracia, na
página edemocracia.camara.gov.br.
Nada
mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos e
convido-os para a reunião de audiência pública a realizar-se
hoje... (Pausa.)
Estão-nos
informando aqui que a audiência pública prevista para as
14h30min do dia de hoje para continuação do debate da reforma
política foi cancelada. Então, não teremos a audiência pública
de hoje à tarde, às 14h30min.
Está
encerrada a presente reunião.