• Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores: "A proposta é flexibilizar temporariamente as patentes, com transferência de tecnologia, mediante o pagamento de royalties por doses aplicadas. Nossa tese é intermediária e menos radical do que a quebra de patentes."
  • Alfredo Leite, pneumologista, Universidade de Pernambuco:  "Muito mais vidas seriam salvas se a vacinação fosse ampliada. País não vacinado é criadouro de novas variantes do vírus. Assim as vacinas terão a eficácia prejudicada."
  • Alice Portugal (PCdoB-BA): "Até a Casa Branca avalia a liberação temporária das patentes de vacinas. Muitas vacinas tiveram recursos públicos em seu desenvolvimento. As vacinas são um bem público."
  • Carlos Gadelha, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz: "Importações de insumos de saúde chegam a 20 bilhões de dólares neste ano. Suspensão temporária não é suficiente. Se não tomarmos ação decisiva para internalizar e produzir os produtos de saúde no Brasil vamos chorar o século 21 inteiro."
  • Carlos Lupi, presidente nacional do PDT: "Precisamos de uma quebra de patente por decreto legislativo para fabricar a vacina. Não tem lucro que seja superior à vida."
  • Eloísa Machado, professora Professora da Fundação Getúlio Vargas: "As patentes são um privilégio temporário. Nossa legislação já prevê o licenciamento compulsório em caso de emergência nacional e interesse público."
  • Felipe Carvalho, coordenador no Brasil da Campanha de Acesso de Médicos Sem Fronteiras: "Algumas empresas querem aumentar o preço da vacina. Israel já quebrou a patente de uma empresa americana, mas as empresas não deixaram de vender para Israel. Não devemos ceder a estas pressões."
  • Fernando Pigatto, Presidente do Conselho Nacional de Saúde: "O CNS já se manifestou a favor do PL 1462/20 e recomenda adoção de medidas para garantia de acesso à vacina, contra abuso do poder econômico e a favor de licença compulsória para produção de vacinas e outros itens.”
  • Geanluca Lorenzon, secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia: "Nem a Índia, que tem a capacidade de produzir o princípio ativo da vacina, quebrou unilateralmente a patente. A Índia foi buscar um consenso global. Além de inefetiva, a mudança na legislação pode prejudicar a importação do princípio ativo."
  • Jorge Bermudez, pesquisador da Fiocruz: "No mundo há mais de 2 mil solicitações de patentes relacionadas ao tratamento da Covid-19. Países centrais que detêm 16% da população mundial compraram e pagaram antecipadamente 60% da produção de vacinas para 2021. Países pobres só terão acesso à vacina em 2024. É o apartheid da saúde."
  • José Graça Aranha, diretor regional da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) no Rio de Janeiro: "Licença compulsória deve ser debatida com cautela. Precisamos buscar sistema de patentes sólido, respeitando as regras. Falta diplomacia e falta base jurídica."
  • Mario Heringer (PDT-MG): "Temos estrutura para produzir as vacinas? Quebra da patente só por quebrar é muito complicado. O quanto isso pode afetar a relação do Itamaraty?"
  • Odilon José da Costa Filho, diretor de Relações Institucionais do Laboratório Cristália: "Acesso à vacina vai exigir internalização da tecnologia. Isso não é trivial. País tem de demonstrar que empresas têm capacidade técnica de produzir a vacina. Não sei se estamos preparados."
  • Sarquis José Buainain Sarquis, secretário de Comércio Exterior e Assuntos Econômicos do Itamaraty: "O problema não se refere a patentes, mas sim aos gargalos na produção. A quebra de patentes não parece ter resultados no curto prazo e poderia comprometer a importação de vacinas de nova geração."
  • Socorro Gross Galiano, representante da Opas/OMS: "A aplicação racional e oportuna de licenças compulsórias contribui para planejamento e resposta do sistema de saúde em caso de emergência."
  • Tiago Vidal de Sá Moraes, diretor-presidente da Bahiafarma:  "A vacina tem complexidade produtiva muito alta. É fundamental a transferência de tecnologia. A lógica do mercado é tornar sempre necessária a revacinação, pelo surgimento de variantes. A licença compulsória não acaba com o problema."