09 de fevereiro de 2004
Zona Franca de Manaus fecha ano com faturamento recorde
Brasília, 02 de fevereiro de 2004
Senhores Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,
Ocupo a tribuna no dia de hoje para falar do que considero uma
das maiores e mais positivas experiências política
e econômica de combate às desigualdades regionais
já realizada no país. Refiro-me a Zona Franca de
Manaus. Ao longo da sua trajetória de 37 anos, esse modelo
econômico vem apresentando a cada ano uma performance extremamente
positiva. Ao julgar pelo balanço do desempenho no ano passado,
podemos afirmar que estamos contribuindo substancialmente para
o crescimento da economia brasileira e, em particular, da região
Norte.
Um dos maiores exemplos dessa boa performance pode ser verificada
nos indicadores econômicos do Amazonas. Por conta das atividades
industriais, a economia do Estado cresceu nos últimos dez
anos 1.222% e atualmente é responsável pela arrecadação
de mais de 50% de todos os tributos federais na região
Norte.
Com aproximadamente 400 empresas instaladas, o Pólo Industrial
de Manaus é um dos mais importantes no segmento eletro-eletrônico
da América Latina. O faturamento médio chega a US$
10 bilhões e são gerados quase 70 mil empregos diretos
e 250 mil indiretos por todos os Estados da Amazônia Ocidental
(Acre, Amapá, Amazonas, Roraima e Rondônia) e os
municípios de Macapá e Santana no Amapá.
Destaco que esse expressivo crescimento econômico foi
conquistado a um baixíssimo custo ambiental. Ou seja, o
Estado do Amazonas possui 98% da sua cobertura vegetal preservada,
o menor percentual de desmatamento no país. Estamos inseridos
no cenário nacional como exemplo de equilíbrio entre
avanços tecnológicos e a preservação
do meio ambiente. Devemos lembrar que a região detém
20% da reserva de água doce do planeta, um banco genético
de valor incalculável e grandes jazidas de minérios,
gás e petróleo. Ao contrário de outros parques
industriais, conhecidos pelo resíduos poluentes que saem
das suas chaminés, as indústrias da Zona Franca
utilizam as chamadas tecnologias limpas e com alto padrão
tecnológico.
Senhor presidente, Senhoras e Senhores Deputados, é nesse
contexto que destaco mais um ano de pleno êxito nas nossas
atividades. Penso ser importante fazer, publicamente, um balanço
das atividades desenvolvidas na Zona Franca de Manaus no ano de
2003, não só como forma de prestar contas à
Nação Brasileira, que na verdade é quem contribui,
através dos incentivos fiscais, para a manutenção
desse modelo econômico, mas, principalmente, porque 2003
foi também o primeiro ano do novo governo deste país,
do Governo Lula.
Apesar das dificuldades no cenário econômico no
ano passado, as indústrias do Pólo Industrial de
Manaus chegaram ao faturamento de US$ 10 bilhões, um crescimento
de 10% em relação a 2002. Nesse mesmo período,
nossas exportações ultrapassaram a meta de US$ 1,3
bilhão, crescendo 30%. Essa boa performance elevou a taxa
de emprego de 57 mil para 68 mil trabalhadores empregados diretamente,
a maior taxa nos últimos dez anos. Somados, o faturamento,
o crescimento nas exportações e a geração
de empregos, não há como negar que o Pólo
Industrial de Manaus contribuiu decisivamente para o aumento da
produção industrial no país em 2003. São
números positivos que nos deixam otimistas para afirmar
que a curto prazo alcançaremos o tão almejado equilíbrio
da nossa balança comercial.
Tenho plena convicção que é assim também
que pensa o governo Lula que muito contribuiu no seu primeiro
ano de administração para a boa performance da Zona
Franca de Manaus.
Ao afirmar que o Pólo Industrial de Manaus tem extraordinário
potencial para se tornar uma fonte de divisas na exportação
do país, o ministro do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, não deixou
dúvidas quanto a essa perspectiva governamental.
Em visita, no final do ano passado, a Manaus, disse o ministro
que o governo Lula dará todo o suporte necessário
para que nos próximos dois anos a Superintendência
da Zona Franca de Manaus, a Suframa, triplique o valor das nossas
exportações. Nesse sentido, ele destacou o acordo
já firmado entre a Comunidade Andina e Mercosul que vai
abrir grandes oportunidades para o Pólo Industrial de Manaus.
Também nessa mesma direção, o ministro
lembrou das negociações realizadas no ano passado
para inserir nossos produtos nos possíveis acordos entre
Mercosul e Egito, Mercosul e Rússia e Mercosul e Índia.
Em especial, o Ministro Furlan destacou que já em outubro
deste ano deve ser fechado um acordo comercial entre o Pólo
Industrial de Manaus e a África do Sul. Vale destacar que
a busca por preferências tarifárias para os produtos
fabricados na Zona Franca de Manaus tem sido ponto de pauta na
maioria das negociações internacionais feitas pelo
governo brasileiro no ano passado. A excelente qualidade e o alto
nível dos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus,
onde existe mais empresas com certificação de qualidade
ISSO 9000 do que muitos países da América do Sul
como Equador, Bolívia, Paraguai e Peru, é reconhecido
internacionalmente.
Como sabemos, A Zona Franca de Manaus foi concebida, não
como um modelo exportador, mas sim para substituir importações.
Entretanto, em decorrência das transformações
operadas nas últimas décadas, tanto na economia
interna como externa, com mudanças na política industrial
brasileira - que no início da década de 90 promoveu
a abertura do mercado, rebaixando significativamente as tarifas
alfandegárias, e com a globalização da economia
mundial, a Zona Franca também tem operado transformações.
Em seu parque produtivo, a busca tem sido pela modernização,
pelo desenvolvimento e inovação tecnológica
e na concepção política do modelo, o grande
esforço tem sido para colocar no mercado nacional produtos
de qualidade e com preços competitivos e principalmente
para ampliar as exportações A inserção
do Pólo Industrial de Manaus na economia global pode ser
traduzida nas transações comerciais no ano passado
com os nossos principais compradores: Os Estados Unidos, a Argentina
e a Colômbia. Só os norte-americanos foram responsáveis
pelas compras internacionais no valor de US$ 663 milhões,
uma participação de 60,38% do volume total do faturamento
das indústrias da Zona Franca de Manaus.
O índice positivo no comércio internacional só
foi possível graças ao dinamismo do Conselho de
Administração da Superintendência da Zona
Franca de Manaus, o CAS. No ano passado, esse Conselho aprovou
207 projetos industriais de implantação, ampliação,
atualização e diversificação. Foram
envolvidos recursos superiores a US$ 2 bilhões, com geração
de mais de 6 mil postos de trabalho. Com relação
ao Distrito Agropecuário, o CAS aprovou no ano passado
279 projetos de implantação e de ampliação,
e a perspectiva nessa área é gerar aproximadamente
5 mil empregos.
Junto à promoção de novos empreendimentos
para o Pólo Industrial de Manaus, merecem destaque também
algumas ações promovidas pela Suframa. Entre elas,
quero destacar a instalação do Centro de Logística
Avançada de Distribuição (CLAD) no Condado
de Broward, na Flórida, nos Estados Unidos. O Centro é
formado por uma armazém alfandegado, localizado no Porto
de Everglades e de um showroom permanente, na cidade de Hollywood.
O projeto desenvolvido pela Suframa, com o apoio do Centro das
Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) e do Governo do
Estado, garantiu ao Pólo Industrial de Manaus um centro
de distribuição contínuo no exterior a partir
da Flórida. Com isso, um armazém alfandegado na
capital amazonense e o entreposto no exterior serão servidos
por linhas regulares marítimas e áreas. No modal
marítimo os custos do frete serão reduzidos em 50%
enquanto que pelo transporte aéreo a redução
será de 60%.
A perspectiva é aumentar as exportações
das indústrias da Zona Franca de Manaus para os Estados
Unidos e fortalecer o intercâmbio comercial do Amazonas
com o Peru, Colômbia e Equador. Estudos apontam que a partir
da Flórida, 60% do território norte-americano pode
ser abastecido por caminhões em 24 horas. O Centro também
é uma alternativa para a rota já existente que abastece
o Pólo Industrial de Manaus com insumos vindos da Ásia.
A realização em setembro do ano passado da 2ª
Feira Internacional da Amazônia é o outro exemplo
de ação promissora em torno das atividades econômicas
da região. Promovido pela Suframa e o Ministério
do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior,
o evento teve como principal objetivo divulgar o potencial econômico
do Pólo Industrial de Manaus e da Amazônia Ocidental.
Além de promover os produtos industrializados, a Feira
divulga, para os empreendedores, o potencial da matéria-prima
regional e os atrativos turísticos da região, visando
o desenvolvimento sustentável. No final do ano passado,
a Suframa também repassou ao Centro de Biotecnologia da
Amazônia (CBA) R$ 7,9 milhões para investimentos
em equipamentos, treinamentos de pessoal e custeio. O CBA, que
será um complexo de laboratórios voltado para pesquisas
básicas e aplicadas, abre caminho para implementação
de um pólo de bioindústria na região. Trata-se
de um forte atrativo para as empresas utilizarem a matéria-prima
local na elaboração de produtos oriundos da biodiversidade.
O CBA permitirá investimentos nos setores de produtos
farmacêuticos, cosméticos, nutricêuticos, alimentícios,
bionseticidas, óleo essenciais, antioxidantes, corantes
naturais, aromatizantes e enzimas de interesse biotecnológicos.
Mas Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, de maneira
especial quero destacar aqui a vitoria que considero uma das mais
importantes no ano passado: a prorrogação do modelo
Zona Franca de Manaus até 2023 na votação
do Reforma Tributária. Foi o reconhecimento pelo Congresso
Nacional e pelo Governo Federal da importância deste pólo
de desenvolvimento econômico que está dando certo.
Desde meu primeiro mandato tenho me dedicado em sepultar os
preconceitos contra esse importante modelo de desenvolvimento
econômico. Um número expressivo de parlamentares
puderam conhecer que no Amazonas existe de fato um parque industrial
produtivo e voltado para o desenvolvimento de novas tecnologias
de processos e produtos. Muito contribuiu para isso a realização,
nesta casa, da Semana do Amazonas, quando tivemos oportunidade
de debater profundamente vários aspectos do Pólo
Industrial de Manaus, da nossa economia e da Amazônia.
Não posso deixar de destacar ainda que nessa batalha
contamos com apoio direto e decisivo do Presidente Lula. Nos momentos
mais tensos em torno da tramitação do projeto, quando
estava em jogo a prorrogação do modelo Zona Franca
de Manaus, o Planalto chamou a responsabilidade para si, relatando
a importância para o Brasil e assim apoiando a proposta.
As lideranças partidárias de nossa base aliada
também tiveram grande desempenho para a consolidação
de um destaque especial ao voto complementar do relator que num
artigo novo no seu substitutivo, o de número 95, prorrogou
por mais dez anos os incentivos fiscais da Zona Franca. Destaco
também a unidade da nossa bancada no Congresso e o empenho
pessoal do governador Eduardo Braga e do prefeito Alfredo Nascimento
no convencimento de parlamentares desta Casa. Não poderia
esquecer do meu partido, o PCdoB, que tradicionalmente vem votando
100% a favor da Zona Franca de Manaus.
Num ano vitorioso para a economia da Zona Franca de Manaus e
com mais tempo para consolidar uma economia forte e com base no
desenvolvimento sustentável, termino o meu pronunciamento
voltando ao presidente Lula que durante a campanha pelo meu Estado
fez questão de enfatizar por diversas vezes: "Só
não defende a Zona Franca de Manaus quem não a conhece".
É isso.
Muito obrigada,
Vanessa Grazziotin
Deputada Federal PCdoB-AM