CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 202.3.54.O Hora: 20:02 Fase: OD
Orador: RODRIGO MAIA, DEM-RJ Data: 09/07/2013

O SR. RODRIGO MAIA (DEM-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, achei estranha e extemporânea a entrada deste requerimento na pauta da Ordem do Dia. Aliás, o PT, com a crise que vive hoje, não apenas do partido, mas também e principalmente do Governo, de fato precisa mudar a agenda. A cada semana é uma agenda. A pressão em cima do plebiscito é permanente, e o Governo não discute o que de fato a população cobra do Governo Federal e dos Governos Estaduais e Municipais nas ruas. Este caso, agora, desta moção de repúdio é mais uma tentativa do Governo, sem nenhuma base concreta ainda, para quê? Para tentar tirar da agenda o que de fato a população está cobrando de nós.

Que nós possamos também fazer moções de repúdio contra o BNDES! Eike Batista pegou emprestado, Sr. Presidente, 10 bilhões de reais do BNDES, e não há nenhuma ação de emergência e de urgência nesta Casa para chamar o Presidente do BNDES a esta Casa para discutir o dinheiro que Eike Batista pegou emprestado. O JBF pegou 8 bilhões, o valor da empresa caiu 3 bilhões de reais no mercado, e não há ninguém preocupado com isso.

Sr. Presidente, queria uma moção de repúdio contra o Presidente do BNDES, contra este Governo, o Governo que destrói as contas públicas, que está burlando as contas do Brasil. Quebraram a PETROBRAS, e até agora eu não vi esta Câmara, a Maioria, o PT, preocupados em chamar a PETROBRAS aqui para esclarecer o que aconteceu. Não. O Governo precisa mudar a agenda, precisa criar uma espuma para essa agenda, e nós não podemos aceitar isso.

Eu acho que o Governo criou hoje Comissão para investigar este caso. Vamos esperar, Sr. Presidente, que aprofundem as investigações, não vamos criar nenhuma nota de repúdio do interesse do PT, de tentar desviar a agenda. Esta não é a agenda! O Brasil quer do Congresso uma agenda em que nós votemos os temas que são urgentes e relevantes: contra a corrupção, pela melhoria do serviço público, pela transparência. A Presidente Dilma Rousseff falou, em cadeia de rádio e televisão, em transparência, e nós fazemos as perguntas ao BNDES.

Eu convidei, pela Comissão de Finanças - foi aprovado na Comissão -, o Ministro da Fazenda, para falar do acordo de 2 bilhões de reais entre o Banco do Brasil e o Banco Votorantim. Ele se negou a vir à Câmara para falar sobre essa aplicação do Banco do Brasil, de mais 2 bilhões, no Banco Votorantim.

O Governo salvou o Banco PanAmericano através da Caixa Econômica Federal, e ninguém fala nada, e não podemos investigar. Não há transparência. É essa a transparência que nós queremos cobrar do Governo.

E o que nós queremos repudiar são esses atos do Governo, que, em vez de enfrentar a crise profunda na economia que há hoje e com a sociedade, prefere criar agendas que colocam o Congresso numa situação muito ruim. Na hora em que o Governo insiste - e continua insistindo hoje - com o plebiscito, tenta transferir para o Congresso os seus problemas, a sua crise. A crise não é do Congresso. O Congresso nunca negou a este Governo ou a qualquer outro a votação de matérias urgentes. Nós não podemos, neste caso e em todos os outros, deixar que o Governo saia da agenda que é a Ordem do Dia. Na agenda da ordem do dia da sociedade estão os temas que levaram milhões de brasileiros às ruas. Nós precisamos dar essas respostas, e uma moção como esta apenas vem tentar mudar as manchetes do jornal de amanhã. Não há nenhuma justificativa para que a Câmara, desta forma, aprove uma moção de repúdio neste momento.

Vamos esperar as investigações. O Governo tem seus instrumentos. Aí, sim, nós poderemos tomar uma atitude, do Poder Legislativo, do Poder Executivo. Comprovados esses fatos que estão sendo vazados, de fato o Poder Legislativo tomará uma posição. Mas o que o Governo quer, de verdade, é não tratar da corrupção, é não tratar de transparência, é não tratar dos temas que estão na Ordem do Dia, como a melhoria da qualidade da saúde, a melhoria da segurança pública - a PEC nº 300 -, a melhoria dos transportes.

É tudo publicitário. É o João Santana mandando no Brasil.

Por isso, eu, Deputado Rodrigo Maia, voto contra esta moção.