08 de agosto de 2003
Declaração
de voto da Deputada Vanessa Grazziotin
na votação da PEC 40
A apresentação do Projeto de Reforma da Previdência
na Câmara dos Deputados seguiu uma agenda já pautada
no governo anterior. Como parlamentar do PC do B, desde o inicio
da discussão adotei, assim como meu Partido, uma postura
crítica ao Projeto, não concordando com a prioridade
a ela atribuída, e, publicamente explicitando divergências
profundas com teor da PEC 40.
Na apreciação do conteúdo do Projeto, o
PC do B fixou diretrizes buscando construir um desfecho negociado,
no âmbito da base de sustentação do governo,
mediante a modificação do projeto original do Executivo,
com o objetivo de preservar os direitos dos trabalhadores e os
interesses do Estado nacional brasileiro, fundamentos de um projeto
nacional desenvolvimentista.
Na fase em que nos encontramos, de deliberação
e votação em Plenário da Emenda Aglutinativa
Global apresentada pelos partidos da base aliada, constata-se
que as mudanças estão muito aquém das críticas
e propostas de mudanças apresentadas pelo PCdoB e demais
forças partidárias e sociais que apóiam este
governo. O projeto de reforma original do Executivo foi modificado,
contudo, a ação das forças sociais progressistas,
inclusive do PCdoB, para alterá-lo não alcançou
pleno êxito.
As principais modificações apresentadas no parecer
do relator contemplam a manutenção da integralidade
para os atuais servidores, entretanto sem garantir a paridade.
Quanto aos futuros servidores o direito a integralidade não
foi garantida, mantendo o modelo de fundo de pensão. A
emenda que o PCdoB apresentou garantia esse importante parâmetro
para a valorização do servidor público, não
somente para os atuais, mas também para os futuros.
A inclusão de milhões de trabalhadores que não
têm nenhuma cobertura previdenciária, um dos pontos
apresentados por emenda coletiva do meu partido foi parcialmente
incorporada ao relatório, abrindo na Constituição
Federal a possibilidade de incorporar ao sistema previdenciário
grande contingente de excluídos da Previdência. Consideramos,
entretanto, que ainda há problemas, pois esta inclusão
será restrita quanto ao direito à benefícios.
Em relação à contribuição
dos servidores inativos o recuo foi muito pequeno e o relatório
manteve essa taxação, que será feita no mesmo
percentual do servidor da ativa na parcela de sua remuneração
que exceder a metade do teto do RGPS, ou seja, R$ 1.200.
Mesmo considerando insuficientes as modificações
incorporadas ao relatório, mesmo tendo divergências
e críticas ao texto apresentado, o que levou a bancada
do PCdoB a externar o voto favorável ao Projeto, foi o
quadro político instável que se formou em torno
de sua votação, recaindo sobre o governo pressões
de toda ordem, cuja derrota no processo de votação
poderia provocar consequências graves no quadro institucional
provocando dificuldades de governabilidade.
Tendo em vista os interesses imediatos e futuros da nação
e dos trabalhadores, considerando a nossa responsabilidade na
manutenção do atual governo, que foi duramente conquistado,
resolvemos dar o nosso voto de confiança de que em breve
este governo trilhará um programa de mudanças, que
construam um novo modelo de desenvolvimento com soberania, democracia
e ampliação dos direitos sociais e trabalhistas.
Essa responsabilidade que assumi com as forças avançadas
do país que sustentam o governo e a decisão do PCdoB
de votar a favor dessa emenda aglutinativa constituem os referenciais
que nortearam minha decisão.
Estou consciente que a votação exarcerbou, dentro
e fora do governo, o conflito entre a mudança e o continuísmo.
De agora em diante estaremos nas ruas, como sempre estivemos,
para junto do movimento popular exigir e ajudar o governo a promover
as mudanças necessárias à melhoria da qualidade
de vida dos brasileiros.
Ao proclamar as razões de nosso voto, o PCdoB reafirma
sua convicção de que o Governo Lula deve acentuar
sua agenda na direção do compromisso de mudança
que assumiu com a nação. Isso deve ser feito sem
demora, pois são crescentes as dificuldades na esfera da
economia real, com a retração da produção
industrial e o aumento do desemprego. E para tal é imperativo
a adoção de medidas que assegurem a retomada do
desenvolvimento, com soberania, ampliação da democracia
e valorização do trabalho.
Ressalta-me a importância do coletivo partidário
manter-se coeso em torno desta decisão adotada após
sucessivos debates na Comissão Política Nacional
e no Comitê Central. A unidade do Partido é um dos
bens mais preciosos dos comunistas brasileiros, e, sobretudo em
momentos históricos - como este em que vivemos -, ela é
uma das principais condições de nossa força.
Finalmente, destaco que a posição do PCdoB, partido
de longa tradição na luta em defesa dos trabalhadores
e de todo o povo, apesar de ter claro que estão sendo retirados
direitos dos servidores públicos, tem, nesse momento, como
norte o objetivo de fortalecer o governo de Lula, que representa
o que tem de mais avançado hoje no país, centrando-se
assim e tão somente, na possibilidade de promovermos, em
breve, as verdadeiras e necessárias mudanças que
exige o país e toda nossa gente, motivo da eleição
de Lula.
Brasília, 05 de agosto de 2003.
Deputada VANESSA GRAZZIOTIN
PCdoB/AM