05 de março de 2004
Diário do Amazonas
04 março de 2004
Pedido de vistas adia decisão
sobre porto
A decisão sobre o recurso do Governo do Estado solicitando
uma reconsideração de liminar que mantém
o controle do Porto de Manaus com as empresas arrendatárias
Estação Hidroviária do Amazonas e Empresa
de Revitalização foi adiada mais uma vez. O presidente
do Superior Tribunal de Justiça, ministro Nilson Naves,
relator do processo julgado na sessão de ontem, negou o
pedido de reconsideração, mas o ministro Rafael
de Barros Monteiro solicitou tempo para analisar melhor o processo
antes devotar a questão.
Em seu relatório, Naves considerou que a alegação
do Governo de que o contrato de licitação que resultou
no arrendamento do Porto é irregular não poderia
ser considerada na sessão. "Se o negócio é
ilícito ou não, não vem o caso. Isso pode
ser decidido em âmbito administrativo normal",disse,
antes de anunciar seu voto contrário ao pedido de reconsideração.
Antes de iniciar a votação dos ministros ao relatório
do presidente, o ministro Barros Monteiro pediu vistas ao processo,
o que significará mais tempo para analisá-lo antes
de emitir uma opinião, que será expressa por meio
de voto contra ou a favor. Com isso, as partes envolvidas no processo(Governo
do Estado e empresas concessionárias) vão ter de
aguardar a conclusão da análise do ministro e a
inclusão novamente do processo na pauta de julgamentos
da Corte Especial, que ocorre a cada 15 dias. O procurador-geral
do Estado, Frânio Lima, explica que o julgamento desse recurso
(chamado de agravo de instrumento) é mais uma "peça"
do processo,o que não significaria uma decisão final
sobre a questão. "Não foi uma decisão
de mérito, assim como também não foi aquela
em que os ministros do STJ determinaram ser da Justiça
Federal a competência para julgar o processo", comenta.
O advogado das empresas arrendatárias, Luiz Felipe Belmonte,
considerou positiva a negativa do presidente do STJ ao pedido
de reconsideração da decisão de manter as
empresas no Porto. "O ministro mostrou de forma minuciosa
o descabimento da pretensão do Estado de resolver essa
questão nesta via. Uma decisão para a qual ainda
não houve nem contestação na fase inicial
não pode ser discutida pela corte plena no STJ", alega.
A decisão que o Governo do Estado pede reconsideração
é do desembargador Mário César Ribeiro, do
Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que por meio
de mandado de segurança devolveu o controle do Porto às
empresasa arrendatárias, no ano passado. Dias antes, o
controle estava com o Governo do Estado, que tinha em seu favor
liminar da desembargadora Selene Maria de Almeida.
Além dessa decisão, o governo também aguarda
julgamento de uma Ação Popular movida pela deputada
federal Vanessa Grazziotin, que contesta a legalidade do contrato
de licitação elaborado em 2001 no governo de Amazonino
Mendes e que resultou no arrendamento do Porto. A Ação
está sendo analisada por Selene Maria de Almeida.
Aproveitando a proximidade que tem o ministro da articulação
política,Aldo Rebelo, do PCdoB, a deputada federal Vanessa
Grazziotin (mesmo partido) reuniu-se ontem com ele para expor
assuntos que ela diz considerar importantes para o Amazonas, que
são a resolução definitiva para o impasse
sobre o controle do Porto de Manaus e a construção
do gasoduto Coari-Manaus.
Após a conversa, Grazziotin informou que o Governo Federal
é a favor de que a administração do Porto
de Manaus volte para o Governo do Estado. "O Governo defende
a tese que defendemos de que o Estado encontre uma formade fazer
uma outra licitação, ou não, mas que seja
algo legal e não aquiloque foi feito", diz, referindo-se
ao contrato de 2001.
Sobre o gasoduto, a deputada teve a confirmação
de que o Governo é a favorda construção da
obra que, de acordo com ela, vai mudar a matrizenergética
do Estado e poderá abrir caminhos para a realização
de outrosinvestimentos da Petrobrás na região. Grazziotin
comenta que aapresentação de outra proposta de exploração
do gás natural do Urucu, comoa que defende a construção
do gasoduto até a BR-319 e de lá para todoAmazonas
e Rondônia, é uma forma de retardar ainda mais o
processo. "Nós estamos há mais de uma década
lutando pelo gasoduto, ou seja, mais deuma década que técnicos
sentam à mesa e discutem o problema tecnicamente.Tiveram
várias reuniões técnicas pra discutir toda
as alternativas e aalternativa que foi aceita por todos foi essa",
finaliza.