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14.05.2003

Debate
Seminário: Destino da América Latina
é a soberania



Dep. Inácio Arruda, Samuel Pinheiro Guimarães, secretário executivo do Itamaraty,
Roberto Amaral, ministro da Ciência e Tecnologia, dep. Alice Portugal, Edson Ezequiel (PSB/RJ)
e Aldo Rebelo (PCdoB/SP)

No segundo dia o seminário sobre o novo modelo de Desenvolvimento Nacional, a conclusão dos debatedores foi de que o caminho dos países da América Latina é multipolar e não hegemônico, e obedece o princípio da soberania entre os Estados. Promovido pelas lideranças do PCdoB e do PSB na Câmara dos Deputados, o encontro discutiu na parte da manhã de ontem (13/05) os dilemas da integração latino-americana. A reunião foi coordenada por Alice Portugal (PCdoB/BA) e Edson Ezequiel (PSB/RJ) e teve como debatedores Aldo Rebelo (PCdoB/SP), líder do governo na Câmara; Samuel Pinheiro Guimarães, secretário executivo do Itamaraty, e Roberto Amaral, ministro da Ciência e Tecnologia.


O líder do governo destacou que os interesses comuns entre os países da América do Sul se sobrepõem às diferenças e isso justifica e reforça a necessidade de intercâmbios capazes de buscar meios e equipamentos de integração, como estradas e linhas aéreas para intercâmbio no continente. "São mais de 15 mil quilômetros de fronteiras com 10 países diferentes num espaço geográfico comum com grande potencial econômico, político e social", afirmou.

Rebelo disse ainda que a América do Sul é e precisa continuar sendo um espaço do planeta livre de bases e de tropas militares estrangeiras e que esses terrenos evidenciam interesses geopolíticos tidos como importantes para o governo Lula. O governo, na pessoa do embaixador Celso Amorim e do secretário Samuel Pinheiro Guimarães, demonstrou nesses três primeiros meses ter conseguido defender a soberania e lutar pela paz e auto-determinação dos povos, apesar dos limites e constrangimentos da diplomacia. O Brasil se posicionou sobre a questão da Venezuela, sobre a guerra do Oriente Médio e em favor da defesa dos direitos humanos.
A respeito da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Rebelo lembrou a frase do ex-chanceler Celso Lafer: "O Mercosul é o destino do Brasil e a Alca é uma opção".

Extraordinário potencial

Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que o Brasil não tem o destino de ser pequeno. "Se fizermos uma lista dos 10 países maiores do mundo em tamanho, em população e em PIB, apenas 3 países farão parte dessa lista: Brasil, EUA e China". Ele lembrou que a população de 170 milhões de habitantes cresce cerca de 2 milhões de pessoas a cada 10 anos, o que exige o fortalecimento do mercado interno, a conquista da auto-estima nacional e o crescimento do parque tecnológico. "O Brasil não tem o destino de um pequeno país. Ou nós seremos um grande país ou teremos que enfrentar grandes dificuldades", concluiu.

O Secretário ressaltou que a realidade brasileira não é de alegria e de grandes transformações, o que evidencia o importante desafio de diminuir as disparidades internas e enfrentar as vulnerabilidades externas.

Nova maioria política

A mesa que debateu o tema "A mudança exige nova maioria política" foi coordenada por Jandira Feghali (PCdoB/RJ), vice-líder do PCdoB e pelo deputado Casagrande (PSB/RJ). Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, a senadora Patrícia Sabóia (PPS/CE), e o deputado Eduardo Campos (PSB/PE) evidenciaram a necessária sintonia entre os partidos da base aliada para que as mudanças se efetivem em curto prazo.

De acordo com o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, o maior desafio do governo Lula será a retomada do crescimento do país por meio do aumento da geração de emprego e renda. "O problema, não só brasileiro, mas mundial é canalizar o capital para a atividade produtiva", aponta Rabelo. Segundo ele, atualmente os recursos do capital estão voltados em grande escala para o mercado financeiro.

Com relação à situação nacional, Rabelo aponta a grave situação herdada pelo governo Lula após oito anos de um governo que apostou num falido modelo neoliberal e entregou o país num estado de pré-insolvência. "O período é de transição. Não há como realizar uma ruptura abrupta de uma hora para a outra", afirma Rabelo.

Rabelo considera que o governo está construindo uma forte base de apoio
sobre três pilares: a consolidação de uma maioria política no Congresso
Nacional; a manutenção de sua base de sustentação política; e o amplo apoio popular. "Dessa forma será mais fácil enfrentar o grave quadro social que tem resultado, dentre outras consequências, na violência generalizada".

De Brasília,
Pedro Castro e Rita Polli


 

 

 




 

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