12 de setembro de 2003
Soldado
da Borracha
Ex-soldados da borracha do Amazonas, os seringueiros, participam
hoje, às 9h, na sede do Sindicato dos Estivadores, de uma
reunião para discutir a mobilização a favor
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
nº 556, de autoria da deputada federal Vanessa Grazziotin
(PCdoB), que iguala a condição deles aos dos ex-combatentes
de guerra. Na segunda, haverá outra reunião em Rio
Branco (AC) onde o número de ex-soldados da borracha é
bem maior que o do Estado.
Além de Vanessa, vão estar no encontro a deputada
federal Perpetua Almeida (PCdoB-AC), a chefe de serviço
de Benefício Substituto do INSS, Fátima Jatobá,
o capitão do Comando Militar da Amazônia, Alberto
Corrêa, um representante da Procuradoria da República,
deputados e vereadores.
O total de benefícios concedidos aos seringueiros em maio
de 2003 pela Previdência Social alcançou 17.545 pensões.
A PEC, que está em tramitação na Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara,
propõe alterar o artigo 54 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, que prevê o pagamento
de dois salários mínimos como pensão vitalícia
aos ex-soldados da borracha, desde que sejam carentes. A emenda
à Constituição quer igualar o benefício
ao mesmo valor da pensão paga aos ex-combatentes R$ 2.677,50
(equivalente ao salário do segundo-tenente das Forças
Armadas).
Ao serem recrutados em 1942 e 1943 pelo Serviço Especial
de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia
(SEMTA) o soldado da borracha recebia tratamento equiparado ao
do pracinha. "Essa é uma das formas pela quais o Brasil
está empregando toda a sua energia para vencer esta guerra
junto com seus aliados. O que fazemos é, portanto, um serviço
de guerra, um serviço para o Brasil", descreve um
documento da época concedido ao Arquivo Nacional no Rio
de Janeiro.
A deputada Vanessa explicou que os seringueiros tinham um função
estratégica que era abastecer a indústria bélica
norte-americana na Segunda Guerra Mundial com borracha da Amazônia.
Em seis meses foram enviados à região 50 mil trabalhadores.
Na época, uma reportagem publicada pelo jornal londrino
New Chronicle denunciou que 31 mil soldados da borracha morreram
vítimas
de assassinatos e das doenças tropicais. Seis mil conseguiram
retornar principalmente para o Nordeste e os sobreviventes hoje
possuem idade acima de 65 anos.
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Iram Alfaia