CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 010.3.54.O Hora: 17:06 Fase: OD
Orador: CARLOS SAMPAIO, PSDB-SP Data: 20/02/2013

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobres pares desta Casa, preferiria eu, confesso a V.Exas., não ter que vir aqui hoje defender a aprovação deste requerimento. Preferiria eu, nobres pares, que a recepção à blogueira Yoani Sánchez fosse a recepção típica de um país democrático, que respeita a liberdade de expressão, que respeita a liberdade de imprensa, que, portanto, realmente resguarda os direitos humanos.

Sr. Presidente, a blogueira Yoani aqui chega para falar do seu cotidiano, para falar do seu dia a dia em Cuba, das suas aflições, do contexto de ser moradora de Cuba. Ela não veio aqui, não veio a esta Câmara, não veio a este País, é importante que se ressalte, para falar mal de quem quer que seja, não veio para falar mal dos outros: veio para falar bem daquilo que defende, justamente a liberdade de expressão.

Qual não foi nossa surpresa, enquanto maior partido de oposição? A primeira recepção que se dá a ela vem por meio da Embaixada de Cuba, onde estavam integrantes do Partido dos Trabalhadores, representantes do Ministro Gilberto Carvalho, para receber da Embaixada um dossiê, aquilo em que o PT já até se especializou - em fraudar dossiês. Estava lá um representante do Sr. Gilberto Carvalho, Ministro da Presidente Dilma, para receber esse dossiê, para divulgá-lo nas redes sociais e difamar a Sra. Yoani Sánchez. Essa foi a recepção brasileira a alguém que se tornou uma embaixadora da defesa da liberdade de expressão em todo o mundo, não só na América Latina.

Nossa surpresa, Sr. Presidente, foi com a ferocidade com que ela foi recebida por alguns integrantes dos partidos que compõem parte da base aliada, integrantes do PCdoB, integrantes do PT. Não sei se falam pela maioria desses partidos, mas fizeram questão de se posicionar contrariamente à vinda dela a esta Casa, totalmente contrários a que esta Casa, a Casa do Povo brasileiro, recepcionasse uma verdadeira embaixadora da liberdade de expressão em todo o mundo.

A recepção foi de tal forma virulenta e de tal forma violenta, que na Bahia ela foi impedida de falar. Ela, que em Cuba se dizia estava tolhida em seu direito de expressão, ela que foi presa e espancada, chega ao Brasil, e que recepção recebe de integrantes do Governo Federal? A recepção se dá com a mesma violência e com a mesma virulência.

Não se concebe isso num País democrático. Eu quero dizer à Sra. Yoani que o PT não fala pela Nação. A Nação se compõe de vários partidos, de milhares de brasileiros, e o PT não expressa o sentimento da Nação. A Nação se expressa das mais variadas formas.

Peço desculpas à Sra. Yoani pela recepção que teve do Governo Federal. Peço desculpas pela recepção que teve do Partido dos Trabalhadores, que participou de uma reunião na Embaixada cubana para divulgar um dossiê contra a sua pessoa. É inadmissível isso num País democrático.

Repito: eu jamais imaginei que fosse estar nesta tribuna para defender que se garantisse segurança a uma pessoa que visita este País em missão de paz, para falar do seu cotidiano, das suas aflições. Ela não veio falar mal de Cuba. Deixou claro ao Brasil que quer viver e criar seus netos em Cuba. Ela veio falar mal de um regime ditatorial que, dito de esquerda, simplesmente impede que as pessoas se manifestem. Um único partido, uma única imprensa! Que país é esse que estamos querendo defender afrontando e aviltando os direitos da Yoani em nosso País? Isso é inconcebível, Sr. Presidente. É inconcebível.

A pergunta que todos fazemos é: que recepção é esta?

Disse bem o Deputado Caiado. O terrorista assassino, homicida, que foi expurgado de outros países foi recebido com tapete vermelho no Palácio do Planalto. Para Cesare Battisti, tapete vermelho; para a Sra. Yoani, embaixadora dos direitos humanos e da liberdade de expressão, agressão verbal. Chega-se às vias de fato. Um Deputado nosso, o Deputado Domingos Sávio, foi agredido por esse turbilhão de pessoas que não queriam ouvi-la, que não queriam que ela se expressasse.

Que País é este?

Eu, se fosse a Presidente Dilma, me envergonharia da conduta de seu Ministro Gilberto Carvalho, me envergonharia da atitude de seu partido de se reunir numa embaixada para receber dossiês contra uma visitante neste País. Eu me envergonharia.

Acho que foi importantíssima a iniciativa do Deputado Otavio Leite, do PSDB, de trazê-la para dentro desta Casa, para que pudéssemos dizer-lhe: "Você tem, sim, Yoani, o direito de dizer o que pensa. E é nesta nossa Casa que você vai dizer o que pensa. Se aí fora tentam tolhê-la, aqui você fala o que pensa e como pensa, porque você tem liberdade neste País, que vive na democracia."

Reputo fundamental, depois do que vi hoje, que ela tenha, sim, segurança deferida pelo Estado, por este Estado que a aviltou, este Estado que espalhou dossiês, este Estado que tentou falar em nome da Nação, mas que representa tão somente o Partido dos Trabalhadores.

Não concebo a ideia de que aquilo que é bom para o Partido dos Trabalhadores ou para qualquer outro partido deste País é fruto da verdade e do sentimento da Nação. O sentimento da Nação vai muito além dessas posições mesquinhas.

Meus mais sinceros pedidos de desculpas à Sra. Yoani. Este é um País democrático. Muito obrigado por ter vindo a este Parlamento, Sra. Yoani, mostrar à Presidência da República e ao Partido dos Trabalhadores que, apesar de tentarem de todas as formas, não conseguiram impedir que V.Sa. falasse ao Brasil e ao mundo da sua indignação contra uma ditadura de esquerda que impede a liberdade de imprensa, a liberdade de comunicação e os direitos humanos.

Muito obrigado, Sr. Presidente.