CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 86.2022 Hora: 18:48 Fase: OD
Orador: FAUSTO PINATO, PP-SP Data: 14/06/2022

 O SR. FAUSTO PINATO (PP - SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, subo a esta tribuna mais uma vez em defesa do Parlamento brasileiro. Nós sabemos que estamos vivendo um momento ímpar na história deste País: momento pós-COVID, momento de crise mundial, de guerras, mas, acima de tudo, de desespero daqueles menos abastados, que tanto clamam por soluções ora debatidas neste Parlamento.
Aqui eu quero fazer uma ressalva para parabenizar os Presidentes de ambas as Casas, os anteriores e os atuais. O Senador Rodrigo Pacheco e o Presidente Arthur Lira nunca se furtaram a tentar achar soluções, a achar saídas contra ideologias que de certa forma levam a uma discussão, a uma rivalidade, e não a soluções.
É um momento de desânimo, Sr. Presidente, confesso. Vejo o esforço de V.Exa. em buscar saídas - saídas que, muitas vezes, deveriam vir do Ministro da Economia, do próprio Governo - para que possamos minorar a inflação que atinge o povo brasileiro.
Hoje eu venho aqui, Sr. Presidente, para parabenizar V.Exa., a Casa, o Presidente do Senado, os Senadores, mas também para lembrar que, quando subi a esta tribuna há 2 anos, disse que o maior inimigo e cabo eleitoral contra o Presidente Bolsonaro era o Paulo Guedes; hoje, eu digo que ele é o maior inimigo do País, é o maior inimigo do povo brasileiro, é o maior inimigo da esperança do povo brasileiro, é um homem que vive de gerúndio, vive jogando a responsabilidade para esta Casa.
Vejo V.Exa., às vezes, até afobado, desesperado. Agora, V.Exa. está tentando construir um texto para que esta Casa possa dar sua contribuição para a redução do preço do combustível, consequentemente tentando baixar o preço da comida, do botijão de gás. E nós não vemos nenhum técnico do Ministro da Economia dando sugestões. Realmente, nós estamos entregues, à deriva, em questão de criatividade e responsabilidade desse Ministro, que, na minha opinião, é o pior Ministro da história deste País.
Sr. Presidente, a história já provou que qualquer ideologia, seja de extrema-esquerda, seja de extrema-direita, leva um país à fome, à miséria, ao caos. Há vários exemplos para citar: Venezuela, Cuba, África, Coreia do Norte. Vários outros países agem desse jeito, tentam desqualificar, criar polêmicas, achar culpados em vez de soluções.
Esta Casa - eu gostaria que o povo brasileiro ouvisse isto - foi vítima, sim, de ataques, de fake news, mas nunca se furtou a buscar a vacina. Aliás, só foi aprovado o auxílio emergencial nesta Casa graças à atuação de dois de seus Presidentes: o Presidente Rodrigo Maia e o Presidente Arthur Lira.
Se nós fôssemos depender do "Ministro posto Ipiranga sem combustível Paulo Guedes", o País estaria em situação de caos, de miséria e meia.
Este é um momento de muita reflexão. Principalmente as alas mais moderadas não agem com impulso ideológico ou irresponsável, nem no ímpeto do "nós contra eles". Na minha opinião, está bem clara a situação, Presidente. Eu também sou uma pessoa mais liberal, de centro-direita, não acompanho os terraplanistas. Acho importante, sim, um homem de bem poder ter uma arma, mas hoje, entre a arma e a carteira de trabalho, Sr. Presidente, o povo escolhe a carteira de trabalho; entre a mão no coração e o prato na mão, o povo escolhe o prato na mão.
E, mais uma vez, o Governo Federal, no momento em que a fome afeta a Esquerda, o Centro e a Direita, se acovarda e aproveita o momento de rivalidade simplesmente para fazer retórica, para achar culpado. Não tem a capacidade de discutir e achar soluções, não tem a capacidade de mandar um plano estratégico, não tem a capacidade de liderar, como não liderou na questão da vacina, como não lidera no pós-pandemia. É uma vergonha, Sr. Presidente!
Digo a V.Exa. que muitas vezes eu vim para esta Casa animado, cheio de esperança. Hoje, quando eu tenho que pegar um avião para Brasília, eu fico desanimado - desanimado por ver um Parlamento que é tão criticado, criticado inclusive por nós que damos sustentação ao Governo. Eu vejo muito o pessoal falar da Esquerda e da Direita. E o Centrão? O que seria da democracia se não fosse o Centrão, se não fosse o Centro, se não fossem aqueles que respeitam o resultado das urnas, seja o eleito de esquerda ou de direita, e dão-lhe sustentação, não fazendo política de ódio nem de revanchismo?
Mas o medo não pode ser maior que a esperança, Sr. Presidente. V.Exa. não pode ter medo de colocar o dedo na ferida, como muitas vezes já fez, de fazer crítica pontual, porque a lealdade nossa, desta Casa, é para com o povo brasileiro. Nosso compromisso não é com o "nós contra eles", não é com a disputa entre o vermelho e o verde-amarelo, mas, sim, com o que está escrito na Bandeira Nacional: "Ordem e Progresso". Muda-se a configuração dos Estados, alguns deles são divididos, mas não há divisão dos brasileiros.
Nós precisamos de um pacificador, Sr. Presidente, e o pacificador, infelizmente, será o Congresso Nacional, serão aqueles Deputados e Senadores que, eleitos democraticamente, respeitarão o resultado das urnas, respeitarão as instituições que aí estão, que foram colocadas em xeque, como foi o caso da urna eletrônica, em que se usou uma estratégia do pé de chinelo do Trump, colocando o eleitor mais simples em risco.
Eu venho aqui porque sei que a maioria da população brasileira critica os Ministros do Supremo. Discordo de muitas decisões deles e acho que eles até extrapolam às vezes, mas a culpada é a Casa Legislativa, que não legisla nem coloca freios e contrapesos. Por outro lado, se não fosse a atuação de alguns Ministros do Supremo no combate à pandemia, quantos mortos nós teríamos, pela questão da vacina?
Infelizmente, chegou o momento de nós fazermos uma reflexão. Como disse o Presidente Michel Temer, talvez devêssemos votar o semipresidencialismo ou o parlamentarismo, porque, para ser Presidente neste País, é preciso entender de gente, mas é preciso também ter um mínimo de QI para entender de economia e respeitar a democracia.
Que Deus abençoe a todos e que possamos fazer nossa parte!
Muito obrigado.