19 de maio de 2004
Índios da Cabeça do Cachorro
querem explorar minérios
Rita Polli |
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Uma comissão formada por índios das etnias tukano,
baré, desana e piratapuia, que habitam a Cabeça
do Cachorro, no Alto Rio Negro (AM), pediu apoio ontem (18) aos
parlamentares amazônicos pela aprovação do
novo Estatuto do Índio. Eles acreditam que dessa forma
terão autonomia para explorar os recursos naturais e minerais
de suas terras. Na região vivem 35 mil índios de
diversas etnias.
O projeto aguarda votação de um recurso para ir
ao plenário da Câmara. Uma das maiores polêmicas
envolvendo a matéria é que entre as organizações
indígenas há divergência sobre a necessidade
da tutela do estado. Algumas acreditam que perdem imunidade sem
essa condição.
A deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que se reuniu
com a comissão, diz que outro tema polêmico é
a exploração dos recursos minerais em terras indígenas.
Ela lembrou que desde 96 tramita na Casa o PL 1.610 que dispõe
sobre o assunto. "Para apreciar o PL foi designada uma comissão
especial na qual participo. Entre as metodologias para debater
o assunto, serão realizadas audiências públicas
com a participação das organizações
indígenas. Acredito que a partir daí vamos chegar
ao consenso", explicou.
Vice-presidente da Coordenadoria Indígena de Pari Cachoeira,
Pedro Machado, disse que a única forma de acabar com a
fome nas terras indígenas é garantir a eles o direito
à exploração de suas riquezas. Machado afirmou
que na Cabeça do Cachorro tem bastante minério como
a ametista e ouro que poderiam ser xplorados pelos índios.
Disse que fariam a extração dos minérios
sem utilizar grandes máquinas, o que evitaria a degradação
do meio ambiente.
Por causa do ouro, o índio Pedro Machado lembrou que
na década de 80 já houve muitos conflitos com garimpeiros.
Mais experientes, ele diz que os índios da região
não chegariam a situação dos cintas-largas,
que por disputa na extração de diamante, mataram
29 garimpeiros na reserva Roosevelt, em Espigão d´Oeste,
Rondônia.
Rita Polli |
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