02 de março de 2005
Celso Amorim deverá pedir
retratação pública de Lamy
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
vai receber um indicativo da Câmara dos Deputados para que
ele cobre retratação pública do francês
Pascal Lamy. Em recente conferência, o candidato a diretor-geral
da Organização Mundial do Comércio (OMC)
declarou considerar a Amazônia e outras florestas tropicais
do planeta "bens públicos mundiais" e submetidas
a gestão da administração da comunidade internacional.
"É o discurso em defesa da internacionalização
da Amazônia, um desrespeito a nossa soberania. Como disse
o ministro Amorim, trata-se de uma visão preconceituosa
e que subestima nossa capacidade em administrar os recursos naturais
do país", disse a deputada federal Vanessa Grazziotin
(PCdoB), autora do requerimento ao chanceler. Como é um
indicativo, o documento é acolhido pela mesa da Casa e
enviado ao ministério.
A deputada Vanessa justificou sua iniciativa: "O governo
precisa tomar uma posição mais contundente em relação
ao problema. Não basta criticarmos tais declarações
por meio da imprensa. É preciso que ele saiba que na sua
posição, ou seja, candidato à direção
da OMC, tenha mais cuidado com suas declarações".
Lembrou que "esse tipo de investida contra a Amazônia"
não é novidade. Fez menção ao que
disse em 1989 o então vice-presidente dos Estados Unidos,
Al Gore. Dizia ele: "Ao contrário do que os brasileiros
pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos
nós". No mesmo ano, o presidente da França,
François Miterrand, afirmava que o Brasil precisava aceitar
uma soberania relativa sobre a Amazônia.
Também em 1983, a primeira-ministra inglesa Margareth
Tatcher já havia dito: "Se os países subdesenvolvidos
não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam
suas riquezas, seus territórios e suas fábricas".
"O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia
aos organismo internacionais competentes", afirmou, em 1992,
o então presidente da extinta União Soviética,
Mikahil Gorbachev.
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