12 de maio de 2004
Congresso homenagea 95 anos da Ufam
Rita Polli |
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| Vanessa dicursa durante a solenidade em
homenagem à Ufam |
A história oficial do Brasil está em débito
com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Fundada em 17 de
janeiro de 1909, sob a denominação de Escola Universitária
Livre de Manáos, a Ufam até hoje não tem
reconhecido o título de primeira universidade do país.
Em 1996, um certificado do Guinnes Book atestou: "Universidade
do Amazonas - Primeira universidade brasileira com cursos instalados
em março de 1910 assim denominada desde de julho de 1913".
Mesmo assim, vários livros sobre a história da educação
no Brasil registram que a Universidade Federal do Rio de Janeiro,
fundada em 1920, é a detentora do título.
"Pelo Guinnes Book, que atesta a veracidade dos documentos
históricos, a primeira é a Ufam, a segunda é
a Universidade do Paraná (1912) e a do Rio de Janeiro é
a terceira", enumera a doutora Rosa Mendonça Brito,
que ontem (11) à noite, na Biblioteca do Senado, lançou
o livro "Da escola Universitária Livre de Manáos
à Ufam - 95 anos construindo conhecimentos".
O resgate histórico também foi cobrado pela deputada
federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) durante a sessão
solene em homenagem aos 95 anos da Ufam, realizada pela manhã,
no plenário Ulysses Guimarães. À tarde, no
plenário do Senado, foi feita homenagem similar.
Vanessa destacou ainda que a primeira universidade brasileira
nasceu dentro do espírito democrático que a permeia
até hoje. "Seu primeiro diretor geral, Astrolábio
Passos, foi eleito diretamente por professores das Faculdades
de Ciências Jurídicas e Sociais, Medicina, Ciências
e Letras e de Engenharia", destacou.
Além do enfoque histórico, a deputada falou sobre
a importância da universidade na formação
política da sua e de outras gerações. Aluna
do curso de farmácia, foi da diretoria do Centro Acadêmico
e presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE) no
período entre 1982 a 1983. "No movimento estudantil
participei de lutas históricas, quando conquistamos o restaurante
universitário e o direito a meia passagem nos ônibus.
Grandes foram os embates em defesa da Amazônia, meio ambiente,
pela democratização do país, anistia e a
grandiosa luta pelas Diretas Já", lembrou.
As dificuldades financeiras enfrentadas pela Ufam também
foram lembradas durante a solenidade. "Faltam recursos para
as mais elementares despesas, para que se desenvolvam projetos
de pesquisas e para que se efetuvem importantes ações
de extensão. Problemas que todos devemos enfrentar e ajudar
a superar", disse Vanessa
Na perspectiva de mudanças, a deputada lembrou que a
reforma universitária em debate precisa fortalecer a universidade
como instituição pública e que garanta um
ensino de qualidade e gratuito. "Não só pelo
poder de mobilização da comunidade acadêmica,
mas pelo compromisso do governo e desta Casa (Câmara) a
reforma virá fortalecer o caráter público
do ensino superior no país", disse.
A homenagem à Ufam reuniu lideranças de diversos
partidos da Casa que destacaram a importância da instituição
para o ensino superior do país. Na Câmara, foram
co-autores da sessão solenes os deputados Lupércio
Ramos (PPS), Humberto Michiles (PL), Carlos Souza (PP), Pauderney
Avelino (PFL) e Francisco Garcia (PP). Representaram a Ufam, o
reitor Hidembergue Frota e a vice-reitora Neila Folcone.