Data: 15.04.2003
A Crítica
TCU manda Secex investigar o
porto
[ Antônio Paulo- Sucursal ]
BRASÍLIA
- O Tribunal de Contas da União determinou à
Secretaria de Controle Externo, no Estado do Amazonas (Secex-AM),
que realize investigações no Porto de Manaus para
verificar se houve irregularidades nos convênios entre o
Estado do Amazonas e a União, assim como na licitação
do projeto de revitalização.
O relator do processo no TCU, ministro Augusto Sherman Cavalcanti,
atendeu solicitação da Comissão de Fiscalização
Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, por meio
da deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). O pedido
de auditoria especial foi feito em abril do ano passado.
Em seu despacho, o ministro Sherman determina que, em 15 dias,
a Secex-AM peça esclarecimentos ao Ministério dos
Transportes para saber se houve autorização específica
da União para o projeto que inclui a transferência
das atividades portuárias de movimentação
de cargas e de contêineres do Porto de Manaus para um novo
porto próximo ao Distrito Industrial.
O TCU também quer informações do Ministério
sobre o acompanhamento e a fiscalização, do Convênio
de Delegação nº 07/97, celebrado com o Estado
do Amazonas, para a administração e exploração
do Porto de Manaus e os portos fluviais integrantes de sua estrutura.
Os técnicos da Secretaria de Controle Externo também
vão procurar saber se ocorreram tomadas de contas anuais
da administração portuária. Em caso afirmativo,
devem encaminhar os resultados ao tribunal.
Sherman Cavalcante indaga, ainda, se o Programa de Revitalização
de Áreas Portuárias (Repav) aplica-se, além
das áreas portuárias não-operacionais, também
àquelas a serem futuramente desativadas. Pede esclarecimentos
à Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias
do Estado do Amazonas (SNPH) para que esclareça como e
em que local está funcionando o terminal de cargas do porto
organizado de Manaus.
O ministro também quer saber sobre a posição
atual e os efeitos da decisão liminar publicada na Ação
Popular nº 2001.34.00.017922-8, da 22ª Vara Federal
da Seção Judiciária do Distrito Federal,
que determina ao Estado do Amazonas e à SNPH a suspensão
da "transferência de quaisquer instalações
do Porto Organizado de Manaus destinadas a movimentação
e armazenagem de cargas e em contêineres, para instalações
de portos privados".
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)
deverá se manifestar sobre a regularidade do projeto de
transferência de toda a operação do porto
organizado de Manaus para outro local, de propriedade da SNPH,
e as conseqüências que isso traria, considerando o
Convênio de Delegação nº 07/97, celebrado
entre a União e o Estado do Amazonas, para a administração
e exploração do porto.
O Conselho Nacional de Desestatização será
intimado a informar ao TCU sobre o cumprimento das obrigações
desse convênio, assim como a aprovação do
Programa de Arrendamento de Áreas e Instalações
do porto, devendo os resultados serem encaminhados ao Tribunal.
"Após tomadas todas as providências, determino
à Secex-AM, com urgência, reavaliar a questão
da transferência de toda a operação portuária
do porto organizado de Manaus para outro local, próximo
ao Distrito Industrial, à luz das respostas das diligências",
encerra o despacho do ministro Augusto Sherman Cavalcanti.
Empresa apóia investigação
O diretor operacional da Amazônia Operações
Portuárias, Alessandro Bronze Toniza, diz que apóia
tudo o que puder ser feito para deixar claro à população
que não há nada de errado no porto. Garante que
é a favor, inclusive, de uma Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) e completa: "A empresa está
aberta a dar todas as informações para acabar de
vez com essa celeuma".
Para o diretor, essa é uma questão política
em que a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB), autora do
pedido de auditoria especial, estaria beneficiando a Super Terminais
- empresa que administra um porto privatizado. Segundo ele, a
resposta para esse "movimento político" é
a revitalização do porto, os navios que estão
chegando semanalmente com centenas de turistas e a qualidade do
serviço prestado ao ribeirinho. Bronze diz que queria ver
também uma investigação na Super Terminais.