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-----Mensagem original-----
De: Marina Pimenta Spinola Castro [mailto:marina.castro@mj.gov.br]
Enviada em: segunda-feira, 13 de setembro de 2004 18:59
Assunto: Brasil apresenta na ONU relatório inédito sobre a infância
Prioridade: Alta
Brasil
apresenta na ONU relatório inédito sobre a infância
Brasília,
13/09/2004 (PR) Pela primeira vez, o governo brasileiro vai apresentar um relatório sobre
a situação das crianças e dos adolescentes brasileiros ao Comitê sobre os Direitos da
Criança da Organização das Nações Unidas. O ministro Nilmário Miranda, apresentará
amanhã (14/09), em Genebra, durante a 37ª Sessão do Comitê dos Direitos da Criança,
todas as informações
relativas à implementação dos dispositivos da Convenção sobre os direitos da
criança, no período de 1991 a 2002.
O Brasil assinou em 1990 a Convenção
Internacional sobre os Direitos da Criança. O Estado brasileiro
deveria apresentar um relatório sobre a implementação dos direitos infanto-juvenis em
1992 e, em seguida, a cada cinco anos. O Estado brasileiro deixou de cumprir essa
obrigação por mais de uma década e agora o atual governo apresenta o primeiro informe
que diz respeito ao período de 1991 a 2002.
A delegação brasileira que
irá representar o Governo na Sessão é chefiada pelo ministro Nilmário Miranda, da
Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e tem a presença da Senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE), da Subsecretária de Promoção dos Direitos
da Criança e do Adolescente, Denise Paiva, além de representantes do Itamaraty, dos
Ministérios da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento Social. Amanhã de manhã, o
ministro terá 10 minutos para apresentar o relatório e, em seguida, será iniciado o
debate com o Comitê, que se estenderá até o fim do dia.
Para
elaborar o relatório, foram feitas, durante cinco meses,
reuniões com representantes de diferentes esferas do governo e de organizações
não-governamentais. Foi criado um Comitê de Redação, coordenado pelo Ministério das
Relações Exteriores, que delegou a cada um de seus membros a tarefa de elaborar trechos
relativos aos direitos da infância e juventude.
O
governo federal acredita que a elaboração de balanços dessa natureza, em consulta com a
sociedade civil, são ferramentas úteis de apoio aos esforços desenvolvidos na área.
Assegurar os direitos das crianças e promover medidas e políticas públicas que os
assegurem é prioridade para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
destaca Nilmário Miranda, que é também presidente do Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente (Conanda).
Um
dos objetivos do relatório é demonstrar o compromisso do Estado brasileiro com a
promoção e a defesa dos direitos da criança e do adolescente. Mas o documento apresenta
também as
deficiências ainda existentes nessa área e as dificuldades encontradas para saná-las
O ministro explicou que a dimensão geográfica, a diversidade das regiões, a estrutura político-administrativa e as disparidades
sociais, culturais e econômicas são alguns fatores que dificultam a
implementação de políticas de alcance nacional.O Brasil é uma
República Federativa, sendo que os entes federados, estados e municípios, possuem
autonomia político-administrativas, e muitas vezes, os mesmos
não dispõem das condições adequadas para implementá-las, afirmou.
Além de
políticas para a promoção da saúde e educação, o relatório trata de diversos temas
como a discriminação, o direito à expressão, situação de crianças que vivem na rua,
trabalho infantil, violência, entre outros.
Alguns dados
apresentados no Relatório:
· Segundo
informações do IBGE, até 1999, foram criados, além do Conselho Nacional e de todos os
27 Conselhos Estaduais, 3.948 Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do
Adolescente, o que corresponde a 72% das cidades brasileiras. A falta de infraestrutura, ao longo destes anos, tem dificultado a
implantação de Conselhos Municipais e contribuído para a falta de entendimento do
significado e da importância destes órgãos para a infância e adolescência.
· A taxa de
mortalidade materna declinou cerca de 28%, nas capitais do país, entre 2001 e 2002. Em 2001, de cada cem mil nascidos vivos, havia 71
óbitos de mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Em 2002, a estimativa é
que esse número tenha diminuído para 50.
A taxa de mortalidade infantil diminuiu, de
1990 a 2000, 40%. Passou de 48,3 por mil para 29,6 óbitos por mil nascidos vivos.
- De 1979 a 1999, o número de homicídios aumentou de 1.018 para 6.373, entre os meninos,
e de 212 para 678, entre as meninas.
A expansão do sistema de ensino que
contribuiu para uma redução da taxa de analfabetismo, a qual declinou de 17,2%[1],
em 1992, para 12,4%, em 2001.
No Nordeste, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais é 3 vezes maior que a do Sul do País.
De acordo com o Datasus/MS,
em 1999, mais de 42% dos óbitos de crianças com idade inferior a 10
anos foram causados por afecções originadas no período perinatal.