CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 19.2021.B Hora: 09:40 Fase: BC
Orador: PROFESSORA ROSA NEIDE, PT-MT Data: 31/03/2021

A SRA. PROFESSORA ROSA NEIDE (PT - MT. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, demais pares, meus cumprimentos nesta manhã.

Gostaria de me pronunciar, diante de todo o País, para dizer que o 31 de março é para ser lembrado como o dia que durou longos e sofridos 21 anos.

As ameaças ali alegadas eram na verdade as ameaças das reformas de base em favor da população - bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária - e do direito mais amplo ao voto e à participação popular. O que estava em jogo era a necessidade da presença mais forte do Estado na vida econômica e do povo e uma cutucada nos rincões da elite do País.

As violações sistemáticas dos direitos humanos pelo Estado desencadeadas durante o regime da ditadura civil-militar são inegáveis e ainda causam dor e revolta: torturas, mortes, desaparecimentos, prisões políticas, banimentos, 4 mil cassações de mandatos, uma cifra incalculável de exilados e de refugiados, conforme sinalizam documentos em nosso País. E apareceu alguém para, já durante a democracia, expressar o que existe de pior, apoiar a tortura, o estupro, aceitar absurdos que alimentam o ódio e a violência: "O erro da ditadura foi torturar e não matar", "Pela memória do Coronel Ustra, o pavor de Dilma Rousseff (...)", "Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura", "Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre!", "(...) se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando pelo FHC (...)".

Os seus familiares e apoiadores, saudosistas de tempos sombrios, puderam propor o fechamento do Congresso e a perseguição a Ministros e a outras pessoas. E ele, fazendo arminha, cumpre a promessa de matar muitos, já está a matar, porque, por conta da fome e da pandemia, milhares de brasileiros têm perdido as suas vidas.

Hoje, instituições dedicadas à defesa nacional são achincalhadas por um ex-militar que ocupa a Presidência.

As Forças Armadas não podem ser abrangidas, tomadas por um projeto de ditador, que, segundo matéria da imprensa, só em março utilizou três vezes a expressão "meu Exército". O Exército, as Forças Armadas são do Estado brasileiro. Há um absurdo desrespeito às instituições que são do Estado, que não devem se vergar para governos nem jamais ir além do que demarca a Constituição.

Bolsonaro, respeite as Forças Armadas! Respeite as instituições! Respeite o STF, o Parlamento! Respeite a democracia! Bolsonaro...


(Desligamento automático do microfone.)