Veja abaixo as perguntas que foram respondidas pelo deputado Marcelo
Itagiba (PMDB-RJ), relator de 21 propostas de emenda à Constituição
sobre maioridade penal, e também as críticas feitas
pelos internautas. Para facilitar o entendimento, o bate-papo está
dividido em três blocos: legislação e impunidade,
sistema penitenciário e educação.
Legislação e impunidade
(10:04) Gustavo: Deputado, o senhor, pessoalmente, é a
favor ou contra a redução da maioridade penal?
(10:06) Dep Marcelo Itagiba: Gustavo, sou a favor da redução
da maioridade penal, desde que sejam avaliadas as condições
de cumprimento da pena pelos infratores menores de 18 anos.
(10:08) Gustavo: A q condições de cumprimento da
pena pelos infratores menores de 18 anos o senhor se refere?
(10:11) Dep Marcelo Itagiba: Gustavo, me refiro ao estabelecimento
de sistemas penitenciários adequados e próprios
para menores infratores.
(10:04) Adriana: Deputado, a razão de o crime estar desenfreado
no País não é a maioridade penal aos 18 anos,
mas sim a certeza da impunidade e o excesso de recursos judiciais,
como habeas corpus, redução de pena, liberdade condicional,
progressão de pena. O senhor não concorda que reduzir
a idade penal sem garantir a punição não
leva a nada?
(10:37) Dep.Marcelo Itagiba: Adriana, eu acredito que todas as
medidas sugeridas devam ser discutidas. Os recursos fazem parte
do Direito, e, muitas vezes, corrigem injustiças. Quando
se discute a questão do menor, é preciso levar em
consideração que aqueles que praticam algum crime
não podem ficar imunes à ação do Estado.
Se nós imaginarmos que um jovem de 17 anos mate 10 pessoas
a tiros dentro de uma escola, e só ficará preso
três anos, alguma coisa também está errada.
Por isso, temos que discutir essa questão da maioridade,
não de forma dogmática, mas de forma jurídica.
(10:07) Gustavo: Deputado, hoje, as crianças com menos
de 12 anos são inimputáveis. Alguma das PECs que
o senhor relata, além de abaixar a maioridade penal, trata
do que deve ser feito com infratores dessa idade? Em caso negativo,
o senhor não poderia apresentar algo nesse sentido em seu
substitutivo?
(10:14) Dep. Marcelo Itagiba: Prezado Gustavo, uma criança
com menos de 12 anos a princípio não teria nenhuma
condição de responder pelos seus atos. Embora essa
idade seja a que divide crianças de adolescentes, ela foi
determinada de forma aleatória. É um critério
que se adotou. Para o menor de 12 anos, já há uma
série de medidas previstas no Estatuto para protegê-lo,
recuperá-lo, tirá-lo do caminho do crime e inserir
os seus responsáveis no seu processo de recuperação.
(10:12) Gustavo: o senhor acredita que será possível
abaixar a maioridade penal para menos de 16 anos?
(10:29) Dep Marcelo Itagiba: Gustavo, eu não acredito
na redução da maioridade penal para menos de 16
anos. Dezoito anos é um marco discricionário estabelecido
pela lei. Em outros países, esse marco varia compreendendo
idades de 14, 16, 12. Aqui no Brasil, também já
foi 9, 12 e 14 anos. Acredito que o jovem de 16 anos da década
de 40 não é mais o jovem de 2007. Acredito também
que com 16 anos hoje o jovem tem discernimento e já pode
ser responsável pelos seus atos. Com 16 anos, no Brasil,
o jovem já pode escolher vereadores, deputados, senadores,
governadores e presidente da República, logo acredito que
ele também já possa assumir a responsabilidade pelos
seus atos, devendo inclusive poder ser autorizado a dirigir automóveis.
(10:15) Gustavo: o que o senhor acha de o juiz ter o poder de
analisar, caso a caso, se o menor deve ou não ser punido,
como ocorre em outros países?
(10:26) Dep.Marcelo Itagiba: Gustavo, o juiz analisar se o menor
deve ou não ser punido, caso a caso, é uma proposta
que também pode e deve ser discutida. Mas eu acredito que
talvez fosse mais benéfico que esse exame também
viesse a ser feito quando do término da pena, chamado exame
criminológico, para saber se o menor está apto a
ser reinserido na sociedade.
(10:17) Valdi: Parabenizo o Senhor por este momento aqui proporcionado.
Saiba que milhares de brasileiros apóiam sua iniciativa.
A maioridade penal deve, sim, ser revista, mas como bem frisou
a amiga ADRIANA, devem ser revistos também o excesso de
recursos judiciais e a impunidade, maiores responsáveis
pela deplorável situação em que se encontra
o País.
(10:32) Dep.Marcelo Itagiba: Valdi, concordo inteiramente com
a sua posição. A impunidade é um dos fatores
que geram a insegurança que o País vive. Os processos
judiciais devem ser mais céleres, dando a certeza de que
para cada ato ilegal praticado existe uma reprimenda por parte
do Estado brasileiro. Acredito ainda que o exemplo deve vir de
cima e as punições mais graves devem ser infligidas
àqueles que praticam o crime de corrupção,
principalmente para aqueles que são detentores do poder.
(10:17) Claudio: o senhor acha que, no caso da maioridade penal
não ser modificada, os pais deveriam ser responsabilizados
de alguma forma pelos atos dos filhos?
(10:33) Dep.Marcelo Itagiba: Claudio, a pena não deve
ultrapassar a pessoa do infrator, embora medidas no âmbito
do Direito Civil podem e devem ser tomadas contra os responsáveis
pelos menores infratores.
(10:26) Geórgia: Qual PEC o senhor acha, deputado, que
passará pelo CN? E de que forma o senhor acha que essa
modificação melhorará a agravada situação
da violência no País? Temo, na verdade, que essa
medida "emergencial" recaia no que ocorreu com a lei
dos crimes hediondos, que, ao meu ver, não diminuiu a violência
em nada.
(10:42) Dep.Marcelo Itagiba: Geórgia, primeiro nós
temos que discutir se essa cláusula constitucional é
pétrea ou não. Vencida essa preliminar, teremos
que verificar qual é a melhor legislação
infraconstitucional para tratar a questão. A redução
da maioridade não é uma solução para
a violência, é apenas o reconhecimento da capacidade
de o jovem de 16 anos ter o discernimento do ato ilegal que praticou.
A questão da violência está ligada à
desigualdade social no País, à falta do crescimento
econômico, à miséria, à pobreza e principalmente
pela total falta de educação que leva à perda
de valores éticos e morais por parte da sociedade. Na minha
campanha, utilizei a seguinte frase: "Lugar de criança
é na escola e lugar de bandido é na cadeia",
pois, quanto mais crianças nós tivermos na escola
em período integral, menos pessoas teremos que colocar
atrás das grades.
(10:26) Heitor Bonfim: Dep Marcelo Itagiba, peço que os
sonhadores da Câmara dos deputados acordem, esqueçam
essa CPI de apagão aéreo e votem as leis para prender
os bandidos que nos matam, e façam um acordo de extradição
com os EUA.
(10:36) Dep Marcelo Itagiba: Heitor Bonfim, fico feliz que jovens
se preocupem com o cenário que hoje vivemos no Brasil.
A nossa prioridade no Congresso Nacional é legislar em
prol da segurança pública e, para isso, somos relatores
de vários projetos importantes. Entre eles, a diminuição
da maioridade penal. Quanto a acordos de extradições,
faz-se necessária uma ampla discussão, que vai começar
na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa
Nacional.
(10:26) dias: Vc não acha que a impunidade com a qual
o Parlamento e o Judiciário são complacentes não
ajuda a proliferar os crimes no País? Veja só o
deputado Augusto Farias, vai voltar tranqüilo para a Câmara.
(10:43) Dep. Marcelo Itagiba: Prezado Dias, a questão
de um determinado parlamentar voltar é legal (ou seja,
ele pode voltar se houver respaldo para isso). Seria interessante
assegurar que a Justiça fosse mais célere para que
a sensação de impunidade não fosse cada vez
maior.
(10:26) acuado pela violenci: Bom dia a todos... concordo com
a ADRIANA.. a certeza da impunidade, com os milhões de
recursos judiciais etc... é que garante aos bandidos..
de todos os niveis.. menores e maiores... de colarinho branco...
etc... a certeza que podem fazer o que quiserem e não serão
punidos...
(10:27) Gustavo: como o senhor pretende enfrentar o lobby das
ONGs contrárias à redução da maioridade
penal?
(10:43) Dep.Marcelo Itagiba: Gustavo, eu não pretendo
enfrentar o lobby das ONGs contrárias à redução
da maioridade penal. Eu pretendo apresentar um relatório
jurídico sobre a questão, esperando que o senso
comum da Câmara dos Deputados sinta junto às suas
bases o desejo da população.
(10:28) acuado pela violenci: ..deveria sim... haver uma CPI
das ONGs...
(10:29) acuado pela violenci: ..o povo brasileiro é mesmo
disperso e desunido.. essas ONGs são minoria na sociedade
e mesmo assim conseguem impor seus pleitos no congresso.. vamos
acordar...vamos pras ruas...
(10:29) Valdi: Não há nada de mais em reduzir a
maioridade penal no País. Não sejamos tão
radicais em incluir crianças de 12 anos. São crianças.
Mas a partir dos 14 anos, já podemos sim pensar, e muito,
no assunto. Os últimos acontecimentos que temos acompanhado
pela mídia foram protagonizados por "menores"
irresponsáveis. Por ser de 16 anos, estes menores não
estão isentos de responder civil e criminalmente por suas
irresponsabilidades. Infelizmente.
(10:46) Dep Marcelo Itagiba: Valdi, a Câmara está
discutindo nesta legislatura 21 propostas de emenda à Constituição
(PECs) que prevêem, entre outras coisas, a redução
da maioridade penal. Algumas delas apresentam a redução
para 16 anos, outras para 14 e outras ainda para 12 anos de idade.
Apesar de achar, particularmente, que a maioridade penal deveria
ser aos 16 anos, o tema demanda discussão. Inclusive, na
próxima quinta-feira, a Comissão de Constituição
e Justiça realizará uma audiência pública
acerca do tema.
(10:29) Beatriz: A Convenção Internacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente, que o Brasil ratificou
em 1990 diz que nenhuma pena igual ou maior que a dos adultos
pode ser aplicada a adolescente e crianças. A idade prevista
nessa convenção é zero a 12 criança
e 12 completos a 18 incompletos, a mesma do ECA. Como o Brasil
vai se apresentar para ser membro permanente do Conselho de Segurança
da ONU descumprindo a Convenção no caso da redução
da idade?
(10:46) Dep.Marcelo Itagiba: Beatriz, o Brasil não estará
descumprindo nenhum desses dispositivos, pois não pretende
impor à criança nenhuma pena superior àquela
infligida aos maiores. Vários países da Europa,
também signatários, aplicam o sistema repressivo
penal aos menores de 18 anos. Como exemplo, podemos citar Portugal,
Inglaterra, Bélgica, etc.
(10:49) Beatriz: deputado, a Inglaterra é signatária
mas não ratificou a convenção. O Brasil ratificou,
sabia?
(10:54) Beatriz: deputado, os países que o sr. citou,
exceto a Inglaterra, têm justiça especializada, fora
da justiça dos adultos, assim como no Brasil. autorizar
a idade de 16 anos é permitir que tenham pena igual ou
superior à dos adultos, desrespeitando a Convenção
Internacional que o Brasil ratificou.
(11:11) Dep.Marcelo Itagiba: Beatriz, não concordo com
você que baixar a maioridade para 16 anos seja uma violação
de acordos internacionais. Até porque não estaria
simplesmente definida a forma de punição ao autor
de crime aos 16 anos. Por exemplo, parte da pena poderia ser cumprida
em estabelecimento próprio para menores e parte da pena,
se não tiver havido recuperação desse criminoso,
em estabelecimento para adultos quando esse atingisse a maioridade
de 21 anos. Tudo poderia depender de uma avaliação
criminológica que se fizesse do autor do crime. Não
acredito que a solução seja apenas a da redução
da maioridade penal, acredito sim que existe a necessidade de
responsabilizar aquele que tem consciência do crime praticado.
Não me parece justo, como já disse anteriormente,
que, por exemplo, um rapaz de 17 anos entre em uma escola e mate
várias pessoas e só fique detido por um período
máximo de três anos. O que eu discuto é esse
o jovem de 16 anos hoje já tem a consciência do seu
ato criminoso praticado, até porque já pode até
votar no Brasil.
(10:29) Maolivato: Deputado, creio que reduzir a maioridade penal
em nada irá diminuir a violência. Aliás, irá
aumentar o leque de opções aos criminosos maiores.
Por que não discutir o alargamento do período de
permanência do menor, já punido, deixando-o o tempo
que for necessário, de acordo com avaliações
psicológicas??
(10:49) Dep.Marcelo Itagiba: Maolivato, aumentar o tempo de permanência
do menor punido, deixando-o o tempo que for necessário,
de acordo com avaliações psicológicas, é
a questão que nós estamos debatendo. Reduzir a maioridade
não significa dizer que o menor de 18 anos será
preso no sistema carcerário de maiores. Quer dizer apenas
que o Brasil reconhece que o jovem de 16 anos tem consciência
da ilicitude praticada.
(10:29) nicole: o que nos garante que a redução
da maioridade vai reduzir os índices de violência?
(10:49) Dep. Marcelo Itagiba: Nicole, como eu já falei,
não é só isso que vai reduzir a violência.
É necessário que todo o arcabouço jurídico
seja modificado conforme a necessidade imposta pela situação
atual, pois tanto o Código Penal quando o Código
de Processo Penal são de 1940.
(10:32) Adriana: Senhor Deputado, a Espanha, por exemplo, reduziu
a idade penal de 18 para 14 anos, e houve aumento na violência.
Por que isso ocorreu lá? Não pode se repetir aqui?
(10:37) Beatriz: Heitor, a Adriana não mentiu. E a Espanha
já voltou atrás na decisão de redução
da idade. Voltou a 18 anos. Menos que essa idade vai pra Justiça
especializada, como aqui no Brasil, sabia?
(10:45) Beatriz: anderson, a idade hoje já é de
12 anos, só que na Justiça especializada, sabia?
E um adolescente pode ficar até 9 anos no sistema socioeducativo,
só que a imprensa não divulga. Soube disso lendo
a LEI 8069/90, o Estatuto. Fiquei tão curiosa que, quando
vi a lei, comprovei que não é nada do que a imprensa
fala. Precisa é cumprir o que está lá.
(10:49) Adriana: Deputado, desculpe insistir nessa questão,
mas a Espanha, por exemplo, reduziu a idade penal de 18 para 14
anos, e houve aumento na violência. Porque isso ocorreu
lá? Não pode se repetir aqui?
(10:55) Dep.Marcelo Itagiba: Adriana, Beatriz, Heitor, lei não
reduz violência. Lei é um instrumento da sociedade
para o controle daqueles que não respeitam a convivência
harmônica e pacífica entre as pessoas. O que nós
estamos discutindo é se um jovem de 16 anos já tem
consciência de que pegar uma arma e matar uma pessoa é
uma atitude criminosa. Se ele tem essa consciência, esse
discernimento, esse entendimento, deve ser punido de acordo com
a lei, a fim de que a sociedade possa viver pacificamente. Aqueles
que não se submetem ao império da lei de forma consciente
devem responder pelos seus atos. Um país necessita crescer
e se desenvolver, gerar empregos e oportunidades, educar e preparar
a sua população para ter condições
mínimas de subsistência digna. Somente o Brasil crescendo
em taxas superiores poderá diminuir a desigualdade social
e, por conseguinte, a violência.
(10:32) Heitor Bonfim: Os franceses mortos pelo ex-menor de rua,
que mais parece um psicopata, devem estar arrependidos de terem
acolhido o ex-menor.
(10:36) Heitor Bonfim: Aqueles que defendem bandidos travestidos
de menores de idade deveriam adotá-los e criá-los
em casa como fizeram os franceses e o empresário de Campinas
cuja filha adotada virou uma chefe de quadrilha
(10:36) Heitor Bonfim: Se cada brasileiro adotar um menor, eu
mudo de opinião
(10:56) Dep. Marcelo Itagiba: Heitor, em relação
às suas perguntas, realmente existem muitos menores praticando
crimes, mas esses casos apontados por você não devem
ser vistos como uma regra geral, pois muitos adolescentes de classe
alta também praticam crimes contra os próprios pais,
como temos visto no noticiário. No entanto, defendo as
medidas citadas para reprimir as infrações cometidas
pelos adolescentes que já optaram pelo mundo do crime.
(10:34) Cássia: Deputado, por que só entra em pauta
a maioridade penal quando a mídia pressiona o congresso?
(10:38) Dep. Marcelo Itagiba: Cássia, na verdade, ao final
de cada legislatura todos os projetos são arquivados, e
houve logo no início desta legislatura o pedido de desarquivamento.
Por isso, o assunto voltou à pauta da Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
(10:39) Maria: O senhor acha que as políticas previstas
no ECA estão sendo implementadas?
(10:59) Dep. Marcelo Itagiba: Maria, infelizmente, as medidas
do ECA ainda são aplicadas timidamente, de forma diferenciada
em cada estado e sem a participação efetiva da sociedade.
(10:41) Beatriz: O Sr. não acha que há muita desinformação?
A imprensa não divulga que a idade de responsabilidade
penal no Brasil é a partir de 12 anos, só que numa
justiça especializada. e que eles nem têm o benefício
de liberdade condicional, mesmo se for réu primário?
(11:01) Dep.Marcelo Itagiba: Beatriz, essas questões precisam
ser mais bem divulgadas. E o ECA, mais bem aplicado. O Estado
precisa investir para que os locais onde os menores ficam recolhidos
sejam adequados. Também é preciso dizer que raramente
jovens de 12 anos ficam retidos nesses estabelecimentos. Precisamos
buscar um equilíbrio de causa e efeito. Não defendo
a redução da maioridade para 12 anos, mas defendo
uma reformulação no sistema de forma a dar melhor
instrumento aos juízes para aplicação da
lei em defesa da sociedade.
(10:42) Anderson: Considero que a alteração da
idade para inimputabilidade para 12 anos, conforme a PEC 345/04,
reflete os interesses de parte da sociedade, mas eu gostaria de
saber como será atacada a atual sensação
de certeza de impunidade que existe entre os malfeitores? Já
que, enquanto perdurar essa sensação, não
surtirá efeitos a mudança de idade penal.
(11:01) Dep Marcelo Itagiba: Anderson, a mudança na maioridade
penal é um fato. A sensação de impunidade
não pode mais existir no Brasil. Discutimos, na CCJ, propostas
de emenda à Constituição que analisam se
a maioridade penal deve ser aos 12, 14, 16 ou 18 anos de idade.
Mas a matéria demanda um amplo debate nacional. O que não
podemos mais é conviver com o crime cada vez mais presente
no dia-a-dia da sociedade e cada vez mais com a participação
de menores de idade.
(10:46) ronaldo: Acho que a maioridade penal tem que ser de 16
anos, pois, se o voto para os cargos públicos são
a partir desta idade, por que a maioridade não pode ser
16 anos?
(10:48) ronaldo: Até acho que poderia ser 14 anos, pois
nesta idade já se sabe o que é errado e certo.
(10:51) Beatriz: ronaldo, o voto aos 16 anos é facultativo,
sabia? exatamente porque o legislador entendeu que não
era uma idade ajustada para o exercício como obrigação,
como os adultos. E cargo público só concorre a partir
de 18.
(10:51) blau: Creio que não se pode comparar um adolescente
de 16 anos, hoje, com um da época em que o ECA foi criado,
afinal o ECA já vai completar a maioridade. é inconcebível
que um cidadão de 16 anos possa escolher o Pres. da Rep.
- cargo do Executivo mais alto deste País - e não
possa ser responsabilizado por seus atos...
(10:54) blau: Me desculpem, mas o voto dos adolescentes é
maioria nas eleições, isso demonstra que a maior
parte deles, sente-se sim apta a escolher seus representantes.
(10:55) Adriana: sentir-se apto não quer dizer necessariamente
ESTAR apto
(11:02) blau: Adriana, está cientificamente comprovado
que todo e qualquer ser humano, independente de nível social,
econômico e/ou cultural pode sentir-se apto a fazer ou deixar
de fazer algo, sem estar necessariamente apto... daí, discutir
o que é estar ou sentir-se apto a isto ou aquilo, é
o mesmo que discutir o sexo dos anjos, não é? O
que realmente importa é a certeza da absoluta impunidade
que reina nas mentes dos adolescentes brasileiros... muitos desafiam
tudo e todos com a seguinte fala: "não bota a mão
em mim que eu sou de menor"! Essa é de doer, não?
(11:19) Dep.Marcelo Itagiba: Beatriz, Blau e Adriana, o jovem
de 16 anos não é mais o jovem de 16 anos da época
do Código Civil nem do Código Penal. Esse jovem
evoluiu como o mundo evoluiu. Os meios de comunicação,
rádio, televisão, informática, globalizaram
o mundo e deram ao jovem uma gama muito maior de informação.
O que nós estamos discutindo é se esse jovem já
tem um discernimento, capacidade de entender, a compreensão
de que, por exemplo, pegar uma arma e matar uma pessoa significa
a prática de um crime. Se nós entendermos que ele
tem essa capacidade de entendimento, justifica-se a aplicação
de uma pena correspondente ao ato antisocial praticado, que não
pode ser a de internação máxima por três
anos. O resto é apenas dogma. O Brasil já teve,
na época do império e do início da República,
a maioridade fixada em idades abaixo de 16 anos. Depois, evoluiu
de forma a criar o Código de Menores, e agora chegou a
hora de revisarmos essa questão para que não tenhamos
um processo ainda maior de impunidade no País.
(10:48) Cássia: Deputado, qual é o número
do projeto de lei sobre maioridade penal?
(11:06) Dep. Marcelo Itagiba: Cássia, na verdade, há
21 PECs sobre a redução da maioridade penal. A principal
é a PEC 171/93, e as outras estão apensadas a ela.
(10:50) Darth Vader*: Acredito que a maioridade penal deveria
ser de 14 anos. Nesta idade, uma pessoa sabe distinguir atos criminosos
dos legais. Uma pessoa de 14 anos tem acesso a informação
de todas as maneiras possíveis, ela é muito mais
informada que outra de mesma idade do século passado.
(10:51) Cleusa: Sou a favor da redução da maioridade
penal, mas também acho que o Estatuto da Criança
e do Adolescente deve ser revisto pois da forma como ele está
é uma redoma para produzir criminosos.SA
(11:09) Dep Marcelo Itagiba: Cleusa, essa preocupação
com a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente
é de todos nós parlamentares. Mas nós precisamos
consultar especialistas no assunto. Grandes mestres do Direito
já emitiram seus pareceres e nós, em especial na
Comissão de Constituição e Justiça,
estamos analisando todo o material apurado. Na próxima
quinta-feira (15), discutiremos todas as propostas que reavaliam
a maioridade penal. Mas não basta discutir se devemos ou
não punir jovens infratores. Devemos repensar todo o modelo
educacional do País, para só então termos
condições de pontilhar determinados tópicos
que poderão ou não ser mudados, não só
no Estatuto da Criança, mas também no Código
Penal e no Código Processual Penal.
(10:57) dias: Mas quem elabora as leis possui esse discernimento
de punir culpados quando absolve os seus pares culpados?
(11:16) Dep Marcelo Itagiba: Dias, na verdade os deputados, que
apenas elaboram as leis, não punem ninguém e nem
teriam poderes para fazê-lo. De acordo com a Constituição
brasileira, a missão institucional do Congresso é
legislar, fazer leis. Somente o Poder Judiciário aplica
a legislação vigente a casos concretos. Ou seja,
nós colhemos informações de toda a sociedade,
como estamos fazendo agora, discutindo temas de interesse nacional
e, a partir de então, confeccionamos novos projetos que
muitas vezes alteram códigos e leis. A partir dessa mudança,
é que o Poder Judiciário se manifesta. No que se
refere a absolver os nossos pares culpados, acredito que as informações
chegam muitas vezes equivocadas à população
em geral. Saiba que, para que um parlamentar seja punido, é
necessária toda uma tramitação especial de
um processo que começa no Conselho de Ética e que
é submetido à votação em Plenário.
É injusto dizer que todos nós somos corporativistas
e que votamos em causa própria. Infelizmente, todas as
votações deveriam ser abertas para que cada eleitor
pudesse saber como vota seu deputado.
(11:00) Valdi: Deputado, argumente com essas pessoas que as leis
não são fórmulas mágicas, nem tampouco
as escolas ou os programas de inclusão. O que estamos tentando
fazer é atender de imediato as urgências do país.
Se as leis não inibirem os atuantes da violência,
tampouco os outros recursos o farão. Menor adolescente
de cabeça já feita não muda da água
pro vinho, da noite pro dia.
(11:13) Dep. Marcelo Itagiba: Caro Valdi, você tem razão.
De fato, não basta adotar medidas isoladas. O conjunto
delas é que vai resolver as questões ligadas à
violência e aos menores.
(11:04) Maolivato: Deputado, o senhor é partidário
de um certo grupelho que reside no Poder e afirma que não
se pode discutir esse tipo de questão no "calor dos
acontecimentos"? Aliás, haverá um momento de
arrefecimento para nós, simples cidadãos e infelizmente
cada vez mais mortais, massacrados por "menores de idade"?
qual sua opinião?
(11:21) Dep.Marcelo Itagiba: Maolivato, o calor dos acontecimentos
faz parte da vida social. E a Câmara dos Deputados é
um extrato da sociedade. Logo, tem que sofrer os impulsos e o
clamor dessa sociedade.
(11:08) Cleusa: A certeza da impunidade é a causa da crescente
escalada da violência no Brasil. Quem cometeu crimes hediondos
como seqüestros, estupros ou tirou a vida de outro ser humano
deliberadamente não pode ser premiado com redução
progressiva de pena nenhuma, nem sair para passear no Natal, ano
novo, dia dos pais, dia das mães etc. e muito menos usufruir
de liberdade condicional. Muitos dos piores crimes são
cometidos por esses criminosos que deveriam estar cumprindo pena
até o final, não importa qual seja sua idade.
(11:18) Dep. Marcelo Itagiba: Cleusa, esses institutos que você
citou (como a progressão de pena, os indultos e saídas
em datas específicas, os chamados "saidões")
servem para premiar o preso de bom comportamento, sob o pressuposto
da sua ressocialização. Cabe ao juiz de execução
avaliar a real condição sob a qual o preso deve
ser beneficiado. Defendo ainda a volta do exame criminológico
para todos os presos, para efeitos de progressão e de liberdade
condicional.
(11:09) Livia Saboya: Senhor deputado, por que, em vez de aumentar
a idade penal, não aumentamos as penas aos menores infratores???
Talvez se fossem criadas "prisões" exclusivas,
com acompanhamento de psicólogos, atividades escolares
e lazer, mas com um tempo maior de internamento, faríamos
com que essas crianças não tivessem contato direto
com "a escola do crime" como são conhecidas nossas
cadeias!
(11:24) Dep.Marcelo Itagiba: Livia, sua idéia é
perfeita e será discutida no âmbito da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ). Como eu
disse, nós estamos discutindo agora na CCJ se é
constitucional ou inconstitucional a mudança do artigo
da Constituição que fala da imputabilidade penal.
A partir daí, nós iremos analisar uma série
de propostas que poderão, inclusive, caminhar na direção
por você sugerida. O que nós não podemos permitir
mais é esse sentimento de impunidade que incentiva o jovem
a praticar o crime e a ser utilizado por criminosos maiores para
a prática de violência.
(11:09) cristiano: A criação de novas leis como
a menor idade penal, "demonstraria a ineficácia do
ECA"?
(11:12) priscilla martins: concordo com o cristiano sobre a redução
implicar a ineficiência do ECA
(11:27) Dep.Marcelo Itagiba: Cristiano, Priscilla, na verdade,
o ECA é mal compreendido e mal executado. Os estados brasileiros
não investem em estabelecimentos destinados à reeducação
de menores. Mas isso não quer dizer que o ECA não
necessite ser aperfeiçoado e que o menor não possa
e não deva ser responsabilizado por muitos dos seus atos
violentos praticados.
(11:09) priscilla martins: Existe uma proposta de um juiz do
TJ/RJ muito interessante. Ele alega que deveríamos não
reduzir de todos mas sim (de um modo bem simplista) a do adolescente
infrator em caso de reincidência.
(11:30) Dep.Marcelo Itagiba: Priscilla, o antigo Código
de Menores, o oriundo do Decreto 5.083/26, estabelecia que, quando
o menor tiver mais de 16 anos e menos de 18 anos, e for perigoso
pelo seu estado de perversão moral, ser-lhe-á imposta
pena de prisão no grau correspondente à sua capacidade.
Acredito que esse seja o verdadeiro cerne da questão. Ou
seja, a medida que deve ser adotada dentro de um princípio
de razoabilidade e proporcionalidade a um menor que pratique um
crime hediondo.
(11:12) Heitor Bonfim: A lei diminui a violência desde
que coloquem-se os criminosos na cadeia. Outra coisa que é
preciso levar em conta é que o uso de drogas deterioram
o cérebro e causam esquizofrenia precoce. Isso, somado
aos psicopatas incuráveis, enchem as ruas de malucos que
não têm o menor pudor em matar e barbarizar, haja
vista o grande número de "tatuados de cadeia"
que barbarizavam durante a visita do Bush e os menores presos
porque emboscaram um policial dentro do carro.
(11:12) Edilson José Alves: O Sr. não acha que
não adianta falar em pena maiores se no Brasil, quando
o criminoso é preso, consegue ser solto com o cumprimento
de apenas 1/6 da pena. Isso não seria o mesmo que falar
que o litro de leite custa R$ 6, mas que você poderá
levar para casa por apenas R$ 1?
(11:34) Dep.Marcelo Itagiba: Edilson, a progressão de
pena é uma cláusula pétrea constitucional.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal entendeu que deve haver
progressão de regime inclusive nos crimes chamados hediondos.
O que não pode deixar de ser feito é o exame criminológico
para a concessão desse benefício. Bem como se faz
necessária a criação de colônia agrícola
industrial ou similar para o cumprimento, em primeiro lugar, da
pena em regime semi-aberto, ou seja, ainda dentro do estabelecimento
prisional, para depois o indivíduo passar para o regime
aberto através das chamadas casas do albergado.
(11:13) blau: Sabe, pessoal? O que mais me apavora é ter
certeza que o verdadeiro cidadão: aquele que trabalha,
paga imposto, mantém vida social, cultural, religiosa e
de lazer, bem como o que não tem condições
de ter nenhum a diversão, mas é honesto, honrado
digno e íntegro, cada dia mais está sem espaço,
sem voz, sem vez, sem representação, pois os nossos
representantes só querem saber de cuidar de si próprios,
de suas regalias, seus benefícios e privilégios.
Se o "calor dos acontecimentos" é diuturno, permanente
e ininterrupto e, se neste calor não é momento mais
adequado para se tratar de revisão de legislação,
quando será? Ademais, basta que a redução
da capacidade penal seja para jovens que cometam crimes graves.
A educação tem que ser priorizada sim, mas não
se faz isso a curto prazo e sim, a médio e longo prazo.
Já a legislação penal, processual penal e
de execução penal tem que ser reformulada o quanto
antes.
(11:14) dias: por que em vez de tentar rever o ECA não
se aplica o mesmo? entendo que o que está faltando é
a sua aplicação
(11:24) Dep. Marcelo Itagiba: Prezado Dias, o princípio
que informa o ECA, que é o da proteção integral,
implica a recuperação do adolescente infrator, e
a prevenção para que adolescentes em situação
de risco não infrinjam a lei. Como afirmei antes, de fato
é preciso executar as medidas previstas no ECA de forma
efetiva. As eventuais mudança no ECA, porém, não
dispensam a necessidade de debate sobre a redução
da maioridade penal.
(11:17) priscilla martins: Senhor Deputado, toda discussão
é bem vinda, pois só assim conseguiremos leis realmente
democráticas. Mas como ficará a situação
dos adolescente presos no RJ nos últimos acontecimentos
trágicos, Pois as leis não retroagem (salvo para
beneficiar o réu)?
(11:31) Dep Marcelo Itagiba: Priscilla Martins, de fato a lei
não retroage, salvo para beneficiar o réu, como
você mesma diz. Esperamos a oportuna aprovação
do projeto que reduz a maioridade penal para que em breve todos
os crimes possam ser punidos já com base na nova legislação.
Muitos casos ainda aguardam julgamento e, portanto, poderão
se enquadrar na nova legislação.
(11:18) Edilson José Alves: Acho que a nossas leis passaram
da hora de serem revisadas. Se o País não tem como
cobrir o custo para manutenção de um traficante
sem recuperação como o Beira-Mar, por que não
adota a pena de morte para esse tipo de criminoso? Ou então
por que não muda a constituição para que
seja permitida a extradição de um tipo como esse
para outro país, como os Estados Unidos, por exemplo, que
tem grande interesse e condições de mantê-lo
em regime fechado, bem fechado, por sinal.
(11:20) Edilson José Alves: Eu sei que todo cidadão
tem o direito de ampla defesa. Dizer isso é chover no molhado.
Mas será que o nosso poder judiciário não
fica envergonhado de conceder o direito do Beira-Mar fazer turismo
pelo país afora com todo aquele aparato de segurança.
Eu que trabalho 14 horas por dia não consigo fazer nem
uma viagem de 200 kg por ano.
(11:41) Dep Marcelo Itagiba: Edilson, a Constituição
brasileira prevê taxativamente que não haverá
pena de morte no País. Independentemente de sermos favoráveis
ou contra a pena de morte, o tema tem que ser discutido mais amplamente.
A Câmara dos Deputados tem para analisar cerca de 46 alterações
ao Código Penal brasileiro, que prevê aumento de
penas e inclusive o enquadramento de novos crimes antes não
previstos. Esperamos com isso ampliar a gama de possibilidades
de punição a todo e qualquer delito cometido no
País. A idéia de extradição de um
criminoso brasileiro não condiz com quaisquer acordos internacionais,
uma vez que o citado traficante, mesmo sendo braço de uma
rede internacional, tem atuação profunda no Brasil.
Cabe ao País aparelhar-se adequadamente para manter longe
do convívio social criminosos dessa periculosidade.
(11:18) acfcn: Eu tenho consciência plena que todos concordam
que o problema não é puramente de legislação
e, nesse ponto, deputado, me permita, temos que nos conter um
pouco com a emoção e atentar mais para a conjuntura.
Concordo com os questionamentos da Geórgia e complemento
o que a Livia afirmou. Não se pode pensar em alterar leis,
pura e simplesmente. Isso não funciona como já foi
comprovado. Há sim a necessidade de se repensar toda a
estrutura, envolvendo escolaridade, da população
como um todo. A função da pena é, além
de punir o infrator, propiciar meios de reintroduzi-lo na sociedade.
Isso se opera através de instrução e ocupação
dos presos. A simples retenção dos indivíduos
nos presídios, somente vai possibilitar a manutenção
e o agravamento da atual situação carcerária.
Penso que devemos imediatamente repensar o funcionamento dos presídios,
reavaliar a aplicação da regulamentação
do trabalho do preso, ocupando-lhe o tempo o máximo possível
com trabalho e estudo. Já existem experiências exitosas
no Brasil e são muitas.
(11:18) blau Fala com TODOS: A CTC (Comissão Técnica
de Classificação), determinada na Lei Federal nº7210
(Lei de Execução Penal), pode perfeitamente fazer
a individualização da pena, com o exame criminológico,
de qualquer adolescente. É só quando da revisão
do ECA implantar a criação da CTC tb...
(11:41) Dep.Marcelo Itagiba: Blau, essa é uma discussão,
como já disse anteriormente, que deverá ser feita.
Para que tudo isso aconteça, precisamos ultrapassar a atual
barreira constitucional, de forma a dar sustentação
à qualquer possibilidade de mudança. Só na
Constituição de 1988 que a questão da maioridade
penal foi inserida. Particularmente, não me parece o local
mais adequado para tratar desse assunto, devendo, como se fazia
anteriormente, ficar adstrito ao Código Penal.
(11:21) 5a.nilha Fala com TODOS: Procure a orientação
e a opinião de um PSIQUIATRA (claro que de bom conceito
profissional) e todos verão que ele dirá que "criança"
com 6/7 anos de idade já sabe o que faz !.
(11:26) nicole: isso é um absurdo. não há
formação psicológica completa nesta idade...
(11:23) Livia Saboya: Caro deputado, é certo que os jovens
hoje não têm a mesma mentalidade de antigamente,
mas basta saber se a alteração da lei vai ser suficiente...
Acho que muito pelo contrário, esses jovens irão
mais cedo para os presídios e por conseqüência
sairão bastante novos de lá, e ainda terão
tempo suficiente para cometer novos e piores crimes... Ainda acho
que a solução é aumentar os prazos de internamento
previstos no ECA e agregar a isso um acompanhamento psicológico
e educacional.
(11:26) acfcn: A Livia está coberta de razão. Não
podemos ser tão limitados e buscar combater apenas os sintomas.
É indispensável combater as causas. Sem mudarmos
o comportamento da sociedade, sem promover o desenvolvimento educacional
da população, nunca chegaremos à solução.
(11:28) blau: Lívia, o nosso Cód. Penal é
um dos mais bem redigidos do mundo. Basta que o tempo de pena
seja efetivamente cumprido, ou seja, condenado a 45 anos de prisão,
cumpram-se os 45 anos de encarceramento em regime fechado. Para
a maior parte dos seres humanos, a prisão efetiva, real,
é pior do que a morte. Assim, se um jovem for preso aos
16 e condenado a 45 anos de prisão, com todas as agravantes,
majorantes e qualificadoras, só sairia aos 61...
(11:28) Dep. Marcelo Itagiba: Livia, você tem razão.
As medidas se complementam - a redução da maioridade
penal e o acompanhamento psicológico e educacional, que
você citou, poderiam ser aplicados simultaneamente.
(11:24) blau: Dep. acho que o sr. não me entendeu... sou
a favor da redução da capacidade penal... creio
que não dá pra continuar tratando adolescentes de
hoje como era há 20 anos, por isso estou dando as sugestões
já citadas.
(11:31) nicole: é verdade... o que vai reduzir a criminalidade
é o bandido saber que se for condenado a 30 anos ficará
30 anos na cadeia sem benefícios ou reduções...
(11:31) Livia Saboya: mas o máximo de pena são
30 anos!!!!! E com bom comportamento ele sai antes de 10!!! Dessa
forma, teríamos que não só diminuir a maioridade,
mas tb aumentar as penas e as formas de execução!!!
(11:36) blau: Não, Lívia. O tempo de prisão
é que é de 30 anos. Mas veja bem: se "A"
é condenado a 25 anos em um crime, mais 10 anos no 2º
crime, dá 35. Aí, somam-se as penas e reduz-se para
30, mas se cometer outros crimes, detrai-se o tempo cumprido e
soma-se novamente. Para isso, basta acabar com esta bobagem de
máximo de 30 anos efetivos de prisão e fazer com
que se cumpra o tempo real de pena.
(11:36) Geórgia: Tempo máximo de prisão
não solucionará o problema da violência, nem
das prisões superlotadas que são, sem dúvida,
"universidades do crime". Este aumento desenfreado do
tempo de pena somente onerará ainda mais a sociedade, que
sustenta os presos e incrementará o problema da superlotação.
(11:26) Aline: Deputado, se o RJ fosse cercado por um enorme
muro, eu acho 90% da criminalidade acabava no Brasil, uma vez
que o resto do Brasil se espelha na merda do Rio
(11:27) reinaldo: Dep., uma questão importante que está
sendo colocada é a impunidade. Creio que se punir exemplarmente
os agentes políticos, haverá menos impunidade para
todos os cidadãos, inclusive o menor. O senhor acha que
essa questão não deve ser discutida conjuntamente
com a redução da maioridade penal?
(11:35) Dep Marcelo Itagiba: Reinaldo, não basta que punamos
uma ou outra categoria. Para que o Brasil entre nos eixos, precisamos
punir todo e qualquer crime. Tanto faz punirmos um ladrão
de galinha como punirmos um crime de colarinho branco. Afinal,
ladrão é quem rouba R$ 1 ou R$ 1 milhão.
O Congresso Nacional possui meios de punir os seus agentes, ou
seja, os seus parlamentares envolvidos em toda sorte de escândalos.
E trabalhamos para elaborar leis mais eficientes e mais justas,
de forma que o próprio Poder Judiciário disponha
de mais mecanismos para condenar todo e qualquer tipo de delito
ou crime.
(11:37) nicole: mas quem rouba 1 milhão tem que ter pena
maior... Juiz, parlamentar, advogado, qualquer um com bom nível
socioeconômico e que cometa crime tem que pagar mais do
que o pobre que não tem perspectiva....
(11:42) Edilson José Alves: A diferença entre quem
rouba R$ 1 e o que rouba R$ 1 milhão é que o primeiro
vai logo para cadeia. Cumpra a decisão da primeira instância.
Já o ladrão milionário usa e abusa da nossa
(lenta) justiça. Temos caso aqui no MS que poderosos conseguiram
mudar até sanção presidencial através
de liminar conseguida junto ao Supremo.
(11:54) reinaldo: O problema, dep., é que o ladrão
de galinha a gente vê sendo punido até em exagero,
porém a comissão de ética indicou a cassação
do mandato de diversos políticos, porém o plenário,
o STF não deram o tratamento que a sociedade esperava.
Prova não foi o que faltou. O ponto que coloco é:
o caráter exemplar da pena precisa ter publicidade, e quando
se trata de agente político isso é maior obviamente.
Como está sendo colocado, nossas leis muitas vezes tem
qualidade, no entanto, precisam é ser postas em prática
(competência fiscalizado do CN pode ser aperfeiçoada).
Eu sugiro nessa linha que o CN faça audiência pública,
convidando representantes da OAB, Ministério Público,
Ministério da Justiça, Judiciário, secretários
de segurança, polícias para que vejam onde estão
os gargalos no processo penal, pois vemos pontualmente representantes
apontando as falhas, mas me parece que falta diálogo, pois
não depende de apenas um setor. Se isso ocorrer, apoiarei
a redução. Do contrário, continuará
apenas a se punir o ladrão de galinha e o sem poder econômico
(que não é o caso de muitos traficantes). O que
o Sr. acha?
(11:27) nicole: ninguém nasce mau. não há
gene para maldade. é a falta de oportunidades que torna
nossas crianças bandidos
(11:30) Livia Saboya: Falta de oportunidade o caramba... Muitas
dessas crianças não se esforçam, não
se empenham e usam isso como desculpa... Já presenciei
várias histórias de gente pobre, sem nada que conseguiu
vencer na vida... Essa desculpa de falta de oportunidade não
cola mais! Raros são os que nascem em berço de ouro,
o resto... tem que batalhar mesmo!!!
(11:32) francisco: nicole q me desculpe, mas se não fosse
por oportunidade, pois os maiores roubos e furtos, são
cometidos pelos lalaus, ou seja: juízes, advogados, deputados,
governadores, prefeitos e seus comandados, segundo os noticiários
brasileiros e estrangeiros
(11:33) nicole: é fácil cobrar empenho e força
de vontade quando vc tem boa escola, oportunidades, médico
particular, comida na mesa, carro, condomínio fechado....
(11:30) acfcn: Tenho certeza absoluta de que só com a
alteração de lei nunca se atingirá a solução
de qualquer problema, especificamente esse. Se as leis hoje em
vigor fossem ao menos conhecidas de todos e principalmente cumpridas
e impostas corretamente pelo estado, boa parte do problema já
estaria solucionado. A LEP(Lei de Execuções Penais)
é bastante completa, perfeita. O ECA, quando editado, foi
alardeado e festejado como a legislação mais moderno
do mundo.
(11:30) Flávio: Olha, a minha opinião é
a seguinte: caso haja a redução da maioridade para
16 anos,,, esses que antes eram menores, de ¨16, vão
induzir os de 15,,, creio que não vai adiantar nada, é
o que já acontece hoje.
(11:31) Heitor Bonfim: Olha, eu estudei em escola pública
e te digo que é muito difícil estudar com o número
enorme de marginais estuprando professoras, vendendo drogas e
atirando para todos os lados, não tem santo que possa dar
jeito.
(11:34) eduardo: por que cada estado não pode ter sua
lei, sendo que o Brasil e muito extenso para que uma só
lei reja esse país?
(11:41) Dep. Marcelo Itagiba: Eduardo, já houve no Brasil
leis processuais diferentes para cada estado, mas a experiência
mostrou a necessidade de as regras serem unificadas para todo
o País, como forma de resguardar o princípio da
igualdade de direitos dos cidadãos. Além disso,
os próprios códigos prescrevem tratamentos diferentes
para situações diferentes. Conforme as características
do criminoso, a qualidade da vítima e até a forma
de cometimento do crime pode haver variação tanto
da pena quanto do processo penal respectivo. Particularmente eu
acredito que leis penais e processuais devam ser de âmbito
nacional. A Lei Penal é o instrumento mais forte do Estado
brasileiro de repressão ao cidadão, daí a
necessidade do seu âmbito nacional a fim de garantir a segurança
jurídica às pessoas. Não obstante, defendo
o estabelecimento de normas pré-penais no âmbito
do município e dos estados. O primeiro estágio seriam
leis de postura municipal no âmbito das cidades, permitindo
a regulação de atos anti-sociais, dando às
guardas municipais poder de polícia administrativa com
atuação em defesa dos munícipes. O segundo
degrau seria uma estadualização da Lei de Contravenções,
permitindo que cada estado tivesse a sua, de forma a dar instrumentos
para que no âmbito dos estados federados eles possam exercer
uma atividade repressiva aos atos anti-sociais de chamado segundo
grau praticados pelas pessoas. Dessa forma, nós teríamos
os instrumentos necessários para regulação
prática e imediata da vida em sociedade, começando
da repressão aos pequenos atos infracionais e terminando
com a aplicação da Lei Penal. Nós dois primeiros
estágios, os autores de atos anti-sociais ou infracionais
seriam encaminhados imediatamente a um juiz, que, dentro de um
processo oral e célere, aplicaria pena que poderia ser
de multa, prestação de serviços à
comunidade e, em alguns casos mais graves ou de reincidência,
de uma detenção.
(11:35) acfcn: Gostaria de compreender, aos defensores da tese
do enclausuramento perpétuo, qual a vantagem para o Estado
de sustentar um bandido por 45, 60 anos. Primeiro é afastar
completamente a finalidade da pena e a própria Constituição
Federal. Precisamos, isso sim, é retirar os infratores
de circulação, garantindo à sociedade que
quando reintroduzidos, esses delinqüentes não tornem
a infringir.
(11:56) Dep.Marcelo Itagiba: Acfcn, retirar os infratores de
circulação, garantindo à sociedade que, quando
reintroduzidos, eles não tornem a infringir, é o
ideal, mas nem sempre é o possível. Existem indivíduos
que não conseguem viver mais em sociedade, são verdadeiros
sociopatas. A nossa Constituição veda a pena de
caráter perpétuo, bem como a pena de morte. A pena
de morte, quando aplicada, torna impossível a reparação
de erro judiciário. A pena de prisão perpétua
permite a revisão a qualquer tempo. Determinadas pessoas,
como esses chamados "chefes" de crime organizado, não
deveriam ter mais o direito de retornar ao convívio social.
Infelizmente, a questão da prisão perpétua,
pelo nosso Direito, não pode ser discutida, somente por
meio de uma nova Assembléia Nacional Constituinte.
(11:37) José: Por que não discutir a questão
do ponto de vista do que causa o comportamento criminoso do menor?
(11:56) Dep. Marcelo Itagiba: José, a perda de valores
éticos e morais de uma sociedade, associada à realidade
de um país que não educa e não dá
oportunidades às suas crianças, leva muitas vezes
os menores a cometerem atos anti-sociais e atos criminosos.
(11:38) Prof.Bene: Bom, se cadeia não resolve, então
vamos soltar todos os criminosos, desculpem isso é piada.
Chega de impunidade.
(11:41) acfcn: A questão não é essa e o
assunto é sério. Na verdade, o problema não
é só de enjaular, pois isso funcionaria como apenas
um protelador do problema. É como uma represa, se o volume
aumentar demais, ela estoura e as conseqüências são
catastróficas.
(11:42) José: Acredito que basta começar a colocar
os criminosos de colarinho branco na cadeia, e mantê-los
por lá, que as coisas irão melhorar.
(11:39) acfcn: Essa garantia é dada com educação
dentro dos presídios, trabalho árduo e ininterrupto.
Concomitantemente, as escolas públicas devem mudar, o governo
precisa incentivar a freqüência escolar e premiar os
pais que conseguirem evitar a evasão. No Estado do Ceará,
isso funciona razoavelmente bem.
(11:39) nicole: todos os problemas esbarram em INVESTIMENTO...
é preciso construir escolas, penitenciárias, pagar
bem aos policiais, professores e agentes penitenciários...
mas isso não dá ibope... é melhor gastar
dinheiro para sediar o Pan-Americano...
(11:40) Edilson José Alves: A população
brasileira não suporta mais tanta violência. Está
chegando a um ponto que seria melhor declarar uma guerra civil
diante da impotência do Estado. Pelo menos numa guerra todos
deveriam estar armados. O poder legislativo precisa trabalhar
em favor da população e o judiciário tem
que agir contra os criminosos e não beneficiando criminosos
com regalias.
(11:42) Prof.Bene: É a inversão de valores, graças
ao Estatuto do Desarmamento (que desarmou somente o cidadão
honesto), até o direito de defesa está sendo impedido
aos honestos e pobres.
(11:42) José: Os infratores que causam a violência
são apenas a ponta do iceberg.
(11:42) blau: não tem que se sustentar o sentenciado,
é só colocá-lo pra trabalhar. Trabalhos de
hortifrutigranjeiros, de movelaria, confeccção de
enxoval do presidiário, ou seja, trabalho não falta.
Tem tb que mensurar o real custo de um preso... definitivamente
não é tão alto como se alardeia. Quanto à
falta de oportunidade, desculpem-me os defensores desta corrente,
mas sou de família pobre, sempre cursei escolas públicas,
com exceção das faculdades e hoje, tenho 2 cursos
superiores, três pós-graduações e estou
indo pro mestrado... além disso, o meu círculo de
amizades é de gente nas mesmas condições
que eu...
(11:43) nicole: a questão é procurar a gênese
do problema. a criança é a vítima. vítima
de uma sociedade desigual, injusta, de famílias desestruturadas
de um Estado ausente...
(11:45) Prof.Bene: Não concordo, vítimas somos
nós. Vítima foi o João Hélio arrastado
até a morte. Essa é a mentalidade que somente ajuda
aos crimninosos
(11:47) nicole: João Hélio foi vítima sim,
como a família dele e todos os brasileiros que ficaram
chocados com a crueldade deles.. mas bandidagem não é
opção nem determinação genética
é fruto do meio... assim o menor que é bandido é
vítima tb... ninguém escolhe ser bandido se tiver
opção de vida...
(11:43) tomate: Eu acho que resolveria sim a penalidade aos 16
anos, pq quando eu tinha os meus 14 anos, na época existia
juizado de menores e eu tinha medo de fazer alguma coisa errada..
então, sim, eles sabem muito bem o que querem, duvido que,
se tiver punição, eles não recuem.
(11:43) Heitor Bonfim: Amigo, louco drogado não tem cura,
se tivesse os EUA venderiam a cura, não tem jeito que prender.
Te lembro de Suzane, Maníaco do Shopping, assassinos do
menor João, arrastado por 7 quilômetros preso ao
cinto de segurança. Os menores fazem emboscadas a policiais,
usam metralhadoras, drogas, são chefes de quadrilha, hackers.
Não tem jeito, vejam os EUA, têm 2,2 milhões
de presidiários. O Brasil só tem 220 mil, deixem
de sonhar, droga destrói o cérebro, acaba com a
capacidade da pessoa raciocinar. Quem quer estudar estuda, quem
quer matar mata.
(11:44) José: Acho que se começarmos a colocar
na cadeia qualquer tipo de criminoso, sem distinção
de classe, as coisas irão melhorar bastante.
(11:45) Geórgia: De que adianta aumentarmos o tempo de
pena, construirmos mais e mais cadeias e pôr todos os criminosos
lá? Se duvidar, daqui a alguns anos a sociedade livre estará
em número menor que a população carcerária!
E o dinheiro público será apenas para construção
de mais e mais "caixotes".
(11:45) José: E mais: por que não acabar com a
prisão especial para o infrator detentor de diploma de
curso superior?
(11:46) José: Por que não acabar com o foro privilegiado
para os agentes políticos?
(11:47) José: Punição tem de valer para
qualquer cidadão, não apenas para os pobres.
(11:48) roberto oliveira: Sou a favor da redução
da maioridade penal para 14 por entender que um jovem de 14 anos
sabe a diferença do certo e do errado. é um absurdo,
em um País onde taxa de homicídios já chega
a 39.000 por ano, as pessoas ainda achem violência mudar
a lei, existe uma forma de uma pessoa não ser punida com
rigor, é não cometer o crime. Agora não aumentar
a pena é propiciar um ambiente favorável a prática
do crime.
(11:49) Heitor Bonfim: Novos presídios privatizados geram
empregos, as operadoras de sinal de celular precisar bloquear
urgente o sinal nos presídios.
(11:49) nicole: se o menor de 14 anos for preso, que futuro ele
terá? quem dará emprego para um ex-presidiário...
e como levar mais 70 anos com a vida estigmatizada? em países
que punem suas crianças com prisão, ao sair elas
ganham nova vida, novo nome, nova identidade...
(11:50) cristianofzen: Radicalizar não adianta, é
preciso ressocializar... concordam, e isso é uma tarefa
de todos...
(11:50) nicole: a grande maioria dos homicídios é
praticada por maiores.. a mídia tem repercutido casos de
menores porque causa comoção, mas distorce a realidade
estatística...
(11:51) Wamberto: A problemática do "MENOR INFRATOR",
não consiste no ATO praticado, mas na VULNERABILIDADE pela
qual nossas crianças estão submetidas e sujeitas,
pois o PODER PÚBLICO (detentores de mandato), são
omissos com os DIREITOS adquiridos e elencados em nossa carta
magna. é vergonhoso termos que dizer que somos CIDADÃOS,
visto que não a exercemos em plenitude.
(11:57) Wamberto: Nobre parlamentar, seria interessante que Vossa
Excelência CONVIDASSE para um audiência pública
os senhores Dr. EDSON SEDA E O DES. ANTÔNIO AMARAL, pois
são REDATORES do ECA e EXELÊNCIAS em atividade em
defesa e PROMOÇÃO dos direitos da criança
e do adolescente.
Sistema penitenciário
(10:04) Claudio: Deputado, como conciliar a redução
da maioridade penal com a falta de penitenciárias?
(10:07) Dep. Marcelo Itagiba: Claudio, antes de mais nada, é
preciso cumprir a Lei de Execução Penal, que determina
a divisão dos presos por fatores como faixa etária.
É necessário haver recursos para cumprir a Lei,
construindo mais penitenciárias e adaptando as existentes
para que os presos cumpram as penas de maneira digna.
(10:10) Heitor Bonfim: Eu acho que, como os EUA tem 7 milhões
de condenados e 2,2 milhões de presidiários para
uma população de 300 milhões de habitantes,
proporcionalmente o Brasil teria que ter 1,4 milhões de
bandidos violentos na cadeia, incluindo menores.
(10:19) Dep.Marcelo Itagiba: Heitor, o sistema penitenciário
brasileiro precisa ser inteiramente reformulado. Investimentos
precisam ser feitos para a construção de presídios,
casas de detenção e colônias penais agrícolas,
objetivando dar melhores condições de recuperação
aos presos recuperáveis. Lotar pessoas em presídios
não resolve o problema, apenas agrava.
(10:11) Geórgia: Sr. Deputado, como seriam essas adaptações
das penitenciárias? Existe um modelo o qual o senhor considera
ideal? Ele seria viável economicamente?
(10:18) Dep. Marcelo Itagiba: Geórgia, o modelo adotado
pela Lei de Execução Penal é muito bom, mas
não é cumprido na íntegra. Ou seja: se essa
lei for cumprida, a princípio nem será preciso adaptar
nada. Por exemplo: a lei determina que cada preso deve ter direito
a uma área de seis metros quadrados na prisão, e
sabemos que em determinadas penitenciárias chega a haver
superlotação e os presos são obrigados a
fazer revezamentos para dormir.
(10:13) Heitor Bonfim: Sem dúvida, o Estado não
tem condição de cuidar de todos os presos, vejo
a necessidade de privatizar os presídios.
(10:22) Dep.Marcelo Itagiba: Heitor, a privatização
dos presídios é uma discussão interessante
e já foi implementada com sucesso em outros países,
embora o Estado não deva abrir mão do seu poder
de executar a pena.
(11:30) cristiano: prezado deputado, inicialmente agradecemos
seu empenho em prol da segurança da família brasileira.
o que acontece aqui no brasil, senhor deputado, é que o
estado cobra altos níveis de tributo de nós contribuintes
e quando ocorre um crime grave por parte de um menor o estado
alega que não pode isolá-lo do convívio da
sociedade, alegando que não possui estabelecimentos prisionais
adequados. o que nós cidadãos temos com isso? pra
nós, tanto faz colocá-los num hotel 5 estrelas ou
na febem. O que não pode é pagar os tributos e ainda
por cima ter que conviver com fascínoras nas ruas.
Educação
(10:09) Claudio: Deputado, p/ o senhor quais medidas socioeducativas
poderiam ser adotadas a curto prazo para substituir a redução
da maioridade penal?
(10:16) Dep Marcelo Itagiba: Claudio, todo o sistema socioeducativo
precisa ser modificado para dar condições aos infratores
de receberem educação básica e profissional,
para dessa forma poderem ser reabilitados ao convívio social.
(10:33) nicole: Em vez de discutir a redução da
maioridade, não seria melhor discutirmos a ampliação
da jornada escolar? Se as crianças ficassem o dia inteiro
na escola, teriam menos tempo de fazer besteira. Além do
mais, se os pais trabalham o dia inteiro e não podem acompanhar
o desenvolvimento de seus filhos, com quem andam, o que estão
fazendo, ficar na escola o dia inteiro seria uma boa solução.
(10:55) Dep Marcelo Itagiba: Nicole, concordo plenamente com
sua sugestão de ampliar a jornada escolar. A educação
é fator fundamental na formação do caráter
e na preparação do indivíduo para a vida.
Quanto mais bem equipadas as escolas e quanto melhor for o sistema
de ensino no Brasil, esperamos poder cada vez menos punir infratores,
uma vez que esperamos que eles não mais existam.
(10:37) nicole: Punir uma criança de 12 anos por matar
ou assaltar alguém parece uma solução simplista
e cômoda para o Estado, que é o verdadeiro culpado
por estar ausente na formação daquele menor. O Estado
não oferece boas escolas, oportunidade de emprego, moradia
e hospitais decentes, nem segurança. É o que vemos
nas favelas. O tráfico ocupa o vazio deixado pelo Estado,
o que leva nossas crianças para a criminalidade.
(10:58) Dep.Marcelo Itagiba: Nicole, você tem toda a razão,
por isso não defendo a redução da maioridade
penal para 12 anos. Acredito que sem educação não
há solução. O que eu discuto é se
um jovem de 16 anos tem consciência do ato ilícito
praticado. Tendo essa consciência, acredito que ele deva
ser punido de acordo com a lei, ficando submetido a medidas especiais
de acordo com a sua idade. O que não pode é cometer
um homicídio e ficar apenas três anos cumprindo medidas
socioeducativas.
(10:37) @lex: Sr. Dep., Na minha visão a saída
não é aumentar a maioridade penal para 16 anos.
O que realmente deveria ser feito é ampliar e atualizar
a método de ensino na educação brasileira,
que está defasada há muito tempo. Portanto, uma
educação de qualidade pode sim fazer uma enorme
diferença, pois estimularia os alunos a permanecer em sala
de aula... Porém, para que isso torne realidade, o governo
deveria se preocupar com o desenvolvimento educacional de nossas
crianças, e não aumentar a maioridade para 16 anos...
(10:41) Paulo: Deputado, o senhor, em sua campanha, ressaltou
que, no período em que o senhor ocupou o cargo de secretário
de Segurança Pública do Rio, as polícias
realizaram mais de 60 mil prisões e apreenderam mais de
45 mil armas. Não sou especialista no assunto, mas me parecem
números expressivos. Afinal, só com polícia
e leis mais duras a gente não vai conseguir resolver o
problema?
(11:06) Dep.Marcelo Itagiba: Paulo, o trabalho de segurança
pública é permanente. Tem início, tem meio
e não tem fim. A polícia não gera criminosos,
quem gera criminosos é a sociedade. Não adianta
apenas reprimir, embora seja importante manter a repressão.
Devemos investir cada vez mais na nossa juventude, com escolas
em período integral, onde a criança entra de manhã,
é alimentada, estuda, almoça, realiza uma atividade
cultural ou desportiva à tarde, janta e vai para casa.
Mais crianças nas escolas em período integral, menos
crianças nas ruas. Mais crianças nas escolas, menos
crianças se tornando vítimas e depois algozes da
sociedade. Educação é a solução,
seja para as crianças que estão nas ruas ou para
aquelas que estejam detidas pela prática de atos infracionais.
(11:28) Cleusa: Concordo com tudo que se disse sobre a educação
ser muito importante e principalmente o horário integral
nas escolas, mas os criminosos menores de idade que estão
nas ruas atualmente aterrorizando os cidadãos de bem já
não cabem mais nessa premissa. Para eles, o que vai vale
é a redução da maioridade penal mesmo. Eles
sabem perfeitamente o que estão fazendo e não podemos
ficar discutindo indefinidamente a questão. A grande maioria
do poder concorda que um jovem de 16 anos ou até de 14
sabe perfeitamente o que está fazendo.
|