CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 159.2026 Hora: 15:52 Fase: BC
Orador: Carla Dickson, PL-RN Data: 02/09/2026
Texto sem Redação Final

A SRA. CARLA DICKSON (PL - RN. Sem revisão da oradora.) - Sra. Deputada Presidente desta sessão Adriana Ventura, é um prazer estar com V.Exa. aqui.

Eu começo a minha fala dizendo que, no Brasil, atualmente, vale mais a pena ser bandido preso do que mãe atípica. O bandido preso tem três refeições diárias, direito a saidinhas, mesmo cometendo crime hediondo, como a gente viu. Um cara com 121 anos de prisão, estuprador, foi solto na saidinha do Dia dos Pais e estuprou novamente. Eles têm direito a banho de sol, Deputado Sargento Fahur. A família do bandido tem garantia de auxílio-reclusão que em alguns Estados chega a até 2 mil reais. E para as mães atípicas, para as famílias atípicas do Brasil, o que o atual Governo tem? Nada — nada de concreto.

Quando o laudo chega à casa de uma mãe atípica — em 80% das famílias, acontece isso —, o laudo entra por uma porta, o pai sai por outra, e a mãe fica sozinha para cuidar dessa criança. Ela não pode trabalhar, porque o BPC impede que a mãe trabalhe. O Governo acha que o BPC de 1.621 reais dá para comer, pagar terapia e comprar medicamento — um remédio custa 320 reais, que é o Aristab.

Essas mulheres, além de perderem o casamento e o emprego, elas perdem os sonhos e se perdem delas mesmas. Elas têm 30% mais chances de ter ansiedade, depressão e ideação suicida, porque não existe tratamento ou acompanhamento, nem pelo Governo Federal, nem pelo Governo do Rio Grande do Norte, que chegue para essas crianças com autismo, TDAH e TOD; muito menos, acompanhamento psicológico para essas mães atípicas.

Hoje, nós tivemos uma vitória na Comissão de Previdência Social e Família: o PL 1.520/2025, que institui o Auxílio Mãe Atípica. O substitutivo aprovado garante 600 reais. Mas eu vou lutar, porque, no Governo Bolsonaro, com uma pandemia de Covid e guerra, mãe solo, típica e atípica no Brasil, ganhava 1.200 reais, e, agora, neste Governo, zero!

E este é o Governo dos pobres, é o pai dos pobres: quanto mais pobre ficar, mais fácil de manobrar!

Mães atípicas de todo o Brasil, o PL AMA foi aprovado hoje! Mas, na próxima Comissão, a minha luta é para, pelo menos, um salário mínimo, independentemente de BPC, Bolsa Família, Programa do Leite e de todo tipo de humilhação que vocês passam no Brasil e no Rio Grande do Norte.

Ouvi uma fala que me comoveu. Existe o Programa do Leite no Governo do Estado do Rio Grande do Norte — e deve existir em vários Governos do Brasil —, pois a mãe atípica que tem BPC não pode receber o leite. Existe a fila dos cadastrados e a fila do resto, e a mãe atípica vai para a fila do resto. Bêbado recebe, drogado recebe, gente com tornozeleira recebe, mas, quando descobrem que é uma mãe atípica com BPC, ela não recebe. Esta é a realidade que está acontecendo lá na ponta. No Ministério da Saúde, é um blá-blá-blá muito bonito, mas, na verdade, não existe nada efetivo.

Nesta Casa, eu solicito, há 1 ano, a urgência desse projeto. Isso não é bondade que nós estamos tendo com essas mulheres, não, com essas famílias atípicas, não. Isso é uma retratação histórica, porque nada se faz de terapia muito menos para um bebê, uma criança e um adulto.

A gente sabe que existem possibilidades de colocar adulto autista no mercado de trabalho. E o meu mandato está à disposição disso.

Uma das coisas com que eu termino a minha fala é parabenizando o Ministro André Mendonça pela coragem, pela verdade e por ser um dos únicos Ministros de vergonha no STF.

Oremos por André Mendonça!

Ministro André Mendonça, cuidado com aviões, jatinhos e helicópteros, porque a gente já sabe como é o modus operandi dessa turma do mal.