CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 28.2021 Hora: 20:04 Fase:
Orador: Data: 30/03/2021

 A SRA. LUIZA ERUNDINA (PSOL - SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, eu quero usar este tempo de fala que me foi concedido para saudar o Presidente e o Colégio de Líderes por terem definido esta pauta com matérias absolutamente necessárias para contribuir com as condições de trabalho dos profissionais da saúde pública, do SUS, em relação ao combate à COVID-19.
Eu apelo para V.Exa., Presidente, e para os Líderes a fim de que seja pautado o Projeto de Lei nº 3.184, de 2020, que apresentamos há 10 meses. Ele propõe proteção aos sepultadores, com apoio psicológico e compensação financeira a esses trabalhadores que estão morrendo porque estão sendo contaminados. São pais de famílias pobres que levam para suas casas o vírus que contraem, evidentemente, ao colocarem a vida em risco quando abrem covas e colocam caixões de mais de 60...
(Desligamento automático do microfone.)

O SR. PRESIDENTE (Arthur Lira. Bloco/PP - AL) - Deputada Luiza Erundina, V.Exa. pode abrir o microfone. V.Exa. tem mais 1 minuto para concluir.
A SRA. LUIZA ERUNDINA (PSOL - SP) - Sr. Presidente, eu estava destacando a gravidade da situação dos sepultadores, nas condições de trabalho. Multiplicou-se em muitas vezes o número de corpos que eles enterram diariamente. E o estresse que eles sofrem ao verem familiares a distância, acompanhando a colocação na cova do caixão de um familiar, de um parente muito próximo, de alguém muito querido, sem dúvida, afeta a emoção, as condições psicológicas desses trabalhadores. Eles também são submetidos ao medo da morte e diretamente colocados em risco de contaminação com um vírus que já vitimou mais de 300 mil trabalhadores e trabalhadoras, brasileiros e brasileiras.
Então, Sr. Presidente, eu rogo que se coloque essa matéria em pauta. Vamos aprová-la e dar uma atenção especial a trabalhadores que são invisíveis. Ninguém chega perto deles, nem tem presente na sua mente ou no seu coração aqueles que trabalham com a morte, que estão próximos daquilo que o ser humano mais rejeita, que é o final da sua vida finita. Esta é a hora também de a sociedade reconhecer a contribuição desses trabalhadores e de o Estado socorrê-los, protegê-los e dar as condições necessárias e a contribuição justa a esses trabalhadores que se dedicam a uma atividade tão penosa, tão estressante e tão grave em termos risco à própria vida.
Obrigada, Sr. Presidente, pelo tempo que me concedeu.