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DISCURSO NA ÍNTEGRA ENCAMINHADO PELA SRA. DEPUTADA LAURA CARNEIRO (SEM REGISTRO TAQUIGRÁFICO).
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, cumprimento todos os presentes e, especialmente, aqueles que compreenderam a urgência de reconhecermos os verdadeiros guardiões da saúde pública brasileira.
Hoje, ao celebrarmos o Dia Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, honramos profissionais que representam a face mais humana e próxima do Estado brasileiro. São mulheres e homens que atravessam diariamente as fronteiras invisíveis entre o Poder Público e a vida real das comunidades, levando esperança onde muitas vezes só havia esquecimento.
Quando defendo nesta Casa políticas públicas, penso sempre naqueles que as executam na ponta, transformando leis em ações que salvam vidas. Os Agentes Comunitários de Saúde são exatamente isso: tradutores da linguagem técnica da medicina para o vocabulário do cuidado cotidiano. São eles que conhecem a Dona Maria, diabética da rua de cima; o seu João, hipertenso que resiste aos remédios; a mulher grávida, que precisa de acompanhamento pré-natal. Conhecem não apenas nomes e diagnósticos, mas histórias, medos e sonhos.
Isso é a essência de um sistema de saúde que se pretende universal e equitativo. Quando um Agente Comunitário de Saúde bate à porta de uma residência, carrega consigo todo o peso e a promessa do SUS. Suas orientações sobre alimentação saudável, vacinação ou cuidados básicos de higiene evitam internações, reduzem custos e, principalmente, preservam a dignidade humana através da prevenção.
Paralelamente, os Agentes de Combate às Endemias travam batalhas silenciosas contra inimigos microscópicos que ameaçam comunidades inteiras. Cada foco de mosquito eliminado, cada orientação sobre armazenamento adequado de água, cada inspeção realizada representa uma vitória contra doenças que historicamente castigaram nosso povo. Dengue, zika, chikungunya, febre amarela – nomes que evocam sofrimento, mas encontram resistência organizada no trabalho meticuloso desses profissionais.
Durante a pandemia de COVID-19, testemunhamos a resiliência extraordinária desses agentes. Enquanto o mundo se fechava, eles permaneciam nas ruas, adaptando protocolos, levando informações confiáveis, combatendo fake news, monitorando casos suspeitos. Foram heróis, armados apenas com máscaras, álcool em gel e uma coragem inabalável de servir.
Mas não podemos romantizar as dificuldades que enfrentam. Muitos trabalham em condições precárias, com salários inadequados, sem equipamentos de proteção suficientes, enfrentando violência urbana e rural. Como legisladores, temos a obrigação moral de assegurar condições dignas para quem garante a saúde de milhões. Valorização salarial, formação continuada, segurança no trabalho – essas não são reivindicações, são direitos fundamentais.
A integração entre Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias cria uma rede de proteção que vai além da saúde física. Eles identificam violência doméstica, abandono de idosos, evasão escolar. São sentinelas sociais que enxergam o Brasil profundo, aquele que não aparece nas estatísticas oficiais, mas pulsa nas periferias urbanas, nas comunidades ribeirinhas, nos assentamentos rurais.
Quando penso no futuro do SUS, vejo esses agentes no centro de qualquer projeto de modernização. Tecnologia é importante, hospitais equipados são essenciais, mas nada substitui o olhar atento de quem conhece cada família, cada criança, cada idoso de sua área de atuação. São eles que transformam dados em rostos, números em narrativas, políticas públicas em realidade.
Esta homenagem é o reconhecimento de que a saúde pública brasileira tem nome, sobrenome e endereço. Tem o rosto cansado, mas determinado de milhares de agentes que acordam cedo, enfrentam sol e chuva, sobem morros, atravessam rios, percorrem quilômetros para garantir que o direito constitucional à saúde não seja letra morta.
Aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Combate às Endemias, nossa gratidão profunda. Vocês são a prova viva de que o Brasil tem solução quando investe em sua gente, valoriza quem trabalha, reconhece que a verdadeira riqueza de uma nação está na saúde e no bem-estar de seu povo.
Que esta sessão solene simbolize o compromisso renovado desta Casa com o fortalecimento e a valorização permanente desses profissionais essenciais. Muito obrigada!