14 de agosto de 2003
Rastreamento
de medicamento entra em pauta na Câmara
Em audiência pública realizada ontem (13) pela Comissão
de Economia, Indústria e Comércio da Câmara,
representantes das indústrias, do setor comercial, da empresa
de tecnologia EAN-Brasil e do Ministério da Saúde
chegaram ao consenso da necessidade de aprovação
do projeto de Lei 6.672/02, de autoria da deputada federal Vanessa
Grazziotin (PCdoB-AM), que cria o rastreamento da produção
e consumo de medicamentos através do controle eletrônico
por código de barra.
O Sistema Nacional de Controle envolve a produção,
comercialização e a prescrição médica,
odontológica e veterinária dos medicamentos. "A
importância de se rastrear deve-se a necessidade de garantir,
a qualquer momento, a segurança e eficácia do produto
por meio da vigilância sanitária", justificou
a autora do projeto.
O diretor-executivo da Associação dos Laboratórios
Farmacêuticos Nacionais (Alanca), Stan Braz, ponderou apenas
a questão dos custos que as empresas terão para
se adaptarem as novas normas tecnológicas. "Hoje nós
não temos um estudo sobre o custo real do que isso acarretaria
para o setor produtivo", disse. A idéia é que
no código de barra já existentes nas embalagens
de medicamentos sejam acrescidas mais informações
como o lote ao qual pertence o produto e a data de validade.
Para o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica
da Secretaria de Ciências, Tecnologia e Insumo Estratégico
do Ministério da Saúde, Norberto Rech, essas modificações
poderiam ser viabilizadas pelas empresas mediante o remanejamento
dos custos promocionais dos medicamentos feitos pela indústria.
Na prática, segundo Norberto, as empresas já estariam
promovendo seus produtos ao garantirem ao consumidor informações
seguras sobre a
procedência do medicamento.
Noberto Rech explicou que o Ministério da Saúde
já montou um grupo de trabalho, que tem representantes
de todos os setores, para analisar os impactos do rastreamento
para o setor público e privado. Nas esfera governamental,
ele disse que o rastreamento será de fundamental importância
para contribuir no planejamento da distribuição
dos medicamentos. Ele citou o exemplo do medicamento contra tuberculose,
que no ano passado, chegou a faltar em alguns Estados com extrema
necessidade. Por outro lado, outros possuíam uma porção
armazenada três vezes maior do que realmente necessitavam.
O assessor de Solução de Negócios da European
Article Numbering (EAN), Adriano Briozato, disse que a tecnologia
seria implantada com baixos custos para todo o segmento envolvido
na produção, distribuição e prescrição
do medicamento. Para obter os dados do profissional nos receituários,
por exemplo, cada conselho de categoria gastaria R$ 1,4 mil por
ano. Nas farmácias o próprio registro fiscal já
poderia ser usado para conter também as informações
específicas sobre o medicamento.
Desta forma, haveria um controle desde a produção
até a prescrição ao consumidor, o que acarretaria
menos problemas como o da morte de 22 pessoas causada pelo ingestão
de Celobar. Se houvesse o rastreamento a vigilância sanitária
poderia localizar de imediato o produto e evitar danos maiores.
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Jornalista Iram Alfaia
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