16 de dezembro de 2003
Mulher do juiz Rocha Mattos será
ouvida amanhã na CPI da Pirataria
EDUARDO REINA
É aguardada autorização para ouvir também
o juiz e Bellini
Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher do juiz João
Carlos da Rocha Mattos, acusado de liderar um esquema de venda
de sentenças judiciais favoráveis a traficantes,
contrabandistas e doleiros, será ouvida amanhã pelos
deputados da CPI da Pirataria, em Brasília. O depoimento
será às 14h, na Câmara dos Deputados. Os parlamentares
também querem ouvir Rocha Mattos e o delegado federal José
Augusto Bellini, ambos presos na custódia da Polícia
Federal em São Paulo. É aguardada autorização
judicial para esses depoimentos, que devem ocorrer em São
Paulo.
Na semana passada, segundo o presidente da CPI, Luiz Antonio
Medeiros (PL-SP), Rocha Mattos e Bellini foram ouvidos informalmente
na custódia da PF. “Rocha Mattos criticou todo mundo,
disse que não seria necessário falar com a mulher
(Norma), pois ela seria louca. Ele afirmou que quer ser ouvido,
pois poderá denunciar uma pessoa do Supremo Tribunal de
Justiça que, segundo ele, também tem culpa no cartório”,
contou Medeiros.
“O Rocha Mattos é muito falante. Mas ele, demonstrou
preocupação com a possibilidade de a Norma ser ouvida
também”, disse a deputada Vanessa Grazziotin (PC
do B-AM). De acordo com Wagner Rubinelli (PT-SP), o objetivo do
depoimento de Norma é buscar mais ligações
entre o esquema liderado por Rocha Mattos e o empresário
chinês Law Kin Chong, apontado como o maior contrabandista
do país. Em 11 de novembro, Chong admitiu, em depoimento
à CPI, que prestou favores para o delegado federal José
Augusto Bellini.
Os parlamentares da CPI estiveram na PF em São Paulo na
semana passada para requerer cópias de processo sobre Law
Kin Chong, de 1997 e 1998. Segundo Vanessa, o juiz Rocha Mattos
fala de muitas coisas, menos de sua própria situação.
“Queremos ouvi-lo sobre a proximidade com Law e também
e ligação com o delegado Bellini”, relatou
a deputada federal. Segundo a investigação, o empresário
teria dado televisores a Bellini e Rocha Mattos.