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25 de agosto de 2003

Comissão debate direitos de soldados da borracha

A Comissão da Amazônia e Desenvolvimento Regional vai realizar audiência pública para debater a proposta (PEC 556/02) da deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) que garante aos chamados "soldados da borracha" os mesmos direitos dos combatentes da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. A proposta beneficia os seringueiros recrutados em setembro de 1943 pelo Governo, no esforço de guerra para produção de borracha. Serão convidados para discutir o assunto representantes dos ministérios da Defesa e da Previdência e Assistência Social, e dos sindicatos dos seringueiros do Amazonas e Acre.

ESFORÇO DE GUERRA
As autoras do requerimento para a realização do debate, deputadas do PCdoB Vanessa Grazziotin e Perpétua Almeida (AC), lembram que o Decreto-Lei 3225, de 1943, considerou que a produção da borracha era essencial ao esforço da guerra e à defesa militar do País. O decreto definiu a situação militar dos trabalhadores na exploração da borracha vegetal no Vale Amazônico, considerando-os parte da corporação até o término do contrato de trabalho ou enquanto se dedicassem àquelas atividades. Ao final da guerra, contudo, esses "soldados" não receberam o tratamento que esperavam do Governo, como o reconhecimento de combatentes de guerra.

Vanessa Grazziotin acrescenta que o Brasil participou da Guerra em duas frentes: uma diretamente, nas batalhas na Europa; e a outra na Amazônia, com a extração do látex para a fabricação da borracha vegetal, necessária aos países aliados, que tinham perdido o fornecimento dessa fonte de matéria-prima após a ocupação japonesa nos territórios dos países do sudeste
asiático.

As parlamentares destacam que esses trabalhadores enfrentaram várias dificuldades, como o clima; doenças tropicais; despreparo para a função; condições precárias de suprimento, transporte e assistência médica; bem como a desordem administrativa dos órgãos oficiais na condução das operações. "Essas condições levaram milhares de soldados da borracha a morreram nessa batalha", afirmam.

SITUAÇÃO ATUAL
A atual Constituição concede aos seringueiros reconhecidamente carentes o direito a pensão mensal vitalícia no valor de dois salários mínimos. A PEC estende aos seringueiros direitos dos ex-combatentes, entre os quais aproveitamento no serviço público sem a exigência de concurso, com estabilidade; pensão especial correspondente à deixada por segundo-tenente das Forças Armadas, que poderá ser requerida a qualquer tempo; em caso de morte, pensão à viúva ou companheira ou dependente, de forma proporcional; assistência médica, hospitalar e educacional gratuita, extensiva aos dependentes; aposentadoria com proventos integrais aos 25 anos de serviço efetivo, em qualquer regime jurídico; e prioridade na aquisição da casa própria, para os que não a possuam ou para suas viúvas ou companheiras.

A proposta tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Redação, onde recebeu parecer favorável quanto à sua juridicidade e constitucionalidade do deputado Sérgio Miranda (PCdoB-MG). A seguir, será formada Comissão Especial para apreciar o mérito do texto.

Reportagem - Daniel Cruz
Edição - Daniela André

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