CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 205.2019 Hora: 18h28 Fase:
  Data: 06/08/2019

Sumário

Exigência de esclarecimento do acordo celebrado entre os Governos do Brasil e do Paraguai, a respeito da venda de energia excedente da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

 O SR. IVAN VALENTE (PSOL - SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesta semana aconteceu um fato inusitado. O Brasil tinha assinado um acordo, via Itaipu Binacional, com o Paraguai, sobre questão energética. De repente, lá no Paraguai, surgiu um forte movimento de impeachment, de impedimento do Presidente paraguaio. Nós aqui acompanhamos o caso só pela imprensa. Rapidamente Bolsonaro ajudou o Presidente Mario Abdo Benítez a revogar esse acordo, porque ele, o Presidente do Paraguai, estava sob pressão e ia perder o cargo.
Ninguém entendeu direito o que aconteceu, mas agora estão aparecendo as coisas. O buraco é mais embaixo. O acordo era lesivo ao Paraguai. Agora aparecem uns nomes. Os nomes estão aparecendo. Um advogado, José Rodríguez González, representando o Vice-Presidente da República paraguaio, relatou ter participado em maio de reunião em Ciudad del Este com dirigente da estatal paraguaia ANDE, representando o Vice-Presidente Hugo Velázquez. Sabem quem participou dessa reunião? Alexandre Giordano, suplente de Senador do PSL de São Paulo. E existe uma companhia, uma empresa privada, chamada Léros, interessada em comprar energia do Paraguai!
Agora, lá no Paraguai, está o maior bochicho. O bicho está pegando. Rádios e TVs paraguaias estão até ligando para os Deputados brasileiros, porque, na verdade, o Presidente da República brasileiro, Bolsonaro, teve uma reunião com Mario Benítez no mesmo dia, em Foz do Iguaçu, em que Alexandre Giordano, suplente de Senador, colocou-se como representante do Governo brasileiro junto com alguém da empresa Léros!
O processo era lesivo ao interesse do Paraguai. Por isso, renunciaram o chanceler, o embaixador no Brasil e o presidente da estatal paraguaia. O impeachment só não prosseguiu imediatamente porque Bolsonaro apareceu para salvá-lo.
A imprensa brasileira está agora levantando que um filho do Presidente Bolsonaro pode ter participado das negociações, que eram lesivas ao interesse do Paraguai. É ilegal que a energia excedente seja vendida por preço mais baixo a empresas privadas, e eles criaram uma cláusula para que fosse vendida a empresas privadas.
Agora este cidadão, Alexandre Giordano, está negando que esteve no Paraguai, que esteve com a Léros, até de maneira contraditória ao que disse em entrevistas para o jornal O Globo, para a Folha de S.Paulo, para a revista Piauí, mostrando que ele participou de todo esse processo.
Por isso, Sra. Presidente, apresentamos hoje vários requerimentos de informação, para que sejam dirigidos ao Ministério da Economia, ao de Minas e Energia, ao das Relações Exteriores e ao Gabinete Pessoal do Presidente da República, a fim de sabermos se o Sr. Alexandre Giordano circulou por lá.
Em segundo lugar, nós queremos saber como foram feitos os pareceres, o que municiou a assinatura desse acordo com a Itaipu Binacional, esse acordo entre o Brasil e o Paraguai, e também a base legal que foi utilizada para se revogar essa medida.
Nós queremos saber até onde os interesses da família Bolsonaro entraram nisso. Queremos saber até onde Alexandre Giordano, suplente do Senador Major Olimpio, do PSL, Líder do Governo no Senado Federal, tem participação direta nessa questão, nessa ilegalidade para salvar o Presidente do Paraguai. Até onde? Nós queremos saber.


USINA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU, ENERGIA ELÉTRICA EXCEDENTE, CRISE POLITICA, PARAGUAI.
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