11 de junho de 2003
Subcomissão discute
licenciamento ambiental

(Da esquerda
à direita) Representante da ANEEL, Helvio Neves Guerra,
deputada Vanessa
e o diretor da CNI, Sivaldo Brito
A falta de lei complementar para regular investimentos em terras
indígenas e de uma legislação clara sobre
as competências dos órgãos públicos
na concessão de licenciamento ambiental são os principais
entraves para viabilizar os empreendimentos energéticos
na Amazônia. Foram questões apresentadas durante
a primeira audiência pública realizada no dia 10,
na Câmara dos Deputados, pela Subcomissão Permanente
para Estudar a Situação, Alternativas e Soluções
Energéticas para a Amazônia.
"Licenciamento Ambiental e Empreendimentos Energéticos
na Amazônia", foi o tema da audiência da subcomissão,
presidida pela deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
O debate contou com a participação de representante
do Ministério Público Federal (MPF), Ibama, Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Secretaria de Desenvolvimento
Sustentável do Amazonas e da Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
Para o procurador da República de Tocantins, Mário
Lúcio Avelar, não há uma lei complementar
que estabeleça a efetivação de projetos em
terras indígenas. Na sua avaliação precisa
ficar evidente de que forma a comunidade indígena participará
como beneficiada do processo e ainda sobre a necessidade de ser
realizado um profundo estudo de impacto ambiental para que a mesma
não seja prejudicada. "Por outro lado, é preciso
que se esclareça o interesse nacional sobre o projeto",
disse.
Mário Avelar também defendeu uma legislação
clara sobre as competências na concessão de licenciamento
ambiental. "Embora o Brasil seja uma unidade federativa,
a União precisa defender a imparcialidade na concessão
do processo de licenciamento ambiental. Via de regra os governos
estaduais e empreendedores implementam projetos que não
levam em conta a avaliação sobre o impacto ambiental",
disse ele, defendendo que o licenciamento fique a cargo do Ibama.
O presidente substituto do Ibama, Nilvo Luiz Alves da Silva,
explicou que a competência do órgão está
na elaboração das diretrizes de uma política
nacional do meio ambiente. "Sob esse prisma, se o licenciamento
é feito na esfera municipal, estadual ou federal, o Ibama
tem cumprido seu papel que é fazer essas diretrizes para
uma política nacional. E aí nós acreditamos
como fundamental o processo de qualificação de todos
os órgãos ambientais", afirmou.
No caso da hidroelétrica de Belo Monte, no rio Xingu,
e mais duas no rio Madeira, o diretor da CNI, Sivaldo da Silva
Brito, afirmou que o setor industrial tem realizado esforços
para que continuem os estudos de viabilidade técnica e
econômicos dos referidos projetos. Mas reconheceu que tem
havido pressão de órgãos e entidades ambientalistas
para bloquear os empreendimentos com base na argumentação
de que a área alegada afetaria terras indígenas,
área de cultivo e sítios arqueológicos.
A representante da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável
do Amazonas, Ana Aleixo, limitou-se a comentar o processo de licenciamento
do gasoduto Coari-Manaus, que pelos cálculos do governo
estará concluído em outubro. Para evitar o que ocorreu
com gasoduto Urucu-Porto Velho, processo paralisado por força
de uma liminar do Minstério Público Federal, ela
explicou que todos os setores estão sendo convocados para
participar das etapas do licenciamento, que será coordenado
pela Universidade Federal do Amazonas.
Outra medida será a reserva 20% dos recursos do empreendimento
a serem investidos em projetos de desenvolvimento sustentável
na área de abrangência do projeto. "Ou seja,
todas as medidas estão sendo tomadas para evitar que o
gasoduto seja prejudicado", destacou.
A deputada Vanessa disse que todas as colocações
serão levadas ao seminário a ser realizado em outubro
quando será discutida uma política energética
para a Amazônia. "Queremos uma política que
proteja nossos recursos naturais. Essa primeira audiência
apontou que estamos na direção correta", afirmou.
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Jornalista Iram Alfaia