07.05.2003
Amazonas Em Tempo
Crime do sindicalista será
acompanhado pela SEDH
O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário
Miranda (foto), 56, desembarcou no início da tarde de ontem
em Manaus anunciando a formação de uma comissão
para colaborar com o governo do Estado nas investigações
do assassinato do presidente do Sindicato dos Vigilantes, Valmir
de Souza Oliveira. A comissão será formada pelo
deputado federal Luiz Couto (PT-PB), membro da Comissão
dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, dos membros
do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Humberto
Spindola e Percílio de Souza Lima Neto, que também
representa a OAB federal, e representantes locais do Ministério
úblico e do Poder Legislativo.
Nilmário frisou que a comissão não irá
substituir o Estado nas investigações, mas dará
apoio necessário para o desvendamento do crime. O ministro
desembarcou às 13h42min do Bandeirantes da Força
Aérea Brasileira no aeroporto militar de Ponta Pelada (Colônia
Oliveira Machado). A deputada federal Vanessa Grazziotin (PC doB),
acompanhou a comitiva do ministro.
No aeroporto ele foi recebido pelos deputados estaduais, Mário
Frota (PDT), presidente da Comissão de Direitos Humanos
da Assembléia Legislativa, pelo deputado Eron Bezerra (PC
do B), secretário de Estado da Segurança Pública,
advogado Júlio Pinheiro, vereador da Câmara Municipal
de Manaus, Fabrício Lima (PL) e pelos dirigentes do Sindicato
dos Vigilantes, liderados
pelo presidente Gerson Duarte Castro.
Ainda no aeroporto, Nilmário elogiou a iniciativa do governo
do Estado através da Secretaria de Segurança em
investigar o assassinato. Ele classificou a apuração
do crime como 'confiável', revelando estar informado do
desenrolar dos fatos como a prisão do major PM, Marcos
James Frota Lobato. Ele é acusado de ser o mandante do
crime.
"O nosso papel é ajudar, reforçar, colaborar
com as investigações já feitas. Não
é substituí-las, pelo contrário. É
um fato muito grave o assassinato de um sindicalista no exercício
de sua função, pelos precedentes, pelas circunstâncias
que envolvem. Tudo isso nos levou ao alto grau de preocupação.
Mas, ao mesmo tempo, estamos confortados com o fato de que há
uma clara vontade política do governo estadual de apurar
os fatos", assinalou Nilmário.
Sindicato
Por força do atraso em seu desembarque em Manaus - inicialmente
estava previsto para às 11h -, o ministro da Secretária
Especial dos Direitos Humanos, vinculada ao Ministério
da Justiça, cancelou de sua agenda, a ida à Assembléia
Legislativa.
Ele seguiu para a sede do Sindicato dos Vigilantes. Lá
ele conheceu a viúva do sindicalista assassinado, Lúcia
Maria dos Santos Gusmão, acompanhada de duas dos cinco
filhos menores, agora órfãos de pai. Nilmário
confortou a viúva por quase cinco minutos com palavras
de confiança e acariciou as duas meninas. Lúcia
chegou às lágrimas enquanto era confortada pelo
ministro.
Em uma de suas falas, o ministro tachou de organizações
paramilitares, as empresas de segurança clandestinas, muitas
das quais de propriedades de policiais. "Estamos dispostos
a acabar com isso", afirmou o secretário ao falar
sobre os grupos de extermínios, presentes segundo ele,
em 14 dos 27 estados da federação.
O encontro do ministro da Secretaria Especial serviu também
para apresentação de denúncias. O funcionário
público federal Wilter Fernandes, irmão de Fred
Fernandes assassinado por policiais militares, pediu a intervenção
da Secretaria no acompanhamento do caso, que resultou em uma série
de assassinatos.
A ativista social Fátima Monteiro denunciou o desmonte
do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos ao mesmo tempo
que reivindicou uma política estadual para o setor.
Adamor Guedes, presidente da Associação dos Gays
e Lésbicas, por sua vez, entregou ao ministro uma espécie
de dossiê sobre a violência contra os homosexuais
no Estado.
Mais aperto
O presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gerson Duarte cobrou
em sua fala, um "aperto" para desvendar o assassinato
de seu colega, após agradecer a presença, considerada
histórica, de um membro do escalão do governo em
um Sindicato no Estado.
Falando em nome do governador Eduardo Braga, o secretário
de Segurança, Júlio Pinheiro, garantiu ao ministro
que não haverá demora na conclusão das investigações.
"Não vamos ficar só na palavra", prometeu.
Pinheiro admitiu haver crise institucional no aparelho de segurança
do Estado, diante de "situações complexas e
complicadas". "Policial bandido é pior que um
bandido, dez vezes, por tem insígnias e armas", arrematou.
Ele reafirmou o compromisso do governador em "limpar"
as polícias Militar e Civil.
O advogado dos sindicalistas, Marcelo Ramos fez por sua vez um
apelo contra a atuação das empresas de segurança
clandestinas. Pouco antes o deputado Luiz Couto informou que a
Comissão de Defesa dos Direitos Humanos está solicitando
dos sindicatos de todo o país a relação das
empresas tidas como irregulares.
Herança
O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa, deputado estadual Mário Frota, creditou a
atual crise na segurança pública, como herança
do último governo onde, segundo ele, os direitos humanos
foram seguidamente violados. No entanto ele elogiou a iniciativa
do governador Eduardo Braga para a área. "Isto nos
tranqüiliza, mas não em um todo", observou. Ele
denunciou ainda o tráfico de mulheres no Estado, a prostituição
infantil, principalmente no interior do Estado e as péssimas
condições das prisões nas delegacias interioranas.
Basta
Ao final do encontro, Nilmário Miranda, defendeu a reorganização
do Conselho Estadual dos Direitos Humanos sem a presença
forte de membros do governo em sua composição.
"Achamos que deve ser mesmo uma organização
independente que deve fiscalizar até mesmo o próprio
Estado. Nosso governo não tem medo de ser fiscalizado.
Ele quer que funcione os organismos, que fiscalize o próprio
governo que por ação ou omissão às
vezes viola os Direitos Humanos", assinalou.
O secretário afirmou ainda que o País não
pode mais admitir a prostituição infanto-juvenil
e nem a exploração do trabalho de crianças
e adolescentes.
"Nós temos que fazer um pacto para erradicar isso
do nosso país, não só apenas combater, mas
para acabar com isso. O trabalho degradante de crianças
e de adolescentes, perseguições contra grupo por
suas diferenças étnicas, raciais ou sexuais. Nós
não podemos admitir isso mais. É importante ter
organizações de Conselho Estadual", declarou.
Por volta das 14 horas o secretário seguiu para o encontro
com o governador Eduardo Braga.
Eduardo Gomes