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24 de maio de 2004

Jornal A crítica
Data: 24.05.2004

Vanessa e Sinésio unidos

A primeira chapa majoritária para disputar a Prefeitura de Manaus está formada. Ontem, ao final do Encontro Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), o documento elaborado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) propondo o lançamento do nome da deputada federal Vanessa Grazziotin e do deputado estadual Sinésio Campos para concorrer ao cargo de prefeita e vice-prefeito no pelito municipal de 3 de outubro foi acatado por 136 dos 144 delegados petistas presentes ao evento.

Com esta aliança, a candidatura de Vanessa ganha uma ajuda de peso, com o apoio do partido do presidente da República, que como maior vantagem dispõe do maior espaço de tempo - sete minutos - durante a propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV. "Este é um dos passos mais importantes dados até agora por partidos membros da esquerda", afirmou a deputada federal.

Ela explicou que há alguns meses já havia um pré-acordo entre os dois partidos, com o sonsentimento tanto das lideranças locais quanto nacionais. "Talvez a nossa aliança com o PT seja a mais sólida em relação aos demais partidos da base aliada do Governo Federal. Estamos apoiando candidaturas petistas em aproximadamente 17 capitais do País", contabiliza Vanessa.

"Estamos saindo de um ponto firme, que não é o partido só, mas sim, associado a um outro que tem peso eleitoral e que faz parte da base aliada do Governo Federal", diz Sinésio Campos. De acordo com a candidata cabeça de chapa, a partir da consolidação deste acorso, os dois partidos irão trabalhar para ampliar esta coligação.

"Não queremos concorrer em boas condições, mas ter condições de vitória. Vamos discutir com os demais partidos aliados a importância deste momento", frisou Grazziotin. Ela, inclusive, não descartou futuras mudanças na questão da formação desta chapa. "Não estamos absolutamente trincados nisso, entretanto, qualquer mudança irá passar por uma discussão entre os dois partidos", destacou. A chapa, no entanto, terá dificuldades de ser endossada com o apoio de partidos expressivos como PPS, PL e PSB. Estes partidos defendem o lançamento de candidatura própria.

MEMÓRIA

Em abril, durante reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, foi confirmado que o partido do presidente Lula teria candidato próprio em 24 capitais brasileiras, sendo que em 16 deveria se coligar com o PCdoB.


Carta ao PT
Luta e compromisso com a mudança - Defesa da unidade na disputa eleitoral.
Companheiros, As eleições de 2004 serão o primeiro grande embate do governo Lula. Para as forças progressistas vitoriosas na disputa presidencial de 2002, representa a oportunidade de consolidação do projeto político construído pelos setores progressistas da sociedade brasileira.

As forças conservadoras tentarão antecipar o julgamento do novo governo nacionalizando o debate eleitoral e impondo um caráter plebiscitário ao pleito. Para tanto, contam com o apoio de poderosos representantes dos interesses nacionais e internacionais que foram derrotados nas urnas e agora se sentem contrariados.

Os limites da democracia liberal burguesa e a própria composição do governo Lula, aliados ao quadro internacional adverso, restringem as possibilidades de ação e impõe cautela na avaliação dos resultados alcançados porque vivemos um processo de transição e não de ruptura.

A aliança que conduziu Lula à presidência teve que ser suficientemente ampla para que se viabilizasse a vitória nas urnas, por outro lado, a execução das propostas exige que o governo estenda suas bases de sustentação a todos os setores que compõe o congresso de maioria conservadora, o que repercute nas medidas adotadas.

Assistimos assim, a manutenção da política econômica conservadora (controle fiscal, cambial e monetário) em contraponto as demandas da sociedade e a posição unânime das forças progressistas que pregam e cobram a mudança e não o continuísmo.

A postura do governo no cenário internacional e as manifestações recorrentes de Lula, reafirmando a defesa de compromissos históricos, assim como a reforma ministerial do início deste ano é, para nós, sinais inequívocos de que se pretende perseguir a construção de uma nova realidade dividindo as responsabilidades entre os aliados.

É nossa obrigação, portanto, renovar o compromisso com a construção e defesa do governo Lula contribuindo para manter acesa a chama da esperança que venceu o medo, descortinando um momento novo e singular na nossa história. É preciso ter claro que não é possível realizar nossa esperança fora desse governo ou em oposição a ele. Assim, a tarefa que se impõe, a todos nós, é o fortalecimento da unidade das forças progressistas, particularmente do campo da esquerda, em torno das bandeiras mudancistas que se materializam na defesa da paz, emprego e desenvolvimento.

A mobilização a favor das mudanças anima o povo e garante a governabilidade de Lula. O passo decisivo no rumo da consolidação de um novo projeto desenvolvimentista para o país, passa pela alteração da correlação de forças atual. A eleição de prefeitos e prefeitas compromissados com os avanços reclamados pela população torna possível a construção de um novo quadro em que as alianças impostas pela busca da governabilidade possam, também, impulsionar as mudanças exigidas pelo povo.

Essa realidade confere uma condição estratégica para a aliança das forças progressistas no âmbito nacional e impõe um novo padrão de entendimento e uma nova pactuação de projetos no plano regional.

Para nós, além do propósito da governabilidade, cabe a responsabilidade da construção de uma aliança ampla e duradoura que, para além da consolidação do governo Lula, projete a viabilização da conquista do poder local pelas forças progressistas.

Além de atender aos objetivos nacionais dos partidos da base aliada, as coligações eleitorais devem representar um passo decisivo para a ruptura com os seguimentos políticos retrógrados e danosos ao povo amazonense, criando a possibilidade de governos populares na esfera local.

No processo de aliança para a prefeitura de Manaus, o PCdoB e PT podem inaugurar esse novo pacto, em torno de compromissos estratégicos, estabelecendo compromissos políticos bilaterais que transcendam os limites dos acordos possíveis com as outras forças que podem e devem compor o leque de alianças para o pleito de 2004.

O protocolo de acordo sugerido para este fim contempla: 1) o compromisso prévio de uma coligação majoritária entre PCdoB e PT; 2) a busca de uma aliança ampla com outros seguimentos de forças políticas contemplando principalmente a base de sustentação do governo Lula; 3) construção de um governo de coalizão na prefeitura pactuando a proposta de ocupação dos cargos entre os integrantes da coligação; 4) autonomia na definição de tática eleitoral proporcional a ser adotada por cada partido; 5) garantia pela chapa majoritária de um mínimo de material impresso, a ser acertado, para todos os candidatos proporcionais da coligação; 6) compromisso de construção de uma Gestão democrática, popular, transparente e
descentralizada.

O sentido emprestado a este protocolo de acordo é que o PCdoB e PT passam a constituir um bloco com candidato a prefeito e vice previamente acertados (Vanessa e Sinésio) e que a discussão com os demais partidos, acerca da chapa majoritária, ficará condicionada ao entendimento político das duas legendas, considerando a necessidade de ampliação da aliança e a viabilidade eleitoral da coligação.

Manaus, 22 de maio de 2004.
Partido Comunista do Brasil
PCdoB - Amazondeas

 




 

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