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ENTREVISTAS . . . |
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Jornal: A crítica
Data: 21.07.2003
ENTREVISTA/VANESSA GRAZZIOTIN
Pronta
para o grande desafio
TEREZINHA
PATRÍCIA
A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB) foi a mais votada nas eleições
de 2002. Teve quase 198 mil votos, dos quais mais de 167 mil na
capital. Para muitos, isso a credência a figurar na lista
da sucessão municipal de 2004. Ela diz que antes resistia
a uma candidatura majoritária, porque vem de uma experiência
de parlamento, mas hoje está tranqüila e disposta
a enfrentar uma candidatura, assim como está aberta a apoiar
outro candidato. A deputada considera as próximas eleições
de uma importância que vai além do município
e defende que a base de sustentação do Governo Federal
deve mapear as capitais e ver qual a melhor forma de os partidos
caminharem juntos numa coligação ampla. Quanto aos
nomes que já estão despontando no cenário
local, a parlamentar considera que são bons, mas diz que
o momento é de renovação política,
de pessoas que tenham idéias inovadoras. Com militância
em movimento estudantil e sindical e com 10 anos como vereadora,
Vanessa está no segundo mandato como deputada federal.
Veja trechos da entrevista concedida ao jornal A CRÍTICA
em que ela fala de sucessão municipal e das reformas tributária
e da Previdência Social.
Deputada do PCdoB admite que
é candidata à prefeita
A CRÍTCA - O ano que vem será de sucessão
municipal. O seu nome desponta entre os prováveis candidatos.
A senhora confirma a candidatura à Prefeitura de Manaus?
VANESSA GRAZZIOTIN - A princípio eu resistia muito
a uma candidatura majoritária, porque eu tenho toda a experiência
de parlamento, mas hoje eu estou mais tranqüila, já
tenho consciência de que se tiver que ser, será.
Já estou disposta a enfrentar uma candidatura direta ou
apoiando alguém que seja candidato, porque nós estamos
aberto a isso.
AC - A senhora se considera um nome forte?
VG - Acho que não sou o nome mais forte, acho que
têm outros que despontam com a mesma força. A definição
se deverei ser ou não candidata não depende só
de mim e nem do partido, porque a situação política
que a gente vive hoje é muito nova e muito diferente. Eu
acho que a sucessão municipal, principalmente nas grandes
cidades vai girar em torno de um projeto nacional e como nós
somos parte integrante da base de sustentação do
Governo Federal, vamos ter que sentar à mesa e, mapeando
as capitais, ver qual a melhor forma de os partidos caminharem
juntos rumo à vitória. Então, de cara, já
digo que defendo uma coligação ampla, composta por
aqueles que apoiam o Governo Federal para que a gente possa dar
continuidade a esse processo de mudança.
AC - Que perfil deverá ter esse candidato?
VG - Eu vejo essas eleições municipais com
uma importância que vai além do município,
eu acho que eleger um candidato comprometido com o município,
um candidato capaz, que tenha uma postura ética em suas
atividades políticas é muito importante. Agora eu
vejo as eleições municipais como uma forma de consolidar
o avanço desse grupo que está no poder, porque nós
ganhamos as eleições, mas não ganhamos o
poder.
AC - O PCdoB é um partido pequeno, como seria a
aliança ideal para a sua
candidatura decolar?
VG - O ideal seria que a gente conseguisse a unidade com
os partidos da base aliada, se não for possível
paciência. Agora alguém pensar - mesmo de um partido
grande - que pode ser candidato só com seu partido, esse
tempo já passou. Se é difícil para o PCdoB,
não é tranqüilo nem para os grandes partidos.
AC - Também estão entre os "prefeituráveis"
nomes como o do vereador Plínio Valério (PV), do
economista Serafim Correa (PSB), do senador Jefferson Péres
(PDT), este teria como companheiro de chapa o deputado federal
Carlos Souza (PL), Arthus Bisneto (PSDB) e a ex-deputada Beth
Azize (sem partido). Como a senhora avalia esses nomes?
VG - Eu acho que são todos nomes bons, uns com
mais experiência, outros com menos. Eu sinto que esse momento
é de renovação política, não
renovação na idade, mas no sentido de idéias
novas, lançadas por pessoas que tiveram uma trajetória
na oposição e que agora se colocam como opção
de Governo. É esse o momento que a sociedade vive.
AC - Um nome também colocado é o do ex-governador
Amazonino Mendes (PFL).
VG - Eu vejo isso com muita naturalidade. Para quem foi
governador três vezes, duas vezes prefeito de Manaus, não
é novidade. As coisas vão se formando por aí.
É o grupo do lado de cá, que ganhou as últimas
eleições (PT, PCdoB, PSB, PDT, PTB, PMDB) e o grupo
do lado de lá (PSDB e PFL). Eu estou prevendo de que um
lado teremos um bloco ou mais de um - os partidos que compõem
essa nova força que dirige o País e do outro o PFL
e o PSDB. Acho que o nome do ex-governador é um dos nomes
de maior evidência.
AC - O cenário nacional é de polêmica
por conta da proposta da reforma da Previdência Social.
Os funcionários públicos federais estão em
pé de guerra e muitos setores estão em greve. Num
encontro com os servidores, na semana passada, o presidente da
Assembléia Legislativa, Lino Chíxaro (PPS), propôs
a realização de uma audiência pública,
provavelmente dia 25, em Manaus, com a presença da bancada
amazonense no Congresso Nacional. Os servidores querem a retirada
da PEC 40, ou pelo menos a abertura de diálogo com o Governo,
e vão pedir a ajuda dos parlamentares. Qual a sua avaliação
da reforma?
VG - Nossa bancada apresentou seis emendas que representam
o ponto de vista político não só da bancada
do PCdoB, mas do partido como um todo. Algumas dessas emendas
são centradas no Regime Geral da Previdência Social
(que abrange os trabalhadores da iniciativa privada). Essa reforma
visa o servidor público, mas nos entendemos que o grande
gargalo é o Regime Geral, quando a gente olha os estudos
da previsão atuarial, ou seja, os cálculos de como
é hoje a Previdência, como vai ser daqui a 20 anos,
esses dados demonstram que daqui a alguns anos o maior problema
vai ser enfrentado no regime geral.
AC - Por que?
VG - Porque 60% dos trabalhadores do nosso País
não dispõem de mecanismo de proteção
previdenciária, são 40 milhões de brasileiros
(os autônomos, os trabalhadores do mercado informal). Eles
não contribuem porque o porcentual cobrado é 20%
do valor do salário mínimo (R$ 48). Várias
das nossas emendas buscam criar uma situação especial
para o trabalhador urbano. Que se cobre dele um porcentual menor,
para que tenha direito a pelo menos um salário mínimo
de aposentadoria. O trabalhador rural já tem isso.
AC - E quanto ao servidor público?
VG - Aí as coisas se complicam mais, porque a proposta
do Governo é buscar a paridade entre servidores públicos
e os trabalhadores da iniciativa privada e uma forma de aproximar
é buscar o fim da integralidade. Hoje o servidor se aposenta
com o salário integral. Querem acabar e colocar um teto
de R$ 2.400. Não concordamos porque o servidor público
é diferente do privado, o público não tem
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), a única
vantagem é saber que quando for se aposentar terá
salário igual ao que tinha na ativa. Se pensarmos em algumas
funções estratégicas a situação
se complica. Quem vai querer ser policial federal neste País
ou professor universitário para se aposentar com R$ 2.400?.
Você não pode comprar a responsabilidade de um juiz
com a de um operário. Se queremos um Judiciário
forte independente, imune a pressão e ao processo de corrupção,
você tem que valorizar e reconhecer essas carreiras.
AC - Há também outra proposta de reforma,
a tributária. Essa preocupa muito os amazonenses por causa
da Zona Franca de Manaus (ZFM). A senhora que acompanha o assunto,
em que pé está a reforma?
VG - Essa reforma não mexe tanto no sistema tributário
brasileiro, mas mexe no principal tributo do País, o ICMS,
um tributo estadual com 27 legislações. A reforma
mantém o tributo estadual, mas com uma única legislação
federal para acabar com a "guerra fiscal" entre os Estados,
que criaram suas próprias "zonas francas" do
ponto de vista da utilização do ICMS. No caso da
ZFM a bancada luta e a emenda que eu apresentei é uma emenda
da bancada do PCdoB. O deputado Lupércio Ramos está
liderando a emenda oficial elaborada pelo Governo do Estado. O
objetivo das emendas é colocar uma vírgula. Porque
na proposta à emenda tem um artigo que diz, é proibido
os Estados concederem benefícios fiscais do ICMS. Queremos
colocar uma vírgula aí e acrescentar, com exceção
o que dispõe o artigo 40 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (que garante os benefícios
da ZFM até 2013). É só. Eu não vejo
dificuldade política em se aprovar isso.
AC - E quanto a prorrogação dos benefícios
da ZFM?
VG - Estamos aproveitando a reforma tributária
para pedir a prorrogação da ZFM. Eu acho que o momento
político é muito bom. Tenho convicção
de que o Governo Federal entende a importância da ZFM, acho
que estamos rompendo a barreira do interesse paulista contra o
interesse do Amazonas.