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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER À PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 344-A, DE 2013, DO SR. MENDONÇA FILHO E OUTROS, QUE "ALTERA O ART. 17 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CONDICIONANDO O ACESSO DOS PARTIDOS POLÍTICOS AO FUNDO PARTIDÁRIO E AO USO GRATUITO DO RÁDIO E DA TELEVISÃO A PRÉVIA DISPUTA ELEITORAL E À ELEIÇÃO DE REPRESENTANTE PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS OU O SENADO FEDERAL", E APENSADAS
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 2ª REUNIÃO ORDINÁRIA
REALIZADA EM 24 DE FEVEREIRO DE 2015.
(em elaboração)
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COMISSÃO
ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER À PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Nº 344-A, DE 2013, DO SR. MENDONÇA FILHO E OUTROS, QUE "ALTERA O
ART.
17 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CONDICIONANDO O ACESSO DOS PARTIDOS POLÍTICOS
AO FUNDO PARTIDÁRIO E AO USO GRATUITO DO RÁDIO E DA TELEVISÃO A PRÉVIA
DISPUTA ELEITORAL E À ELEIÇÃO DE REPRESENTANTE PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS
OU O SENADO FEDERAL", E APENSADAS
ATA
DA 2ª REUNIÃO ORDINÁRIA
DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL Versão
para registro histórico Não
passível de alteração
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Havendo número regimental, declaro aberta a
reunião da Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de
Emenda à Constituição nº 344-A, de 2013, do Sr. Mendonça Filho e outros, e
suas apensadas.
Encontra-se à disposição dos Srs. Deputados cópias da Ata da 1ª
Reunião.
Pergunto se há necessidade de leitura da referida ata. (Pausa.)
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- Peço dispensa da leitura da ata, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Não havendo necessidade de leitura da ata, em
discussão. (Pausa.)
Não havendo queira discuti-la, em votação.
Os Srs. Deputados que a aprovam permaneçam como se acham. (Pausa.)
Aprovada.
Eleição para 3º Vice-Presidente. A eleição far-se-á por votação em
escrutínio secreto, pelo sistema eletrônico, presente a maioria absoluta
dos membros da Comissão, conforme determina o art. 7º do Regimento Interno
aplicado à presente situação. Será
eleito, em primeiro escrutínio, o candidato que obtiver a maioria absoluta
dos votos dentre o total de votantes e, num eventual segundo escrutínio,
será eleito o Deputado que obtiver a maioria simples de votos dentre o
total de votantes, presente a maioria absoluta dos membros da
Comissão.
Peço aos Srs. Deputados que permaneçam no recinto até que se
conclua a votação.
A vaga é do PSB. O problema na sessão anterior foi quem seria
indicado. Deixamos a votação para acontecer hoje. Só podem disputar os
titulares. Pergunto qual dos titulares vai lançar-se candidato, ou se os
dois vão fazê-lo.
O SR. DEPUTADO LUCIANO
DUCCI - Sr. Presidente, o PSB definiu em reunião que o representante
seria o Deputado Tadeu Alencar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Essa é a decisão do
partido?
O SR. DEPUTADO LUCIANO
DUCCI - Essa é a decisão do partido.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - A Presidência informa que recebeu e considera
registrada, em face de acordo político, a candidatura do Deputado Tadeu
Alencar. Alguma outra candidatura? (Pausa.)
Na urna eletrônica constarão as seguintes opções de voto: Deputado
Tadeu Alencar e voto em branco.
Antes de dar início ao processo de votação, peço a atenção dos Srs.
Parlamentares para o esclarecimento de algumas regras importantes no
processo de votação eletrônica.
Ao iniciar a votação, os Srs. Deputados deverão dirigir-se às duas
cabines localizadas ao fundo do plenário, à esquerda e à direita, onde o
Parlamentar deverá digitar o código de sua carteira parlamentar com três
dígitos no teclado virtual do monitor da urna. Em seguida, deverá
posicionar a sua digital, previamente cadastrada, no leitor biométrico que
se encontra ao lado do monitor. Nesse
momento, aparecerão na tela as opções de voto para que faça sua escolha.
Se desejar corrigir, toque na opção “Corrige”, e o sistema retornará à
tela anterior. Após fazer sua escolha, certifique-se do seu voto e clique
na opção “Confirma”.
Uma
vez confirmado o voto, ele não poderá ser alterado. Aguarde o aviso sonoro
e a mensagem “Fim do voto” para
assegurar que seu voto foi registrado com
sucesso.
Os votos em branco serão computados apenas para efeito de quórum,
nos termos do § 2º do art. 183 do Regimento.
Informo que, a partir deste momento, novas alterações na composição
da Comissão somente serão consideradas após o término da votação.
Aguardaremos a liberação da urna eletrônica em alguns
instantes.
Está aberta a votação.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Marcus
Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA Há uma série de
Deputados membros da Comissão em seu primeiro mandato, assim eu queria
solicitar a cópia da PEC que originou esta Comissão
Especial.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Vou pedir à assessoria que faça a
distribuição.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- Sr. Presidente, consulto V.Exa., porque não conheço regimentalmente
o procedimento, mas, em havendo unanimidade em um só candidato, não se
poderá considerá-lo eleito?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Pelo Regimento, tem que ser escrutínio
secreto.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- Mas não se pode, então, alterar a ordem da votação, para que se
proceda à reunião e no final se faça a
votação?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - O que podemos fazer é o seguinte: agora eles
estão carregando as urnas, assim que começar a votação, poderemos
continuar a reunião enquanto os Parlamentares vão
votando.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- É melhor. Ele está sugerindo que, em vez de inverter a pauta,
continuemos a votação.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Estamos em processo de votação, mas continuamos.
Eu passo a palavra ao Relator, que começa a apresentar seu parecer, e cada
um vai votando com cuidado, com calma.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- É melhor. De
acordo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Hoje há cabine dos dois lados: à direita e à
esquerda.
Já está pronto? (Pausa.)
Só um minutinho.
O próximo a falar é o Relator.
Deputado Marcus Pestana, a proposta citada por V.Exa. tem 62
páginas, então, nós vamos encaminhar o link ao e-mail de cada um dos membros da
Comissão.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Ela está disponível no site da
Câmara.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Vou enviar o link ao e-mail de cada
Parlamentar.
As urnas já estão liberadas. Peço primeiro aos titulares da
Comissão que registrem o seu voto.
Todos podem votar. No final, o sistema garante a preferência aos
titulares.
(Pausa.)
Vamos votar, por favor. (Pausa.)
(Processo de
votação.)
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES – Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, eu queria informar a
V.Exa. e ao Plenário a existência da PEC nº 352, que foi reapresentada em
2013 e que institui o voto distrital misto nos Municípios com mais de 200
mil eleitores.
Originalmente essa PEC é de 2006. O que eu queria informar é que
encaminhei um pedido à Mesa para que ela fosse apensada ao projeto de lei
e, caso ela seja a mais antiga, eu entendo que deva ser considerada a
principal.
Então, eu queria dar essa informação a V.Exa. e ao Relator, porque
vou aguardar o entendimento regimental da Mesa.
(Processo de
votação.) O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Só falta um votar. (Processo
de votação.) Está
encerrada a votação. (Pausa.) Apuração:
31 votos; 1 em branco. Total: 32. Eleito
o Deputado Tadeu Alencar para o cargo de 3º
Vice-Presidente. Vamos
continuar os nossos trabalhos. Reitero
que a finalidade do roteiro de trabalho é planejar as ações,
estabelecendo-se prioridades e critérios para o debate, visando à
otimização do tempo, à eficácia e à produtividade. Assim,
a aprovação de temas ou nomes sugeridos pelo Relator em sua proposta não
supre a exigência regimental da apresentação de requerimentos.
Passo,
então, a palavra ao Relator, Deputado Marcelo Castro, para apresentar a
sua proposta de roteiro de trabalho. (Pausa.) Em
discussão a proposta do Relator. O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Sr. Presidente, nobres colegas, eu vou apresentar aqui o nosso plano de
trabalho. Como V.Exas. já tiveram acesso ao plano de trabalho e já o
leram, eu não vou mais incomodá-los lendo aquilo que já leram. Vou apenas
sintetizar aqui o meu ponto de vista, para que possa ficar bem claro como
eu pretendo conduzir esses trabalhos. Os
assuntos da reforma política são inúmeros, e eu procurei agrupá-los aqui
apenas para efeito de trabalho, sabendo que, no final, nós vamos fazer um
trabalho só em dois grupos. O primeiro grupo é o do sistema eleitoral e do
financiamento de campanhas. Eu
entendo que essas matérias são o cerne, o núcleo da nossa reforma
política. E sobre esses dois assuntos, nos quais há maior divergência, há
maior complexidade, eu espero, e está aqui na nossa proposta, que nós
dediquemos um tempo maior, trazendo aqui os estudiosos, os professores, os
intelectuais, os membros da sociedade civil organizada, os Presidentes
nacionais, pelo menos dos maiores partidos, aquelas pessoas que têm
posições claras, definidas, acerca de qual sistema eleitoral seria o mais
adequado, que tipo de financiamento de campanha seria o mais apropriado
para o Brasil. Dessa forma, a gente poderia debater em profundidade,
estudar, fazer um Direito comparado, ver como funcionam os sistemas
eleitorais, os financiamentos de campanha no restante do mundo
democrático, e formar uma massa crítica até o ponto de a gente se sentir
seguro para tomar uma decisão tão importante para o nosso País, que é esse
tema que nós tratando, a reforma política. No
outro item, eu englobo tudo e o chamo de demais temas.
Nesses
demais temas, eu faço uma subdivisão por afinidade de temas. Por exemplo:
coincidência de eleições, fim da reeleição, duração, tempo de mandato,
suplência de Senador, voto facultativo ou obrigatório. Esses são temas
conectados, inter-relacionados. Então eu formo um
grupo. E
o outro grupo também tem temas conectados: fim das coligações
proporcionais, cláusula de desempenho, federações partidárias, prazo
mínimo de filiação partidária para poder candidatar-se à próxima eleição.
Como são temas conexos, eu os divido aqui nesses
grupos. Qual
é a minha ideia? A minha ideia é avançar rapidamente naquilo em que a
gente não precisa gastar o nosso fosfato, gastar os nossos ATPs. Por quê?
Quem é a favor da reeleição é a favor da reeleição, quem é contra a
reeleição é contra a reeleição. Eu
acho que os maiores doutores do Brasil nesses demais temas aqui somos nós
mesmos, porque todos os dias das nossas vidas nós lidamos com esses
problemas de reeleição, de coincidência de mandatos, de tempo de mandato,
de permissão de coligações. Então,
qual é a minha ideia? É a gente dedicar duas a quatro sessões — vai
depender do nosso desempenho aqui — para debater esses assuntos entre nós.
Nós não precisaríamos trazer nenhum professor, nenhum iluminado, porque
isso aqui é uma coisa corriqueira do nosso dia, e muitas posições estão
cristalizadas, para a gente limpar a pauta desses assuntos. Para quê? Para
que a gente se concentre naquilo que é essencial, que é fundamental, que é
mais complexo: o sistema eleitoral e o financiamento de campanha. Dessa
forma, em toda divergência, os grandes debates vão se dar entre esses
temas aqui. E
como eu divido, então, os trabalhos? Nesse primeiro momento, nessas duas
próximas semanas, o Presidente já concordou que nós faremos duas sessões
por semana: uma às terças-feiras à tarde; e a outra às quintas-feiras pela
manhã. E nós traríamos aqui essas pessoas para falar sobre temas gerais da
reforma política. Quem? Os representantes, estão aqui em primeiro lugar,
da sociedade civil organizada: OAB, CNBB, Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral, Frente Parlamentar para Eleições Limpas, UNE, CUT... Bom,
disseram-me que são cento e tantas associações que são representadas por
oito, se não me falha a memória — a Deputada Luiza Erundina ali confirma
que há, sim. Essas entidades viriam aqui para falar sobre o quê? Falar
sobre reforma política de uma maneira geral. Convidaríamos
também o Ministro Gilmar Mendes, que poderia ser o representante do
Supremo Tribunal Federal. S.Exa. já esteve hoje no Senado, acho que seria
bom também que viesse à Câmara, em nome do Supremo ou em seu nome próprio,
fazer um debate sobre reforma eleitoral. Convidaríamos
o Presidente do TSE, o Ministro Dias Toffoli,
que, gentilmente, hoje já mandou aqui um portador para dizer que gostaria
de ter uma conversa conosco e debater sobre o assunto — S.Exa. é sempre
muito interessado e muito solícito nesse tema de reforma eleitoral. Convidaríamos
ainda o Procurador-Geral Eleitoral, enfim, as pessoas que estão na cabeça
do problema que nós estamos enfrentando e que são afetadas diretamente,
como o Presidente da Confederação Nacional dos Municípios — CNM, que é a
associação dos Prefeitos em geral, o Presidente da Frente Nacional de
Prefeitos — FNP, que é a associação dos Prefeitos das maiores cidades e
capitais, e a União Nacional dos Vereadores. Então,
neste primeiro momento, essas pessoas viriam aqui e fariam um debate geral
conosco. Passando essa primeira fase, nós faríamos um debate interno aqui,
por duas a quatro sessões, e não trataríamos mais dos assuntos que eu
enumerei no segundo grupo: o fim da reeleição e o mandato de 5 anos. Nós
os deixaríamos de lado e nos concentraríamos exclusivamente nos temas mais
complexos, de maior discordância, de maior divergência, que são: sistema
eleitoral e financiamento de campanha. O
que eu estou pedindo a todos? Que desarmemos os nossos espíritos. Se
houver uma certeza nesta nossa Comissão Especial de Reforma Política, é a
de que aqui não passará nem a minha, nem a proposta de qualquer um de
V.Exas. em particular. Então, quem vier para cá com a posição firme, com a
convicção de que não abre mão daquilo que considera o melhor para o seu
País, vai ficar com a sua convicção e uma bela derrota. Por que eu tenho
certa autoridade para dizer isso? Porque, desde 1999, eu participo de
reforma política aqui no Congresso Nacional. E sabem quantas reformas nós
conseguimos fazer? Nenhuma. Então, ou nós fazemos diferente desta vez, ou
nós estaremos fadados ao fracasso. Eu
acho que nós temos uma boa chance. Qual é a chance? A indignação que
existe hoje por parte da sociedade brasileira de não aceitar mais esse
distanciamento que existe entre o representante e o representado, a
exaustão dos políticos com o sistema eleitoral que nós vivemos e o trauma
com o custo exorbitante das campanhas, que deixa todo mundo traumatizado.
Eu sempre saí traumatizado das eleições de que participei. Mas, quando
estava com 1 mês, 2 meses, o trauma já estava esquecido. Desta vez, até
hoje o trauma me acompanha. Então,
eu estou falando aqui um português bastante claro, porque eu acho que todo
mundo compreende esta nossa posição de procurarmos encontrar um
denominador comum. O
que eu acho que deve nos presidir? Nós temos que aprovar aqui uma reforma
política que tenha a chance de passar no Plenário e que melhore o nosso
sistema eleitoral. Tudo o mais é negociável. Eu acho que nós só não
podemos negociar, porque não seria inteligente, esses dois itens. Ou seja,
nós temos que apresentar uma reforma que melhore e que tenha chance de ser
aprovada. Porque se for uma reforma ótima, mas que não tenha voto, não
adianta de nada; e se for uma reforma que tenha chance de ser aprovada,
mas que não melhore nada, que deixe as coisas ruins, basta o que nós já
temos. Então,
esse é o meu ponto de vista. E eu espero poder contar com a colaboração e
o apoio de V.Exas., sempre reafirmando que, se nós não tivermos o espírito
de condescender, de ceder, de negociar, de contemporizar, de encontrar um
denominador comum entre os
vários pensamentos, nós não chegaremos a lugar nenhum. Digo isso pela
experiência que já tivemos tantas vezes. Muito
obrigado. O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Agradeço ao Relator. Eu
vou abrir o debate, pois já temos inscritos. O primeiro é o Deputado
Marcus Pestana, o segundo é o Deputado Henrique Fontana, e depois falarão
os Deputados Benito Gama, Jean Wyllys e Luiza
Erundina. Com
a palavra o Deputado Marcus Pestana. O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Sr. Presidente, Sr. Relator, eu me sinto totalmente contemplado pela fala
do nosso calejado Marcelo Castro, que participou de várias iniciativas e é
importante para os novos que chegam. É claro que nós estamos começando da
estaca zero, pois é um novo trabalho, um novo mandato, mas há uma
experiência acumulada. O que o Deputado Marcelo Castro, nosso Relator,
disse é muito importante, e o exercício na Comissão Especial de Estudos,
que funcionou em 2011 e 2012, e no Grupo de Trabalho demonstrou isso.
Essa
não pode ser a reforma de um partido ou outro, de um indivíduo ou outro.
Nenhuma proposta clássica obtém os três quintos de votos necessários para
a aprovação de PECs. Então, há que se ter uma visão de longo prazo e uma
visão institucional, uma preocupação com o País, com a democracia
brasileira. Mal ou bem, nós chegamos aqui, como Ulysses, Tancredo. O
movimento das Diretas Já desencadeou o processo de redemocratização, e,
mal ou bem, não devemos cuspir no prato em que comemos, pois o nosso
sistema nos trouxe até aqui. Mas há essa evidência; por isso, a
necessidade de reforma. Então,
eu acho que está muito bem desenhado o plano de trabalho. O importante é
criar espaços de interlocução, e o Grupo de Trabalho de 2013 deu uma
demonstração disso. Houve um esforço de 4 meses, todos com uma abertura de
espírito muito grande, sem perspectivas sectárias, para construir uma
proposta. Eu me abstive de apresentar emendas e alternativas, porque eu me
sinto comprometido com o texto da PEC, já que eu fui membro do Grupo de
Trabalho. Eu
acho que o plano de trabalho está muito bem desenhado, e o importante é
que a gente se esforce para construir um diálogo transparente e sincero,
buscando convergências, porque, senão, o impasse que impera nos últimos 12
anos nesta Casa vai persistir e nós não vamos caminhar. Eu tenho para mim
que a sociedade não tem clareza absoluta. Eu acho que é uma certa forçação
de barra dizer que a sociedade foi às ruas por uma reforma política.
Trata-se
de um tema um tanto árido, de natureza institucional. O cidadão médio não
percebe a repercussão que a melhoria do sistema decisório teria na sua
vida, na educação, na saúde, na segurança, no emprego e na renda, mas é
uma tarefa do Congresso, porque o esgotamento é claro, não há vínculo da
representação. Setenta por cento dos brasileiros não sabem dizer, 1 ou 2
anos depois, sequer o nome do Deputado em que votaram, as campanhas são
milionárias, os escândalos se sucedem, e os partidos estão se fragilizando
cada vez mais. Nós
temos que fazer um esforço, essa é uma chance. Eu acho que o ambiente
político nunca foi tão propício, mas, se a gente não esgotar essa agenda
de trabalho em 2015, Inês é morta, porque, no ano da eleição municipal,
não conseguiremos votar. Então,
eu felicito e me associo à proposta de trabalho, pois acho que está muito
bem desenhada, com base na experiência acumulada. O Deputado Marcelo
Castro tem uma memória viva disso, e acho que nós devemos caminhar nesse
sentido. O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Henrique
Fontana. O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Sr. Presidente, primeiro, cumprimento V.Exa., o nosso Relator, colega de
Parlamento, Deputado Marcelo Castro, e todos os colegas. Desejo a todos
nós essa capacidade de transigir e encontrar um caminho que seja razoável
e que signifique uma mudança estrutural nas questões que mais preocupam a
todos nós. É
óbvio que todo o mundo tem experiência, história, e nós sabemos que
existem os posicionamentos que preocupam cada um dos partidos, mas os
partidos têm que fazer o esforço de ir a uma negociação real, porque o
mais fácil é impedir qualquer tipo de reforma, tanto que é isso o que tem
acontecido ao longo dos últimos 20 anos. O somatório de resistências
sempre é mais forte do que a possibilidade real de mudar algo.
Eu
tenho uma primeira preocupação e uma solicitação ao nosso Relator. Para
conseguirmos de fato um terreno de negociação real sobre a reforma
política, é preciso garantir que a nossa Comissão possa tanto votar
alterações infraconstitucionais quanto votar alterações constitucionais,
porque algumas coisas que nós queremos mudar no sistema político dependem
de mudança constitucional, e outras questões, Presidente — e aí peço a
V.Exa. também, que preside os trabalhos aqui —, não demandam uma mudança
constitucional. Se
a nossa Comissão ficar restrita, como está até o momento, à análise de uma
PEC, com variantes em torno dessa PEC, como é que eu posso participar
desse debate num tema, por exemplo, que para mim é muito caro — e cada um
aqui terá as suas prioridades —, que é o do financiamento? O financiamento
eleitoral não está escrito na Constituição. Ele pode e deve ser
aperfeiçoado e modificado, conforme a opinião da maioria de nós aqui, com
uma alteração infraconstitucional. Eu
tenho, lógico, muito respeito e, na antevéspera do feriado de carnaval,
como todos nós estamos fazendo, reli mais uma vez a PEC que abre os
trabalhos da nossa Comissão. Sobre esse tema do financiamento eleitoral,
ela praticamente escreveu algo que ou não muda nada ou muda algo
profundamente para dificultar mudanças futuras. Qual
é a redação que está no § 5º sobre essa grande polêmica que é o
financiamento eleitoral, debatido pelo Brasil inteiro e muito mais
agudamente nesses últimos anos? Diz ali no § 5º: “Os partidos políticos poderão
financiar as campanhas eleitorais com recursos privados, com recursos
públicos ou com a combinação de ambos, conforme decidido pelo órgão
partidário competente”. Seria uma espécie de solução que repete o
seguinte: cada partido faz o que quer; um poderia se financiar de forma
pública; outro, de forma privada; outro, de forma mista.
Primeiramente,
isso não é razoável, porque nós sabemos que temos que perseguir uma regra
que seja igual para todos na disputa eleitoral. Em segundo lugar, aqui
existe um temor, sim — eu o expresso nesta fala de preparação dos nossos
trabalhos —, existe a preocupação de alguns, como eu, de que, ao aprovar
este artigo aqui, nós estejamos na verdade levando para a Constituição uma
perenidade do financiamento empresarial. Eu, por exemplo, tenho uma
convicção muito grande de que ao menos a retirada do financiamento
empresarial já é uma melhoria importante para o processo eleitoral
brasileiro. Eu,
que já defendia a minha posição originária — até conversava hoje com
outros colegas aqui, com o Deputado Pestana, com quem partilhamos a
Comissão anterior, com o nosso atual Relator, Deputado Marcelo Castro, e
falava também com o Deputado Rubens Otoni, meu colega de partido —, sou
defensor do financiamento público exclusivo, mas estou aberto a uma
negociação que nos leve a um financiamento misto, por exemplo, que retire
empresas do financiamento eleitoral e garanta um financiamento de pessoas
físicas, Deputado Orlando, com limite de valor, porque aí nós vamos
combater o abuso do poder econômico no processo
eleitoral. Então,
o meu pedido objetivo, Presidente, e mesmo quanto aos sistemas eleitorais
também, porque esse é o núcleo, como V.Exa. e o nosso Relator disseram —
e, sobre a forma de conduzir, quero parabenizar o Relator, eu acho que
esses dois blocos estão muito bons, debatemos um pouco matérias que não
são o núcleo mais forte. E, depois, nos dedicamos mais ao sistema
eleitoral e ao financiamento.
Agora, no próprio sistema eleitoral, algumas mudanças são possíveis
sem mudança constitucional. E eu até chamo a atenção para isso porque,
para todos nós que queremos dar os passos possíveis, compor uma maioria de
257 votos para alguns assuntos é mais fácil do que chegar a 308. Então,
parece-me que o ideal seria termos, primeiro, a votação sempre na mão do
nosso Relator. O Relator deve ser único, na minha visão. Primeiro, devemos
votar uma peça que promova a mudança infraconstitucional, o projeto de
lei. E, a seguir, na sequência garantida pelo nosso acordo, votarmos uma,
duas ou três emendas constitucionais que mudem questões que demandam
mudança constitucional.
Por que eu me refiro a uma, duas ou três? Eu vou dar uma opinião
pessoal porque o nosso partido não definiu ainda, teremos reunião amanhã
inclusive com o Presidente do partido, nós membros da Comissão. Eu sou
favorável ao fim da coligação na eleição proporcional. Agora, eu sou
contrário ao voto facultativo. Se os dois temas forem colocados na mesma
proposta de emenda à Constituição, eu vou ficar com uma única escolha: vou
votar “sim” ou “não” à proposta de emenda à Constituição. Então, se nós
fatiarmos pelo menos os grandes temas que exigem mudança constitucional em
dois ou três pedaços, todos votados nesta Comissão, no mesmo tempo, na
sequência de dias, também no plenário, é possível que alguém possa apoiar
uma mudança constitucional e não apoiar a outra. Ao contrário, se juntamos
tudo numa só, nós teremos essa dificuldade.
Então, eu peço ao nosso Presidente e ao nosso Relator; porque para
isso tem que haver uma decisão da Presidência da Casa... Os partidos
deveriam, no caso de termos ao mesmo tempo, como foi da outra vez,
funcionando a Comissão da PEC e a Comissão do projeto de lei, ser
sensibilizados para indicar os mesmos Parlamentares. O Relator será o
mesmo. O Presidente será o mesmo. E a votação se dará em sequência, ao
final dos trabalhos, àquilo que é projeto de lei e àquilo que é proposta
de emenda à Constituição.
No mais, quero dizer da minha enorme disposição, Sr. Relator, de
desarmar o espírito sempre para encontrar mudanças possíveis, que são tão
urgentes para o sistema político do nosso País.
Quero convidar todos os Parlamentares da Comissão e todos os que
estão nos acompanhando: amanhã, às 15 horas, o nosso Relator estará junto
com a CNBB e com a OAB, aqui no Congresso Nacional, na Câmara Federal,
fazendo um debate e apresentando mais uma sugestão, o projeto de
iniciativa de quase cem entidades, intitulado Eleições Democráticas. Esse
projeto vai, seguramente, fazer parte do nosso debate nesta
Comissão.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Marcelo
Castro.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Provocado pelo nosso Deputado Henrique Fontana, eu gostaria
de pedir desculpas a V.Exas. porque eu não disse uma coisa que já está
combinada com o Presidente da Casa, Deputado Eduardo
Cunha.
Hoje estive com S.Exa., que concordou em constituirmos outra
Comissão — ou grupo de trabalho, se assim o quiserem chamar — para
produzir um projeto de lei com as matérias infraconstitucionais. Em uma
reforma política nós vamos ter matérias constitucionais e matérias
infraconstitucionais. Como disse o Deputado Henrique Fontana, com muita
propriedade, se nós constitucionalizarmos um tema que não é
necessariamente constitucional, teremos dois problemas: a obrigatoriedade
de conseguir três quintos dos votos dos membros do Congresso Nacional para
aprová-lo; e um engessamento muito grande — se quisermos, no futuro, fazer
alguma modificação, teremos muita dificuldade, por ter sido a matéria
tratada em nível constitucional.
O Presidente concordou e vai criar esse grupo de trabalho, a ser
constituído pelo mesmo Presidente e pelo mesmo Relator. Vamos fazer um
trabalho junto às Lideranças para que, se possível, indiquem os mesmos
membros que temos atualmente. E nós faremos um só trabalho. No final,
vamos apresentar a PEC e o projeto de lei, que terá também urgência, para
irem os dois para o plenário.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Poderia surgir
tudo daqui, Sr. Relator, para haver consistência e coerência. Senão
abriremos duas frentes de trabalho.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Exatamente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Agradeço ao Relator a
informação.
Concedo a palavra ao Deputado Benito Gama.
Peço aos oradores que sejam um pouco mais concisos porque daqui a
pouco começará a Ordem do Dia no plenário e ficará inviabiliza a votação
dos requerimentos nesta Comissão.
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Sr. Presidente, Sr. Relator, Sras. e Srs. Deputados, cumprimento o
Relator, Deputado Marcelo Castro, pela coordenação extremamente importante
deste plano de trabalho.
Eu preciso de uma resposta do Presidente sobre os prazos de emenda.
Talvez não os tenhamos absolutamente certos, porque dependem das sessões
ordinárias, mas, aproximadamente, os prazos que teremos para apresentar
emendas e o prazo de conclusão deste trabalho. Isso será muito importante
em função das audiências públicas propostas pelo Sr. Relator, com muito
critério, com as quais concordo. Apenas acho que, talvez, nominar essas
entidades engessa muito. Mesmo com o “etc.” aqui no final, acho que amarra
muito, porque a posição da OAB e da CNBB nós já
temos.
O que eu digo é o seguinte: eu não sei se nós precisaríamos ouvir
todos aqui nesta reunião. Amanhã, por exemplo, a OAB e a CNBB vão estar
aqui. Não que eu ache que não devam ser convidadas essas entidades, mas
entendo que devemos tratar disso com um pouco de cuidado, para não
criarmos nenhum obstáculo, nenhuma obstrução a esta Comissão. Seguramente,
o Relator vai ter muito trabalho, sobretudo o Presidente, para controlar
essa obstrução. Essa é uma observação.
A outra observação refere-se aos representantes da Confederação
Nacional dos Municípios, da Frente Nacional dos Prefeitos e da União dos
Vereadores. Concordo com o convite a essas entidades. Mas parece que estão
faltando os derrotados, as pessoas que perderam as eleições. Aqui só há
vitoriosos. Eu não sei se eles vão vir aqui dizer como ganharam as
eleições, como fizeram as eleições, etc. E aí, se me permitir, com a sua
história e o seu conhecimento sobre esse tema, faço a V.Exa. a sugestão
não de excluí-los, mas, talvez, de incluir algumas pessoas que tenham
ficado como suplentes e que tenham perdido a eleição em função de algumas
agravantes e complicações hoje existentes no nosso processo
eleitoral.
E vou concordar com o Deputado Henrique Fontana sobre o somatório
de resistências que nós temos em vários processos legislativos. É
democrático. O Deputado Henrique Fontana é clarividente na sua relação
parlamentar e política. Concordo muito com ele. Só discordo, em apoio à
decisão do Presidente da Casa e do Relator, de a matéria
infraconstitucional ser tratada nesta Comissão. Esta Comissão, do ponto de
vista do Regimento, foi constituída para discutir matéria constitucional.
O grupo de trabalho proposto pelo Presidente Eduardo Cunha, pelo
Presidente Rodrigo Maia e pelo Relator é importante. Pode ter os mesmos
membros ou não. Eu penso que isso não é fundamental. Mas não deveríamos
abrir mão de fazermos um grupo de trabalho fora da discussão interna da
Comissão, sob pena de tumultuar o processo e haver o somatório de
resistências a que se referiu o Deputado Henrique Fontana. Isso,
realmente, nós temos que combater. Eu penso que o grupo de trabalho é a
melhor solução para fazermos essas alterações e essa
discussão.
Com relação ao financiamento de campanha e aos outros itens, já há
massa crítica para tomarmos a decisão. O voto é que vai dizer “sim” ou
“não”.
Eu quero parabenizar o Relator sobre isso. E gostaria de ouvir do
Presidente sobre os prazos tentativos que nós temos para a apresentação de
emendas e para a conclusão do trabalho. Não tenho nada contra as
instituições que estão aqui: OAB, CNBB e as entidades de Prefeitos e
Vereadores. Mas penso que quem perdeu a eleição também poderia ser ouvido
porque eles podem ter muita coisa a revelar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - A previsão, a princípio, é 11 de março, com
171 assinaturas...
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Com 171 assinaturas para cada emenda.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - A sessão de ontem não contou, mas haverá
sessão de segunda e sexta que será contada. Vai dar quórum, vai haver os
51 Deputados presentes, número mínimo. E aí vai ser considerada na
contagem do prazo de 10 sessões, da 11ª sessão.
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Então, antes de 11 de março não acontece.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Se houver quórum na sexta, na segunda e na
outra sexta, pode ser antes.
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Então, 8 de março é uma data...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - É uma data razoável, eu
acho.
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Para o prazo de apresentação de emenda, não é
isso?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Prazo de emenda.
O SR. DEPUTADO BENITO GAMA
- Cada emenda com 171 assinaturas.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - No mínimo.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA
- Sr. Presidente, uma questão regimental: quantos inscritos nós
temos?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Vinte.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA
- Vinte. Se cada orador falar 3 minutos, já será um tempo
considerável. Eu sei que todos anseiam por falar, é natural. Eu participei
durante 2 anos da última Comissão de reforma política e sei que vamos ter
muito tempo para debate e tudo o mais. Não seria interessante votarmos os
requerimentos e depois abrirmos a palavra para os que quiserem
falar?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Eu vou fazer a seguinte proposta: antes
ouviremos os Deputados Jean Wyllys e Luiza Erundina. Depois podemos votar
os requerimentos.
Concedo a palavra ao Deputado Jean Wyllys.
Se a decisão for essa. Se não for, continuaremos
falando.
O SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS
- Sr. Presidente, obrigado.
Eu queria tirar uma dúvida com o Relator, porque não ficou claro. E
é importante tirarmos as dúvidas sobre o plano de trabalho do
Relator.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - É claro.
O SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS
- O Relator disse que dividiu o trabalho em dois blocos e o segundo
bloco em duas etapas. Na primeira etapa estariam excluídos os movimentos
sociais e as representações da sociedade civil do debate. Entretanto, o
texto escrito diz outra coisa. Eu queria que o Relator esclarecesse esse
ponto, que para mim não ficou claro. Principalmente porque, se o Relator
quer produzir consenso em torno de um projeto de reforma política que seja
bom para o País, em nenhuma fase a sociedade civil tem que estar excluída.
Em temas como reeleição, cláusula de barreira, a sociedade tem que se
pronunciar. Então, em nenhuma etapa a sociedade civil, os movimentos
sociais deveriam estar excluídos.
E eu acho quatro encontros, quatro reuniões bastante pouco para a
necessidade que nós temos de aprofundar a discussão dessas matérias.
Então, eu sugiro ao Relator a ampliação desse número. Acho que nós temos
tempo para fazer mais que quatro encontros para tratar desses
temas.
Então, gostaria que o Relator se pronunciasse para dizer, afinal de
contas, quando é que a sociedade civil vai estar excluída, quando é que o
trabalho vai ser exclusivamente nosso, ainda que eu discorde da exclusão
da sociedade dessas reuniões.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Eu acho que não me fiz entender e me desculpo por isso. Está
claro aqui: na primeira fase de audiência pública, o primeiro convite vai
ser para as entidades da sociedade civil organizada. Agora, o que eu disse
aqui, e vou repetir, é que, passada essa fase, vem uma segunda fase, em
que nós vamos discutir os assuntos que eu entendo — respeito quem pensa de
modo diferente — que são muito mais próprios nossos porque nós convivemos
com eles a nossa vida toda de político, do que de um estudioso do assunto.
Honestamente. Posso estar errado, cada um tem o direito de julgar. Eu acho
que se nós formos fazer debate, se formos fazer audiência pública sobre
isso, vamos repisar o assunto e vamos terminar, como das outras vezes, não
chegando a lugar algum. Mesmo porque nós temos, para encerrar os nossos
trabalhos, o prazo de 40 sessões. Eu não vou utilizar as 40 sessões.
Tenho o propósito de encerrar os trabalhos antes das 40 sessões. Um
dos motivos pelos quais eu acho que nós não conseguimos votar a reforma
eleitoral das outras vezes é que nós demoramos demais. Aí se vão criando
resistências e anticorpos. Eu acho que, quando nos sentirmos seguros para
decidir sobre aquilo que julgarmos melhor, é melhor votarmos logo e
resolvermos o assunto.
O SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS
- Eu entendo a pressa de V.Exa., mas diz o dito popular que “A pressa é inimiga da perfeição”.
Então, não há que se ter pressa em matéria tão importante e nem há que se
deixar excluída de nenhuma fase do debate a sociedade, as outras
representações. Afinal de contas, a prerrogativa da representação na
contemporaneidade não é só nossa, dos representantes
eleitos.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - O problema é que nós vamos precisar tanto da sociedade para
nos concentrarmos no financiamento de campanhas, que é um assunto muito
complexo, e no sistema eleitoral; que temas como coincidência de
eleição... Ora, por que vamos chamar aqui um doutor honoris causa, experiente,
escritor, para falar o que sobre coincidência de eleições? Ele não tem o
que falar, é uma coisa simples: quem é a favor é a favor; quem é contra é
contra. É uma coisa da nossa vida diária, nós vivenciamos isso todos os
dias. Eu acho que a nossa experiência fala muito mais alto do que o
conhecimento teórico de algum sábio, de algum
doutor.
Este é o meu ponto de vista, naturalmente respeitando quem possa
pensar de forma diferente.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente,...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deixe eu organizar...
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Só para não perder o assunto. Eu acho que o Relator explicou,
mas faltou uma explicação importante. Essas quatro entidades convidadas
para essas duas próximas semanas poderão falar sobre qualquer
assunto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Claro, claro.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Não vão falar só sobre um assunto. Isso vai estar
aberto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Era isso o que eu ia dizer. Deixem-me fazer
uma proposta aqui. Na terça-feira à tarde este plenário é da CCJ. Então,
uma vez que o tempo é curto e a nossa vontade de trabalhar é grande,
poderíamos marcar as reuniões para terça-feira, às 10 horas, quarta-feira,
às 14h30min, e quinta-feira, às 10 horas, três vezes por semana. Nas
segundas-feiras e nas sextas-feiras, podemos, com aqueles que estiverem
junto com o Relator e comigo, visitar os Estados.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Concordo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Não há nenhum problema. O Deputado Maranhão
já fez o convite para o dia 13 de abril. Eu estou dando aqui a minha
opinião, só para que possamos avançar no debate. Todos os inscritos têm o
mesmo objetivo de discutir a pauta.
Eu vou pedir a todos que sejam concisos.
Vamos respeitar a ordem das inscrições e cada um dá a sua
opinião.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, gostaria apenas de apresentar um adendo antes
da votação dos requerimentos ao termo...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Fique tranquilo.
Deputado Jean Wyllys, já terminou a sua intervenção? (Pausa.)
Com a palavra a Deputada Luiza Erundina.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Sr. Presidente, Sr. Relator, colegas, estamos mais uma vez
fazendo uma tentativa, que já dura algumas dezenas de anos nesta Casa. A
exemplo do Relator, Deputado Marcelo Castro, eu também participei durante
todo esse período das mesmas Comissões Especiais, inclusive do último
grupo de trabalho. E, concordo, durante esse tempo houve um acúmulo
importante de reflexões, de discussões e de construção de propostas, de
alternativas. Portanto, há um patrimônio, uma memória a ser considerada
nesse momento de discussão da proposta de emenda à Constituição.
De outro lado — e aí muito na linha do que disseram os Deputados
Jean Wyllys e Henrique Fontana —, há outro patrimônio, outro acúmulo a
respeito da questão construído particularmente pela sociedade civil junto
com Parlamentares. Por exemplo, na Frente Parlamentar pela Reforma
Política, anterior à realização dessas Comissões todas que se vêm
realizando no curso de todos esses anos.
Portanto, de fato, há um acúmulo, há uma memória, em grande parte
construída no âmbito do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados. De
outro lado, há um acúmulo bastante grande e bastante qualificado da
sociedade civil através da Frente Parlamentar e de outros espaços que
existiram na Casa, inclusive influenciando naquilo que estava sendo
discutido pelas Comissões Especiais.
Aquilo que foi produzido pela Casa está, em grande medida,
refletido nessa PEC, particularmente naquilo que foi discutido no grupo de
trabalho. E, por sinal, um grupo de trabalho que, diferentemente de uma
Comissão como esta ou de outras Comissões Parlamentares, não expressava a
representação proporcional da Casa. Era um grupo de trabalho com
representantes das bancadas, mas sem obedecer ao princípio da
proporcionalidade, pelo que se supõe que — quem sabe? — muita contribuição
deixou de ser dada pelo fato de não ter havido uma presença proporcional
dos representantes da Casa. O que se construiu nesse grupo de trabalho
está basicamente expresso nessa proposta de emenda à
Constituição. De
outro lado, aquilo que foi produzido pela sociedade e está expresso na
legislação infraconstitucional, que não está no âmbito da PEC, nos
recomenda — se de fato se quer incorporar, ouvir e ter o respaldo da
sociedade civil no resultado final desse esforço que se faz neste momento
— que não dá para descartar aquilo que foi produzido durante décadas por
essas entidades e muitas outras por parte da sociedade civil. Então,
entendo a preocupação do Deputado Henrique Fontana de não se dar um
tratamento diferenciado, distanciado, apartado da produção que se fez no
âmbito do Congresso, da Câmara dos Deputados, daquilo que se produziu e se
construiu no âmbito, particularmente, da sociedade
civil.
O que eu quero dizer com isso? Que se procure articular os dois
patrimônios, os dois acúmulos, contemplando a democracia representativa,
que somos nós, e a democracia direta, que expressa a fonte do poder na
sociedade, que é a sociedade civil organizada.
Portanto, eu tenho dificuldade de imaginar que a produção que,
basicamente, se deu no âmbito da sociedade civil seja relegada a um grupo
de trabalho à parte disso que está se dando no âmbito desta Comissão
Especial, o que nos recomenda a necessidade de articular os dois acúmulos,
de tal forma que ele expresse não só aquilo que o grupo produziu, mas
também aquilo que a Casa e a sociedade civil produziram ao longo desses
anos todos, o que vai para além de 10 ou 20 anos.
Além disso, caro Relator, caro Presidente e demais colegas, eu
queria lembrar dois temas que estão completamente ausentes da proposta de
emenda à Constituição objeto desta Comissão Especial e que são essenciais
numa mudança qualitativa substantiva de aperfeiçoamento do nosso sistema
político, que é exatamente a participação de mais da metade da população,
que são as mulheres.
Nós mulheres somos mais de 50% da sociedade e mais de 50% dos
eleitores brasileiros. E não há uma vírgula, não há uma indicação mínima
em relação à incorporação de mais da metade da sociedade brasileira no
exercício da democracia política, exercitando a representação e marcando
uma presença proporcional na Casa àquilo que nós representamos na
sociedade.
O segundo item também ausente — e que a meu ver compromete o
aperfeiçoamento do nosso sistema político — é o não tratamento da
democracia direta, da democracia participativa, que está no art. 14 da
Constituição Federal de 1988, que até hoje não foi devidamente
regulamentado e muito menos exercitado, que se refere à democracia direta,
à democracia participativa.
Portanto, Sr. Presidente, Sr. Relator, eu acho que temos que
alargar os prazos, não no sentido protelatório de nenhuma das questões que
estão colocadas, mas no de que se dê realmente um espaço na Comissão
Especial em relação a esses dois aspectos que compõem de forma substantiva
qualquer sistema político em qualquer país do mundo, que é a participação
paritária da composição da sociedade e o exercício da democracia direta
participativa, sem o que a democracia estará manca.
Grande parte da crise da democracia brasileira e da representação
brasileira, a meu ver, em minha modéstia opinião, se deve a não se
implementar nos termos que estão na Constituição Federal a outra dimensão
da democracia, que é a democracia direta, a democracia participativa, que
não está presente nesse projeto do grupo de trabalho que hoje se expressa
nessa PEC que está em discussão agora.
Mas eu estou bastante mobilizada e motivada, junto com o nosso
Relator, o nosso Presidente e esse coletivo, com a participação da
sociedade civil trazendo a contribuição acumulada da sociedade civil
expressa nos projetos infraconstitucionais que estão na Casa, para que
venhamos a dar igual tratamento, oportunidades iguais a esses dois
acúmulos, para que se saia com o melhor resultado que a Casa poderá
produzir a partir desse esforço que começa neste
momento.
Era isso.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Muito bem, Deputada.
Concedo a palavra ao Deputado Julio Lopes.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- A Exma. Deputada Luiza Erundina muito bem colocou a minha questão,
que era também em relação à participação direta. Mas lembro ao Deputado
Benito Gama, com muita pertinência, que metade do mundo é de mulheres e a
outra metade é exatamente de filhos de mulheres, o que releva ainda mais a
sua observação.
Mas, a exemplo da Deputada, Deputado Marcelo Castro, eu gostaria de
subscrever esse capítulo, porque as democracias modernas — e aí quero
citar o Parlamento inglês, que exerce agora a sua renovação de mandato no
próximo mês de maio — têm na sua pauta e nos seus aspectos principais a
questão da interatividade, da conectividade e da permanente interação com
a sociedade.
Também eu, como fez a Deputada, queria ressaltar esse tema — dizia
também o Deputado Benito Gama, com muita pertinência — de grande
complexidade, que tem que ser tratado com o devido
cuidado.
O Deputado Jean Wyllys tem toda a representatividade da sociedade
civil constituída para aqui falar em nome dela. Mais do que ninguém, o
Deputado Jean Wyllys expressa aqui a sociedade civil constituída, podendo,
em nome dela, exercer com toda a plenitude o seu
mandato.
O SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS
- Eu agradeço a V.Exa., Deputado
Julio Lopes, mas não sou, não. A representação não está dada,
não.
O SR. DEPUTADO JULIO LOPES
- Eu só quero deixar aqui a nossa observação em função da urgência dos
nossos trabalhos.
Quero ainda dizer, Deputado Marcelo Castro, também subscrevendo o
que disse a Deputada Luiza Erundina, que é uma preocupação que me ocorre
em função dos esforços de democratização participativa que hoje fazem os
Parlamentos, principalmente o da Inglaterra, o da França e o da Alemanha,
no sentido de contemplar a participação direta da população nas questões
de maior relevância.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Daniel
Almeida.
O SR. DEPUTADO DANIEL
ALMEIDA - Sr. Presidente, nobre Relator, meus cumprimentos. Algumas
questões que eu pretendia abordar já o foram anteriormente. Mas quero
dizer que eu, o Deputado Orlando Silva e o nosso partido, o PCdoB,
participamos de outros esforços nesta Casa para a elaboração de uma
proposta de reforma política. E, como disse o Relator, Deputado Marcelo
Castro, temos tentado isso há algum tempo, mas não temos alcançado
êxito.
Eu tenho certeza de que desta vez, em razão de uma nova postura da
sociedade, nós vamos alcançar êxito. Mas não devemos deixar de reconhecer
que não alcançamos êxito porque o tema é complexo, é difícil. E não é
possível imaginar — nós não somos ingênuos — que a realização de uma
mudança tão profunda possa se dar em tempo inadequado, e que então se
encontre consenso em torno de temas tão complexos. Acho que não deveríamos
ter como elemento central o tempo reduzido, com pouco debate, para
encontrarmos o consenso.
Nós deveríamos tratar dos requerimentos apresentados e de outros
que virão. Seguramente, os requerimentos que foram apresentados e as
sugestões do Relator contemplam amplamente, mas há outros elementos,
outras instituições e personalidades que merecem estar nesta Comissão. Eu
citaria, por exemplo, os Deputados Estaduais. Existe uma representação dos
Deputados Estaduais no Brasil que precisaria estar contemplada neste
debate, bem como outros segmentos da sociedade civil. É fundamental que
essa participação seja ampliada. Os requerimentos e as indicações aqui
aprovados vão determinar o tempo que vamos dar a esse debate e permitir
que ele seja feito.
Portanto, quero propor que apreciemos rapidamente os requerimentos
e aprimoremos, nessas primeiras sessões, a partir das sugestões do
conjunto da Comissão, o plano de trabalho que o Relator nos
apresentou.
Quero também sugerir, Sr. Presidente, que façamos três reuniões na
semana — eu não sei se isso seria possível — a partir da instalação das
Comissões Permanentes na Casa. As Comissões vão se instalar e funcionar. A
Câmara tem um trabalho intenso. Corremos o risco de não ter condições de
realizar reuniões na quarta-feira. Eu defendo mantermos, pelo menos neste
primeiro momento, as reuniões às terças-feiras e às quintas-feiras e,
assim, termos a garantia da sua realização e não comprometermos o
funcionamento desta Comissão no início dos seus
trabalhos.
Eu queria fazer ponderações sobre algo que foi dito aqui pelo
Deputado Henrique Fontana e pela Deputada Luiza Erundina. Não compreendi
ainda a natureza desse funcionamento que estamos propondo. Se vamos
apresentar emendas à PEC no prazo de dez sessões e estamos dizendo que
vamos tratar de assuntos infraconstitucionais, nós teríamos que definir
com clareza em que momento e em que circunstância nós vamos fazer isso,
senão as emendas terão que ser apresentadas à PEC. E depois o Relator
desmembraria? Nós teríamos que ter mais clareza. Eu gostaria que o Relator
explicitasse melhor qual é a circunstância em que vamos fazer essa
separação. O resultado deste debate vai ser um ou mais projetos de lei e
algumas propostas de emenda à Constituição? Mas o debate vai ocorrer como?
Para mim ainda não ficou muito claro em que momento se faria a separação
desses dois espaços.
Eram essas as ponderações que eu queria deixar aqui para contribuir
com o plano de trabalho que estamos elaborando
agora.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado, eu vou, neste tema de divisão de
matéria infraconstitucional e constitucional, junto com o Relator, ao
Presidente hoje para decidir se haverá outra Comissão ou se será a mesma
Comissão, com os mesmos membros, para que ainda nesta semana possamos ter
essa questão esclarecida, exatamente para que não exista um esforço
desnecessário de coleta de assinaturas para emendas que podem não ser
necessárias daqui a uma semana se, de fato, duas Comissões trabalharem de
forma conjunta ou não. Aí temos que acertar como é, se os Líderes estão de
acordo, para que não percamos muito mais tempo em suposições. Então, peço
a quem tiver dúvida que espere até amanhã para esclarecer. Vamos procurar
cada um dos membros, através das Lideranças, para tomar a decisão. É na
mesma Comissão? É um caminho. Por outra Comissão talvez não seja um
caminho. É um trabalho que não vai funcionar para lado
nenhum.
Com a palavra o Deputado Milton Monti.
O SR. DEPUTADO MILTON MONTI
- Caro Presidente, Relator, colegas, em primeiro lugar, louvo a
iniciativa do nosso Presidente Eduardo Cunha de fazer com que esse tema
venha a ser tratado. Nós nos debruçamos sobre esse tema por muitos anos
aqui no Congresso Nacional. E tenho visto que nós temos aqui, por exemplo,
para discutir medicina, talvez 30 ou 50 Médicos; para discutir economia,
talvez uns 30 economistas; para discutir engenharia, talvez uns 40
engenheiros. Mas, para discutir reforma política, nós temos 513
especialistas nesta Casa e mais 81 especialistas no Senado. É essa é a
grande realidade. Agora, tenho me convencido pessoalmente, e acho que essa
é uma tarefa do nosso Relator, que é preciso procurar o consenso ouvindo a
sociedade civil, os partidos políticos e a Casa, no sentido de que nós não
tratemos o tema de forma tão aguda. Se um item qualquer da minha defesa —
e acabei de dizer que é possível termos 513 itens diferentes aqui — não
for atendido, então não está valendo. Se aquilo que eu pretendo não for
contemplado, então essa reforma política já não serve.
O Relator terá a difícil tarefa, mas possível, em minha opinião, de
tentar costurar o consenso, de encontrar o que possa ser melhor, o que, na
média, atenda às reivindicações da sociedade e faça com que a
representação melhore, o sistema político seja mais transparente e a
sociedade se sinta mais representada. É nesse sentido que eu faço essa
primeira observação. Vamos ter um trabalho e vamos tentar nos despir. Eu
tenho me policiado para não permitir que, se não for exatamente aquilo que
eu quero, não apoie as propostas que vierem desta
Comissão.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Ronaldo Caiado) - Com a palavra o Deputado Afonso
Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Sr. Presidente, eu havia saído porque os Prefeitos nos procuraram e
este é um momento importante para todo o País. Não posso deixar de
atendê-los, uma vez que no gabinete não foi possível em razão do
compromisso que todos nós temos com esta que é, na minha opinião e na
opinião geral, a Comissão, no momento, mais estratégica do ponto de vista
das decisões.
Eu queria dizer que esse ordenamento, essa planilha, essa proposta,
esse plano de trabalho é baseado em dois temas: sistemas eleitorais e
modelo de financiamento de campanha; dois itens estruturantes, os mais
polêmicos, porém os mais definitivos do ponto de vista do rumo e do futuro
da política brasileira e dessa estruturação, em especial do sistema
eleitoral.
Eu queria também dizer que nós estamos estimulando a participação.
Ontem, no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, nós, do Partido
Progressista, Presidente e Relator Marcelo Castro, fizemos uma pesquisa
nos fóruns de discussão, nas instâncias partidárias do Partido
Progressista. É interessante que nós fizemos 17 perguntas com as
alternativas, mas estruturadas. A primeira foi exatamente esta: o voto
deve ser obrigatório ou facultativo? Já na primeira pesquisa que fizemos,
em Bento Gonçalves, com os jovens, com os filiados que participaram do
evento — foi um número expressivo —, constatamos que 60% são a favor do
voto facultativo.
Eu sou a favor do voto obrigatório. Na verdade, eu vou ter que
defendê-lo. Eu queria fazer uma reflexão já sobre esse primeiro item. Eu
poderia estudar todos os outros aqui. Por exemplo, limite de gasto de
campanha, tem que se estabelecer um teto por lei. Oitenta e oito por cento
das pessoas estão sinalizando nesse sentido. Mandato de 5 anos sem
reeleição — 93%.
Eu quero dizer que nós, Parlamentares, vamos ter de representar a
vontade que se expressará nos debates, nas
manifestações.
Eu tenho também requerimentos, que estão sendo oferecidos, que
estão em sintonia com a proposta da nossa Comissão, exatamente no sentido
de consultar, dar oportunidade, mais uma vez, a que ouçamos, em especial,
essa proposta em relação às grandes entidades, como a OAB e a CNBB, dentro
desse projeto, que traz também um pensamento que talvez não seja
coincidente, um pensamento de muitos, que estabelece um
referencial.
Aqui muito sei falou da importância do tempo, mas não podemos nos
furtar a dar a maior amplitude possível ao debate.
Estamos sugerindo também que seja feito o que começamos a fazer
agora no dia 29. Na quinta-feira próxima — eu não vou estar presente —
haverá um encontro do Partido Progressista com Prefeitos, Vice-Prefeitos,
lideranças, Vereadores, no Rio Grande do Sul, do Partido Progressista, com
a presença da Senadora Ana Amélia. E essa pesquisa vai ser colocada para
todos os Líderes. Eu queria, neste primeiro momento, até para não me
estender, dizer que a estruturação que está sendo proposta aqui
atende.
Eu só queria fazer uma pergunta. Falou-se na possiblidade de se
distribuir, os temas em sub-relatorias — isso é possível? — ou em grupos
de trabalho ainda menores, para o aprofundamento de temas, para se
estabelecer uma sintetização e buscar essa objetividade — eu acho que esse
é o grande objetivo —, sem tirar, naturalmente, o esforço, a força e a
representatividade — é lógico, sob a coordenação do nosso
Relator.
Na primeira fala do primeiro dia aqui, eu me manifestei no sentido
de termos sub-relatorias. Lembro-me de que mais outras pessoas também
falaram. Eu entendo que pode colaborar para uma dinâmica de eficiência e
eficácia, em função do tempo.
Então, ou grupos, ou sub-relatorias, ou o conjunto dessas coisas
dentro dos temas, porque é grande a missão, há muita diversidade de temas
e o tempo é muito curto. Por exemplo: eu poderia apresentar vários
requerimentos, mas concentrei em um dos dois requerimentos a participação
das instituições, para ver bem como é essa proposta — eu vi que está
contemplada —, e a questão da coincidência de eleições. Eu elegi um dos
temas fundamentais entre tantos. E, se houver a formação de um grupo, ou
subgrupo, ou de uma relatoria, ou de uma sub-relatoria, poderíamos
aprofundar a dinâmica com responsabilidade. Nós poderíamos fazer esse
agrupamento de temas por afinidade, para colaborar, cumprir os prazos
regimentais de modo a oferecer ao País uma legislação moderna em relação à
reforma política.
Era isso. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Orlando
Silva.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Obrigado, Sr. Presidente.
Sr. Presidente, Sr. Relator, colegas, eu fui parcialmente
contemplado com as intervenções anteriores, mas quero insistir em um
adendo ao roteiro preparado pelo Deputado Marcelo Castro. Considero que é
um roteiro que procura, já de saída, refletir as preocupações da Casa, os
temas que foram objeto de polêmica e de discussão em processos
anteriores.
Mas eu considero, Deputado Marcelo Castro, que em um dos blocos de
temas apresentados, talvez o segundo, que não o financiamento e o sistema
eleitoral, talvez coubesse a inclusão, um pouco como disse a Deputada
Luiza Erundina, de um subtema, de um item para ser tratado: mecanismos de
participação da democracia direta. Isso porque a reforma política tem um
impacto no sistema eleitoral, no sistema de votação; terá um impacto
secundário, mas haverá um impacto sobre o sistema partidário brasileiro. E
eu considero que a ansiedade da sociedade brasileira é no sentido de
construir mecanismos em que o exercício do poder político tenha mais
legitimidade e haja maior identidade entre a sociedade e a sua
representação política, inclusive entre a sociedade e certas deliberações
de temas centrais da vida política nacional.
Por isso, eu considero que seria importante nós nos dedicarmos a
essa discussão, inclusive considerando que há na sociedade brasileira um
processo em curso de segmentos sociais que buscam construir um caminho do
plebiscito, independentemente da opinião de cada um de nós sobre a
oportunidade de uma constituinte exclusiva, ou um plebiscito sobre a
reforma política, ou mesmo sobre um referendo — eu vi que o nobre Relator
antecipou a sua posição na cartilha que distribuíram nesta tarde sobre a
inoportunidade dessa iniciativa. Independentemente da posição de cada um
de nós, é importante considerar que a democracia pode ser fortalecida com
a instituição de mecanismos de participação, mecanismos de exercício da
democracia direta.
Dessa forma, nobre Relator, seria oportuno nós criarmos esse
mecanismo, esse item no debate acerca da reforma política, de modo a
podermos também dialogar. Eu creio que vários colegas aqui se pronunciaram
no sentido de nós discutirmos com a sociedade civil e construirmos um
projeto de reforma política não enclausurado no Congresso Nacional, mas em
diálogo com a sociedade. Eu sinto que esse é sentimento do Relator.
Percebi, quando recebi os representantes da OAB e da CNBB, a disposição do
Relator de dialogar. Portanto, eu creio que é muito importante que essa
construção se dê desse modo.
Para concluir, como eu tenho sentido, nos discursos diretos dos
nossos colegas e nas bilaterais feitas entre um discurso e outro, certa
ansiedade quanto à conclusão desse processo, creio que tão importante
quanto nós termos capacidade de construir consensos é nós não atropelarmos
o processo. Ele não pode ser lento demais de modo que se inviabilize, nem
pode ser rápido demais de modo que atropele a necessária discussão para a
construção dos consensos. Não é razoável que a maioria, independentemente
de qual seja ela, circunstancial, imponha-se à minoria em função do ritmo.
Isso não seria democrático.
Por isso, eu sugiro que nós nos inspiremos no nosso Relator, que
tem tido uma atitude aberta, de construção de consenso, e tenhamos
paciência e serenidade. É a segunda vez que falo: é necessário construir
uma proposta de reforma política com serenidade, que seja representativa
do quadro do Congresso Nacional, mas que sirva como referência para a
sociedade. Daí a Deputada Luiza Erundina falar das mulheres; poderia falar
de outras minorias que não estão representadas no Parlamento. E essa
reforma, para tornar mais legítima a democracia brasileira, deve dar vez e
voz para que o nosso Congresso, o nosso Parlamento e os Parlamentos se
fortaleçam cada vez mais.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Moema
Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Inicialmente, eu gostaria de parabenizar o Relator por já
ter apresentado um plano de trabalho, preocupado que está com a
participação social. Acho que isso é muito importante. Isso reflete o
conceito de que essa reforma política efetivamente tem que ser a mais
próxima possível do que deseja a população. Nesse propósito, eu também
queria fazer uma ponderação com o Presidente e com os demais
membros.
Apesar de várias falas que eu ouvi de que esse assunto passou
muitos anos aqui em discussão, essa reforma política vai ser votada pelos
atuais Deputados. Mas nem todos os de agora participaram desses anos de
discussão aqui internamente. Daí a necessidade de darmos celeridade,
porque o povo também já está por muito ansioso para que aconteça a reforma
política, mas nem tanto que não nos permita fazer um debate aprofundado
como o tema requer. Daí porque eu me associo à fala do Deputado Jean
Wyllys, quando diz que não deve ter em momento algum a exclusão de
qualquer possibilidade de participação social. Acho que não foi essa a sua
intenção, Relator, mas eu gostaria de deixar frisado que em qualquer das
fases é necessário que nós possamos ouvir os movimentos
sociais.
Gostaria de fazer um adendo a essa primeira fase de audiências
públicas, somando-me à fala da Deputada Erundina, quando não se convida
aqui, em momento algum, entidade que tem tratado da questão de gênero. Já
apresento aqui um requerimento em que sugerimos convidar Patrícia Rangel,
doutora em Ciência Política pela Universidade de Brasília; Maria Betânia
Ávila, socióloga, coordenadora do SOS Corpo — Instituto Feminista; Lourdes
Maria Bandeira, professora titular do Departamento de Sociologia da
Universidade de Brasília; Guacira Oliveira, Diretora do Centro Feminista
de Estudos e Assessoria — CFEMEA; nossa Ministra Eleonora Menicucci, da
Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ou seja, mulheres que têm se
dedicado a estudar essa participação da mulher na política. Portanto,
teriam muito a contribuir neste processo de construção, além das mulheres
dos movimentos socais, que são muitas e que ainda não tiveram oportunidade
de serem ouvidas. Eu acho que isso é muito importante. Por isso, eu quero
apresentar esse requerimento. Ele obviamente se somará aos diversos
requerimentos que aqui estão para que nós possamos incluí-lo já nas
primeiras convocações.
Ainda em relação à sugestão a V.Exa. — já concluindo —, quando
V.Exa. disse que são duas semanas que estariam reservadas, eu quero crer
que, diante do volume de audiências públicas, duas semanas serão muito
pouco para que nós, em consonância com o trabalho técnico realizado,
possamos garantir a participação mais efetiva dos diversos segmentos e
entidades que tratam desse assunto. Portanto, eu acho que nós não
deveríamos fixar duas semanas. Nós deveríamos avaliar qual seria o tempo
necessário, a partir dos requerimentos e das audiências propostas, para
aí, sim, definir um momento.
Em relação ao grupo de trabalho ou à mesma Comissão que deva tratar
dos projetos de lei, eu sugiro que essa decisão — como V.Exa. mesmo propõe
—seja discutida amanhã, para que nós possamos nos organizar para
participar e, considerando que nós ainda vamos ter o trabalho da PEC e do
projeto de lei, que nós não marcássemos três reuniões semanais. Eu acho
que isso vai impedir-nos de um aprofundamento maior. Acho que nós temos
que dar celeridade, mas podemos fazer duas reuniões semanais e as outras
reuniões também do grupo que nós deveremos intercalar com essas reuniões.
São essas as nossas observações.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Margarida.
A SRA. DEPUTADA MARGARIDA
SALOMÃO - Sr. Presidente, Sr. Relator, cumprimento V.Exas. e quero dar
uma contribuição apenas tópica. Cumprimento também o Relator pela
qualidade do plano de trabalho. Feitos alguns ajustes eu penso que
dirigirá a nossa ação de forma muito adequada.
Eu apenas observo aqui que V.Exa. teve o cuidado, com relação ao
Tribunal Superior Eleitoral, de convidar o Presidente e o Procurador Geral
Eleitoral. Penso que também seja convidado o Presidente do Supremo
Tribunal Federal. Claro que
o Ministro Gilmar Mendes, sendo um
constitucionalista,
um intelectual destacado, pode ser convidado, como
pode ser convidado, por exemplo, o
Ministro Nelson Jobim e outros intelectuais que nós aqui entendamos que
possam contribuir com a nossa elaboração. De todo modo, não seria
apropriado que nesse caso, no caso do Supremo Tribunal Federal, nós
deixássemos de fazê-lo representar-se pelo seu
Presidente.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - As Deputadas estão cumprindo o prazo de 3
minutos; os Deputados, não. Eu peço que, a partir do Deputado Silvio
Torres, cumpram o prazo para que todos possam falar antes da Ordem do
Dia.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, vou ser bem pontual, cumprimentando o Relator
e V.Exa. Primeiro, eu quero deixar esclarecido que imagino que não é a
intenção do Relator e de nenhum de nós impedir que haja uma participação,
a mais expressiva de todas, por parte da sociedade civil organizada ou de
todos aqueles que se interessem. Caro Relator, volto a repetir que, nesta
primeira fase de audiências públicas, as pessoas e as instituições aqui
elencadas terão a liberdade de falar sobre todos os assuntos. Não vai
haver nenhuma restrição.
Quero sugerir também que, na segunda fase, em que V.Exa. contempla
os sistemas eleitorais e o modelo de financiamento, aqueles cientistas
políticos e outras personalidades que serão votadas depois para participar
tenham a mesma liberdade. Dessa forma, nós estaremos enriquecendo este
debate, especialmente naquilo que V.Exa. considera mais
importante.
Eu acompanhei, desde a primeira reunião, a sugestão do Deputado
Afonso Hamm. Quero reforçar com outra sugestão. Como nós estamos com essa
dúvida sobre como tratar dos assuntos subconstitucionais ou
infraconstitucionais, quero sugerir que possamos contemplar, em vez de um
grupo de trabalho, uma sub-relatoria para tratar desses assuntos com esse
mesmo corpo de representantes
dos partidos. Essa sub-relatoria poderia ter um trabalho em paralelo e
depois convergir para um relatório final de
V.Exa.
Finalmente, eu também quero fazer uma sugestão quanto aos debates
internos da Comissão sobre matérias do Bloco 1, que é o Item 5, em que
V.Exa. colocou um prazo estimado de duas reuniões. Eu gostaria de sugerir,
já que V.Exa. antecipou que tem condições de adiantar seu relatório, que
nós puséssemos as mesmas quatro reuniões, uma vez que são tão importantes
esses temas, o sistema eleitoral e os modelos de financiamento, que vão
exigir muita polêmica.
Finalmente, quero saber se V.Exa. contempla a ideia do referendo ao
final dos nossos trabalhos ou, como já disse o Deputado Orlando Silva, se
V.Exa. já antecipou uma posição sobre isso, segundo entendi, que não
estaria muito de acordo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Silvio, nós estamos votando o plano
de trabalho. A questão do referendo o Plenário vai aprovar ou não vai
aprovar. Aí já é uma questão do mérito. Ele pode propor ou
não.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - É que o referendo faz parte da PEC.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Faz parte da PEC inicial, mas o Relator tem
liberdade, felizmente ou infelizmente, para apresentar uma nova proposta
ou a mesma. Se ele não apresentar o referendo e for a vontade da maioria,
a maioria vai propor o referendo, que vai ser
aprovado.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, eu não estou questionando, só estou
perguntando ao Relator se ele tem ideia de encaminhar o
referendo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Só para a gente entrar no debate mais
técnico na hora adequada. Senão, a gente não termina o debate
aqui.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Não, eu não estou debatendo. Só estou perguntando se ele
poderia responder.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Marcelo, responda ao Deputado
Silvio Torres, se V.Exa. puder, claro.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Sem nenhuma dúvida, minha posição aqui, quero reafirmar mais
uma vez, é uma posição de abertura total a todos os assuntos, a todos os
temas. Apenas fiz um plano de trabalho em que tento organizar, ordenar o
debate, mas estaremos abertos para debater, discutir e inserir todos os
assuntos na nossa proposta. Não há nenhum assunto aqui proibido. Abertura
total!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o
Deputado Padre João.
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
- Presidente, também serei rápido, porque até já fui contemplado. Mas
vou insistir no bom senso do nosso Relator em relação ao Bloco 2.
Eu
não tenho dúvida nenhuma da legitimidade aqui da representação, mas a
própria Constituição já prevê também, já tem a abertura de uma democracia
participativa, de uma democracia direta. O próprio referendo e o
plebiscito servem para consultar o povo.
Acho que seria um erro nosso, talvez porque já estão escaldados
pelas demoras, por tanto tempo, acelerar tanto o processo. Acho que não
terá prejuízo nenhum de, também no segundo bloco, envolvermos a sociedade civil organizada. Eles são
tão competentes quanto nós. Nas propostas de iniciativa popular, esses
temas também estão sendo contemplados, foram levantados pela sociedade.
Eles têm o que dizer e o que
manifestar.
Então, acho que nós estaríamos errando. Por 1 ou 2 dias a mais,
cometeríamos esse erro com a própria sociedade civil organizada, que vem
contribuindo, pressionando e insistindo em querer de fato participar. É
mais em relação ao Bloco 2. Acho que a participação também da sociedade civil organizada é fundamental. Nesse sentido, eu faço um
apelo ao bom senso do nosso Relator e
reconsidere.
Por que não envolver alguns Governadores? Uma vez que os Vereadores
e os Prefeitos estão sendo envolvidos, podemos ouvir também alguma
representação da própria Presidenta.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Indio da
Costa.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Sr. Presidente, Sr. Relator, primeiro quero parabenizá-los
pela forma bastante simples e organizada que está sendo sugerida de
trabalho, o que facilita muito um bom resultado aqui nesta
Comissão.
Na nossa primeira reunião, eu dei essa sugestão das sub-relatorias.
Gostaria de dar uma sugestão ao Relator e ao Presidente quanto a esse
Bloco 1, Sistemas Eleitorais e Modelos de Financiamento de Campanha.
Parece-me que são os dois temas principais mais estratégicos, que vão
exigir não apenas um trabalho intenso da Comissão, mas cada um depois, na
sua bancada, no seu partido, também deverá consultar o que cada partido
deseja majoritariamente, até porque não adianta isso aqui ser votado só na
Comissão. Depois tem que ser aprovado pela maioria do Plenário, pela
maioria do Senado. Enfim, temos um processo ainda longo pela
frente.
Eu queria dar uma sugestão. A experiência desta Casa demonstra que,
quando a reforma é muito ampla, a gente acaba não conseguindo fazer
reforma nenhuma. Esses assuntos aqui são de fato todos estratégicos. Aqui
não há nenhum assunto que não seja importante. A sugestão que eu daria ao
Relator é que pudéssemos pegar os Itens 2.1 e 2.2... Há aqui, se não me
engano, 10 itens e mais os da Deputada Erundina, seriam mais 2 itens.
Então, dos que eu pesquei até agora, seriam 12 itens. Dariam 12
sub-relatorias desses assuntos que não são os
principais.
Os Itens 1.1 e 1.2 ficariam a cargo do próprio Plenário. Essas
sub-relatorias fariam um trabalho intenso com os Deputados que tiverem
maior interesse naquele assunto específico. Depois, submeteríamos essa
sub-relatoria ao Relator. Acho que, assim, vamos acelerar bastante o
trabalho e ter uma temperatura melhor do que a maioria se interessa aqui
por tratar, da opinião dos blocos a partir dos
assuntos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Rubens
Otoni.
O SR. DEPUTADO LINCOLN
PORTELA - Presidente, antes, por favor, só para registrar a minha
presença. O pessoal da Mesa pediu, porque eu não estou conseguindo... A
minha digital não está sendo coletada. E só para registrar a presença:
Lincoln Portela.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Já votaram por V.Exa.. Confundiram V.Exa.
com o Deputado Afonso. Então, V.Exa. já votou. A assessora confundiu
V.Exa. com o Deputado Afonso. Então, V.Exa. já votou.
O SR. DEPUTADO LINCOLN
PORTELA - Não, mas é só o registro da presença. Agradeço o voto. Peço
o registro da presença.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Rubens Otoni.
O SR. DEPUTADO RUBENS OTONI
- Sr. Presidente, já me sinto contemplado nas falas anteriores e
libero.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Evandro
Gussi.
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - Sr. Presidente, em primeiro lugar, eu quero cumprimentar o
grande trabalho que o Relator nos apresentou aqui, sobretudo nessa
cartilha que, embora no mérito possamos discordar em um ponto ou em outro,
tem a forma sistematizada não só para nós, mas também para a
população. Passa a ser um
documento muito inteligente e que vale a pena.
O segundo ponto é que o Relator vem com uma posição de busca de
consenso, ouvindo a todos. Acho que nada podia ser mais inteligente em um
tema como esse. Ao mesmo tempo, ele mostra uma posição, mas também
abertura para a conversa.
Eu acho que um ponto fundamental para que nós possamos construir
esse consenso é justamente evitar nomes. Muitas vezes, os nomes atrapalham
as essências e as conversas. Quando a gente fica falando: “Eu sou a favor de majoritário,
distrital ou não”, a gente perde a essência do problema. Então,
naquilo que pudermos, eventualmente, evitar nomes. Os nomes muitas vezes
dividem mais do que ajudam.
Uma coisa importante que eu ouvi aqui do Deputado
Milton Monti é que a sociedade
civil organizada está representada aqui, a sociedade se organizou no dia das
eleições para escolher os seus representantes.
É louvável e desejável ouvirmos todos aqueles que fazem parte de
determinada instituição e assim por
diante. Acho que esta Casa sempre estará aberta a isso, e o faremos com
espírito público.
Mas eu queria chamar a atenção para que nós valorizássemos aquela
pessoa, aquele homem e aquela mulher comum que, durante a campanha,
conversou com inúmeros candidatos e escolheu seu representante. Embora,
repito, devamos reconhecer, respeitar e ouvir aquelas instituições que
protagonizam alguns temas na sociedade, devemos, sim, garantir o direito e
a dignidade do homem comum, do cidadão que escolheu seus
representantes.
Esta Casa, na minha modesta opinião, jamais será capaz de
enclausurar temas, porque é uma Casa aberta, uma Casa construída a partir
do voto direto das pessoas. Aqui ninguém está por procuração de quem quer
que seja. Aqui só existem pessoas que foram eleitas pelo voto de homens e
mulheres. Então, esse é um ponto. Repito: aqui não vai crítica ao que
disse o Deputado
Jean Wyllys. Vamos ouvir todos aqueles que quiserem se manifestar de
maneira organizada, mas lembro que aqui, sim, está a democracia pelo
voto.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Arthur Oliveira
Maia.
O SR. DEPUTADO ARTHUR
OLIVEIRA MAIA - Sr. Presidente, Sr. Relator, Sras. e Srs. Deputados,
eu quero inicialmente parabenizá-los pela condução deste trabalho,
parabenizar o Relator Marcelo Castro pelo plano proposto. Quero dizer que
a nossa grande tarefa, o nosso grande desafio que se desfere e que
desferirá ou não o nosso trabalho nas Comissões anteriores é chegarmos ao
termo final com a aprovação de uma reforma política.
Obviamente, Deputado Marcelo Castro, o relatório que V.Exa. vai
apresentar não será capaz de agradar a todos. Obviamente, o relatório que
V.Exa. vai apresentar, quando for à votação, terá temas que serão
efetivamente acolhidos e outros não. Eu, pessoalmente, entendo — e não me
iludo — que nós teremos uma reforma política em alguns pontos. Não vamos
aqui conseguir tratar e modificar todos os pontos que estão sendo
discutidos neste momento, mas o nosso grande desafio é fazer o consenso,
fazer o consenso naquilo em que pudermos construir o consenso. Essa é a
noção que tenho dessa reforma política.
Portanto, penso que não devemos nos desapontar se não conseguirmos
construir uma reforma política que mude tudo aquilo que se pretende mudar,
mas teremos alcançado realmente uma grande vitória se conseguirmos aprovar
alguns temas, que sabemos todos...
Dentre os que me antecederam, acho que o Milton, não sei quem foi,
alguém apresentou algumas estatísticas de temas que têm aprovação maior do
colegiado. Acho que é isso que devemos buscar. Não fazer como da outra
vez, em que a vontade de alguns de querer impor temas minoritários impediu
que temas de consenso fossem votados; com isso, não avançamos nenhum
centímetro na construção de um modelo político que seja mais favorável à
nossa democracia.
Em relação à participação popular, quero dizer que realmente o
Brasil tem uma democracia relativamente jovem e recente e nós, sem sombra
de dúvida, deveríamos ter instrumentos para colher as informações
populares de maneira mais eficiente e permanente. Não apenas fazer, de
quando em vez, aqui, ali ou acolá, um plebiscito.
Eu penso, sim, que temos que nos debruçar sobre um modelo, uma
forma que, de maneira permanente, possamos ter o diálogo com a sociedade.
Mas isso não tem que ser necessariamente nesse projeto. Nesse projeto,
claro, como tantos outros das Comissões Especiais, como esta, vamos ouvir
alguns representantes
da sociedade civil organizada. Mas uma coisa é trazer para cá a sociedade
civil organizada e ouvi-la nos seus mais diversos segmentos, outra coisa é
a decisão, que caberá ao Plenário da Câmara dos
Deputados.
Agora não é sobre o tema da reforma política que temos que criar um
ambiente de participação popular, mas no conjunto das decisões desta Casa,
no dia a dia desta Casa. Essa permeabilidade não será criada aqui, na
Comissão da Reforma Política. É um tema que deverá ser enfrentado por nós
em outro momento. Isso não quer dizer, de maneira alguma, que não devamos
exaurir as possibilidades de ouvir e colher as propostas da
sociedade.
Finalmente, Sr. Presidente, de maneira muito objetiva, eu quero
fazer uma sugestão a V.Exa. Observei aqui, talvez, não diria uma falha,
mas um lapso. É o seguinte: V.Exa. coloca no primeiro bloco a decisão
sobre sistemas eleitorais. Esse sistema eleitoral, evidentemente, vai
envolver o voto distrital, o distritão ou o que quer que seja. Se for
acolhido, por exemplo, o distritão, automaticamente estará excluída a
possibilidade de coligações proporcionais.
V.Exa. coloca coligações proporcionais no segundo bloco, no 2.2,
Coligações e Eleições Proporcionais. Se, por acaso, o primeiro bloco
decidir pelo distritão, esse assunto já estaria vencido. Portanto, essa
discussão do segundo bloco se tornaria inócua. De sorte que eu proponho a
V.Exa. transferir
essa decisão de coligações proporcionais para o primeiro bloco, no qual
será tratada a questão do sistema eleitoral.
Para concluir, eu quero dizer que, em relação ao horário, nós temos
que também tomar uma decisão, Presidente Rodrigo Maia. Esta sala é da
Comissão de Constituição e Justiça. Nós estamos realizando as nossas
reuniões nas terças-feiras, a partir das 14h30min. No entanto, esse é o
horário da reunião da CCJ, um horário histórico, que certamente não será
modificado. Ademais, vários Líderes participam desta Comissão, e, nas
terças-feiras, também às 14h30min, acontece a reunião de Líderes. Muitos
terão, até os que não participam desta Comissão, interesse de aqui se
fazerem presentes.
Minha proposta é que, em qualquer outro momento, mas que não no
momento de terça-feira, 14h30min, seja a nossa reunião, até porque não
teríamos direito a este plenário. Acho que devemos ter realmente reuniões
marcadas dos blocos temáticos e reuniões do colegiado completo da
Comissão.
Muito obrigado. Parabéns pela condução do trabalho.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Obrigado, Presidente Rodrigo.
Nós temos prazo — e é bom que assim seja para tudo na vida —, mas
não podemos ter pressa no sentido de reduzir a riqueza deste debate. Temos
um mandato conquistado nas urnas a duras penas, alguns com muito dinheiro,
outros nem tanto. Mas quem fez campanha sabe como a política, no sentido
geral, anda desacreditada. O fato de termos sido eleitos não deve nos
iludir. O sentimento geral é de negação da política. Não sobra
ninguém.
A reforma política, que a gente estará discutindo aqui, em qualquer
dos seus itens, tem que estar carregada desse sentimento de resgate da
dimensão popular da política, ou seja, da política, e vou falar da Grécia
antiga, para não falar do
SYRIZA agora e acharem que estou sendo tendencioso —, a política como algo
constitutivo da cidadania, que está em profunda crise. Será que ninguém
percebe isso? Eu ouço cotidianamente, lá no nosso Rio de Janeiro do
Presidente desta Comissão, que a atividade política é degradante, lugar de
esperteza e roubalheira. Isso é o senso comum, que não é novo, mas que tem
se aprofundado. Então,
eu creio que o nosso trabalho — e os meios já são os fins em processo de
realização — tem que ser de reforma política desde já, ou seja, de
reencantamento pela política. Isso implica, sim, tendo prazo, mas sem
pressa que prejudique essa interlocução com representações da sociedade,
boas audiências públicas, de
conteúdo, debate aberto. É óbvio que até mesmo a questão do voto
obrigatório ou voluntário é algo que pode interessar mais à sociedade, não
só a questão do financiamento. Portanto,
quero reiterar — sei que alguns colegas já colocaram isso, e eu era
daqueles, como o Deputado Arthur Maia, que estava na reunião do Colégio de
Líderes, toda terça-feira, às 14h30min, mas tenho muito interesse aqui;
tenho um mandato também para exercer essa função — que a gente deve fazer
desse processo uma rediscussão com a sociedade. É claro que o nosso poder
de decidir não fica apequenado com isso, muito pelo
contrário. Aproveito
para convidar todos para um ato da Coalizão pela Reforma Política
Democrática e Eleições Limpas, amanhã, aqui ao lado, no Plenário 2, com a
presença do Presidente da CNBB e do Presidente Nacional da OAB. É muito
bom a gente ouvir esses segmentos todos para conseguir produzir um sistema
político que seja mais representativo, que seja algo em que se comece a
resgatar a confiança da sociedade, porque a gente não pode ter a ilusão —
quero repetir isso — e o sentimento de ojeriza à atividade política, que é
uma tragédia, porque abre espaço para toda sorte de autoritarismo,
aventureirismo e golpismo, e ele não livra alguém. Ele é generalizado.
Isso a gente ouve na rua a toda hora. Esse
trabalho importantíssimo — reputo como a Comissão mais importante deste
primeiro ano deste primeiro ano desta Legislatura — tem que tentar
interessar à sociedade, pela qualidade dos debates aqui e dos
representantes de entidades, sim, não é espaço para personalismo, que aqui
puderem vir convidados por nós. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - O Deputado Renato Molling tem a
palavra. O
SR. DEPUTADO RENATO MOLLING -
Queria parabenizar o Relator e o Presidente pela celeridade e pelo plano
de trabalho. Acho que essa reforma é justamente para melhorar a
credibilidade da política e dos políticos, e aí entra não só o
Legislativo, mas também o Executivo. Por isso, ressalto a importância de
fazermos a reforma e de não ficarmos enrolando 1 ano, 2 anos, como já
aconteceu. O povo não quer isso. Há
muito discurso aqui de que não se ouve a comunidade. Em nenhum momento,
foi colocado isso. Acho que toda a sociedade tem de ser ouvida. Foi
colocado no próprio plano de trabalho que ela vai ser ouvida. Parabéns
pelo plano! Parabenizo também o Presidente desta Casa, que colocou isso no
começo. Ficamos até quase meia-noite em uma votação para que a reforma
fosse iniciada logo, porque o povo brasileiro quer esta votação logo e que
as mudanças se deem rapidamente, porque nós só vamos melhorar a eficiência
na aplicação dos recursos públicos com a reforma, e a reforma tem que
acontecer. Cada
de um nós é um representante, foi eleito, tem mecanismos para ouvir as
pessoas, seus eleitores, através de entidades, fazer pesquisas. Eu acho
que é um tema que já está bastante
discutido. Então,
parabéns ao Relator por esse plano. Temos certeza de que o povo quer
celeridade, quer rapidez com eficiência, ouvindo toda a sociedade, mas
dentro de um organograma, para não acontecer, como já aconteceu, de nós
ficarmos enrolando 2 anos, 3 anos. É isto o que o povo não aguenta mais:
muita enrolação, muita conversa, sem resultado prático.
Muito
obrigado. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Afonso
Motta. O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Caro Presidente, caro Relator, eu queria, com a humildade de um novato,
de quem ocupa um mandato em um espaço público pela primeira vez na sua
trajetória pessoal, dizer que claro que essa é a reforma das reformas, e
nós vivemos um momento de um sentimento reformista generalizado na
sociedade. Mas, evidentemente, esse é um debate que se situa numa
conjuntura e numa dimensão muito maiores. Eu acho que todos nós, com a
responsabilidade de quem integra uma Comissão dessa dimensão, temos de
continuar atentos, como já foi dito aqui, colocando e participando e nos
expondo publicamente no debate maior sobre a vida institucional do nosso
País, que contempla não só a circunstância da reforma política, mas a
questão da governabilidade, a questão de um sistema presidencialista de
coalizão e multipartidário, que vem merecendo mais até do que uma crítica
política, vem merecendo a crítica mais severa da sociedade brasileira.
Também
me valendo da Grécia, eu gosto muito da expressão “entusiasmo”, porque
traduz exatamente a capacidade de transcendência do ser humano de estar intus, estar em Deus, e por isso
eu acredito que um desafio como esse é um desafio que pressupõe uma
atitude, uma dimensão e um direcionamento de transcendência. Eu acredito
muito na capacidade de quem vai liderar, e está liderando, esse processo.
Evidentemente, na nossa também, do nosso partido, o PDT, o partido do
Brizola, um partido do campo popular, onde nós realizamos o nosso debate.
Mas nós achamos que há uma necessidade muito grande de que a condução,
ouvindo a todos, respeitando a todos, respeitando as minorias, permita-nos
chegar a um termo final. Eu,
como novato, alguém que nunca ocupou um espaço público, me sentirei
extremamente frustrado se nós não chegarmos a bom termo. Eu acho que o bom
termo não é a conquista dos consensos. Eu acho que há questões em que nós
vamos obter consensos e outras questões em que nós vamos nos aproximar
daquilo que possa representar uma boa reforma política, uma reforma
política que não se resuma ao sistema do voto, ao financiamento de
campanha, mas uma reforma política que recupere o sistema político
nacional, porque é disso que nós estamos falando, de um sistema político
nacional que qualifique a política. Por isso, eu tenho a confiança muito
grande de que atitude não é só o povo que quer, o Brasil que precisa. Eu
acho que nós também, esta Comissão tem que querer muito realizar, claro, a
melhor reforma que nós tivermos a capacidade de fazer, mas tem que querer
realizar a reforma política que qualifique a vida política
nacional. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Os Deputados favoráveis à proposta do Relator permaneçam
como se encontram. (Pausa.) Aprovada. Pauta
de requerimento. A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Com ressalvas! O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com ressalvas, claro! O Relator não acha que só porque
ficamos ouvindo aqui não haja adendos e críticas a serem feitas.
Requerimento
nº 1, da Deputada Moema Gramacho e outros, que “requer a realização de audiência
pública para debater a Proposta de Emenda Constitucional nº 344/2013, e
apensadas, às seguintes entidades: Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil — CNBB, Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, União Nacional dos
Estudantes — UNE, Associação dos Magistrados Brasileiros — AMB, Central
Única dos Trabalhadores — CUT e dirigentes do Movimento Contra a Corrupção
Eleitoral — MCEE”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 2, de 2015, do Deputado Renato Molling, que “requer a realização de audiência
pública para discutir, no âmbito desta Comissão Especial, a unificação das
eleições, com os seguintes convidados: representante do Poder Executivo,
representante do Poder Judiciário, representante da Ordem dos Advogados do
Brasil — OAB, entidade representativa dos prefeitos, entidade
representativa dos vereadores”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
do Deputado Arthur Oliveira Maia, que “requer que seja realizada, nesta
Comissão, audiência pública para discutir a reforma política com o
seguinte convidado: Gilmar Ferreira Mendes, Ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE)”. Em
votação. (Pausa.) O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Sr. Presidente, tenho uma indagação ao Deputado Arthur Oliveira Maia.
S.Exa. não está mais aqui? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Não. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Por que o Ministro Gilmar Mendes? Eu tenho o maior interesse, inclusive,
de saber por que ele sentou em cima lá no julgamento da
inconstitucionalidade do financiamento empresarial, mas há Carmem Lúcia e
vários outros Ministros.... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Há outros requerimentos. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Mas no caso dele, especificamente, por quê? Ele é especialista em reforma
política? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Parece que sim. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Ele é especialista em….. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deve ser a posição.... O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Ele é especialista em outras coisas. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - E há outros requerimentos tratando de outros Ministros que
também serão convidados. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Eu ouvi aqui que o importante era a entidade não personalizar, não é? Mas
era só uma indagação. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - É verdade. Mas o Ministro Gilmar Mendes tem tratado desse
tema. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Não, Sr. Presidente! Gostaria de encaminhar. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Desculpe, Deputado! O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Sr. Presidente, com relação ao Requerimento nº 3, nosso partido gostaria
de fazer a inclusão de um nome. O Deputado autor não está presente, mas
nós gostaríamos de convidar o Dr. Jairo Nicolau, cientista também,
especialista em sistemas eleitorais, pesquisador da Universidade do Rio de
Janeiro. Nós gostaríamos de incluir esse nome. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado, esse requerimento foi apresentado após as 19
horas. Até para que a gente... O Deputado Marcos Pestana apresentou a
proposta do requerimento para o Jairo Nicolau. Eu acho que nós devemos
aprovar, para que tenhamos a ordem respeitada em relação a todos. Não foi
apresentado. Como já houve um requerimento apresentado, depois dos
requerimentos que foram apresentados no prazo estipulado, a gente pode,
por decisão da maioria, em votação nominal, aprovar os requerimentos
extrapauta. Como esse tema já está na extrapauta, pode ser uma decisão da
Comissão, ou votar na quinta-feira. O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Muito bem. Ele já tem convite formulado por outros
membros? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Por outros membros também. O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Muito bem, então eu subscrevo também, eu quero subscrever.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Está subscrito. Aprovado. O
Requerimento nº 4 “requer que seja
realizada, nesta Comissão, audiência pública para discutir a reforma
política com o seguinte convidado: José Antonio Dias Toffoli, Ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE)”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
o Sr. Arthur Oliveira Maia, que “requer que seja realizada, nesta
Comissão, audiência pública para discutir a reforma política com
representantes das seguintes entidades: Confederação Nacional da Indústria
— CNI, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo —
CNC, Confederação Nacional das Instituições Financeiras — CNF, Ordem dos
Advogados do Brasil — OAB e Força Sindical”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
do Sr. Zé Carlos, que “requer a
realização de seminários, para discutir e debater a Proposta de Emenda
Constitucional nº 344 e as respectivas proposições apensadas nos Estados
da Federação, que altera o art. 17 da Constituição Federal, condicionando
o acesso dos partidos políticos ao fundo partidário e ao uso gratuito de
rádio e televisão a prévia disputa eleitoral e à eleição de representantes
para a Câmara dos Deputados ou o Senado
Federal”. Em
discussão. (Pausa.) Em
votação. (Pausa.) Aprovado. O
SR. DEPUTADO ZÉ CARLOS -
Sr. Presidente, uma questão de ordem. Eu
só gostaria de reforçar o convite que foi feito a V.Exa. e ao Relator para
a participação desse evento no Maranhão, que está marcado para o
dia.... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Dia 13 de abril. O
SR. DEPUTADO ZÉ CARLOS -
Dia 13 de março. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Dia 13 de março. O
SR. DEPUTADO ZÉ CARLOS -
Dia 13 de março, sexta-feira, e convidar todos os Deputados que se
quiserem fazer presentes para essa discussão no
Maranhão. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Vamos encaminhar o convite a todos O
SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Sr. Presidente, tenho uma questão de ordem. Nós
estamos aprovando os requerimentos. Há vários nomes, e acredito que vá
haver outros. Ouvi aqui atentamente os colegas Deputados, mas fiquei muito
feliz com a fala do nosso Deputado Relator, Deputado Marcelo, quando disse
que vai cumprir o prazo. Eu acho que essa é a frase final, porque, nós
temos aqui na Casa, até para os Deputados novos — eu ouvi uma fala com
relação a isso da Deputada —, nós ficamos 2 anos fazendo audiências
públicas e reuniões em todas as Federações do Brasil. Isso há menos de 2
anos. Então, há material, uma fartura da opinião do povo, e a opinião
básica é: nós queremos que seja feita a reforma política.
Permita-me
dizer, Sr. Presidente, que é o meu segundo mandato, e eu fiquei todo feliz
quando fui indicado para fazer parte da Comissão Especial da Reforma
Política no mandato passado, e havia um Deputado experiente de quatro ou
cinco mandatos do meu lado, que disse: “Não se anime, não, que não vai dar
em nada! É sempre assim: no começo de mandato, a gente faz uma Comissão
Especial de reforma política, faz de conta que vai fazer, mas não vai
acontecer nada”. Então,
a primeira coisa de que a gente precisa ter consciência aqui — Deputado
velho, novo, ou jovem, não importa — é se nós, de fato, queremos fazer a
reforma política. Eu me nego a ficar aqui 2 horas, 3 horas, ouvindo,
dizendo que estamos aqui para fazer a reforma política, se não é para
fazê-la. Então, a gente está aqui com o propósito de fazer uma reforma
política. E,
para encerrar, a população está cheia e tem uma indignação completa não
com a política, nem com os políticos; é com os roubos, é com a corrupção,
é com o mau político. E aí também não adianta a gente dizer que a reforma
política vai resolver todas essas mazelas, porque não vai. É como a
reportagem que nós vimos, por exemplo, de Cuiabá, no Fantástico, domingo. Não há
reforma política que dê jeito naquilo, aquilo só polícia!
Então,
a gente não pode, também, criar a expectativa de que nós vamos atender
todo mundo, de que nós vamos resolver isso tudo. Não, nós estamos aqui
querendo, pelo menos, dar uma melhorada nesse sistema político perverso
que nós temos hoje. Se a gente fizer esse pequeno avanço, esse pequeno
degrau, eu acredito que nós vamos andar muito, assim como nós tivemos um
avanço muito grande quando aprovamos a Lei de Responsabilidade Fiscal, e
tivemos um retrocesso tremendo quando passamos a mão na cabeça de quem não
cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal no ano
passado. Muito
obrigado, Sr. Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu vou colocar em votação os
requerimentos. Se
alguém estiver contra os requerimentos, peça verificação. O que a gente
não pode fazer é reabrir o debate. Eu já aqui, de forma paciente, ouvi
todos os inscritos. Requerimento
do Deputado Padre João, que “requer
a realização de audiência pública para discutir a PEC 344-A, de 2013, que
trata da reforma política, com representantes das seguintes entidades:
Tribunal Superior Eleitoral; Supremo Tribunal Federal; Procuradoria Geral
da República; Ministério Público Eleitoral; Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil — CNBB; Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, Universidade
de Brasília — UNB; Central Única dos Trabalhadores; Movimento Nacional
Contra Corrupção e pela Democracia; Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral — MCEE; UNE — União Nacional dos Estudantes; Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura — CONTAG; Plataforma dos
Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político — INESC; Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra — MST; Campanha pelo Plebiscito Oficial da
Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político; e Associação
Brasileira dos Magistrados Procuradores e Promotores Eleitorais —
ABRAMPPE”. Em
discussão. (Pausa.) Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
8, do Deputado Victor Mendes, que “requer seja autorizada a realização
de encontro no Estado do Maranhão com o objetivo de debater com a
população local e autoridades a Proposta de Emenda à Constituição
344/2013, da Reforma Política, com os seguintes convidados: Ordem dos
Advogados do Brasil —OAB, Tribunal Regional Eleitoral — TRE, Associação
dos Magistrados, Ministério Público Federal, Assembleia Legislativa do
Estado, Federação dos Municípios do Estado do Maranhão — FAMEM,
Procuradoria Geral de Justiça, Central Única dos Trabalhadores — CUT,
Universidade Federal do Maranhão — Centro de Ciências
Sociais”. Eu
vou aprová-lo, mas tudo que gera despesa tem que ser aprovado pelo
Presidente da Câmara. Então, claro que precisamos, depois, pedir
autorização para que membros desta Comissão possam participar. O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Sr. Presidente, só o Rio Grande do Sul... Naturalmente, acho que outros
Estados vão querer também, não é? Nós pretendemos... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Nós não vamos fazer em todos. Nós vamos aprovar os
requerimentos, e, depois, nós vamos organizar algumas audiências nos
Estados, porque senão, aí não são 40 sessões, são 40 anos para a gente
terminar. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 9, do Deputado Afonso Hamm, que “requer a realização de audiência
pública na Comissão Especial da Reforma Política para debater com
representantes da Ordem dos Advogados do Brasil — OAB e a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil — CNBB sobre o projeto de iniciativa popular
da Coalização pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”.
Em
discussão. (Pausa.) Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 10, do Deputado Cesar Halum, que “requer seja convidado o Sr. Ministro
Marco Aurélio Mello para, em audiência pública, debater a posição do
Supremo Tribunal Federal em relação à cláusula de
barreira.” Esses
do Supremo nós vamos aprovar, e depois nós vamos discutir com o Supremo,
de fato, qual é a posição deles em relação à participação nesta Comissão
também, para que não fiquem todos os Ministros vindo a esta
Comissão. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 11, do Deputado Afonso Hamm, que “requer a realização de audiência
pública na Comissão Especial da Reforma Política para debater sobre a
coincidência das eleições e o fim da reeleição para cargos do Executivo,
tendo como convidados representantes da Confederação Nacional dos
Municípios e União de Vereadores do Brasil”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 12, de minha autoria, que “solicita a realização de audiência
pública, com a presença do Dr. Renato Beneduzi, para debater a proposta de
reforma política.” Esse
requerimento é para discutir Direito Comparado com o sistema brasileiro,
para que a gente possa ter uma noção de outros modelos em relação ao
financiamento, em relação a sistema eleitoral. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
nº 13, de 2015, do Sr. Rodrigo Maia, que “solicita a realização de audiência
pública com a presença do Sr. Maurício da Costa Romão, Ph.D. em Economia
pela Universidade de Illinois e autor de diversos livros na área
eleitoral, para debater a proposta de reforma
política”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. E
o último requerimento, do Deputado Chico Alencar, que “requer que seja realizada reunião de
audiência pública com representantes das seguintes entidades: Via
Campesina; Instituto de Estudos Socioeconômicos — INESC; e Intervozes
-Coletivo Brasil de Comunicação Social”. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Nós
temos itens extrapauta. O
que diz o Regimento? Esclareço aos Deputados de primeiro mandato que teria
que haver a assinatura de um terço dos membros e teria que haver votação
nominal por maioria. Mas eu também não acho que a nossa Comissão precise
disso. Se for por decisão de todos, se ninguém se posicionar contra os
requerimentos, a gente pode, nesse primeiro dia, abrir uma exceção e
aprovar esses últimos 3 requerimentos, para que o Relator, depois, com a
Mesa, possa começar logo o trabalho de audiências
públicas. Requerimento
do Deputado Marcus Pestana, que “solicita sejam convidados o Professor
Jairo Nicolau — Dr. em Ciência Política do IESP/UERJ; Professor Rubem
Barboza — Dr. em Ciência Política pelo IUPERJ e Professor titular da UFJF;
e o Dr. Carlos Caputo — ex-Ministro do TSE”. Estão
todos de acordo? O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Sr. Presidente, peço que seja subscrito o meu nome. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Subscrito pelo Deputado Sandro Alex, junto com o Deputado
Marcus Pestana. Todos
os 100% aqui, todo mundo de acordo? Então aprovado. Requerimento
da Deputada Raquel Muniz, que requer “a realização de audiência pública
para discutir mecanismos que promovam a maior participação e
representatividade feminina no processo político eleitoral
nacional”. Acho
que é um tema que a Deputada Erundina colocou, entre
outros. O
SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Na verdade, não vai ter essa audiência. Vamos ter que juntar tudo isso em
4 audiências, que é a proposta. É isso, Sr. Relator? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Depois a gente vai discutir isso. Eu também não sou a
favor de... Na minha opinião pessoal — se a maioria for a favor —, reunião
com 10 pessoas, 15 pessoas, é só para fingir que está fazendo audiência
pública. Fazer 3 dias por semana, 4 vezes por semana, é uma decisão nossa.
É uma decisão nossa se a gente quer ouvir as pessoas, ou a gente não quer
ouvir. E o prazo são 40 sessões. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. Requerimento
da Deputada Moema Gramacho, que “requer realização de audiência
pública para debater a Proposta de Emenda Constitucional nº 344, de 2013 e
apensadas, que altera o art. 17 da Constituição Federal, condicionando o
acesso dos partidos políticos ao fundo partidário e ao uso gratuito de
rádio e televisão a prévia disputa eleitoral e à eleição de representante
para a Câmara dos Deputados ou o Senado
Federal”. Acho
que já tem um parecido. Em
votação. (Pausa.)
Aprovado. E
o último, meu, a pedido do Deputado do meu partido no Pará, que “requer a realização de mesa-redonda,
na cidade de Belém, no Estado do Pará, com a finalidade de debater e
recolher contribuições para aperfeiçoar a PEC 344, de 2013, objeto desta
Comissão Especial”. É
de minha autoria, a pedido do Deputado. Em
votação. (Pausa.) Aprovado. O
Sr. Relator quer dizer alguma coisa? O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA -
Uma questão de ordem, Sr. Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Sim. O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA -
Não é do Regimento que há a possibilidade de qualquer membro da Comissão,
no seu Estado, promover? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Claro, com certeza. O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA -
É regimental? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Isso poderá ser feito. Mesa-redonda não tem problema
nenhum. O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA -
Então, promove, atende ao Regimento, atende à iniciativa. O
SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Deputado, é que tem a questão orçamentária. Para fazer, tem
custos. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - São duas questões. Uma é a nossa presença em outros
Estados. Outra é o Deputado do seu Estado, com o suporte da Comissão, que
ele possa fazer o debate e trazer as sugestões. Sobre isso, não há nenhum
tipo de... O
SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO RÊGO - Sr. Presidente, só para
esclarecer, foram aprovados requerimentos para a realização de
mesas-redondas em alguns Estados. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Isso. O
SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO RÊGO -
Esse procedimento se dará com aqueles que ainda pretendam fazer? Ou é
desnecessário? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu aprovei porque foi ele apresentado, e eu não quis
deixar de votar nenhum requerimento. Mas acho que nós podemos, daqui para
a frente, sentar e fechar um planejamento do que a gente quer
fazer. O
SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO RÊGO
- Sem a necessidade de requerimento? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Sem necessidade de requerimento. Eu acho
que... O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Sr. Presidente Rodrigo, eu estava inscrito aí. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Tem um aqui para todos os Estados. O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Sr. Presidente, só para colaborar... A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Presidente, V.Exa. tem que garantir o acesso. Só quem fala mais
alto... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - V.Exa. tem razão. Deixe só ele
terminar. A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Eu gostaria de fosse respeitada. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Os requerimentos foram aprovados
extrapauta. A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Não, porque eu sou disciplinada, mas... O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Só uma colaboração — vou falar mais baixo, então, aqui. Eu acho que a
integração com as assembleias legislativas é o melhor caminho. Nós temos
experiências de audiências públicas que fizemos na preparação da Copa do
Mundo, em várias instâncias. Esse é um tema que chama, ele é recorrente.
Inclusive, eu até tinha pedido a palavra antes um pouquinho, porque, na
verdade, é um novo momento. Esse é o momento da votação, que o País
deseja. Ele passa por toda essa tempestade, ou esse furacão, e vai ter
tempo bom. Mas ele depende exatamente dessas iniciativas. Então, nós
realmente precisamos fazer. E também tem um definidor: o Presidente
Eduardo Cunha deu essa autonomia, estabeleceu meta e tem sido pragmático.
Essa é a diferença que existe em relação a outros momentos, e a nossa
disposição de abrir mão da postura, até mesmo pessoal, da ideia, da
iniciativa e buscar o que se propõe do ponto de vista
amplo.
Só finalizando a questão de utilizar as audiências, por exemplo,
somos vários Parlamentares do Rio Grande do Sul. Nós vamos nos organizar,
com a inclusão dos demais que não fazem parte da Comissão, fazer interação
com a Assembleia Legislativa e propor um debate, no momento oportuno.
Imagino que isso possa ser feito em todo o País e vai dar dimensão e
capilaridade.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Já começou a Ordem do Dia.
Vou passar a palavra à Deputada, para ao Relator, e vamos encerrar
a sessão.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Sr. Presidente, eu tive a acuidade de ler cada
requerimento. Eu acho que nós temos coincidência de convites a
personalidades ou a temas.
Sugiro, dentro da razoabilidade, não limitarmos a quatro
audiências, e também não dizer que são inúmeras, indefinidas. Cabe fazer
uma sistematização...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - É isso que nós vamos
fazer.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - ... e propor que sejam realizadas por temas ou por
personalidades que estejam no mesmo nível de
intervenção.
É a sugestão que eu queria dar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Sandro Alex, só um
minuto.
O SR. DEPUTADO SANDRO ALEX
- Sr. Presidente, para finalizar com o nosso Relator Marcelo Castro,
quero só fazer um comentário sobre uma declaração, dada neste momento, do
Ministro Gilmar Mendes, que disse não caber a ele nem ao STF realizar
reforma política; que isso cabe ao Congresso.
É claro que nós vamos ouvir toda a sociedade, mas a decisão de se
fazer reforma política sairá pela vontade e pelo voto das Sras. e dos Srs.
Deputados.
Que fique esse registro na nossa primeira
sessão.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. DEPUTADO ALAN RICK
- Sr. Presidente, serei muito breve.
Quero dizer às nossas e aos nossos companheiros sobre o estímulo
que me trouxe, por sugestão dos nossos companheiros do PMDB, de poder
participar dessa reforma política, tão ansiada por todos. Eu quero sair
desta sala com essa mesma disposição, em que pese carregar conosco uma
série de interrogações.
A mim me parece, Sr. Presidente, para dirimir uma dúvida, até para
que saibamos se vamos, ainda esta semana, ter outra reunião —
provavelmente na quinta-feira ou na próxima —, para que nos seja dado a
conhecer aquilo que ficou acordado entre V.Exa. e o nosso querido Relator
Marcelo Castro — que vão conversar com o Deputado Eduardo Cunha, porque
muito dependerá dessa divisão entre matérias que estão afeitas à Carta
Magna e às em seara infraconstitucional. Então, seria muito importante
que, ainda esta semana, nós soubéssemos e tomássemos conhecimento para
que, a partir da próxima, já façamos essa divisão de
sugestões.
Muito grato.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Leônidas
Cristino.
O SR. DEPUTADO LEÔNIDAS
CRISTINO - Sr. Presidente, eu queria fazer uma pergunta depois ao
Relator. Mas, antes, como Deputado novato, eu só queria deixar um ponto
bem claro. Em toda sessão em que eu participo, falam: “Os Deputados novatos, os Deputados
novatos.” Parece que a gente nunca debateu isso. Quem não debateu
reforma política, não chegou aqui. Então, vamos acabar com essa história
de que Deputado novato não pode votar nada, Deputado novato tem que
esperar, Deputado novato tem que conhecer. Deputado novato conhece tanto
quanto os Deputados que estão aqui; às vezes, até mais. Então, quero
deixar bem claro que Deputado novato não é menor do que qualquer outro.
Sr. Relator, na primeira sessão, o Deputado Indio da Costa, do meu
partido, propôs, até pelas suas divisões de temas, trabalhar com
sub-relatorias. Ainda agora, alguns Deputados também comentaram o assunto.
Então, eu acho que é uma decisão do Relator. Só para deixar claro: vamos
poder trabalhar com sub-relatorias, talvez para apressar mais, ou
não?
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Átila Lins, concedo-lhe apenas 30
segundos.
O SR. DEPUTADO ÁTILA LINS
- Sr. Presidente, os últimos serão os primeiros.
Apenas para dizer, Sr. Presidente, que nós vamos também, lá no
Amazonas, organizar uma mesa-redonda e trazer as sugestões para o nosso
Relator.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Ótimo.
O SR. DEPUTADO ÁTILA LINS
- Nós já temos uma ideia de que, efetivamente, se não houver
celeridade nos debates por parte do Relator — nós verificamos, com a
aprovação do requerimento, que há muitos requerimentos parecidos,
idênticos —, que haverão de ser travados, isso vai demandar muito. Nós
temos experiência de que quando se demanda e quando se debate muito,
efetivamente a reforma e as alterações tendem a não
acontecer.
De forma que eu acredito que o nosso Relator, pela sua experiência,
pela sua vivência...
Eu queria até sugerir, na busca e na ausência de consenso, irmos a
voto.
Eu me recordo, Sr. Presidente, para concluir, que nós fizemos aqui
uma reforma do Judiciário, e ela foi fatiada. Nós aprovamos aquilo que a
maioria foi favorável; depois, a outra parte da reforma ficou para
posterior, subsequente momento, e até hoje não saiu essa segunda parte.
De forma que nós poderíamos aproveitar aquilo que é consenso,
aquilo que é possível e fazermos a reforma que realmente o povo brasileiro
está a exigir de todos nós.
Muito obrigado pela atenção de V.Exa.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Relator.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Eu gostaria de falar aos companheiros aqui da Comissão sobre
essa cartilha que eu apresentei.
A maneira de apresentar essa cartilha, tratando dos diversos
assuntos da maneira mais resumida possível, foi porque, quando eu escrevi,
saíram 22 laudas. Eu pensei comigo: “Ninguém vai ler”. Aí, resumi ao
máximo. Depois, eu fiquei com a sensação de que havia resumido demais. Mas
a finalidade dessa cartilha não é de induzir ninguém a votar com o
Relator. É mais uma maneira de dizer aos membros desta Comissão que o
Relator está jogando limpo. Não tenho nenhuma carta escondida na manga e
nem procuro atingir nenhum objetivo que não seja o de melhorar o nosso
sistema eleitoral.
Então, o que eu vou relatar pode ser tudo contrário do que está
aqui. V.Exas. é que vão dizer como querem a reforma eleitoral do nosso
País. Agora, eu me senti no dever de dizer o que eu penso de uma maneira
clara, transparente, correndo o risco de ser muito criticado, mas de
maneira corajosa e verdadeira. Por exemplo, eu digo aqui, com todas as
letras, que sou contrário a referendo e a plebiscito, temas tão caros a um
segmento importante da sociedade. E digo a razão por que sou
contrário. Não quer dizer que
eu não relatarei se esta Comissão decidir pelo plebiscito ou decidir pelo
referendo. Mas aqui ninguém vai dizer: “Ah! O Deputado estava com segundas
intenções.” Não. Está tudo claro, de maneira expressa, bem nítida, com
a experiência que eu acumulei ao longo dos tempos
aqui.
Outra coisa, só para reforçar aquela ideia da necessidade de nós desarmarmos o
nosso espírito: na legislatura passada — acredito que deverá ser mais ou
menos na legislatura presente —, eu fiz uma pesquisa entre os Deputados,
no plenário — escrevi, eles me responderam —, sobre todos os sistemas
eleitorais em discussão. Resultado: todos os sistemas eleitorais tiveram
mais votos contra do que a favor. Conclusão: o Plenário da Casa, da Câmara
dos Deputados, é contra todos os sistemas eleitorais e não é a favor de
nenhum sistema eleitoral, nem o atual, nem os novos, nem os existentes,
nem os inventados. Conclusão disso aí: qualquer reforma eleitoral que
venha pregar um tipo de sistema eleitoral, uma postura de um partido, de
uma pessoa, por mais ilustre que seja, estará fadada à derrota, como foram
as outras.
Ou nós nos entendemos no mínimo daquilo que julgarmos essencial
para avançarmos, para aperfeiçoarmos o nosso sistema eleitoral, ou nós não
chegaremos a lugar nenhum. Ninguém sairá vitorioso desta Comissão. Ninguém
pense que a sua vontade vai prevalecer. Se não houver esse espírito
desarmado, para nós chegarmos a um consenso, para melhorar o nosso
sistema, nós estaremos aqui, como disse um colega, somente perdendo o
nosso tempo. Mais uma vez, perdendo o nosso tempo.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tenho que ler uma parte
burocrática:
“Esclarecimento quanto aos
seminários externos.
Serão designados Coordenadores dos seminários externos para cada
Estado. Os Coordenadores ficarão responsáveis pela organização do evento
no Estado e por trazer registro escrito do que foi tratado no seminário,
para constar dos autos da Comissão.
Os eventos externos dependem de autorização da Presidência da Casa.
Por isso, solicito que os Coordenadores encaminhem, com antecedência de
uma semana, dados do local, programação e convidados.
Procurem a Secretaria da Comissão para mais
detalhes.
Na reunião seguinte ao evento, o Coordenador fará um breve registro
sobre as conclusões do evento.”
Nada mais havendo a tratar, convoco reunião de audiência pública
desta Comissão para a próxima terça-feira, às
14h30min.
Está encerrada a reunião.
(Conversas fora do
microfone.)
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