Data: 12.03.2003
Gasoduto Coari-Manaus será
construído
No máximo em um ano a Petrobras pretende começar
a construção do gasoduto Coari-Manaus que vai viabilizar
a chegada do gás produzido na província de Urucu
até a capital. Ainda hoje (13), na sede do Instituto de
Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a estatal
vai protocolar a solicitação da licença prévia
para realizar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento.
A iniciativa partiu de uma articulação da deputada
federal Vanessa Grazziotin (PCdoB) que promoveu na última
segunda-feira, em Manaus, uma reunião entre a coordenadora
de negócios da Petrobras, Angélica Garcia Loureano,
e o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
do Estado, Virgílio Viana.
Vanessa disse que houve convergências de idéias.
"Tanto a Petrobras quanto governo estadual estão conscientes
de que o interesse coletivo é maior. Precisamos do gás
para gerar energia barata, utilizá-lo nos veículos
e propiciar o surgimento de novas indústrias na região",
afirmou. Segundo ela, também foi exposto os problemas acarretados
pelo atraso no processo, principalmente por causa das ações
políticas do governo anterior.
Angélica Loureano calcula que no máximo em seis
meses estará resolvido o processo de licenciamento ambiental.
Feito o pedido, o Ipaam vai fornecer à estatal um termo
de referência, que dita quais parâmetros serão
utilizados para elaboração do EIA. Entregue o estudo,
o órgão ambiental terá que dar publicidade
e aguardar por 45 dias a manifestação pública.
"Eu diria que na melhor das hipóteses isso levaria
seis meses. Obtida a licença de instalação,
nós teríamos de três a quatro meses para começar
efetivamente a obra", explicou Loureano.
Paralelo a essa fase, a coordenadora de negócio da estatal
diz que a empresa estará buscando alternativas financeiras
para o empreendimento, inclusive "se for o caso buscando
parcerias". A obra, orçada na ordem de US$ 300 milhões,
segundo a coordenadora, é uma das prioridades da Petrobras.
"Os gasodutos da região Norte, tanto o de Coari-Manaus
quanto o de Urucu-Porto Velho, são fundamentais para as
áreas de exploração e produção
da empresa porque estarão monetizando nossa reserva",
disse.
Em relação ao Amazonas, a coordenadora afirmou
que o Estado receberá um combustível "ambientalmente
melhor" e com um custo três vezes inferior ao do diesel.
Segundo ela, o combustível líquido colocado hoje
no mercado amazonense tem um custo de US$ 7,00 por milhão
de BTU, enquanto o gás custa entre US$ 2,5 a US$ 3,00 por
milhão de BTU.
Angélica Loureano lembrou também que o país
paga caro para gerar energia na região. A Conta de Compensação
de Combustível (CCC), que os consumidores pagam pelo diesel
queimado nos Estados do sistema isolado, destina R$ 1,5 bilhão
anualmente para a região. "Só para Manaus são
direcionados todos os anos R$ 800 milhões", diz.
Memorial Descritivo
Anexo ao pedido de licenciamento prévio, a Petrobras
entrega hoje (13) ao Ipaam o memorial descritivo do projeto "gasoduto
Coari-Manaus". O documento de 14 páginas, entre outras
informações, traz detalhes sobre as instalações
e traçado do gasoduto.
No grau de automoção, por exemplo, todas as instalações
do gasoduto poderão ser supervisionadas e comandadas por
controle remoto através da estação mestre
da Transpetro no Rio de janeiro.
A Petrobras diz que o gasoduto Coari-Manaus terá 417 km
de extensão, sendo um trecho de 210 km com 22 polegadas
de diâmetro até uma estação intermediária
próxima à região de Anori. Com 20 polegadas,
mais 207 km de gasoduto serão construídos até
Manaus.
O gasoduto começa no terminal Solimões (Tesol)
em Coari, segue em direção sudeste por aproximadamente
2 km, onde continua paralelamente à margem do rio Solimões
até o ponto da travessia.
Também faz a travessia do Rio Badajó, dos lagos
Cuamã e Caapiranga até atingir as margens do rio
Negro, onde também inicia a travessia até os limites
da Refinaria de Manaus (Reman). Para transportar o gás
também será necessário a duplicação
do gasoduto já construído Urucu-Coari