4 de dezembro de 2003
Deputados e senadores promovem ato
contra pirataria
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| Deputados Júlio
Lopes, Vanessa Grazziotin, João Paulo e o ministro
Gil durante o ato que culminou com a quebra de cds |
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O presidente João Paulo Cunha afirmou hoje, durante o
ato simbólico de criação do Dia Nacional
de Combate à Pirataria, que o mês de dezembro, quando
o consumo tradicionalmente aumenta, é uma boa época
para conscientizar a população sobre as implicações
da compra de produtos falsificados. Logo após o ato, foram
destruídos, em frente à rampa do Congresso Nacional,
530 mil CDs piratas apreendidos pelas polícias civil e
militar de São Paulo e do Distrito Federal e pela Polícia
Rodoviária Federal.
"Por trás da pirataria temos o crime organizado,
porque é preciso desembarcar a produção,
desembaraçar na alfândega, arrumar depósito,
encontrar lojas ou bancas para colocar os produtos e, para isso,
é necessária uma associação com o
crime", alertou João Paulo.
MEDIDAS DE COMBATE
João Paulo lembrou que o combate à pirataria,
com a criação da Comissão Parlamentar de
Inquérito que investiga esse tipo de crime, é uma
contribuição do Congresso no sentido de legalizar
a produção, o que poderia significar mais receita,
mais trabalhadores no mercado formal e uma possibilidade maior
de investigações e acompanhamentos desse tipo de
atividade. "A pirataria carrega o crime junto e é
por isso que, ao fazermos esse trabalho, combatemos também
o crime organizado", afirmou. Para o presidente da Câmara,
as compras de Natal são uma boa oportunidade para que "os
cidadãos façam uma opção pelo que
é legalizado, porque isso garante aos artistas o reconhecimento
de seu trabalho, além de ganhos para a economia".
CAMPANHAS EDUCATIVAS
A deputada Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM), coordenadora da Frente
Parlamentar de Combate à Pirataria e integrante da CPI,
disse que é importante a instituição do dia
de combate à pirataria, como está proposto em projeto
de lei já apresentado na Casa, para intensificar as campanhas
educativas sobre o problema da falsificação.
"Este é o objetivo, fazer com que no dia 3 de dezembro
a gente possa mobilizar o Brasil inteiro, inclusive escolas para
debater o problema". O ministro da Cultura, Gilberto Gil,
e a cantora Preta Gil, também participaram do ato. Preta
lembrou que o combate à pirataria exige ações
constantes. "A discussão tem que ser diária
com um grupo de artistas, deputados, compositores, presidente
de gravadoras, para a gente discutir. Acho que tem que ter um
meio termo. O preço da CD tem que baixar, a renda do brasileiro
tem que aumentar e o bandido tem que ir para a cadeia".
PREJUÍZOS
Antes do ato, os deputados que compõem a CPI da Pirataria
estiveram reunidos com representantes de empresas que sofrem com
o problema da pirataria. Segundo Associação Brasileira
de Combate à Falsificação, a indústria
da pirataria movimenta cerca de 160 bilhões de reais por
ano. Os setores mais afetados com essa prática são
os de softwares e cds.
O representante da Associação Brasileira das Empresas
de Software, André de Almeida, disse 55% dos programas
instalados em computadores não Brasil são falsificados.
"Se nós reduzissemos o índice de 55% para
45%, se houvesse uma redução de 10 pontos percentuais
do índice atual de pirataria, R$ 1 bilhão em impostos
seriam gerados e 13 mil empregos seriam criados no Brasil".
Reportagem - Rosalva Nunes e Sâmia Mendes
Edição - Paulo Cesar Santos
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