Diário do Amazonas
11 de fevereiro de 2005
Serafim vai instalar Conselho da Mulher
O conselho municipal dos direitos das mulheres, que irá
se chamar “Conselho Municipal da Condição
Feminina”, será instalado em Manaus até o
dia 8 de março, dia Internacional da Mulher. A informação
foi dada, ontem, pelo prefeito Serafim Corrêa (PSB), durante
visita da deputada federal Vanessa Grazziotin e da vereadora Lúcia
Antony (ambas do PCdoB) ao chefe do Executivo da capital.
O Conselho, que já foi aprovado pela Câmara Municipal
de Manaus (CMM) em 1998 e sancionado pelo então prefeito
Alfredo Nascimento (PL), até hoje não havia sido
instalado. “Ele tem como principal função,
auxiliar a Prefeitura e as secretarias a elaborar políticas
públicas para o município, visando eliminar a discriminação
da mulher”, disse Lúcia Antony. “Isso significa
a existência de um órgão que vai ter a fiscalização,
o controle, as iniciativas de propostas, no sentido de que as
mulheres tenham seus direitos respeitados”, afirmou Serafim.
Manaus é uma das exceções do país
onde o Conselho não funciona e segundo a deputada federal,
que foi a autora do projeto de lei que criou o Conselho, apresentado
em 12 de setembro de 1989, nunca houve interesse, dos prefeitos
anteriores, em instalá-lo. “Eu já tinha trazido
para outros prefeitos e nunca foi feito. Já o Serafim está
se comprometendo em realizar isso”, disse.
O Conselho será formado por seis representantes da Prefeitura
e cinco do movimento de mulheres. Os membros serão nomeados
por Serafim, com funções não-remuneradas.
Após sua instalação, a Prefeitura poderá
fazer alterações na Lei, caso necessário.
Essa foi a primeira visita ao prefeito realizada pela deputada
federal, que promete levar, aos poucos, algumas sugestões
de projetos que faziam parte de seu programa de governo, quando
candidata à Prefeitura, no ano passado. “Não
posso trazer tudo de uma vez, mas de pouquinho vou trazendo, de
acordo com o melhor momento, a melhor oportunidade. É um
programa de governo que eu não fiz para mim, mas para a
população”, argumentou.
Vanessa também lembrou que Serafim também havia
feito uma visita ao gabinete dela, em Brasília, já
como prefeito. “Sempre vou pleitear, mas sem pedir nada
em troca, pois seis que ele (Serafim) é uma pessoa correta.
Ele que conte comigo, para que a gente possa, em Brasília,
ajudar ao máximo”, disse.
Além da deputada e da vereadora, um grupo de representantes
do movimento de mulheres fez pedidos a Serafim e apresentou propostas
de atividades comemorativas ao dia Internacional da Mulher.
Bloco partidário será lançado na terça-feira
Durante a visita ao gabinete de Serafim, Vanessa anunciou o lançamento
do “bloco partidário”, que será instituído
a partir da abertura dos trabalhos na Câmara federal, em
Brasília, na próxima terça-feira, 15. O bloco
será formado por cinco partidos: PCdoB, PV, PPS, PDT e
PSB, que juntos, tentarão conquistar a terceira bancada
da Câmara, já que sozinhos, eles não conseguem
ter a representatividade suficiente para disputar espaço
com outras legendas maiores, como PFL e PMDB.
Vanessa disse que o bloco deveria ter sido lançado antes
do recesso do carnaval, mas a direção do PPS pediu
tempo para colher as assinaturas suficientes dos parlamentares.
“A decisão de lançar o bloco depois do carnaval,
é para que haja o impacto político que o assunto
merece”, disse.
Ela acredita que a saída do PPS e do PDT da base aliada
do governo Lula não irá prejudicar a atuação
dos parlamentares no bloco. “É um problema, entretanto,
são partidos que têm trabalhado em conjunto conosco,
ou seja, as posições políticas que eles adotam,
são muito semelhantes. As diferenças existem, mas
no concreto, eles apóiam”.
Com a criação do bloco partidário, a maior
bancada da Câmara Federal fica com o PT, que tem 90 parlamentares,
a segunda é do PMDB, com pouco mais de 70 deputados e em
seguida vem o bloco, que terá cerca de 60 membros.
Serafim defende a criação do bloco e até
incentiva. “Eu inclusive participei a nível nacional,
junto com o ministro Eduardo Campos e o deputado Renato Casagrande,
das articulações no sentido da formação
desse bloco”. Segundo ele, “há quem defenda
até que isso é um embrião de um futuro partido
político”.
Cláusula de barreira preocupa
Outra questão avaliada pela deputada federal Vanessa Grazziotin
é a reforma política do governo, que deve ser trabalhada
já esse ano, antes mesmo da eleição de 2006.
Segundo ela, deve haver mudança na legislação,
principalmente quanto à cláusula de barreira, cujo
partido político que não alcançar 5% do eleitorado
em território nacional, em no mínimo 9 Estados do
país, não terá mais funcionamento parlamentar,
ou seja, deixará praticamente de existir.
“Isso é muito ruim, porque nós temos partidos,
apesar de pequenos, mas importantes no país, como é
o caso do meu partido, PCdoB, e o próprio PSB, que alcançou
os 5% apenas nas últimas eleições”,
disse Vanessa.
De acordo com a deputada, existem duas “salvações”
para os partidos pequenos: uma delas é mudar a legislação,
diminuindo a cláusula de barreira, a outra é acrescentar
novos dispositivos à Lei, permitindo a existência
de federações políticas, ou seja, uma coligação
permanente de vários partidos, “para que esses possam
ter competitividade”.