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-----Mensagem original-----
De: Boletim JG [mailto:boletim@global.org.br]
Enviada em: terça-feira, 14 de setembro de 2004 13:15
Para: Boletim JG
Assunto: Boletim JG
14 de setembro de 2004 - nº 18
O Centro de
Justiça Global e a organização internacional Médicos Sem Fronteiras MSF
encaminharam denúncia aos Relatores da ONU sobre Moradia Adequada (Miloon Kothari) e
Saúde (Paul Hunt), a respeito de uma série de operações de limpeza urbana realizadas
pela COMLURB (órgão responsável por recolhimento de lixo) e pela Guarda Municipal da
cidade do Rio de Janeiro, denominadas popularmente como Operação Cata-Tralha,
que consiste no recolhimento forçado de pertences de moradores de rua.
De acordo com testemunhos ouvidas pelos MSF, os moradores de rua são
obrigados a entregar até mesmo pertences considerados essenciais a qualquer cidadão,
como documentos, roupas, cobertores e água potável. Nas ações, têm sido recolhidos
remédios (contra HIV, tuberculose, etc.) e exames de saúde. Vale destacar que já é muito difícil o acesso
da população de rua a medicamentos e serviços de saúde pública, e o recolhimento de
remédios e exames médicos durante as operações cata-tralha vem agravar
ainda mais o quadro da saúde pública além de expor as vítimas a sérios riscos de
vida.
No dia
19 de janeiro de 2004, os MSF enviaram ofícios para o prefeito do Rio, para a
Governadora, para os presidentes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Vereadores do Município do Rio de Janeiro e da Assembléia Legislativa do Estado do Rio
de Janeiro e para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal informando sobre a
situação dos moradores de rua e as graves conseqüências das operações Cata-Tralha.
No entanto, nenhuma providência concreta foi tomada e as operações continuaram.
Os
moradores de rua já vivem sob condições de moradia inadequadas e, além disso,
enfrentam muitas dificuldades para acessar serviços públicos tais como saúde,
educação etc. O recolhimento de roupas, remédios e materiais de trabalho dessa
população carente, sem qualquer base legal, pelos agentes do Estado, potencializa a
situação de risco, na qual estão inseridos os moradores de rua e caracteriza evidente
violação do direito à moradia dos mesmos.
Fracassa processo de Solução
Amistosa no caso dos Meninos Emasculados do Maranhão
Após quatro reuniões
realizadas entre familiares, organizações peticionárias e governos Estadual e Federal
com o objetivo de se chegar a um acordo quanto à reparação aos familiares dos meninos
emasculados, a negociação entre as partes não obteve sucesso. A garantia de uma
indenização em dinheiro e o reconhecimento de falhas e morosidade nas investigações
eram requisitos básicos, segundo as famílias das vítimas, para que um acordo fosse
celebrado. Entretanto, o Governo Estadual não aceitou tais condições.
A
denúncia contra o governo brasileiro, no caso dos meninos emasculados no Estado do
Maranhão, foi feita pelo Centro de Justiça Global e pelo Centro de Defesa Pe. Marcos
Passerine, Maranhão, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da
Organização dos Estados Americanos, OEA, em setembro de 2001. As organizações
solicitaram à OEA providências nas investigações da morte do garoto Ranier Silva Cruz,
assassinado em setembro de 1991, em Paço do Lumiar, região da Grande São Luís. Mesmo
havendo um suspeito e sua prisão preventiva ter sido decretada, o caso foi arquivado.
Esse foi um dos argumentos para que a OEA acolhesse a denúncia nos seus rígidos
critérios de representação, entre eles o evidente esgotamento de recursos internos de
investigação. A petição foi pela aceita pela CIDH em 06 de setembro de 2001. A partir
desta data, o governo brasileiro deveria prestar informações acerca do caso em um prazo
de dois meses.
Em 31
de outubro de 2001 foram denunciados mais dois casos à OEA: o assassinato de Eduardo
Rocha da Silva, 10 anos e Raimundo Nonato da Conceição Filho, 11 anos, ocorridos entre
os dias 07 e 09 de junho de 1997.
Com a
fase de negociação fracassada, o processo contra o Estado brasileiro segue tramitando na
Organização dos Estados Americanos (OEA) e o caso pode futuramente ser remetido à Corte
Interamericana de Direitos Humanos. A implicação para o país, em caso de condenação,
é a sanção internacional da OEA e sua classificação como Estado violador dos direitos
humanos. Na prática, o Brasil fica exposto de maneira negativa diante da comunidade
internacional.
Execução de jovens por policiais no Rio de Janeiro é denunciada à ONU
O Centro de Justiça Global
denunciou à Relatora Especial sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias,
Asma Jahangir, a execução de três jovens na favela do Pavão-Pavãozinho, na cidade do
Rio de Janeiro, no dia 3 de março de 2004, durante operação policial realizada pelo
Grupo de Policiamento em Áreas Especiais - GPAE.
O GPAE
foi implantado na comunidade Pavão-Pavãozinho e Cantagalo em setembro de 2000, como
resposta a uma operação policial realizada em maio de 2000 que resultou na execução de
5 jovens e desencadeou a revolta de milhares de moradores que desceram para protestar no
asfalto de Copacabana.
Naquela
ocasião, o governo do Rio de Janeiro foi
levado a anunciar a realização de uma experiência piloto no Pavão Pavãozinho, que
descartasse o modelo das incursões relâmpago dos policiais e fornecesse um
policiamento permanente aos moradores dessas comunidades: o Grupo de Policiamento em
Áreas Especiais (Gpae).
A
ação original do Grupamento foi baseada no esforço contínuo de aplicação de novas
estratégias de prevenção e repressão qualificada do delito, a partir da filosofia da
Polícia Comunitária. Essencialmente preventiva e, apenas eventualmente, repressiva,
contou com a integração dos serviços e com a mobilização de instituições, líderes
comunitários e outros parceiros que pudessem contribuir para o desenvolvimento social.
Nos primeiros anos da experiência, o comprometimento dos primeiros comandantes do GPAE
fez o projeto alcançar resultados significativos. Durante meses, os tiroteios e as
vítimas fatais praticamente não existiam, chegando a reduzir a zero o número de
homicídios e ocorrências de bala perdida. Cerca de 50 policiais foram
afastados por existirem fortes evidências de comprometimento da sua idoneidade moral,
profissional e de suas ações policiais perpetradas contra civis, caracterizadas por maus
tratos, violência arbitrária, uso excessivo da força e abuso do poder.
Entretanto,
com o decorrer do tempo, o descaso do poder público e as primeiras mudanças de comando
do grupamento contribuíram para o declínio da iniciativa. Os tiroteios voltaram e
moradores passaram a denunciar o cometimento de abusos por parte de policiais do GPAE:
invasão de domicílios, falta de identificação e não uso do fardamento pelos PM´s;
uso de toucas ninja, camisas pretas, armamento pesado; prática de extorsão e
maus-tratos contra os moradores, entre outros.
O desfecho mais trágico dessa atuação desvirtuada do GPAE não tardou a
acontecer: no dia 03 de março de 2004, os jovens Alexandre Firmino de Souza, Estevão
Laureano Martins e André da Conceição Oliveira foram executados em uma das operações
do GPAE. Os policiais estavam sem farda, com rostos pintados, camisas pretas, toucas,
boinas e fortemente armados quando torturaram e assassinaram os jovens. Uma outra
operação trágica não tardou a acontecer no Morro do Pavãozinho: no dia 23 de agosto
de 2004, policiais do GPAE executaram um menor de 16 anos, gerando muita revolta e
protestos entre os moradores.
O Fórum de
Entidades Nacionais de Direitos Humanos, integrado também pela Justiça Global, divulgou
uma nota pública expressando preocupação com a situação dos trabalhadores rurais da
Usina Aliança, em Pernambuco.
Os
impasses em relação à situação dos trabalhadores da Usina Aliança vêm se arrastando
há vários anos. O processo de desapropriação corre desde 1998 e, somente em 25 de maio
de 2004, foi publicado o Decreto Presidencial desapropriando por interesse social para
fins de reforma agrária 06 (seis) dos 22 (vinte e dois) Engenhos da Usina Aliança.
Apesar
disso, os trabalhadores e moradores do Engenho Sirigi, demitidos pela Usina Aliança
(Pessoa de Melo Ind. e Com. S.A.), e que jamais receberam suas
indenizações trabalhistas, além de serem moradores do local há mais de 20 anos, estão
prestes a serem despejados de suas residências (casas de alvenaria) e a terem as suas
plantações destruídas, por força de uma decisão liminar concedida pela juíza da
Comarca à Empresa SAMASA que pertence ao mesmo Grupo da Usina Cruangi, do usineiro José
Guilherme Queiroz.
No
último dia 13 de setembro, o Centro de Justiça Global enviou um ofício à Juíza Dra.
Luciana Maranhão, demonstrando seu apoio aos trabalhadores rurais da Usina Aliança e
solicitando, a suspensão do despejo decretado por ela. Decretar o despejo dos
trabalhadores rurais pode gerar conflitos ainda maiores do que os já registrados na área
até o presente momento.
O
caso da Usina Aliança também está sendo acompanhado pelo Projeto Relatores da
Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais, através dos
Relatores Nacionais Flávio Valente e Hugo Melo, sobre direito à alimentação e direito
ao trabalho, respectivamente.
Lançamento do informe sobre o Programa Fome Zero e Direito Humano à Alimentação
no Brasil
Dia 15 de setembro
-
No
dia 15 de setembro, às 10h00, no Centro Cultural de Brasília, localizado na Av. L2 Norte
Q. 601, módulo B, Brasília, haverá o lançamento do informe elaborado pela FIAN Brasil (organização
internacional pelo direito humano à alimentação) em cooperação com Fian
Internacional sobre o Programa Fome
Zero e Direito Humano à Alimentação no Brasil.
O
informe analisa as políticas de combate à fome no Brasil, assinaladas no Programa Fome
Zero, as quais vêm sendo implementadas há mais de um ano pelo governo Lula.
No dia 21 de setembro, às 17h, no prédio da Antiga Reitoria, na
Universidade de São Paulo, ocorrerá o coquetel de lançamento do número 51 da revista
Estudos Avançados, que terá como tema central a reforma da justiça.
Mais informações: Edilma Souza Martins ou Giovana Giurizatto: 3091-4442 e
3091-3919.
estavan@edu.usp.br / www.usp.br/iea/revista
Curso gratuito de segurança pública na Uerj
Inscrições até dia 25 de setembro -
O curso de Segurança Pública - Teoria e Gestão tem por objetivo dominar os
conceitos teóricos, filosóficos e técnicos que permitam a formulação e avaliação de
políticas públicas na área da segurança pública. As inscrições estão abertas até
o próximo dia 25, das 18h30 às 20h30, no Núcleo de Segurança Pública da Uerj/FCH, na
rua São Francisco Xavier, 524/9º andar, bloco F, sala 9103, Maracanã.
EXPEDIENTE:
Sandra Carvalho
Tatiana Lichtig
CENTRO DE JUSTIÇA GLOBAL
R. Itapeva, 79 - conj. 41
Av. N. Sra. Copacabana, 540/402
São Paulo - SP CEP. 01332-000
Rio de Janeiro - RJ CEP. 22020-000
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